Blog do Kenard – Notícias e Análises

22 de julho de 2010 às 17h10min

Maranhão tem mais de 620 mil analfabetos

O Maranhão tem um eleitorado de 4,3 milhões. Desses, 14% são analfabetos, o que leva ao extraordinário número de 620 mil. Não é de espantar, já que entre as 20 piores escolas do Brasil, cinco são maranhenses. Das 20 piores do Maranhão, 20 são escolas estaduais.

Mas ouso dizer que esses números estão aquém da realidade. O Maranhão tem muito mais analfabetos. 620 mil são apenas os que se encontram na idade de votar. Só para o leitor ter uma idéia, em julho de 2009 (portanto, há um ano) o IBGE divulgava os índices de analfabetismo no Brasil. O país tinha 11,5% de crianças analfabetas. O Maranhão detinha alarmantes 38% de crianças analfabetas (índice pior do que os do Piauí e Alagoas).

Culpados – Quando foram mostrados aqui no blog os estragos na Educação, com os números vergonhosos das escolas ruins, houve quem comentasse que a culpa era do ex-governador Jackson Lago (PDT), já que os números eram de 2009. Um erro, no meu entender: Lago governou apenas dois anos, mesmo assim acossado todos os dias pela idéia de que iria cair na manhã seguinte, como acabou ocorrendo justo em 2009.

Os que foram rápidos em apontar o dedo para Jackson Lago estavam esquecidos dos números da governadora Roseana Sarney (PMDB). Ela teve dois mandatos (foram sete anos porque ela se desincompatibilizou para ser candidata ao Senado após o desastre da aventura à Presidência da República). E qual a realidade deixada por ela na Educação?

Quando em 2002 Roseana Sarney afastou-se do governo, eis o quadro mapeado pelo Ipea:

“A educação concentra alguns dos piores indicadores sociais do Maranhão. O estado ostenta a terceira maior taxa de analfabetismo da região Nordeste, cuja média neste quesito é o dobro da média nacional. Tem a pior taxa de escolaridade média e o mais baixo percentual de pessoas que chegam até o ensino superior”.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, na época, eis o que disse Ricardo Paes de Barros, diretor de Estudos Sociais do Ipea e coordenador de pesquisa sobre pobreza e indicadores sociais no Maranhão:

“Além disso, possui um altíssimo déficit educacional de gerações passadas. O conjunto resulta na ausência de uma elite capaz de reverter o atraso do Maranhão em relação ao resto do País. ‘O que mais preocupa, lá, é a drenagem de cérebros’”.

E mais:

A média nacional de pessoas que passam 12 ou mais anos no sistema educacional é de 9%. Educação básica também é um problema no Maranhão. ”Tendo como meta o estado de Santa Catarina, que tem um bom nível de educação primária e secundária, acima da média brasileira, podemos dizer que, no ritmo em que está, o Maranhão levaria 15 anos, ou até mais, para chegar lá”, comenta Paes de Barros.

Portanto, não se trata de defender Jackson Lago. Mas não há seriedade em culpá-lo por dois anos de governo quando em 2002 o prognóstico, por baixo, era de 15 anos ou até mais para tentar melhorar o quadro lamentável.

 Antes que digam que o pesquisador é “balaio”, como costumam chamar a quem faz críticas ao grupo Sarney, apresento mais um detalhe da matéria do Correio Braziliense: “Especialista em pobreza Ricardo Paes de Barros trabalha há 24 anos no Ipea, 15 dos quais exclusivamente com a questão social. É um dos maiores especialistas brasileiros em pobreza. Seus estudos servem de farol para políticas sociais dentro e fora do Brasil. Ele não pensa em trocar o instituto por um contrato com o PFL de Roseana Sarney (Roseana era do PFL, então). Mas orgulha-se de ser um dos colaboradores da presidenciável do PFL. ”Converso sistematicamente com a governadora sobre a política social brasileira. Me considero amigo pessoal dela”.

Eleições 2010 – Agora em outubro teremos eleição para governador. Um bom momento para ouvir o que os candidatos ao Governo do Maranhão têm de concreto a apresentar na área de Educação. Os maranhenses precisam estar atentos com promessas mirabolantes e realizações fantasiosas. Ou perderão mais 15 anos ou até mais.

Dois candidatos ao governo, Roseana Sarney e Jackson Lago, já foram governadores (Roseana é governadora no terceiro mandato). Três candidatos ao Senado, Edison Lobão, João Alberto e José Reinaldo Tavares também foram governadores. É preciso ouvi-los com atenção redobrada.

2 Comentários para “Maranhão tem mais de 620 mil analfabetos”

  1. José da Silva

    Belo texto, doutor Kenard!!!

    Entendo que essa eleição reúne a velha guarda da política maranhense, com exceção de uma pessoa, o todo poderoso, o cidadão que não fala com ninguém – mas acredito que agora falará – o grande, o messias, FLÁVIO DINO!!!

    Veja que não estou lhe atacando, nobre Kenard, somente estou tecendo um comentário, uma opinião pessoal, que o candidato vermelho não modificará o nosso Maranhão. Por último, só peço que o senhor não me agrida.

    Grande abraço!!!

    Resposta: Discordo completamente de você, mas quando você escreve sem agressividade, publico. Depois: não agrido ninguém, respondo à altura. Nada mais. Do contrário o número imenso de leitores que tenho não o teria. Óbvio. Agora não sou cabo eleitoral de Flávio Dino, nem de Roseana Sarney, nem de Jackson Lago. Aqui é um blog para discutir o Maranhão, mas com dignidade. Mas posso, dizer, com tranquilidade, que Flávio Dino jamais se apresentou como Messias. Em nenhum lugar há isso. Agora os imbecis, quando digo isso – e nào estou dizendo que é você – acham que sou FRlávio Dino.

  2. Moura

    Nenhum político desse País,tem a coragem em acabar com voto do analfabeto.Nada contra à esses brasileiros que são vítimas de políticas públicas perversas.Que recriem o MOBRAL,e coloquem nossos patrícios de volta à escolha eleitoral,e à vida decente.Pode parecer preconceito,mas não é;só queremos que pessoas conscientes como nós possam participar do pleito e da vida em igualdades de condições.Isso é ranço de 4ºmundismo.boa noite

    Resposta: Assino embaixo, Moura. Grande abraço.

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