Blog do Kenard – Notícias e Análises

9 de fevereiro de 2012 às 23h20min

Quem sabe o melhor seria acabar com o blog.
Ou então transformá-lo em algo gostosamente inútil

O leitor mais atento já deve ter notado que ando com muito pouca vontade de escrever sobre política. Costumo dizer que o maranhense, por conta das circunstâncias do Estado, é obrigado a se meter em assuntos dos quais gostaria, em circunstâncias mais respeitáveis, digamos assim, de manter distância salutar.

Não que a política, em si, seja enfadonha. São os políticos. Dar voz e vez a esses seres que deveríamos deixar no anonimato de suas obscuridades é cansativo. Quem já conversou por pelo menos meia hora com um comum dos políticos sabe do que falo. Tudo neles tem um propósito, quase nunca declarado e muito menos elevado.

Sei muito bem que o ambiente político não é feito só de políticos. Existem as massas, os chamados eleitores. As massas são responsáveis por muito do que são os políticos. Não esqueçamos que líder é aquele que descobre e bajula o gosto das massas. Hitler só foi possível – só para usar um exemplo extremo – porque em cada alemão que o aplaudiu já havia um Hitler em miniatura encravado na alma. Hitler só jogou o milho.

Os comunistas – fui um deles na mais tenra juventude, afinal ninguém é perfeito – tentaram resolver o problema aniquilando a política. Mas o aniquilamento da política só é possível com a destruição do adversário. Não é à toa que os comunistas imaginavam que um dia haveria uma sociedade em que todos pensariam da mesma forma. Ou seja, os comunistas sonhavam com uma sociedade de estúpidos elevada ao cubo.

Essa estupidez comunista é irmã desta outra estupidez também comunista: o homem novo (portanto, o homem melhor) só é possível com educação formal e o saciamento da fome. Aí está o mais profundo desconhecimento do humano. Creio que nem precise descer a detalhes.

Bom, para não fugir de meu assunto, que na verdade pode ser resumido ao enfado, só posso dizer: mais modesto e sem nenhuma tendência ao homicídio, tenho pensado muito em acabar com o blog. Ou, na melhor das hipóteses, transformá-lo naquilo em que pensaram os criadores de blogues: um diário. Diário não no sentido das moças de antigamente (lembram do “meu querido diário”?).

Seria algo, digamos, caleidoscópico. Haveria poemas, trechos de prosa, alguma resenha de livro, conversa fiada etc. Em resumo: algo que contivesse bastante coisas inúteis. O que, sejamos justos, não deixaria de ser uma provocação a uma sociedade grotescamente utilitária.

Vamos ver o que acontece, afinal a semana ainda não acabou.

6 Comentários para “Quem sabe o melhor seria acabar com o blog.
Ou então transformá-lo em algo gostosamente inútil”

  1. Marccello

    “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.”
    (Edmund Burke)

    PS.: Precisamos de alguém que escreva verdades. Alguém que não seja pago para defender descaradamente o governo (maquiando, escondendo, e muitas vezes mentindo)… Se você desistir, o mal terá uma grande vitória!

    Resposta do Blog: Caramba, meu caro Marcello, você acaba de me pôr contra a parede (risos, estou brincando, claro). Saiba, fiquei muito feliz ao ler seu comentário. Sei que tenho leitores muito agradáveis, boa parte nem conheço, mas são como velhos amigos a quem faz muito não vejo, mas a amizade está ali, segura. Acontece, meu caro, que ando bastante cansado da politicagem que teimam em chamar de política. Paro e penso: puta que pariu, estou jogando fora um tempo valioso de minha criação literária, dobrando-me a um tempo jornalístico quase indigno, num Estado que se deixou contaminar por uma cultura indigna. Vale o esforço? Tenho achado que não. Mas, deixemos o tempo correr. A boa decisão surgirá. Mas saiba, fiquei muito contente com seu comentário. Grande abraço.

  2. Alan

    Caro Kenard,

    Entendo o que diz, afinal, não podemos recuperar o tempo… No entanto, não consigo enxergar outro espaço que forneça uma análise séria, coerente e independente, sobre a política, a qual você costuma fazer através dos seus textos e comentários. Sou seu leitor diário e espero que sua decisão seja por continuar. Grande abraço.

  3. Moreira

    A chegada da meia idade tem me deixado meio sem paciencia com esses tempos de hoje; embora, imagino serem eles a repetição de outros já vividos ao longo da história, pelo menos a ocidental. Claro, respeitadas as mudanças e transformações sofridas pela tecnologia. Por isso, entendo sua dor, amargura, chateação, sei lá o nome a dar. Sofro com isso também, mas não deixemos a ousadia dos canalhas prevalecer, resistamos como vc resisti tão bem em suas laudas, afinal, provicuas são suas observações. Faço leitura obrigatoria deste seu blog, o vejo várias vezes durante o dia. Não nos deixe, se o rico conteúdo – e, olha que discordo de algumas coisas de vez em quando – não servir prá nada a forma soa como poesia. Um abraço…

  4. Diogo

    Política é nojento Grande Kenard. Entendo sua inquietação, ainda mais aqui no Maranhão.
    Ler seus textos sem ter a política como tema é muito legal, mas você tem uma missão muito árdua para com os que comungam com sua posição política.
    Fica a vontade de seu desejo de parar concretizar-se e ao mesmo tempo um incentivo para que continue.
    SÓ NÃO DEIXE DE ESCREVER!!!
    Grande abraço,
    Diogo

  5. Lemarc

    Infelizmente, Kenard, o nosso povo não lê. Se você transformar seu blog em um blog de sacanagem vai lotar. Mas aí se vai estar contribuindo pra fomentar o que se critica. É também por isso que não mudo o meu “nem a pau juvenal” e aconselho você a manter sua luta, principalmente porque o seu Maranhão esquecido pelos políticos precisa de você.
    Grande abraço!

    Lemarc

  6. Paulino

    Não, meu amigo. Podemos nos desiludir com a política, jamais deixá-la nas mãos dessa corja que faz dela meio de vida, sem nenhuma reação. Navegar é preciso…
    …escrever também.

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