Blog do Kenard – Notícias e Análises

23 de setembro de 2011 às 20h05min

Não se trata de um Estado Palestino
mas de exterminar o Estado de Israel

“Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele”.

Claro que o trecho acima não foi escrito por Hitler. O nazista pretendia varrer os judeus da face da terra com sua máquina de extermínio, sem invocar o nome de Alá. Os de hoje também têm o mesmo intento, e o fazem em nome da jihad.

O trecho acima faz parte do Estatuto do Hamas (que me foi enviado gentilmente pela leitora Vânia). Então faço a pergunta que não vejo em parte alguma: quando os palestinos irão reconhecer o Estado de Israel? Porque eu só vejo a pergunta inversa. Absurdamente inversa.

A paz duradora não virá, como pensam Dilma e a diplomacia brasileira, com o reconhecimento do Estado Palestino. O reconhecimento do Estado Palestino é a bandeira que encobre o verdadeiro fim: obter o desaparecimento de Israel. Ou o Hamas deveria mudar seu Estatuto.

Antes que algum desavisado diga que sou contra a existência do Estado Palestino, adianto: não, não sou contra. Mas essa não é uma questão abstrata. Não basta levantar dois dedos e falar em paz como se fôssemos hippies e Israel, Woodstock.

Basta citarmos dois grupos terroristas: Hamas e Hezbollah (por trás, o Irã do neonazista Ahmadinejad; este, pelo menos, tem a indignidade de declarar que almeja o extermínio dos judeus, argh!). O que diz o senhor Abbas sobre os dois? Recrimina em discurso internacional. Pois é, mas o Fatah do senhor Abbas, que comanda a Cisjordânia, olha para o outro lado quando o Hezbollah ataca Israel. Estou mentindo? Claro que não. O próprio Fatah tem seu Hezbollah, as Brigadas dos Mártires. Mentira? Claro que não.

O que não engulo é essa conversa de que os palestinos são coitadinhos e os judeus terríveis algozes. E não engulo porque não bate com a realidade. Isso pode fazer parte da máquina eficaz de propaganda contra Israel. Infelizmente, não há um Procon contra propaganda enganosa de terrorista. Sabedor disso, Israel se defende.

Paz? Ela só será obtida quando pessoas como o senhor Abbas falem de forma concreta. Concreto, no caso: acordo de paz e depois terras. O inverso representaria o fim de Israel.

22 de setembro de 2011 às 11h05min

Neonazista faz ameaças a Israel

Colho essa pérola no UOL. É o neonazista Ahmadinejad, colega de Lula de torno e fogão. Para mim ficou claro: trata-se de uma ameça ao Estado de Israel.

Leiam:

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, garantiu nesta quinta-feira que “se o sonho dos palestinos de terem um Estado legítimo não for realizado neste ano, será no ano seguinte”, ou dentro de dois anos.

Em declarações concedidas ao canal de televisão russo “RT”, Ahmadinejad, um defensor ferrenho da causa palestina, destacou que “a independência ocorrerá com certeza e ninguém será capaz de impedi-la”.

“A Palestina existia antes da Segunda Guerra Mundial e também da Primeira Guerra Mundial. Todos os povos têm direito à autodeterminação”, afirmou o líder iraniano.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deve apresentar nesta sexta-feira o pedido palestino de adesão à ONU através da entrega de uma carta ao secretário-geral, Ban Ki-moon, que enviará a reivindicação ao Conselho de Segurança caso seja comprovado que a solicitação palestina se ajusta ao artigo 4 da Carta das Nações.

26 de fevereiro de 2011 às 23h00min

PSTU condena ditadura em Cuba

O amigo Noleto, em comentário ao texto publicado aqui, “Cuba: país ou curral?”, escreveu comentário a partir de longo texto do PSTU a respeito do assunto. Como a dicussão foge às grosserias características travadas no Maranhão, achei por bem publicar o comentário na parte principal do blog seguido de meu comentário. Espero que sirva para o debate saudável de ideias.

Eis o que me enviou Noleto:

Caro não me sinto feliz em expressar que nós do PSTU há muito deixamos de embarcar na linhas de alguns camarada da esquerda que insistem na defesa de Fidel e não na defesa das conquistas da revolução Cubana. Abaixo um texto do PSTU nacional que expressa a nossa opinião sobre o tema:

As mãos do stalinismo: Uma resposta do PSTU ao CC do PCB
Escrito por Diego Cruz e Eduardo Almeida – PSTU   

Circula na Internet um texto assinado pelo Comitê Central do PCB com uma série de duros ataques à LIT e ao PSTU. Partindo da polêmica sobre Cuba e a nota divulgada pela Liga Internacional dos Trabalhadores, “A morte de Orlando Zapata e as liberdades em Cuba”,  que denuncia a ditadura e a repressão no país liderado pelos Castros, a direção do PCB, a fim de compensar a ausência de argumentos, investe contra a LIT e desfia uma avalanche de adjetivos pouco qualificativos.
 
Em síntese, a nota da direção do PCB, “Defender a Revolução Cubana é uma questão de princípio”, tenta defender o atual regime e Estado cubano. A nota revive a velha prática do stalinismo: todos os que se opõem são “aliados do imperialismo”. O mesmo argumento que serviu para sufocar a oposição aos regimes stalinistas do Leste Europeu. O resultado todos conhecem.
 
Uma revolução que abalou o mundo
 
A revolução de 1959 foi certamente um dos fatos mais extraordinários do continente no século XX. A revolução cubana pôs fim à sangrenta ditadura de Fulgêncio Batista e possibilitou um salto nas condições de vida para a imensa maioria de seu povo. Medidas como a expropriação da propriedade privada fizeram com que a ilha passasse do “cassino dos EUA” a um país de excelência em áreas como Saúde e Educação e praticamente sem desemprego. A implantação da economia planificada e o monopólio do comércio exterior demonstrou a toda América Latina o poder de transformação da revolução, mesmo em uma pequena ilha.
 
Se por um lado, porém, a revolução cubana possibilitou esse salto na educação, saúde, esportes que enchia de orgulho à militância latino-americana, por outro ela já nasceu com a extrema limitação de ser dirigida por uma burocracia convertida ao stalinismo. Sem qualquer possibilidade de organização autônoma dos trabalhadores. Enfim, uma ditadura.
 
Restauração capitalista
 
Cuba constituía uma ditadura burocrática, assim como a URSS desde a subida de Stálin, mas ainda conservava a abolição da propriedade privada, o monopólio do comércio exterior e uma economia centralizada e planificada. Medidas que, ao colocarem a economia sob o controle do Estado e não a serviço do lucro da burguesia, possibilitavam os investimentos nas áreas sociais e empregos para todos. Era o que chamamos de um Estado operário, ainda que burocratizado.
 
Também como a ex-URSS, porém, Cuba passou por um processo de restauração capitalista que minou, um a um, os pilares desse Estado operário. Esse é o fato para o qual o PCB e demais setores da esquerda que apóiam Fidel fecham os olhos. Existe uma economia planificada hoje em Cuba? Não. Existe monopólio do comércio exterior? Não. O Estado cubano, deixado ao léu golpeado pela débâcle do stalinismo no Leste Europeu, voltou-se ao Canadá e Espanha, principalmente, abrindo suas fronteiras para os investimentos desses países.
 
O principal motivo para a negação dessa realidade é que, caso o contrário, esses setores seriam obrigados a reconhecer o óbvio: o capitalismo foi restaurado pelo próprio Fidel Castro. Assim como a casta burocrática que dirigia a China foi a responsável pela restauração do capitalismo na China, mantendo, porém, a ditadura do PC chinês.
 
Na então URSS, quando as massas foram para as ruas no começo dos anos 1990, já não se confrontaram com um Estado operário burocratizado, mas com uma dura ditadura capitalista. Diante disso, a LIT se colocou ao lado das massas, que clamavam por liberdades. Por isso, ao contrário dos stalinistas de todo o mundo que choraram a queda do muro de Berlim, a LIT considerou uma vitória. Elas derrubaram o regime responsável pela restauração do capitalismo e a perda das conquistas. Infelizmente, porém, tais mobilizações não foram capazes de avançar até uma nova revolução, que retomasse as conquistas perdidas e o capitalismo seguiu avançando fazendo a ex-URSS retroceder em todos os terrenos de lá para cá.
 
A direção do PCB, no entanto, funde em uma coisa só revolução cubana e Fidel Castro. Burocracia soviética e revolução russa. Para eles, enquanto Fidel Castro e o PC estiverem à frente do Estado cubano, não importa o que passe com a vida dos trabalhadores e com a economia, Cuba continuará a ser um “bastião do socialismo”. Por isso defendem com unhas e dentes o regime castrista, num estado já plenamente capitalista, sob o pretexto de defenderem a revolução.
 
O velho discurso stalinista
 
O PCB acusa a LIT de, ao lado do imperialismo, atacar a revolução cubana. Aqui, esse partido não é nada criativo e retoma a tradicional cartilha stalinista de se lidar com os opositores. Trotsky, citado pela própria nota, assim como toda a velha guarda bolchevique de 1917 que ousou se insurgir contra o stalinismo, foram massacrados. Tudo em nome da revolução. Em nome da revolução, o stalinismo cometeu as maiores atrocidades, assim como a própria restauração do capitalismo. Foi dando odes ao socialismo e à revolução que Gorbachev impôs a Glasnost e a Perestroika. O mesmo se deu em Cuba.
 
Da mesma forma, os opositores do stalinismo são taxados de “agentes do imperialismo”. O próprio Trotsky foi acusado de ser um agente das potências imperialistas contra o Estado soviético. O regime castrista não fica atrás e reproduz esse discurso contra seus opositores. Para a ditadura cubana, não existem “dissidentes”, mas mercenários pagos pelos EUA para desestabilizar o regime. Os que denunciam a repressão política no país são, por essa lógica, braço do imperialismo.
 
Para o PCB, portanto, Cuba é uma pujante democracia e os que dizem o contrário fazem o papel dos EUA. O partido nada fala, no entanto, das declarações como dos cantores Pablo Milanés e Sílvio Rodriguez, antigos defensores do regime cubano e que recentemente denunciaram a falta de liberdade na ilha. “As ideias se discutem e se combatem, não se encarceram”, chegou a declarar Milanés em um jornal espanhol. Seriam eles agentes do imperialismo?
 
Repressão política
 
O fato é que a morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo, após 85 dias de greve de fome, assim como a recente greve de fome de Guilhermo Fariñas, que se aproxima de momentos decisivos, colocou novamente em debate, principalmente para a esquerda em todo o mundo, o caráter da ditadura dos Castros. Uma ditadura que, dia após dia, vai se desmascarando.
 
O governo se defende afirmando que os dissidentes são na verdade “delinqüentes comuns”, negando a existência de presos políticos na ilha. A realidade é que está cada vez mais complicado sustentar essa versão. Se pouco se conhecia sobre o passado de Zapata, morto em fevereiro, o que dava margens para a campanha de desqualificação movido pelo governo cubano, o mesmo não se pode dizer do dissidente Fariñas. Filho de um combatente revolucionário, que lutou ao lado do próprio Che Guevara no Congo nos anos 60, Fariña também combateu com a farda do exército cubano.
 
Com apenas 20 anos, foi condecorado ao ser ferido em 1981, durante a guerra civil em Angola, onde combateu ao lado do MPLA (Movimento pela Libertação de Angola). De volta a Cuba, estudou e formou-se psicólogo. Com o tempo, porém, Guillermo se desencantou com o regime que defendera. Primeiro, diante do fuzilamento de seu comandante e sua referencia política, o general Ochoa, herói da guerra em Angola, subitamente acusado como traficante por Castro.
 
Depois, com a corrupção da direção do hospital onde trabalhava, fato que denunciou. De herói, Fariñas tornou-se um aborrecimento à ditadura cubana, o que desencadeou o calvário de uma série de prisões e perseguições.
 
Pode-se, assim, questionar as opções políticas de Guillermo Fariñas. Pode-se questionar suas ligações políticas. Mas não seu passado e a sua biografia, assim como sua reivindicação: liberdade democrática, no caso da greve de fome, algo mais modesto, a libertação de 26 presos políticos doentes.
 
O que de fato está em jogo?
 
A economia de mercado dá as cartas hoje em Cuba. Um país em que o regime castrista comanda uma ferrenha ditadura há 50 anos e que não permite qualquer tipo de oposição. Esses são os fatos que a direção do PCB tergiversa em sua nota.
 
A restauração do capitalismo em Cuba vem destruindo a passos largos as bases das conquistas sociais da revolução. A desigualdade social aumenta a cada dia. Regiões e praias turísticas exclusivas a turistas estrangeiros e investimentos isentos de taxação da Europa vão desenhando um país em que médicos e engenheiros precisam dirigir táxis para os gringos para ganhar alguns dólares que completem os baixos salários que recebem ao exercer sua real profissão.
 
Mesmo que o PCB estivesse correto, porém, e Cuba ainda fosse um Estado operário, ou “socialista” como dizem, ainda assim seria inaceitável um regime ditatorial, sem o direito ao livre debate de ideias. Não é para isso que lutam os socialistas? Para que haja mais liberdade que a falsa democracia burguesa? Numa realidade como a da ilha, seria simplesmente impossível a existência de partidos como o PSTU ou o PSOL, ou organizações sindicais que se pretendem independentes da tutela do Estado, como a Conlutas ou a Intersindical.
 
Um Estado operário deveria permitir a livre organização e expressão, salvo apenas àqueles grupos que, com armas desejam derrubar o Estado. A exemplo do que ocorria nos anos iniciais do Estado soviético, mas o contrário de tudo o que é Cuba hoje. Mas o regime castrista se esconde no fantasma da ameaça imperialista.
 
Se é verdade que o discurso de Obama defendendo os direitos humanos na ilha é hipócrita, ainda mais se levarmos em conta a existência da prisão de Guantánamo naquele mesmo país, local em que os EUA cometem as piores atrocidades, também é verdade que isso não pode servir como um salvo conduto para o regime cubano. A ditadura não é menos tirana por ser alvo da pressão de setores do imperialismo norte-americano.
 
Para além disso, podemos encontrar uma pista para o pior dos dramas de Cuba na própria nota do PCB. Diz ela que “a única alternativa ao atual sistema cubano é o imperialismo, através da burguesia de Miami”. É o único momento em que se encontra uma verdade na nota desse partido. De um lado, a ditadura dos Castros aliada ao imperialismo europeu é responsável por solapar as conquistas da revolução. De outro, resta o imperialismo norte-americano. Não poderia ser mais claro.
 
O drama é que sob uma ditadura como a que vigora hoje em Cuba se reduzem extremamente as possibilidades de surgir uma alternativa real, independente e dos trabalhadores. Sem o debate livre de ideias e a liberdade de expressão e de organização independente. O que o PCB e os demais setores da esquerda castrista fazem é deixar a bandeira das liberdades democráticas nas mãos dos EUA.
 
Por fim, é preciso lembrar ainda a postura vergonhosa de Lula, que não só se negou a criticar a morte de Zapata, como defendeu a repressão aos dissidentes políticos. Lula e a ditadura cubana apóiam-se mutuamente. Ou seja, Castro apóia Lula e por definição a sua candidata Dilma Roussef, mostrando a opção política realizada pelo stalinismo.
 
O PCB e os setores, de esquerda ou não, que se colocam de forma incondicional ao lado do castrismo reforçam ainda a ideia de um socialismo estereotipado pelo próprio imperialismo. Ou seja, decadente e ditatorial. Uma ideia de socialismo que nada tem a ver com os primeiros anos da revolução russa.
 
Quem está realmente ao lado do imperialismo?
 
Fonte: site do PSTU, 26/04/2010

Resposta: Meu caro Noleto, fico muito feliz de saber que o PSTU é contra ditaduras, venham elas cobertas com o manto do capitalismo ou do socialismo. O que não me impede de dizer: defendemos a liberdade em campos opostos. O que só comprova o equívoco de todos os socialismos (ou comunismos) implantados até aqui. Em nenhum deles poderíamos travar esse diálogo franco e honesto.

O texto do PSTU diz: “A restauração do capitalismo em Cuba vem destruindo a passos largos as bases das conquistas sociais da revolução”.
Não posso concordar com a assertiva. As conquistas sociais há muito desmoronam porque elas eram fruto de uma economia artificial. A economia em Cuba sempre foi fruto de caro preço: Cuba era um mero satélite da finada União Soviética. Desmoronou a URSS, desmoronou Cuba.

Após a revolução Cuba jamais respirou democracia. Com Batista havia uma ditadura corrupta e sanguinária. Com os Castros Cuba se transformou numa Capitânia Hereditária, não menos sanguinária. Está aí a me confirmar a substituição automática de Fidel Castro pelo irmão Raúl Castro.

Pergunto: se essa revolução tivesse algo de fantástico, por que foi incapaz de criar líderes do povo capazes de comandar o país? De 59 para cá só o irmão de Fidel estava apto a dirigir o país? Sabe-se do poder libertador da educação. Cuba vangloria-se de sua educação. OK, que educação excelente é essa que foi incapaz de gerar um homem capaz de substituir Fidel?

O texto do PSTU fala de uma Cuba idílica: um Estado operário. Discordo. Mesmo depois de 59 Cuba seguiu sendo um Estado agrário (essa a expressão exata). Cuba nunca foi capaz de produzir um parafuso. Seguiu na plantação de cana. E dos cassinos comandados pelos diversos braços da máfia, acabou como macumba para turista, se é que me entende.

Até aqui não houve um socialismo (ou comunismo) que não tenha se mantido sem fazer uso da iminente ameaça de fora. A mão pesada do Estado sempre caiu sobre o povo com essa desculpa esfarrapada. O socialismo – eis a grande verdade que as pessoas não dizem pelo medo de ser chamadas de direita – é um regime de castas. Basta saber que o alto comando militar e os altos integrantes do Comitê do Partido Comunista vivem muito bem obrigado.

Um parêntese: Até onde sei, fui o primeiro a apontar que Fidel Castro só aparecia em público sem a intragável farda militar, vestido em conjuntos da Adidas. Recentemente vi o jornalista Augusto Nunes a chamar a atenção para a mesma coisa. Antes nada vi nesse sentido. Pois é, Fidel usar roupas da Adidas não é capitular ao Imperismo, mas o povo seria.

Mas não me custa concordar absolutamente com a frase:
- A ditadura não é menos tirana por ser alvo da pressão de setores do imperialismo norte-americano.

Irretocável.

Até aqui não podemos dizer que no Brasil não se respira democracia. Até aqui e contra a vontade do PT. Vocês chamam a isso de democracia burguesa. Pode ser, mas nenhuma outra surgiu em qualquer país capaz de superá-la. Quando surgir, creia-me, serei o primeiro a defendê-la.

O PT sonha com um país sem democracia, ninguém com mais de dois neurônios duvida disso. As condições objetivas do país é que até aqui têm barrado a aventura deles. Confirmam-me a diplomacia brasileira sob o lulo-petismo: foram oito anos de loas a ditadores amenos (existe?) e saguinários por todo o planeta. A ponto de Lula proferir palavras escandalosas contra a mulher iraniana condenada a morrer por apedrejamento para não se indispor com o neonazista Ahmadinejad. Sem comentários. A ponto de dizer – se a memória não me trai com a data – em 2003 que o ditador do Egito Mubarak era um homem preocupado com a justiça social. Mubarak acaba de ser expulso do poder pelo povo justo pelo contrário do que disse Lula. O que disse Lula após a queda de Mubarak? Que todos já sabiam que o Egito precisava de democracia. 

No âmbito interno, toda vez que um “companheiro” é pego praticando malfeitos, o que acontece? É coisa da imprensa conservadora. É coisa da direita. Há alguma diferença das sentenças absolutas de Fidel Castro? Não.

Tive o privilégio de ser um dos primeiros a divulgar no Brasil o blog da jovem mulher e intelectual Yoani Sánchez. Ela exige o que nós exigíamos na juventude no Brasil: liberdade. Ela não se contenta com um regime de casta fantasiado de socialista. E – pasmemos – quer fazer valer o direito inalienável de ir e vir. Na sexta-feira, por exemplo, ela deveria estar na Espanha para receber um prêmio. Não pôde ir porque o Estado não deixou.

Mas não esqueçamos. Ela seria homenageada no Brasil de Lula – portanto, um país insuspeito, já que Lula defende a ditadura em Cuba. A ditadura cubana não permitiu. Ela apelou para o então presidente Lula. Ele fez que não sabia de nada. Yoani é só uma mulher jovem e inteligente, Fidel Castro é um ditador amigo.

Retomemos. Fico muito feliz de saber que o PSTU se bate contra ditaduras. Ainda que por um viés que me parece contraditório.
Mas não é  justo isso que faz uma democracia?

15 de fevereiro de 2011 às 10h50min

A luta pela liberdade, Lula e o Maranhão

Começou com a luta contra o ditador Mubarak no Egito, que acabou posto para fora do cargo que ocupava por três décadas (15 anos menos que Sarney no Maranhão, certamente a luta do povo do Egito nos quer dizer alguma coisa).

Depois veio a luta do povo argelino, passou pelo Irã do neonazista Ahmadinejad e já atinge a Itália do cafajeste Berlusconi.

Prova de que este século não é tão apático como querem os apressados.

Há um detalhe digno de registro: a maior parte desses ditadores foi abertamente elogiada pelo então presidente Lula (para quem não lembra, basta uma consulta ligeira na internet para ler as frases ditas pelo falso pai dos pobres do Brasil aos colegas opressores).

No Maranhão há lições a considerar. A mais importante delas: a oposição sempre foi frágil por se ater somente ao parlamento. O povo só é lembrado em períodos eleitorais. Difícil formar consciências dessa forma.

Bom, vamos daqui torcer para que finalmente a opressão também termine em Cuba. E a casta dos Castros  tenha o fim merecido.

2 de setembro de 2010 às 20h38min

Lula e oligarquia, o samba do crioulo doido

No Maranhão as coisas parecem sempre contraditórias. Não que em outros Estados não haja contradições, mas por aqui elas tendem a ser a marca, a característica essencial.

Ao acompanhar, quando posso, os twitteiros daqui, observo que são honestamente contra a oligarquia Sarney. O movimento é forte e entusiasmado.

Mas a maioria dos que querem mudanças no Maranhão – na internet, pelo menos - é entusiasta de Lula e quer a vitória de Dilma Rousseff, esse fenomenal monumento ignorância.

Pergunto, não com espanto, o lulo-petismo já gastou minha coleção de espantos: quem, a partir de 2002, deu sobrevida à oligarquia? Quem, após todas as denúncias da PF contra os malfeitos de Fernando Sarney & Cia. na área de Minas e Energia manteve os apadrinhados de Sarney vigiando os cofres de Minas e Energia?

Para não ficarmos no ontem e no anteontem, quem hoje diz, no horário eleitoral na tevê e no rádio, que o melhor para o Maranhão é Roseana Sarney? Quem, também no horário eleitoral, sorridente, pede votos para Lobão e João Alberto, para melhorar (isso mesmo!) o Senado companheiro?

Errou quem disse que é o neoliberal, o conservador, o representante da direita José Serra. É o descobridor do Brasil, o homem que conseguiu a paz entre Israel e Palestina. Isso mesmo, Lula.

Não foram os tucanos que tomaram de maneira asquerosa e humilhante o PT de Flávio Dino, após ele ganhar no voto o direito a coligar-se com o partido.

Lula diz que nunca antes neste país prefeitos e governadores da oposição receberam tratamento decente do Governo Federal. Nem precisa dizer que Lula é um mentiroso irremediável. Basta perguntar a José Reinaldo Tavares e a Jackson Lago o tratamento que receberam do Governo Federal quando governavam o Maranhão. E eram (e são) de partidos da base aliada do Governo Federal. Lula sequer pôs os pés no Maranhão, nessa época, para não causar desconforto à oligarquia. Sarney passou da condição de ladrão (assim Lula o chamou) a companheiro de infância.

E que não me venham com o argumento de que os movimentos sociais estão com Lula e Dilma. Azar dos movimentos sociais. Os movimentos sociais há muito foram aparelhados e amam não o lulo-petismo, mas as verbas generosas do Govcrno Federal, o MST que o diga.

Certamente, envelheci, e, como um Matusalém de montanha, tenha ficado agarrado a valores indignos como verdade, dignidade e honestidade.

Os adeptos do “esquerdista” Ahmadinejad joguem as primeiras pedras.

Siga o blog no twitter.

4 de agosto de 2010 às 11h33min

Lula é o personagem de um livro de terror

Primeiro, Lula comentou que interceder junto ao governo iraniano pela vida de Sakineh Muhammadi era interferir em assuntos internos de outro país. E ficar fazendo isso por conta de pedidos na internet acabaria em avacalhação.

A grosseria do comentário ganha proporção incomensurável quando todos sabem que Sakineh foi condenada a ser apedrejada até morrer. Não há notícia de que um ato humanitário tenha se transformado em avacalhação. Mas o homem que inventou o Brasil saiu-se com essa.

Só que há campanha internacional pela vida de Sakineh. Para complicar ainda mais, o jornalista Augusto Nunes tratou de escrever contra o comentário bárbaro do descobridor do Brasil. A grita foi geral

Sempre de olho na plateia e unicamente interessado em transformar o monumento à ignorância em presidente do Brasil, Lula recuou. Não como se espera de um estadista preocupado com os Direitos Humanos. Ficou na mesma moeda: mudou apenas de cara para coroa. Disse que se “essa mulher está causando incômodo” o Brasil poderia recebê-la. Ao final, fez as piadas de várzea de sempre.

A imprensa brasileira, que anda mais preocupada com mudanças estéticas do que com mudança de postura, tiradas as contadas exceções, tratou de noticiar que o discurso de palanque tratava-se de um pedido oficial.

Ahmadinejad, que anda preocupado com contar os dias para a execução de Sakineh, fez de conta que não era com ele. Mesmo Lula tendo-o chamado carinhosamente de amigo querido, também fazendo de conta que Ahmadinejad não tem as mãos sujas de sangue. O ditador mandou o recado por um desconhecido: Lula é um emotivo e não sabe nada do Irã. Ponto.

Num palanque da Argentina, o descobridor do Brasil tratou de desmentir a imprensa golpista (que no entanto o bajula): não fizera um pedido, mas um apelo “por essa mulher”. E reafirmou que é um mero emotivo e ama Ahmadinejad.

Lula já não é mais o sujeito grosseiro que dorme ao ver um livro. Ele é o personagem principal de um conto de terror. Talvez por ter lido o livro por sete anos de trás pra frente, o brasileiro já não se espante.

(Este texto é a modesta homenagem ao jornalista Augusto Nunes, que disse em sua coluna que eu também escreveria a respeito do assunto).  

Siga o blog no twitter.

2 de agosto de 2010 às 11h33min

Lula trata Sakineh como apêndice a ser removido

Sakineh Mohammadi Ashtiani. Esse o nome da vítima. Ahmadinejad e o regime teocrático do Irã. Esses os algozes.

Ela é acusada de adultério e foi condenada a morrer por apedrejamento.

Pus à disposição dos leitores, graças ao leitor Luiz Gonzaga, o abaixo-assinado que corre mundo em campanha pela vida de Sakineh.

Foi feito o pedido ao presidente Lula que intercedesse pela vida de Sakineh.

Resposta (a reprodução é literal, nada tendo a ver com o signatário do blog o português avacalhado da reposta):

“Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo o pedido que alguém pede de outro país. É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação”.

É a resposta do estadista do ABC. Um impropério, e estou sendo educado como Lula não o foi. Para defender mais um de seus colegas ditadores Lula não precisava ser boçal com a vítima e a campanha humanitária.

Mas como o mundo ainda não está completamente perdido, a campanha ganhou proporções, inclusive no Brasil do lulo-petismo. O jornalista Augusto Nunes escreveu artigo tão correto quanto duro. Ganhou a adesão de centenas de leitores e pôs o tema na ordem do dia.

Lula preocupado com o amigo Ahmadinejad

Preocupado com a repercussão negativa, afinal há muito só pensa na candidatura de Dilma Rousseff, Lula saiu-se com isto num palanque (uma ilegalidade a mais, diga-se):     

“Se vale a minha amizade e o carinho que eu tenho pelo presidente do Irã e o povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos no Brasil de bom grado”.

Lula, pela frase, não quer salvar a vítima, quer ajudar o amigo ditador a se livrar de um incômodo.

Eis a miséria do Brasil atual: sob o lulo-petismo, vítimas causam incômodos. São um apêndice a ser removido.

Siga o blog no twitter.