16 de julho de 2010 às 11h50min
Editorial
Sabemos que o lulo-petismo existe para cometer crimes. O que os brasileiros decentes não podem fazer é ficar apenas olhando.
Lula inventou a candidatura de Dilma Rousseff, esse fantástico monumento à ignorância. Não se trata nem de um poste, um poste, em relação a Dilma, tem a vantagem de não falar.
Para tentar elegê-la, o presidente da República desrespeita todas as leis. O sonho de Lula é ser Hugo Chávez, como os brasileiros que prestam não deixam, tenta se perpetuar no poder na figura de Dilma Rousseff. Daí o vale-tudo, a irresponsabilidade, a avacalhação do cargo de presidente da República, o crime.
O Tribunal Superior Eleitoral a tudo assiste em silêncio. Quando muito aplica multas risíveis.
Está mais do que na hora da oposição reagir a esses crimes. É preciso fazer valer as leis. Os ministros do TSE precisam saber que os brasileiros não aceitam os crimes que estão sendo cometidos nesta campanha eleitoral.
E o momento é este.
Vejamos o que diz a subprocuradora-geral Sandra Cureau:
“Não poderia estar no blog. Porque ele [Lula] está repetindo e voltando a citar a candidata. Assim, dá conhecimento geral aos internautas a uma fala anterior que enaltece a ex-ministra. Isso num sítio mantido pelo governo”.
E mais importante:
Para ela, a conduta, isoladamente, é passível de multa de até R$ 30 mil. Mas, se analisada “no conjunto da obra”, pode ensejar ação por abuso de poder político.
Aí está o que a oposição precisa fazer. Está na hora de entrar com uma ação por abuso de poder político e pedir a impugnação da candidatura de Dilmaboy. E fazer estardalhaço, porque só assim os senhores ministros terão coragem de fazer o que são pagos para fazer.
Os brasileiros decentes podem também recolher assinaturas pela internet para uma ação popular contra o presidente de Dilmaboy.
Chega de molecagem.
15 de julho de 2010 às 15h10min
Na madrugada desta quinta-feira, dei-me ao trabalho de ir à página de Dilma Rousseff na internet. Sem sono, queria um pouco de humor. E deparei-me com a biografia de D. Dilma. Não resisti e às 3h mesmo escrevi o texto que segue abaixo:
Na biografia caricata (tudo que se refere a ela é caricato) de Dilma Rousseff, na página “Dilma na Webesteira”, não puseram a mentira de que era portadora dos títulos de mestrado e doutorado. A mentira era velha e não funcionaria.
Mas no pieguismo característico de Dilma Rousseff, ficamos sabendo que quando lhe perguntavam “o que queria ser quando crescesse”, ela prontamente respondia: bailarina, bombeira ou trapezista. A história política de Dilma confirma que ela deu pra trapezista.
Vejamos.
Na casa Civil tratou de mandar investigar o uso dos cartões corporativos na época de Fernando Henrique Cardoso. Era a chantagem contra o Congresso por conta do uso dos mesmos cartões pelo lulo-petismo. Trapezista, Dilma saltou para dizer que era um levantamento corriqueiro, sem qualquer intenção vingativa ou de chantagem. Chegou a ligar para Ruth Cardoso, esposa de Fernando Henrique Cardoso, para tentar desfazer o mal entendido. O mal ficou bem entendido.
Pôs na internet que tinha mestrado e doutorado. Era mentira, claro. A imprensa divulgou (imprensa golpista, evidentemente). A trapezista saltou para dizer que tinham cometido um engano, realmente não era possuidora de tais títulos.
Ao entregar o programa de governo à Justiça Eleitoral, descobriu-se que o programa era o apanhado das decisões do último encontro do PT. Lá constava o cerceamento da liberdade de imprensa e o incentivo às invasões de terras. Divulgado pela imprensa, Dilma, a trapezista, saltou alto: só podia ser um engano, ela não sabia que o programa de governo era o apanhado de resoluções alopradas do PT. A imprensa mostrou que ela havia assinado todas as páginas do documento. A trapezista saltou, então, sem rede de proteção: pediram para rubricar, ela rubricou sem ler, porque rubricar é rubricar.
Há na biografia esta outra mentira, mais fácil de engolir. Ei-la:
“Certo dia, bateu à porta um menino tão magro e de olhos tão tristes que ela rasgou ao meio a única nota que tinha. Ficou com metade da cédula e deu a outra metade ao menino. Dilma não sabia que meio dinheiro não valia nada. Mas já sabia dividir.
Por que essa mentira é aceitável?
Porque até hoje Dilma Rousseff distribui burrices por onde passa.
15 de julho de 2010 às 13h30min
Deu na Coluna Painel, da Folha de S. Paulo de hoje (15/07), assinada pela jornalista Renata Lo Prete:
Escolta Chamou a atenção de deputados que participaram do jantar em homenagem a Dilma Rousseff, anteontem na casa de Eunício Oliveira (PMDB-CE), a marcação cerrada dos petistas Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo ao lado da candidata. Relato de um participante: “Você não consegue falar com a Dilma sem que antes um dos dois diga algo no ouvido dela. Deve ser para explicar quem é quem”.
Ops! Ontem, no encontro em que Dilma recebeu o apoio de políticos do PP, Palocci e Cardozo acabaram, por falta de lugar, sentados no outro extremo da mesa. Coincidência ou não, ela agradeceu ao presidente do partido, Francisco Dornelles, e ao deputado Mario “Montenegro”. Que na verdade se chama Negromonte.
10 de julho de 2010 às 13h25min
Os ricos adoram aqueles que os insultam e que fazem de tudo para destroná-los. Veem charme nos algozes. O lulo-petismo quer impor, a partir de um possível governo Dilma Rousseff, a censura aos meios de comunicação. O mesmo lulo-petismo, formado por esquerdofrênicos, propaga a sério que a Rede Globo, o jornal O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo são serristas. Formam o que chamam em linguagem cabocla de “a mídia golpista”.
Pois Lily Marinho, mesmo numa cadeira de rodas, abriu os salões do golpismo de sua mansão no Cosme Velho para receber nada mais, nada menos que a candidata Dilma Rousseff. Por lá, sopraram que Dilma fala francês e toca piano. Depois que ela pôs na internet que tinha mestrado e doutorado em andamento e foi pega na mentira, duvido que toque piano. E se falar francês como fala o português é o mesmo que não falar.
Como não podia deixar de ser, Dilma Rousseff aproveitou para soltar uma das suas. Ofereceram-lhe champanhe Dom Perignon, ela passou a vez para Jandira Feghali (PC do B) com esta delicadeza: “Ô, Jandira, toma um golinho pra mim porque senão vou ficar gorda igual a um boi”. Nem é preciso entrar na construção da frase.
Abaixo, o que escreveu a colunista Mônica Bêrgamo na Folha de S. Paulo a respeito do encontro entre um guarda-chuva e uma máquina de costurar, se é que me entendem:
‘Se recebi Fidel, por que não o PT?’ indaga Lily
Mônica Bergamo
Dilma Rousseff (PT) chegou antes de boa parte das convidadas ao almoço oferecido para ela ontem, no Rio, por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo.
Eram 13h quando a petista foi recebida pela anfitriã na porta da célebre mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, aos pés do Cristo Redentor, onde o casal recebeu por décadas governantes do mundo todo para jantares memoráveis.
“Se o Roberto recebeu Fidel Castro aqui, por que eu não posso receber o PT?”, disse Lily à Folha, num cenário emoldurado por flamingos rosas que nadam nos lagos da mansão -as aves foram presente do cubano, que esteve no Rio em 1992.
Um músico dedilhava ao piano e garçons de luvas brancas serviam champanhe Dom Perignon. “Ô, Jandira, toma um golinho pra mim porque senão vou ficar gorda igual a um boi”, disse Dilma à ex-deputada Jandira Feghali (PC do B), passando discretamente a ela a “flûte”.
Dilma se sentou perto de Lily, em cadeira de rodas por causa de uma queda. “Que tipo de música você gosta?”, perguntou a anfitriã. “Clássica. Gosto de Bach”, respondeu a candidata.
“Ela toca piano e fala francês”, revelou uma amiga de ambas a Lily. “Eu tinha curiosidade de conhecê-la”, explicava Lily.
Não, repetia, ela não vai oferecer almoço a José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), adversários de Dilma na campanha presidencial. “Eu não sou política. Se ficarem com ciúmes, o que posso fazer? Nada.”
10 de julho de 2010 às 12h43min
Grade de programação
Por Ruy Fabiano*
A duplicidade ideológica do PT, evidenciada quando do registro do programa de governo de Dilma Roussef no TSE, na última segunda-feira, é apenas um dos problemas que a coligação com o PMDB enfrenta. O outro é o próprio PMDB, que se sentiu excluído, eleitoral e ideologicamente, daquele ato, do qual é parceiro.
Como se sabe, pela manhã, o PT registrou um programa que, na essência, repetia os postulados radicais do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3, editado em dezembro. Diante dos protestos, alegou engano e registrou outro, mais moderado, já no final do expediente, às 19 horas.
Tudo indica que teve que improvisá-lo.
O primeiro tinha a rubrica da candidata em todas as páginas; o segundo, não. Se tivesse havido apenas troca de arquivos eletrônicos no computador, como foi alegado, a substituição seria rápida. Bastaria imprimir o programa certo. Mas foi preciso consumir todo o dia para providenciar outro. Daí a suspeita de que não existia.
O programa original resulta das conferências nacionais do PT, que reúne sua militância em todo o país, e que serviu de base também para a elaboração do PNDH 3. Essa militância, que propõe mudanças radicais para o país – entre as quais, “controle social da mídia” (eufemismo de censura), liberação do aborto, legitimação das invasões de terras e quebra do monopólio do Judiciário para solução de conflitos -, foi contida ao longo do governo Lula.
As ONGs que as vocalizam foram sustentadas com verbas e espaços na administração pública, mas seus postulados ignorados.
O governo Lula manteve a política econômica do governo anterior, fez do êxito comercial do agronegócio um dos carros-chefes de sua propaganda e selou alianças partidárias conservadoras, que acabaram por incluir ao lado de Dilma, na chapa presidencial, o presidente do PMDB, Michel Temer. Antes, tentou substituí-lo pelo banqueiro, ex-tucano e presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Um primor de conservadorismo e ambivalência.
Lula mostrou habilidade insuspeitada na administração desses extremos. Alegava aos companheiros que era preciso paciência. Não bastava estar no governo; era preciso estar no poder. Dilma é a expectativa desses grupos de que finalmente, com sua eventual eleição, terão chegado ao poder. É o que se depreende dos vídeos das conferências, acessáveis via Youtube.
O teor de seu programa de governo – o retirado, não o que o substituiu – confirma essa expectativa. Ela diz que o assinou sem ler, o que, além de inverossímil, é inconcebível a um governante. É como um padre conceder absolvição sem ouvir o pecador.
O PNDH 3 saiu também da Casa Civil, quando ela era a titular da pasta. Também não o leu? O que se questiona é sua capacidade – já que é neófita em política e em matéria de PT – de repetir a façanha de Lula, de administrar antagonismos, especialmente porque seu vice é bem diferente do bonachão José Alencar.
Michel Temer é o próprio PMDB: esperto e ambicioso, com grande experiência parlamentar. Já no episódio do registro do programa no TSE mostrou que não será mero figurante. Reclamou participação e não gostou das explicações que ouviu.
Quer ser parceiro de governo, não mero figurante. Como será isso? Eis a questão. O PMDB jamais subscreveria o programa inicialmente levado ao TSE. Talvez nem o segundo. Dilma, na campanha, faz o que pode. Diante do MST, veste o boné da entidade e reclama da criminalização dos movimentos sociais. Em auditórios conservadores, faz o contrário: tira o boné e condena as invasões de terras. Que perfil prevalecerá?
Para enfrentar o desafio, não basta um programa. É preciso uma grade de programação
*Ruy Fabiano é jornalista (Reproduzido do Blog do Noblat)
9 de julho de 2010 às 23h11min
O Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.
O diagnóstico é do economista marxista João Pedro Stédile, fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior organização social do país.
Ele explica que a intensificação de atos num eventual governo do PT ocorre justamente pelas afinidades históricas entre os dois grupos.
“Um operário, diante de um patrão reacionário, não se mobiliza. Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves”, disse ele em entrevista à Reuters, a primeira desde o início do processo eleitoral.
“Se o Serra ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo…A vitória dele é a derrota dos movimentos sociais”, acrescentou.
Por essa razão, a opção “majoritária” do movimento é apoiar a ex-ministra–mesmo que, nos últimos anos, justamente num governo considerado amigo, o MST tenha se enfraquecido e chegado à conclusão de que “o agronegócio venceu”.
“Lula não fez reforma agrária, mas uma política de assentamento…Metade dos números do governo é propaganda”, afirma Stédile.
Segundo dados oficiais, quase 1 milhão de famílias foram instaladas nos últimos sete anos em terras cedidas pela União ou compradas do setor privado pelo valor de mercado.
Menos de 10 por cento dos 47 milhões de hectares destinados a este fim foram obtidos por meio de desapropriações de terras improdutivas ou griladas, mecanismo defendido pelo movimento.
O modelo adotado por Lula custa caro. Na região Sul, uma das mais caras do país, assentar uma família exige o desembolso de 126 mil reais. A média nacional é de 65 mil reais, conforme cálculo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Apesar de algumas decepções, João Pedro Stédile descarta apoiar um candidato de extrema esquerda. “Não temos alternativa.”
“É como se você percebesse que seu time pode cair pra segunda divisão e faz o que for possível para vencer o campeonato.”
CRIMINALIZAÇÃO
O MST vive um período difícil e se queixa de ter sido alvo de criminalização pela imprensa e por “forças de direita” nos dois mandatos do PT. Stédile raramente dá entrevistas.
“A imprensa, que antes nos tratava como coitadinhos e até nos elogiava, passou a nos dar um pau nesses oito anos, passou a ser arma da direita para nos estigmatizar.”
O movimento endossou a candidatura de Lula em 2002 apostando numa administração à esquerda. Frustrou-se com a continuidade do modelo macroeonômico implantado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Voltou a dar um apoio tímido em 2006, momento mais difícil para o PT com a crise do mensalão. Após a vitória de Lula naquelas eleições, as relações ficaram estremecidas.
Nesse período, a organização enfrentou três CPIs no Congresso e perdeu diversos repasses financeiros de convênios federais. Partidos como PSDB e Democratas acusam o governo de patrocinar ocupações de terra com dinheiro público.
“Não somos puxa-saco nem pau-mandado de ninguém”, enfatiza.
CUTRALE
Epiódios controversos também tiraram capital político da organização, como a destruição por grupos sem-terra de pés de laranja de uma das fazendas da empresa Cutrale. As imagens flagradas pela TV arrancaram de Lula duras acusações de prática de “vandalismo”.
“Aquilo foi um erro tático…Mas aquele ato impensado foi usado contra nós como se tivéssemos matado uma criança”, rebateu o líder sem-terra. “Se fôssemos radicais, estaríamos botando fogo em tudo.”
O apoio informal à Dilma –que assegurou durante a campanha que não vai tolerar “atividades ilegais” do movimento–, e não a presidenciáveis ideologicamente mais próximos ao MST, como Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), vem de uma avaliação pragmática de que esses nomes não foram capazes de aglutinar forças populares.
Para Stédile, Marina Silva (PV), assim como os outros candidatos de esquerda, não devem receber mais que 10 por cento dos votos sem-terra. “Ela expressa as forças sociais apenas da classe média do Rio de Janeiro e de São Paulo.”
9 de julho de 2010 às 11h38min
Sandro Vaia*
“O ideólogo não deseja conhecer a verdade, senão conhecer o seu sistema de crenças,e abolir, espiritualmente, já que não pode fazer nada melhor, a todos os que não acreditam nas mesmas coisas que ele”
Jean François Revel
Conta-se que os advogados do PT deram um download errado e inscreveram na Justiça Eleitoral um programa de governo da candidata Dilma Roussef que previa, entre outras coisas, vejam só, o controle social da mídia nos moldes sugeridos pela Confecom- a Conferência de Comunicação promovida pelo governo e os “movimentos sociais”.
Algumas horas depois, quando a imprensa online já repercutia a notícia, os advogados, pressurosos, correram para retirar o programa, e alguns minutos antes do encerramento do prazo, o substituiram por outro, onde o intervencionismo e o dirigismo que obcecam o PT aparecem mitigados.
Salvos pelo gongo ? A articulada rede informativa da candidatura Dilma nos fez saber que ela ficou “muito irritada” com o erro.Eles registraram o programa do PT e não o programa de governo da candidata, que, segundo eles também nos fizeram saber, não concorda com tudo que o partido propõe.
Ficamos sem saber se foi um erro de verdade ou apenas uma jogada ensaiada, e ficamos também sem saber a verdadeira opinião da candidata sobre temas tão delicados como os que envolvem a liberdade de expressão.
A obsessão com o controle da informação- qualquer tipo de controle, o que der pra fazer, o que conseguirem implantar-é uma das cláusulas pétreas da ala ideológica do PT.Sempre que há uma chance, a obsessão ressurge.
É como a velha fábula do escorpião e da tartaruga.É da natureza deles achar que a melhor maneira de fazer o mundo progredir é interferir na vida dos outros, decidir o que é melhor para todos, dizer às pessoas onde está o bem e onde está o mal, porque, afinal de contas, o livre arbítrio é apenas uma ilusão de classe.
No episódio do download do programa errado, eles conseguiram ressuscitar até a campeã de suas idéias liberticidas, que é a criação de um Conselho Federal de Jornalismo, para “fiscalizar as atividades dos jornalistas e dos meios de comunicação”.
Não é o caso de discutir detalhadamente num artigo breve o que há de anti-democrático e de dirigista nas deliberações e sugestões da Confecom, das quais o PT se apropriou – e não por acaso, uma vez que os “movimentos sociais” que as elaboraram, em parceria com eminências pardas do próprio governo, são, na maioria das vezes, a face atuante do partido na atividade extra-parlamentar.
Já está mais ou menos evidente que o PT joga com essa ambigüidade para manter sob controle a sua própria tropa: ao mesmo tempo em que pratica um governo convencional e conservador, respeitando todos os dogmas do mercado (pode discursar contra eles,mas os pratica sem vacilar) , abre, aqui e ali, as válvulas de pressão onde o discurso radical pode exercer o seu papel de aliviar tensões ideológicas, desde que não saia do nível de discurso.
O “controle social” da mídia está sempre ali, pendurado no coldre, ao alcance da mão.Como um revólver na cintura de Henry Fonda, pode ser sacado a qualquer momento. Até agora, não passou de exercício de recreio para os instintos radicais dos escorpiões do PT. Mas o sonho deles é que um dia possam sacá-lo para valer.
A candidata do partido concorda com isso? Não espere essa resposta,nunca a teremos.
*Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br
(Artigo publicado no Blog do Noblat)
7 de julho de 2010 às 21h15min
Não é de agora que a imprensa séria diz que um possível governo Dilma Rousseff seria um governo dominável pelas alas mais radicais e esdrúxulas do PT.
Dilma tem dito que não é um poste. Eu tenho concordado pelo simples fato de que um poste não fala. Nada mais.
O PT entregou ao TSE o programa de governo, conforme é exigido. O programa de governo apresentado era o texto do IV Congresso do PT. Aquele que contém temas polêmicos como controle da imprensa e regras que facilitam a invasão de terras.
A repercussão foi negativa. Dilma veio a público:
“Não concordamos com vários pontos do programa do PT”.
Os lulo-petistas, como sempre, trataram de retirar o documento. Haviam se enganado, não era esse o programa do possível Governo Dilma Rousseff.
Alguém lembrou:
- Como houve engano, se o documento contém a assinatura de Dilma Rousseff?
Claro que era mentira, coisa corriqueira e menor no lulo-petismo.
Dilma Rousseff veio novamente à janela: disse que não havia lido o conteúdo das páginas.
“Me pediram rubrica. Rubricar é rubricar e eu rubriquei”, afirmou. “Dizer qualquer coisa sobre isso é politizar o impolitizável.”
Esse o monumento à ignorância que Lula e o PT querem empurrar para dirigir os destinos dos brasileiros. É muito gostar de poder e desprezar em excesso os brasileiros.
“Me pediram rubrica. Rubricar é rubricar e eu rubriquei”. Não quero nem entrar na qualidade das frases dessa senhora. Aí há displicência fatal ou cinismo sem remédio.
Eu prefiro acreditar na mistura das duas opções. Disseram-lhe que se tratava do programa que o comando da campanha iria entregar ao TSE e pediram-lhe a assinatura.
Displicência fatal porque assinou sem ler. Cinismo sem remédio porque sabia, sim, que se tratava do programa de governo.
O importante de tudo, é que o lulo-petismo não perde a oportunidade de enganar, até quando se trata do programa de um governo que as pessoas que prestam esperam nunca vir a existir.
1 de julho de 2010 às 11h23min

Roseana Sarney estragou a festa
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir a presença dos presidenciáveis no palanque eletrônico de candidatos a governador cujas coligações estaduais envolvam mais de um partido com candidato a presidente, deixou Dilma Rousseff (PT) e José Serra a verem navio no Maranhão.
Roseana Sarney (PMDB) tomou o PT do PCdoB de Flávio Dino. A idéia era aproveitar a imagem de Dilma no horário eleitoral na tevê (Lula por tabela). Acontece que o PMDB de Roseana Sarney coligou com o DEM, que nacionalmente está coligado com o PSDB de José Serra.
Por ironia, restaria o palanque do PCdoB. Mas como tomaram o PT do PCdoB, Flávio Dino viu-se obrigado a coligar com o PPS. Como o PPS está na coligação nacional com o PSDB, Dilma Rousseff também não contará com o palanque eletrônico do PCdoB.
José Serra não poderá contar com o palanque eletrônico de Jackson Lago. É que o PDT nacionalmente está coligado com o PT e o PMDB.
Bom, os feiticeiros Lula e José Dirceu estão vendo o feitiço virar contra eles. Roseana Sarney, ao se coligar ao DEM (e justo para o partido também não coligar com Flávio Dino), matou o palanque eletrônico do monumento à ignorância Dilma Rousseff.
23 de junho de 2010 às 18h48min

Serra erra o alvo
Pesquisa Ibope divulgada hoje mostra pela primeira vez Dilma Rousseff à frente de José Serra: 40% a 35%. A candidata do lulo-petismo cresceu com as inserções na televisão, empatando finalmente com o adversário. Serra foi ao ar e acabou por perder posições.
O que isso quer dizer?
Simples, que tudo até aqui tem sido feito de maneira equivocada.
José Serra e aliados decidiram que o discurso da pré-campanha e da campanha seria como publicidade de sabão em pó. Nada de confrontos. Com níveis altos de popularidade, Lula deveria ser poupado. Acabaram, na verdade, por poupar o lulo-petismo.
Para complicar ainda mais, a oposição tratou de levar aos eleitores um discurso que não a diferencia dos governistas. Se José Serra é a mesma coisa que Dilma, o eleitor opta por Dilma, que tem Lula por trás de si. Óbvio.
Somem-se a isso as naturais indecisões do PSDB. Além de o maior aliado, os Democratas, terem afrouxado as rédeas nos Estados. O DEM em vários Estados apóia a candidatura de Dilma Rousseff.
O PSDB minimiza a importância de o partido ter ido à convenção sem ter um vice. Errado. Em última escala, o vice pode até não fazer diferença, mas é simbólico um candidato chegar à convenção só com a família, convenhamos.
Com isso, não se quer dizer que a disputa está perdida. Ficou mais difícil. Nada que não possa ser resolvido. Resta saber se vão resolver.
O que não pode é a oposição ficar à espera da truculência natural do lulo-petismo ou de um grupo de aloprados para ganhar a simpatia do eleitorado.