Blog do Kenard – Notícias e Análises

31 de julho de 2010 às 10h04min

Estadão: um ano sob censura

Há um ano o jornal O Estado de S. Paulo está proibido, por sentença judicial, de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, pela qual a Polícia Federal investigou a atuação do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney. A censura foi decretada em 31 de julho de 2009 pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a pedido do empresário. Em 18 de dezembro, Fernando requereu a desistência da ação, mas o Estado não aceitou. Em 29 de janeiro, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira apresentou ao TJ-DF manifestação em que sustenta a preferência pelo prosseguimento da ação, para que o mérito seja julgado. Até hoje, o jornal aguarda a definição.

O jornal abriu, no seu site, espaço especial com muitas matérias a respeito da censura. Os leitores podem ler tudo clicando aqui em Estadão.

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30 de julho de 2010 às 21h05min

O segredo de Sarney

Costumava escrever a respeito dos artigos que Sarney comete na Folha. Fazia-o na minha coluna no jornal Diário da Manhã. Era uma das formas de alimentar meu humor, sem o qual não vivo. Faz um tempinho que não escrevo a respeito. Não que tenha deixado de lê-lo, claro.

Mas na coluna de hoje ( “O Segredo do Sono”) Sarney se superou, coisa que nunca imaginei que conseguisse. Mas ele, quando escreve, é surpreendente, supera-se a cada sexta-feira.

O homem incomum de Lula (este é incomum não pelo que escreve, mas por não conseguir ler um livro sem dormir) ficou com a cabeça confusa ao ler um professor chamado Sidarta (não, não por lembrar a Gautama, construtora trazida ao Maranhão pela filha dileta).

O professor descobriu, segundo Sarney, que dormir é formidável para o aprendizado. Ou melhor: só há aprendizado se o sujeito dormir.

Nas palavras do acadêmico incomum:

- Fiquei sem saber por que tinha aprendido tanta coisa ao longo da vida, se minha experiência era estar sempre acordado e me envaidecendo da memória de elefante que eu julgava ter e a que o tempo tem se encarregado de arrancar as grandes orelhas e a tromba.

Em primeiro lugar, alguém precisa dizer ao homem que nasceu em São Bento e em Pinheiro que, dormir por si só, não faz de ninguém incomum. Há a necessidade de ser primeiro amigo de infância de Lula. Por último, que ele, Sarney, é tão incomum que sonha com elefantes, quando os seres comuns de desenho animado sonham com cordeirinhos.

Mas como já escrevi que o que une o sarneísmo ao lulo-petismo não é só a mania de confundir o público com o privado, mas também o ataque insidioso ao bom senso, veja o que diz o homem de Lula no Maranhão:

- A Bíblia está cheia de sonhos desvendados e muitas vezes Deus falou com o profetas no sono e aos santos, em sonhos acordados, deu visões do paraíso.

Como se observa, uma alucinação digna de constar de um capítulo de Brás Cubas.

O professor do Rio Grande do Norte que inspirou o empregador de netas, netos e namorados de netas precisa dormir debaixo da rede do insone presidente da República do Maranhão. Leiam esta pérola:

- Não só os homens mas os bichos dormem e sonham sem precisar aprender inglês.

Mas o surrealismo não para por aí. No artigo há isto, inclassificável:

- A verdade é que eu que não durmo e tenho uma inveja danada desses dormidores, inclusive do gato.

Sim, mesmo com a inveja do gato, a verdade leva aonde?

Até as citações de Sarney desmoralizam os citados, folclorizando-os:

- Mas, folclore à parte, os neurocirurgiões cerebrais descobriram agora uma neuronavegação que permite entrar em qualquer zona da cabeça, mesmo em áreas de difícil acesso, e “fazer maravilhas”, como dizia Cervantes da catedral de Sevilha. É claro que isso vem dos novos equipamentos de precisão que permitem uma pontaria exata para realizar os milagres.

Mas Sarney precisa ser lido até o fim, ainda que ao custo de segurar a náusea:

- E, com essas novas descobertas sobre o sono, o sonho, dormir, acordar, ir às áreas de ódio, de amor, de sexo, de guerra, de bolivarianos, de bem, de mal, de ficha suja e limpa, não haveria um novo campo para a política?

Sarney está tão embaralhado que esquece que esse novo campo da política já existe, chama-se Dilma Rousseff, sua colega de base governamental e de pensamento. Não há quem duvide de que um neurocirurgião do cérebro indique a Sarney que trate de pôr Dilma na Academia Brasileira de Letras. Para que dividam o chá com o convidado Evo Morales.

Inspirado como sempre, Sarney arrisca-se a mostrar soluções para as transgressões (cuidado, Fernando Sarney):

- Os tribunais condenariam os diversos tipos de transgressões a uma cirurgia de precisão indo aos pontos responsáveis por condutas indesejáveis. Ou então, mandar que sejam gatos de pensão ou fazer boi dormir.

O leitor pode imaginar, a esta altura, sobretudo depois do método Sarney para acabar com transgressões, que faço troça. Nada. Falo a sério. Talvez pensando na família, Sarney procura uma cirurgia (espécie de emplasto machadiano) para os… transgressores. Errado, uma cirurgia nas transgressões. Para fazer boi dormir.

E, como não podia deixar de ser, o gran finale:

- Talvez não tivéssemos essa guerra de fronteira Venezuela-Colômbia ou a impugnação do nome do Muricy Ramalho para técnico da seleção.

Sarney escrevendo às sextas-feiras na Folha é sempre sexta-feira 13 para o idioma e o bom senso.

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29 de julho de 2010 às 21h24min

Serra estará em agosto em Imperatriz

Aliados de Jackson Lago (PDT) preparam um grande ato de campanha para o candidato a presidente José Serra (PSDB) em Imperatriz, dia 10 de agosto. Segundo maior colégio eleitoral do Estado, a cidade é administrada pelo também tucano Sebastião Madeira. Planejam uma apoteose na cidade em que, segundo pesquisas internas, o ex-governador lidera a corrida eleitoral e o prefeito detém 70% de aprovação. Na ocasião será inaugurado o comitê de campanha de ambos na região.

No início de julho José Serra esteve em São Luís, onde recebeu o título de cidadão ludovicense. A visita foi morna e tumultuada ao mesmo tempo. Morna porque esconderam José Serra da população. Tumultuada porque o candidato ao Senado do PSDB, Roberto Rocha, levou Serra à sua rádio para uma entrevista, mas não abriu mão da presença de um repórter da Mirante, sistema de comunicação da família Sarney, que é aliada de Lula e Dilma e adversária do tucano. Não deu em outra: o repórter foi para provocar e acabou conseguindo material para divulgar contra Serra.

Há muito corre em São Luís, sem que o candidato Roberto Rocha alguma vez tenha desmentido, que ele teve encontro com Fernando Sarney e com o pai deste. A partir do encontro Rocha deixeou de ser person non grata nos meios de comunicação dos Sarney. É que a família faz qualquer negócio para não ver José Reinaldo Tavares (PSB), que rompeu com eles, eleito senador.

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26 de julho de 2010 às 13h34min

Fernando Sarney – novo tema de enquete

O leitor terá até quarta-feira para votar na enquete aí ao lado.

A pergunta é:

- Como Roseana Sarney conseguiu o patrimônio de mais de 7 milhões de reais?

Até aqui a opção “No carteado” vai ganhando de goleada.

A próxima terá como tema Fernando Sarney.

Os leitores podem enviar sugestões para a nova enquete até quarta-feira. Será assim: o leitor envia a sugestão em comentários e eu recolho e não publico. A melhor sugestão virará a enquete.

Podem começar a enviar as sugestões, amigos.

24 de julho de 2010 às 23h35min

Roseana mantém a tradição da oligarquia

Em conversa com um amigo na semana passada, ouvi o seguinte:

- Rapaz, o Edilásio não tem o apoio da Roseana Sarney.

Com minha característica paciência, disse-lhe:

- É verdade. E eu, que sou um otário, acredito em Papai Noel e na honestidade de Fernando Sarney.

Meu amigo insistiu na bobagem.

Disse-lhe:

- Meu caro, o Edilásio não só terá o apoio da sogra, a desembargadora Nelma Sarney, como a Roseana Sarney empunhará armas. Essa família tem o Maranhão como um curral, acorde.

Meu amigo seguiu discordando. Como eu respeito meus amigos até quando eles dizem asneiras, deixei de lado.

O jovem advogado Edilásio Júnior, candidato a deputado estadual, acaba de ganhar um apoio de peso para sua campanha.

Acontece que uma fonte do governo acaba de me ligar. E o que ela, a fonte, diz?

Isto:

Roseana Sarney chamou no cabresto Hildo Rocha, ex-secretário de articulação.

Motivo: quer que ele deixe o apoio a César Pires, ex-secretário de Educação, para apoiar… Isso mesmo, acertou quem disse Edilásio.

Edilásio, que ninguém conhecia até ontem, é genro da desembargadora Nelma Sarney. E, coincidentemente, tem um número mais que razoável de prefeitos a apoiar a sua candidatura a deputado estadual. Podem desmaiar , são prefeitos com problemas na Justiça.  

Antes que eu esqueça, Mundiquinho, ex-prefeito de Cantanhede, andava com uma faca e ameaçava se matar se alguém o tirasse do lado do deputado Alberto Franco. Quem o encontra hoje não o reconhece: diz nunca ter ouvido falar em Alberto Franco e morre, mas sobretudo mata, por Edilásio. Alberto Franco está sendo ferido com a mesma arma. Quando foi namorado da desembargadora e presidente do TJ, Etelvina Gonçalves, atingiu votos nas alturas.  

E meu amigo ainda diz que Edilásio garante que vai ser eleito por esforço próprio. Só espero que o esforço não lhe cause problema grave. Até porque esforço desse nível causa  problema nos países baixos, se é que me entendem.

16 de julho de 2010 às 23h37min

Os caros amigos do blog

Além de admirar profundamente Nelson Rodrigues (sempre digo que todo cronista, toda pessoa que escreve artigos ou editoriais na imprensa tem dívidas com ele), tenho como ele a profunda carência do amigo. Se a memória não me fecha a porta, Nelson dizia que andava de pires na mão para que lhe pingassem a amizade.

Sempre tive a sorte de contar com muitos leitores, em todos os jornais por onde passei. Antes eram as cartas que escreviam, depois foram os e-mails. Mas sempre contei também com o leitor que telefonava para o jornal (tenho uma amiga querida, sem conhecê-la, que hoje me acompanha no blog, mas que telefonava todos os dias às 17h, para minha sala no jornal). Como também havia os que escreviam cartas, depois e-mails e telefonemas para espinafrar. Em todo caso, eram leitores. Contra ou favor, sempre leitores.

Surgiu a internet. Então tratei de criar um blog, simples, daqueles que qualquer um cria. Fazia muitos textos só para o blog, mas a maioria era a reprodução da Coluna do Kenard, escrita para o jornal Diário da Manhã. Desculpem a verdade, não se trata de presunção: o blog chegou a ter 174 mil leitores.

Mas o que quero dizer é o seguinte: o blog proporciona uma coisa fabulosa – um número incrível de amigos desconhecidos. E que, sem maldade, chegam a ser tirânicos: querem sempre sua opinião sobre tudo. E de preferência que combine com a dele, leitor. O leitor que torce por José Serra adora quando espinafro o lulo-petismo. Mas se eu discordo de algo do PSDB, pronto, fecha a cara (eu imagino) e manda comentários nada amáveis. Dos petistas nem dou exemplo, porque são esquerdofrênicos, toda crítica é coisa da mídia golpista. E com idiotas eu não tenho tempo a perder.  

Depois que o blog mudou de endereço e um webdesigner (o computador insiste em me reprovar, esclarece que é web designer, mas vou pela intuição, computadores são burros), sob minha supervisão, porque quando se trata de estética sou muito mais exigente que em política, mudou a cara da página, perdi alguns leitores, mas ganhei um número grande de novos leitores. Gente simpaticíssima, aquela gente que você pode tranquilamente convidar para dividir um chope amigo, se eu ainda estivesse morando no Rio de Janeiro e ainda bebesse chope. E o leitor que me acompanha há mais tempo sabe que não estou a fazer demagogia. Ao contrário, quando um idiota insiste em discutir, digo logo: pode procurar outro blog, não estou atrás de quantidade, mas de qualidade.

Falei no chope amigo e esclareço logo: não fiquei abstêmio. Jamais. Troquei, há anos – seria sabedoria da idade? –, o chope pelo velho e bom uísque. Não há dia em que não beba minhas duas ou três doses de uísque.

Um analfabeto, do tipo Dilma Rousseff de calça, escreveu outro dia, para defender o patrão Fernando Sarney e a patroa Roseana Sarney, que vivo a beber gin. É tão burro, o pobre diabo, que acha que bebo gin. Ele deve imaginar que gin é abreviatura de ginástica. Só rindo de um bobo da corte desses.

Mas, sinceramente, é de uma felicidade incalculável contar com os leitores que conto. Agora mesmo, ao dizer que só escreveria até as sextas-feiras, um leitor (não sejam preguiçosos, vão lá nos comentários procurar quem é) escreveu algo simples, tocante, que me fez escrever este texto. Disse, resignado, que eu podia fazer isso e desejava bom fim de semana. Mas ele, não, viciado, iria ficar o fim de semana atrás de blogues (escrito assim mesmo por mim, enquanto o idiota do computador diz que estou errado e que a palavra certa é blusão. Não disse que computador é bicho burro).

Não há dinheiro que pague essa relação.

Não cito nomes, para não deixar os outros leitores sem graça. Mas sei de cabeça (ou de cor, vocês são do tempo dessas expressões?) o que cada um diz. Por exemplo: pela terceira ou quarta vez que o jornalista Augusto Nunes elogiou meu texto e indicou aos leitores dele o meu blog – tratei, depois de agradecer a generosidade, claro – recebi o comentário de uma leitora que dizia a fonte onde encontrou o endereço de meu blog. Antes que eu agradecesse a visita, ela escreveu logo outro comentário dizendo que o Blog do Kenard estava nos favoritos. Estou ou não com razão? É uma relação fantástica, quase de vizinho.

Já me prolonguei em demasia. Termino com o seguinte: Borges, o escritor argentino, dizia que a amizade é superior ao amor. E explicava. O amor exige a presença constante, a amizade não. Ninguém que ama fica 10 anos longe da pessoa amada. Sem falar que o amor exige cobranças. No entanto, você fica 20, 30 anos longe de um amigo, msmo sem qualquer contato, mas a amizade está lá, suspensa e sempre presente. A amizade dos amigos do blog é ainda mais superior: você gosta e respeita um amigo que sequer conhece.

Bom, para desespero do canalha que pensa que tomo gin, paro por aqui. Evitemos a emoção muito forte. E, além do mais, tenho que tomar minhas doses de uísque.

Até segunda, amigos desconhecidos e tão próximos.     

P.S: Na segunda-feira postarei texto a respeito da campanha que a famiglia Sarney tenta mover contra mim. A famiglia e os afilhados.  Eles não perdem por esperar. Vou mostrar por que a famiglia de Fernando Sarney procura mostrar moral contra mim, quando deveria ficar contra o marido e o pai promíscuo. Eles não sabem com quem se meteram.  Até segunda, amigos.

13 de julho de 2010 às 00h08min

Fernando Sarney, o insaciável

Como prometido aos leitores, a partir de hoje o blog terá espaço para editoriais. Eles ficarão arquivados lá em cima, na aba chamada artigos. Fernando Sarney é o premiado para ser o tema do primeiro editorial.

Eis a recomendação feita hoje pelo jornalista Augusto Nunes aos leitores dele, referindo-se ao editorial sobre Fernando Sarney: “ATENÇÃO, AMIGOS: NÃO DEIXEM DE LER O QUE ESCREVEU O ROBERTO KENARD. O KENARD ESTÁ EM GRANDE FORMA”.

Editorial

Depois que foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e evasão de divisas, todas as pessoas de bem do Maranhão esperavam que Fernando Sarney se modificasse. Não se modificou.

Basta acompanhar o que vem ocorrendo com a verba de comunicação do Governo Roseana Sarney. Fernando transformou a secretaria em uma extensão do jornal O Estado do Maranhão e do Sistema Mirante de Comunicação, meios de comunicação da família que ele dirige com a mulher, Teresa Murad Sarney. É que quando se trata de dinheiro, a fome de Fernando Sarney é insaciável, mesmo ao custo de ser investigado e indiciado pela PF.

Uma coisa não se pode negar: Fernando é intrépido. O medo não lhe assalta nem mesmo quando está sob fogo cruzado. As denúncias pipocavam contra ele em todos os meios de comunicação do país, mas ele estava preocupado com a verba da comunicação do governo de sua irmã. Não há como convencê-lo de que dinheiro público não é dinheiro privado.

Não se trata, diga-se logo, de um cleptomaníaco. A Cleptomania caracteriza-se pela recorrência de impulsos para roubar objetos que são desnecessários para o uso pessoal ou sem valor monetário. E, ao que se sabe, Fernando Sarney não está interessado em pedaços de giz, em um sabonete Lux ou mesmo numa óbvia caneta Bic.

A mania de Fernando Sarney de ser operador já causou a ele e aos seus o problema de investigações e o constrangimento do indiciamento. Mas não só. Ajudou a afundar o pai, senador Sarney, na crise do Senado, o que acabou por borrar de vez a biografia paterna. E não será surpresa se causar sérios e graves problemas ao governo da irmã, agora que deixou de operar no plano federal (pelo menos por enquanto, afinal nunca se sabe, quando se trata de Fernando Sarney).

Porque a tara por dinheiro não conhece limites. É irrefreável. E não se acanha ante o perigo. Seus mecanismos funcionam no superlativo. Nada de montinho. E um montão é sempre visto como um limite a ser superado.

Caberia a alguém da família corrigi-lo. Mostrar-lhe – como alguém que ensina as primeiras letras à criança – que governos não têm como função beneficiar empresas familiares. Apontar–lhe que o governo precisa cuidar de todos e não somente de uma única pessoa, ainda que essa pessoa seja o irmão da governadora.

O diabo é encontrar na família alguém com moral para passar-lhe pelo menos um pito. Afinal, todos carregam cestos de denúncias nas costas. O que não deixa de ser sintomático, já que até na família Corleone havia quem desejasse certo pudor.

2 de julho de 2010 às 14h42min

Governo tenta repatriar dinheiro de filho de Sarney

Fernando admite ter dinheiro na Suiça

* Brasil sustenta que os recursos resultam de atividades ilícitas

* Pela primeira vez, Fernando Sarney, por meio de seu advogado, Eduardo Ferrão, admitiu que mantém recursos na Suíça

O governo brasileiro tomou a primeira medida para tentar repatriar cerca de US$ 13 milhões que o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mantém na Suíça sem declarar à Receita Federal.

Após a Folha revelar, em março, que os suíços haviam congelado a conta movimentada pelo empresário, o Brasil pediu às autoridades daquele país que transformassem o bloqueio de caráter administrativo em criminal.

A Suíça havia adotado a medida de maneira preventiva e por iniciativa própria, por suspeitar da origem do dinheiro.

Ao solicitar a conversão, o Brasil sustenta que os recursos resultam de atividades ilícitas, como corrupção, evasão de divisas e lavagem. Esse é o passo inicial para que o dinheiro possa ser repatriado no futuro.

O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal no Maranhão, com autorização da Justiça Federal, e enviado à Suíça pelo DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça responsável por esse tipo de iniciativa.

A Folha não conseguiu confirmar se a Suíça já atendeu ao pedido. O Ministério da Justiça informou que não comentaria o assunto, por se tratar de caso sigiloso.

Ontem, pela primeira vez, Fernando Sarney, por meio de seu advogado, Eduardo Ferrão, admitiu que mantém recursos na Suíça, ao afirmar que a origem do dinheiro é lícita. Em situações anteriores, o empresário negou ou não comentou quando questionado sobre movimentações financeiras no exterior.

O bloqueio da conta é um desdobramento da Operação Faktor (ex-Boi Barrica), conduzida pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República no Maranhão.

A investigação foi desdobrada em cinco inquéritos. Fernando foi indiciado sob acusação de formação de quadrilha, gestão financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Em um inquérito específico sobre a movimentação financeira no exterior, ele também foi indiciado sob acusação de evasão de divisas.

Nesse caso, conforme revelado pela Folha, o governo chinês confirmou ao Brasil que o empresário remeteu das Bahamas, conhecido paraíso fiscal, US$ 1 milhão para Qingdao, na China –dinheiro também não declarado à Receita Federal.

Segundo o inquérito, parte do dinheiro mandado por Fernando para fora do país teria sua origem em desvios da obra da ferrovia Norte-Sul, um dos projetos prioritários do PAC.

Os depósitos bloqueados na Suíça estão em nome de uma empresa, mas eram movimentados exclusivamente por Fernando, que cuida dos negócios da família Sarney no Maranhão. O dinheiro não está declarado ao fisco.

(Com informações da Folha de S. Paulo)

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