Blog do Kenard – Notícias e Análises

4 de fevereiro de 2012 às 12h11min

Edivaldo Holanda Júnior dá os primeiros passos
para se viabilizar candidato a prefeito de São Luís

O deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC) começou a dar os primeiros passos na direção da candidatura a prefeito de São Luís. Até aqui silencioso, Júnior movimentou-se na semana que termina: esteve em conversa com Flávio Dino (PCdoB), com o deputado estadual Marcelo Tavares (PSB) e com o presidente do PPS, Paulo Matos.

Vai conversar também com Roberto Rocha (PSB), Tadeu Palácio (PP), Eliziane Gama (PPS) e José Reinaldo Tavares (PSB).

Em 2010 Edivaldo Holanda Júnior teve 70 mil votos só em São Luís e elegeu-se deputado federal. Ele era vereador. O pai, Edivaldo Holanda, porém, não conseguiu se eleger deputado estadual.

As visitas são a grande novidade da semana que termina. Os meios de comunicação (blogues incluídos) até aqui não haviam dado importância a uma possível candidatura de Júnior. Ele, na verdade, fez por onde: não tem participado nem se manifestado sobre o tema.

Tudo indica que o cenário começa a mudar. E a complicar.

Segundo informações passadas ao blog, o ex-governador José Reinaldo Tavares prossegue com a tese de que o melhor para a oposição ao Esquema Sarney é uma ampla aliança com o prefeito João Castelo (PSDB). O que evitaria o desgaste, sem resultado previsível, de um embate com as máquinas estadual e municipal. Sem falar nas manifestações do poder federal.

Flávio Dino trabalha com a perspectiva de uma candidatura que saia do PTC, PP, PSB e PPS. Ele descarta a possibilidade de vir a se candidatar a prefeito de São Luís. O projeto seria a eleição de governador, em 2014.

A mesma fonte garante que o ex-prefeito Tadeu Palácio estaria disposto a abrir da candidatura apenas para Flávio Dino. Palácio não vê em Júnior, por exemplo, um figurino oposicionista. Resta saber se Roberto Rocha estaria disposto a abrir mão do projeto pessoal em nome da candidatura de Júnior.

A próxima semana promete.

2 de fevereiro de 2012 às 21h40min

Eleições 2012: possibilidades e entraves para Flávio Dino

O presidente da Embratur, ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB), não será candidato a prefeito de São Luís. O blog, em 2010, logo após as eleições, havia publicado em primeira mão que Dino não pretendia se candidatar. “Só se realmente não houver outra saída”, disse à época (o leitor pode procurar nos arquivos do blog).

A tendência é Flávio Dino apoiar um dos pré-candidatos a prefeito do grupo de oposição ao Esquema Sarney e ao prefeito João Castelo (PSDB).

Flávio Dino bateu o martelo, no entanto os apelos para que se candidate não param. O mais recente veio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Um núcleo de professores e intelectuais acredita que é importante a candidatura agora de Dino, com abertura para ficar, caso seja necessário, até seis anos na Prefeitura de São Luís. Ou seja, conforme as condições, Flávio Dino não seria candidato a governador em 2014, mas em 2018.

Dino é sensível à proposta, porém não deseja ser candidato a prefeito e reafirma a disposição de ser candidato a governador em 2014.

Mesmo dentro do PCdoB, partido de Dino, há correntes que são francamente favoráveis ao lançamento da candidatura a prefeito, como também só este blog já publicou. O partido trabalha para fazer bom número de prefeitos pelo Brasil afora. Acredita que Dino é uma das esperanças.

Por que Dino resiste?

Jornalistas e blogueiros com o cérebro na Faixa de Gaza acreditam que ele teme perder a eleição. Absurdo. Flávio Dino tem em mente que o tempo, sendo eleito prefeito, será seu maior inimigo. 15 meses seriam um contratempo. Não há muito o que fazer em tempo exíguo. Ele entraria grande na Prefeitura de São Luís e sairia com muitos centímetros (quem sabe metros) a menos. O projeto de 2014 estaria, assim, profundamente comprometido. Aí está dito tudo.

Bom, aí nasce novo problema. Digamos que Dino não saia mesmo candidato a prefeito de São Luís. A quem apoiar?

Os dois nomes mais fortes até aqui são: Tadeu Palácio (PP) e Edivaldo Holanda Júnior (PTC).

Tadeu Palácio cometeu o equívoco de participar do Governo Roseana Sarney (PMDB). Difícil convencer o eleitor ávido por mudanças de que Palácio não esteve por lá. A classe média, formadora de opinião, não perdoa. Sobretudo em tempos extremados, quando se avoluma a insatisfação com o Esquema Sarney.

Edivaldo Holanda Júnior teve uma excelente votação para deputado federal. Foram 70 mil votos só em São Luís. Uma coisa é a eleição para deputado federal, outra bem diferente é a de prefeito. O eleitor de Dino não tem o mesmo figurino do eleitor de Júnior. Este, apesar da pouca idade, tem um talho absolutamente conservador, desligado das reivindicações mais avançadas da sociedade participativa.

A grande questão hoje é: Flávio Dino resistirá aos apelos pela candidatura a prefeito? Mais: caso siga a dizer não, há de seu lado um nome viável?

Está posta a discussão.

 

 

1 de fevereiro de 2012 às 16h21min

JP faz editorial provocativo. O que você acha?

Em editorial, ontem, o Jornal Pequeno provoca com ironia as pré-candidaturas a prefeito de São Luís. É o tema do ano.

O blog achou por bem reproduzir o editorial para gerar discussão mais ampla. Você concordar com o que é dito no editorial? Não concorda? Então participe, escreva comentários.

Abaixo, o ediorial:

O Movimento dos Sem-Voto

Depois do Movimento dos Sem-Terra e dos Sem-Teto, nasce no Maranhão com o fim de disputar a eleição municipal em São Luís, o Movimento dos Sem-Voto. Constituído de candidatos como Roberto Rocha, Tadeu Palácio, Eliziane Gama e Edivaldo Holanda Júnior, o MSV promete se unir em torno de uma candidatura única para derrotar o prefeito João Castelo.

Não foi citado Flávio Dino, porque este tem votos em São Luís, mas não ousa ser candidato. Também não foi citado Bira do Pindaré porque na disputa pelo Senado mostrou que tem carisma e popularidade bastante numa disputa majoritária para assustar velhos figurões da política maranhense. Além do que só será candidato pelo Partido dos Trabalhadores, onde está perdendo a indicação para Washington Luiz.

É uma ótima notícia para o principal artífice da candidatura de Washington, o senador José Sarney, essa união de candidatos sem voto em torno de um outro candidato que tem menos votos ainda. O vice-governador, se igualmente não tem votos em São Luís, terá a seu
dispor as máquinas do Estado e do Governo Federal, além de apoios institucionais que de alguma forma haverão de pesar nas eleições.

Como em se tratando de política nunca se sabe o que vai acontecer na próxima curva, pode ser que Flávio Dino ainda resolva ser candidato e só assim o prefeito João Castelo terá com o que se preocupar. Fora isso, ainda há as reações dos partidos que nem sempre estão de acordo com as pretensões eleitorais de seus filiados, como nos casos de Roberto Rocha e Eliziane Gama. Estão esquecendo que caberá ao povo decidir essa disputa e que a preocupação do governo Roseana é não perder o comando do estado em 2014, e isso é o que movimenta hoje as peças do xadrez político maranhense.

Uma derrota de Flávio Dino – mais uma – nas eleições majoritárias de 2012 revitalizaria o projeto de perpetuação no poder do grupo Sarney.

É daí que vêm os constantes ataques contra o presidente da Embratur. Querem irritá-lo até o ponto em que ele caia na esparrela de enfrentar as máquinas do Estado, da Prefeitura e do Governo Federal na disputa por São Luís. A novidade política chamada Edivaldo Holanda Júnior, com seus 100 mil votos para deputado federal pode até pesar na balança dos
prognósticos eleitorais, mas não tem lado, é inseguro demais, silencioso demais para quem pretende se aventurar numa disputa capaz de mudar a história política do Maranhão.

Com base no que chamou de ‘confiança da população na Prefeitura’, o presidente do PSDB, deputado Carlos Brandão, afirmou ao blog do jornalista Djalma Rodrigues que o partido não está intimidado com a candidatura do vice-governador Washington Luiz, apesar do tempo de
televisão, apoio do governo estadual, de Dilma e de Lula. De fato, o prefeito João Castelo não tem razões para temer essa candidatura. Mas o Movimento dos Sem-Voto tem sim, e é isso o que as eleições deste ano de 2012 vão mostrar.

 

30 de janeiro de 2012 às 12h04min

No turismo, Brasil precisa evitar a
todo custo a fama de país caro

O Brasil corre o risco de ficar com a fama de país caro. O alerta vem do presidente da Embratur, Flávio Dino, para quem o desafio na Copa-14 não é construir estádios ou atrair estrangeiros em crise.

Em entrevista à Folha, afirma que acendeu a luz amarela no assunto preço. Isso por causa da combinação de moeda valorizada, demanda interna aquecida e pouca diversificação dos roteiros.

Defensor de desonerações para o setor como forma de baratear os pacotes para o Brasil, Dino afirma que é preciso atualizar a agenda do governo. Apesar da crítica, diz que o bordão “imagine na Copa” ouvido nos aeroportos está errado: “Haverá transtornos, mas não será o caos”.

Há sete meses no cargo, o maranhense nega que seja problemática a relação com o ministro Gastão Vieira (Turismo), do PMDB, aliado do senador José Sarney, seu adversário político. Ainda assim, o juiz comunista leva na carteira três imagens de santos. Entre eles, santo Expedito, o das causas impossíveis.

Folha – Como está o plano de abrir escritórios para promover o Brasil em outros países?

Flávio Dino - Serão 13 escritórios nos principais emissores de turistas para o Brasil e ao mesmo tempo nos mercados estratégicos em crescimento no mundo. Teremos nos EUA, na América do Sul, na Europa e na China -a classe C deles tem 300 milhões de pessoas. Hoje a China não é um grande emissor de turista para o Brasil, mas pode vir a ser. Os escritórios produzirão inteligência comercial para o Brasil. A relação não será com o público final, mas com agências e operadoras. É um contrato de R$ 10 milhões por ano. Até o fim do ano queremos estar com todos abertos.

Os grandes eventos serão o foco para os escritórios?

Serão um dos ganchos, mas não podemos pensar na promoção ancorada exclusivamente nos megaeventos. Eles são o tempero, não a cereja do bolo. Encadeamos um ciclo virtuoso e os megaeventos ajudam. Estamos conseguindo aumentar o número de turistas estrangeiros no Brasil, apesar do câmbio e da crise internacional.

Como crescer com o mundo empobrecendo?

Mesmo com 2010 e 2011 tendo sido anos difíceis nos principais emissores para o Brasil, ainda assim, continuamos a crescer. O que prova que a aposta é correta.

Como foi compensado o fluxo dos países tradicionais?

Levantamentos preliminares confirmam tendência de 2010, quando os mercados que mais cresceram foram os da América do Sul. A teoria do turismo internacional mostra que o fluxo é mais forte nos mercados de proximidade. É o turismo de baixo custo. No Brasil, somente 46% dos turistas estrangeiros eram da América do Sul que, agora, vive um bom momento.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

27 de janeiro de 2012 às 10h35min

Roseana vai conseguindo o que deseja no TRE-MA.
A oposição decidiu ficar olhando a banda passar

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.

O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.

Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.

Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.

Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.

Suspeição

Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.

Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?

E a oposição com isso?

O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.

Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.

Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.

Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura  ao caso?

Burocratização da política. Despolitização da politica.

Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.

PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar. 

 

20 de janeiro de 2012 às 07h33min

Washington é uma mudança de nome para
o mesmo projeto atrasado da oligarquia Sarney,
diz Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís

Márcio Jerry, presidente do PCdoB

Liguei para fechar uma entrevista com o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís. Ele se encontrava em São Paulo e a entrevista ficou para o dia seguinte. Sem superstição, achei que a coisa não começava bem.

Mas depois vi que estava enganado.

A entrevista, nas linhas e entrelinhas, deixa ver muita coisa do jogo político que está a se armar no começo deste ano em São Luís.

A pergunta que mais fazem ao editor do blog (Flávio Dino será candidato a prefeito de São Luís?) ainda não tem resposta definitiva, é verdade. No entanto, fica-se sabendo que o PCdoB não vai de João Castelo (PSDB), atual prefeito de São Luís.

E a respeito do lançamento, pela oligarquia Sarney, do nome do vice-governador Washington Luiz para disputar a Prefeitura de São Luís?

Para saber a última resposta, e muitas outras, leiam a entrevista com Márcio Jerry abaixo:

Blog do Kenard – Como caiu no PCdoB a possibilidade do vice-governador Washington Luiz vir a ser candidato a prefeito de São Luís?

Washington Luiz

Márcio Jerry – Uma mudança de nome para representar o mesmo projeto atrasado da oligarquia decadente. E uma manobra para manter o PT como linha auxiliar do grupo oligárquico comandado por José Sarney. É um lance que não altera substantivamente a essência da disputa eleitoral em 2012, mas pode ter  repercussões para 14.

BK –Tudo indica que o PT nacional, onde quem manda é Lula, jamais estará com Flávio Dino na disputa pelo Governo do Maranhão. Nesse sentido, ser do PCdoB não é um péssimo negócio para Dino?

MJ – Em 2010 enfrentamos os milhões de Roseana, o Lula  e o PT nacional. Mesmo assim só não fomos ao segundo turno para vencer por causa daquelas estranhas ocorrências no TRE com cheiro forte de fraude. O PCdoB é aliado nacional do PT, mas não subordinado ao PT. Se fosse subordinado teria cedido às imensas pressões para que em 2010 Flávio Dino disputasse o senado e não o governo do estado.

BK – Por falar em Governo do Maranhão, gostaria de saber o seguinte: há um processo no TSE que pode resultar na cassação do diploma de Roseana Sarney. Vocês acreditam que o TSE tem coragem de ser isento e cassá-la?

MJ – Ou o TSE cassa Roseana Sarney ou inocenta Jackson Lago. Roseana Sarney cometeu vários crimes eleitorais em 2010, de forma explícita, flagrante. O TSE, é o que se espera, precisa julgar com isenção. Enfatizo: Jackson Lago foi injustamente cassado com acusações que são fichinha perto das que foram apresentadas na denúncia à Roseana Sarney.

BK –Sinceramente, Flávio Dino vai ou não disputar a Prefeitura de São Luís?

Flávio Dino

MJ – Sinceramente, pode disputar e pode não disputar. Depende de uma conclusão coletiva sobre os cenários e projetos para 2012 e 2014. Temos várias e bem fundamentadas opiniões favoráveis a ele ser candidato agora e também para não ser candidato, se preservando para 2014. São Luís reclama uma alternativa político-administrativa e nós juntos haveremos de encontrá-la.

BK – Digamos que ele decida por não disputar. Há a possibilidade de todos os partidos do campo antissarney apoiarem, por exemplo, Castelo (PSDB), dando à eleição uma feição plebiscitária?

MJ – O prefeito João Castelo desperdiçou todas as oportunidades de liderar a oposição ao grupo Sarney. Em 2010 fez corpo mole e ajudou na prática a candidatura de Roseana. E mesmo depois disso não compreendeu que poderia mudar o rumo do seu péssimo governo, convocar um governo de coalizão e apontar um rumo diferente para São Luís e para  o Maranhão. Infelizmente é uma pessoa avessa ao diálogo. Não vejo, pois, como agora ele poderá liderar um campo antissarney.

BK – Como presidente do PCdoB de São Luís, quais seriam as consequências para o partido ter de ficar quatro anos com sua maior liderança e da oposição no Estado sem mandato por quatro anos?

MJ – Flávio Dino hoje preside uma empresa importante do governo federal, atendendo a um convite da presidenta Dilma Roussef. A falta do mandato não está atrapalhando o processo de crescimento do PCdoB. E agora em 12 ou ali em 14 o Flávio Dino certamente voltará a exercer um mandato em nosso estado, agora no executivo.

BK – Você falou como presidente do partido. Agora, se dependesse de sua vontade, Flávio Dino seria ou não candidato a prefeito de São Luís?

MJ – (risos) Se dependesse só de vontade o próprio Flávio Dino te diria que gostaria de disputar a Prefeitura. Mas é algo além de uma vontade…Trata-se de um projeto que precisa ser friamente elaborado para que os passos planejados avancem para o maior desafio que é pôr fim a esse ciclo oligárquico tão danoso ao Maranhão.

 

17 de janeiro de 2012 às 13h34min

Petista pró-oligarquia Sarney expõe
as mazelas do Governo Roseana e
mostra que acordo beneficiou só Washington

Transcrevo abaixo artigo de Mundico Teixeira, figura de proa do petismo maranhense, que me foi enviado por e-mail. Ao final, o Comentário do Blog:

A gestão do governo PMDB-PT do Maranhão: impasses e dilemas

Por Mundico Teixeira

A aliança vitoriosa entre PT e PMDB em 2010 foi extremamente debatida na sociedade maranhense, com amplo espaço para o contraditório, e mesmo não saindo como cada militante desejava, tendo em vista o peso que a conjuntura local e nacional exerceu no processo, ainda assim o saldo positivo foi suficiente para determinar a vitória logo no primeiro turno em nosso Estado e a maior votação em termos proporcionais para a presidenta Dilma no Maranhão. O que os petistas e a sociedade como um todo esperavam é que aquela aliança também se estendesse ao governo, com o jeito PT de fazer, especialmente com a participação efetiva das organizações sociais.

No período da pré-campanha, em negociações com o PMDB e com a participação da Comissão Executiva Estadual,  foram disponibilizadas ao PT quatro secretarias, reduzindo-se a duas após o encontro de tática eleitoral do PT em 26/03/2010, sendo estas a Secretaria de Educação e a Secretaria de Desenvolvimento Social. Entretanto, no final das eleições de 2010, de forma extremamente objetiva o governo pediu a substituição do secretário de educação diretamente ao vice-governador eleito, por se tratar de indicação de sua chapa no PT, e este, por falta de nomes petistas que fossem aceitos, devolveu a secretaria ao governo.  Na Secretaria de Desenvolvimento Social, o secretário petista foi destituído antes mesmo de o novo governo iniciar-se.

Já na nova gestão, eleita legitimamente, o papel do PT passou a ser sobretudo secundário, apesar de sermos o partido da Presidência da República, do vice-governador, com três deputados estaduais, um deputado federal, nove prefeitos e 94 vereadores. Não estamos conseguindo, neste um ano de governo,  influenciar ou sequer sermos ouvidos com o nosso jeito PT de ser na educação, no desenvolvimento agrário, no desenvolvimento social, na juventude, igualdade racial ou meio ambiente. Em outros termos, não estamos contribuindo efetivamente com o governo como deveríamos.

Na Educação ainda não conseguimos encontrar um caminho que aponte para soluções que possam modificar em curto, médio ou mesmo longo prazo os resultados desastrosos dos indicadores educacionais dos últimos anos, os quais têm nos relegado aos últimos lugares do ranking nacional. E aqui, no meu ponto de vista, existe uma causa central para este sério problema: como se trata da secretaria com a maior fatia do orçamento do estado, os interesses que predominam são de origem financeira, geralmente indiferentes aos propósitos de uma educação com qualidade.

Em geral, estes interesses se evidenciam por suas práticas polifisioclientelistas ao transformarem as unidades regionais de educação em simples escritórios políticos de grupos familiares regionais, sem nenhum compromisso com os interesses da sociedade, usurpando do contribuinte comum a oportunidade de, pela educação, mudar e transformar a sua realidade e a de seus filhos para melhor.

Não consigo, mesmo com todo o esforço que faço para isso, ver saída para educação sem a participação efetiva dos educadores, e aqui não falo de um educador qualquer e sim dos militantes da causa da educação, pois, se o governo se debruçasse sobre a tarefa de mobilizá-los e partilhar com os mesmos as responsabilidades que são de toda sociedade, grande parte de nossos entraves estariam solucionados.

Na questão agrária não temos como tergiversar sobre a questão central e gostaria de chamar a atenção para um detalhe pouco percebido. A separação da SEDAGRO da SAGRIMA foi uma sugestão nossa do PT, logo após a governadora assumir em 2009 pós-cassação do então governador Jackson Lago. Entendemos que a agricultura familiar além de ser responsável por 70% do alimento que chega à mesa de todos os brasileiros, contribui para garantir autonomia e autossuficiência ao trabalhador do campo, o que evidentemente vai de encontro às aspirações do agronegócio. Este, baseado na monocultura, na produção em larga escala, em grandes extensões de áreas traz como consequências a degradação acelerada do meio ambiente, baixíssimos índices de empregabilidade e pouca responsabilidade social.

Alguns programas federais que visam fortalecer a agricultura familiar estão patinando em nosso estado, e pode-se citar como exemplo o Crédito Fundiário. Trata-se de um programa auxiliar da reforma agrária demandado pelo sistema Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTRs), CONTAG e FETAs, que permite a um grupo de trabalhadores rurais ou desempregados, há mais de cinco anos, com vocação agrícola, se associarem com fim específico, em busca de áreas de até quinze módulos Rurais (825 ha), adquiridas através de um crédito concedido pelo Governo Federal, com prazo para pagamento até dezessete anos, com dois de carência além de um infraestrutura básica(casa, água, energia e estrada sem custo para o assentado).

Este programa foi conveniado pelo Maranhão no governo Zé Reinaldo, concebido à época com o único propósito de render votos eleitoreiros e por isso foram montadas, a partir da estrutura do estado, verdadeiras quadrilhas que atuavam nas duas pontas do programa: na aquisição da terra junto aos proprietários que desejavam vender suas terras, e na organização dos grupos sem qualquer critério de seleção dos beneficiários, o que não raro se comprovava o uso de nomes de pessoas para funcionaram como laranjas das tais quadrilhas.

Na aplicação da infraestrutura continuavam os saques, obras inacabadas e, no final, o que deveria ser um ganho considerável aos beneficiários do programa acabou virando uma frustração, gerando prejuízos às organizações da agricultura familiar e a suspensão do convênio por parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre setembro e agosto de dois mil e sete, quando a corrupção atingiu o seu pico e, ate hoje, não foi possível regularizar o funcionamento de tão importante programa, apesar de dois anos e oito meses de governos Roseana.

Recentemente o diretório (DE-MA), reunido em 10/12/2011, fez análise da atual conjuntura e quase por unanimidade concluiu que não está correta a condução das relações do PT com o governo, especialmente porque estão sendo conduzidas pelo vice-governador, ocasionando um conflito de interesses, pois, sem a devida atenção, neste um ano de governo não foi possível fazer a necessária diferenciação entre os interesses do partido e os interesses do governo, um problema que depois de tanto tempo parece ser de difícil reversão.

As inquietações dos dirigentes especialmente do interior do estado se centraram no fato de sermos vistos pela sociedade como governo, mas na prática não governarmos absolutamente nada e isso nos torna alvo de demandas que não temos como responder.

A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor. Não tenho dúvidas das intenções e do desejo da Governadora, porém já se passou um ano e as mudanças necessárias para que esse governo seja o melhor de sua vida e do Maranhão não aconteceram.

Mundico Teixeira – Secretário de finanças e Planejamento do
Diretório Estadual do PT-MA

Comentário do Blog: Vejam vocês, o sarnopetismo pôs a cabeça para fora da toca. Mundico foi um fervoroso defensor da aliança do PT com a oligarquia Sarney em 2010, a carta exposta acima mostra que não mudou de opinião. Pelo documento que resolveu assinar ficamos sabendo que as coisas não ocorreram como a companheirada tão avidamente sonhava. O que vem a ser outra conversa.

Esclareça-se logo: o documento não é uma autocrítica ou muito menos um mea-culpa. Longe disso. Mundico expõe umas poucas mazelas do Governo Roseana, é verdade. No entanto, as mazelas não são o centro da questão. Mundico cobra participação no governo, cobra cargos, para fazê-lo, foi obrigado a expor o jeito oligárquico de administrar.

Repare-se que ele expõe as mazelas, cobra cargos e… diz seguir a acreditar nas palavras da governadora Roseana Sarney, que, segundo ele, foi eleita legitimamente. É “o jeito PT de ser”, que no submundo da política maranhense é conhecido como “o jeito morcego de ser”. Chupa e abana, do contrário a patroa se zanga e as reclamações não se transformam em cargos.

No seu “jeito PT de ser”, Mundico não descuida de abrir o documento dando legitimidade ao acordão entre o partido e a oligarquia. Assim, a decisão democrática – foi no voto – de apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB) em 2010 desaparece do mapa. Nunca existiu. Já a intervenção de Lula e do PT nacional, que levou o PT para o colo de Roseana, vira uma decisão “amplamente discutida na sociedade e aberta ao contraditório”. Bom, agora estou sabendo que levar o PT pelo beiço por lá chamam de discussão ampla. Mas não deixa de fazer sentido.

Já no final vem esta pérola:

“A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor”.

Das duas, uma: ou os petistas acham que todos somos imbecis a ponto de acreditar na conversa fiada de que se juntaram por conta das promessas de que a oligarquia que destrói o Maranhão seria justamente a que agora iria salvá-lo, ou são absolutamente broncos a ponto de levar a serio as palavras de Roseana Sarney que não encontram respaldo na história do Maranhão desses 46 anos de oligarquia.

Pelo “jeito PT de ser”, eis minha resposta: esses senhores, claro, nunca levaram em conta promessa tão surreal, queriam o poder. Ou nas palavras cruas de Mundico: queriam cargos. Como os cargos não vieram, nasceu a carta de Mundico.

Para finalizar, não deixemos passar em branco: quem acredita nas palavras da mais legítima representante da oligarquia Sarney é justo quem só vê corrupção nos ex-governos de José Reinaldo Tavares e Jackson Lago. Detalhe importante: no Governo Jackson Lago o PT teve ampla participação, com mais secretarias e cargos, não é verdade, deputado Domingos Dutra?

Em tempo: Roseana Sarney não tomou a Secretaria de Educação do PT. “O jeito PT de ser” é que – pasmem! – assustou a governadora, tantas eram as denúncias de corrupção. Mundico perdeu a oportunidade de dizer a frase correta: “Governadora, a senhora foi injusta com o PT, porque o que o PT fez na Secretaria de Educação os seus aliados fazem há 46 anos”. Mas não sou injusto, compreendo que Mundico não pode fazer uma cobrança segura como essa, porque aí estaria fugindo do “jeito PT de ser”, não é mesmo?

 

17 de janeiro de 2012 às 10h09min

PCdoB caminha para decidir pela candidatura de Flávio Dino

O comando político do PCdoB fez ontem a primeira reunião para discutir a possível candidatura de Flávio Dino à Prefeitura de São Luís, levando em conta o quadro posto hoje. Pelos participantes da reunião, Dino seria o candidato. Acontece que a discussão precisa passar pela estadual, pela municipal e pelo comando nacional.

Tanto a instância local e o comando nacional do PCdoB há muito mostram o desejo de ver Flávio Dino candidato em 2012. Desde o fim da eleição de 2010, porém, Flávio Dino tem demonstrado que prefere apoiar um candidato do chamado campo democrático, onde se encontram os adversários do Esquema Sarney. Dino insiste em não ser candidato.

Decisão – A tendência no PCdoB, no atual momento, é de considerar imprudente a não candidatura, tendo em vista o projeto de disputa do governo em 2014 e o vácuo de liderança que pode ser formado agora em 2012.

Há quem defenda também, caso a candidatura saia vitoriosa, a permanência de Dino à frente da Prefeitura de São Luís por seis anos. Ou seja, Dino só se lançaria ao governo em 2018, mas isso, repita-se, caso as circunstâncias em 2014 não sejam favoráveis ao lançamento da candidatura ao Governo do Maranhão.

16 de janeiro de 2012 às 14h30min

Indecisão de Flávio Dino o complicou em 2012

O lançamento, pela família Sarney, do vice-governador Washington Luiz (PT) para disputar a Prefeitura de São Luís foi uma grande jogada política. A indecisão de Flávio Dino (PCdoB) propiciou a jogada.

Com isso, evidentemente, não estou a dizer que as favas estão contadas. Nada nesta disputa está contado. Tudo está por se arranjar. Mas o cenário se complicou. Pelo menos para Flávio Dino.

O nome do petista Washington Luiz complica porque se encontra no mesmo campo político de Dino. Caso Flávio Dino tivesse se antecipado, dificilmente o nome de Washington Luiz estaria posto. Não seria do agrado do PT nacional patrocinar nova desmoralização de aliados no Maranhão, como o fez em 2010. Naquela disputa, o PT maranhense decidiu, pelo voto, apoiar Dino. A mão de Lula e da direção nacional caíram sobre o PT e levaram o partido pelo beiço para a oligarquia Sarney.

Há ainda o fato de que não se trata agora da candidatura de um político do PMDB, a quem o sarnopetismo teria de apoiar, fingindo constrangimento. Washington Luiz é do PT, a cabeça de chapa, portanto, é do PT.

Junte-se a isso o apoio federal e a máquina do Estado. O Esquema Sarney fará de tudo para tentar eleger Washington Luiz, única maneira de se livrar do vice para a disputa de 2014, quando Roseana Sarney terá de se desincompatibilizar para concorrer ao Senado.

Não se pode negar a sagacidade de Washington na empreitada. Sabedor de que o Esquema Sarney não o quer como  vice em 2014, tratou de juntar a fome com a vontade de comer. Deu aos Sarney a oportunidade de conseguir seus intentos. Preço: a candidatura à Prefeitura de São Luís.

Flávio Dino encurralou-se. Não tem força suficiente para apostar num dos nomes postos de seu campo político (difícil acreditar que possa transferir votos) e jamais subirá num palanque do PSDB, o que resultaria catastrófico no plano nacional em 2014.

Pode, ainda, se decidir pela candidatura a prefeito? Claro que pode. Mas certamente sabe que o será em condições bem mais complicadas. Terá, no mínimo, a trabalheira incomensurável de juntar os partidos da base aliada do governo federal no Maranhão. Será o cenário de 2010 em 2012. Com um agravante: agora a cabeça de chapa é do PT.

13 de janeiro de 2012 às 22h53min

Eleição em São Luís: o jogo ainda não foi jogado

A semana que termina foi marcada por um reboliço desproporcional ao acontecimento: o lançamento do nome do vice-governador Washington Luiz a prefeito de São Luís. Lançamento feito pela família Sarney e pelo próprio Washington.

Os blogues sarneístas e os que se dizem ligados à oposição foram os responsáveis pelo estardalhaço. Os primeiros já anunciando a vitória eleitoral do vice, e os segundos tentando desmerecer o acontecimento e o próprio vice.

Tratei de fazer a análise dos fatos, como o leitor pode rever aqui.

Acontece – lamentável ter de proclamar isso – que o jogo ainda não está jogado. Washington Luiz precisa saltar os obstáculos petistas para sair candidato e, depois, convencer os eleitores de que é a melhor opção para São Luís.

No meio do caminho existe o prefeito João Castelo (PSDB) e Flávio Dino (PCdoB). O primeiro vem procurando acertar o passo, embora tenha perdido muito tempo e venha sendo acossado pelos adversários desde o primeiro minuto após a eleição de 2008. E também conte com auxiliares na administração de competência pelo menos discutível. O segundo é, indiscutivelmente, a grande revelação política dos últimos tempos. Tem, a meu ver, cometido alguns equívocos desde que foi eleito deputado federal, a saber: 1) cuidou de se fortalecer nacionalmente e descuidou-se do fortalecimento na província; 2) carrega o que chamo desde 2010 (o leitor pode buscar nos arquivos) de contradição insanável, isto é, é filiado a um partido que o faz refém do Governo Federal, o que mais atrapalha que ajuda no plano local, já que os adversários que combate estão na mesma sala política e 3) passou a ser a esperança de mudanças de parcela considerável da população por disputar eleições contra o Esquema Sarney, não por fazer política declarada e sistematicamente contra o sarneísmo.

João Castelo, o prefeito, sempre teve entre 25% e 30% do eleitorado de São Luís, quer estivesse ou não no poder. É um patamar considerável. Precisa entender, porém, que política não é coisa de um homem só, ainda que esse homem tenha esse poder de fogo. Sem falar que o poder sempre traz algum desgaste, pequeno, médio ou grande.

Flávio Dino oscila entre ser ou não candidato a prefeito. E o faz por razões nada desprezíveis, diferentemente do que dizem oposicionistas de ocasião e os adversários de sempre. Embora apareça muito bem nas pesquisas feitas até aqui, se for candidato e perder, não vejo onde isso possa inviabilizá-lo em 2014. É um pensamento pessoal, diga-se logo. Pode, porém, reunir a oposição em torno de Castelo. Há quem diga que isso possa significar a sua morte política, uma vez que o PT nacional e o Governo Federal irão virar as costas para ele. Sinceramente, considero essa hipótese esdrúxula. Em 2010 ambos trataram de atropelá-lo em nome do projeto nacional que incluía o Esquema Sarney. Hoje ou amanhã ambos farão o mesmo, sentados que estarão no mais grotesco projeto de poder. Esteja com o PSDB de Castelo e com a oposição aos Sarney, ou se submeta ao lulo-petismo, Flávio Dino jamais será o candidato dessa gente em 2014.

Assim, Washington Luiz não é, pelo menos até aqui, a grande questão. Ele precisa se viabilizar dentro do PT, precisa fazer o nome que ainda não tem e precisa ganhar a grande e importante parcela do eleitorado antissarneísta de São Luís. Um trabalho e tanto, sejamos claro.

A dor de cabeça está e estará dentro da própria oposição: terão desprendimento e visão política para entender que o melhor caminho será o que transformará 2012 em 2014?

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