28 de outubro de 2010 às 12h45min
Espanta-me (mas já nem deveria) a incrongruência da oposição maranhense ao sarneísmo, particularmente os que dizem pertencer àquela entidade abstrata chamada campo popular e democrático.
Eles não pensam duas vezes antes de culpar Sarney por tudo de ruim no Maranhão. Mas não veem nada de errado em quem garante a sobrevivência da oligarquia. É o sanatório geral.
Há um crime. A polícia aponta Fulano como culpado e Beltrano como cúmplice. Então surgem os “advogados” do campo popular e democrático. Dizem: só Fulano merece ir para a cadeia, Beltrano é inocente e merece até o nosso mais extremado amor.
Aí está dito tudo.
Leio que Flávio Dino veio a público brandir a espada contra Sarney e usou a mesma espada em defesa de Dilma Rousseff.
Por que Sarney merece a fúria do espadachim e Dilma Rousseff, aliada de Sarney que fez campanha pró-Roseana Sarney, merece os mimos?
Os Acácios falam em contradições a serem superadas. Ainda não falaram em autocrítica, aquela entidade, também abstrata, que não permitiu a mais ninguém lúcido esculhambar os cretinos.
Só que aqui nasce o problema: Flávio Dino não é nenhum Acácio e, até onde se sabe, nunca lutou contra moinhos de vento.
Qual a razão para brandir a espada contra Sarney, limpar o sangue e usá-la na defesa de Dilma?
Os Sarney já começaram a se apossar do PT nos interiores como fizeram com o PMDB. Não duvido nada: como Zé Reinaldo Tavares (a única vítima em todo esse processo) declarou apoio a Serra, os Sarney com o apoio do lulo-petismo devem lhe tomar o PSB. Pode ser que não, mas é bom anotar.
Flávio Dino, sozinho, montado no PCdoB, irá salvar a Dulcinéia chamada Maranhão?
Bom, eu não nasci para Sancho Pança. Quem se habilita?
28 de outubro de 2010 às 07h24min
FRASE DO DIA
“Um conflito com imensas repercussões políticas (Ficha Limpa) deve ser decidido no tempo da política, não no tempo tradicional da Justica”.
Do deputado federal Flávio Dino, hoje, quinta-feira, no twitter, sobre decisão do STF sobre Lei da Ficha Limpa.
26 de outubro de 2010 às 20h48min
Os apaixonados são complicados.
Entre nós há aqueles que torcem sinceramente por Flávio Dino, mas não abrem mão do lulo-petismo. No meu entender, duas coisa que vão se repelir brutalmente a partir de 2011, sobretudo se se confirmar a vitória de Dilma Rousseff. Agora em 2010 já tivemos uma pequena (mas não menos feroz e destrutiva) amostra do que digo.
O que a apaixonite aguda não deixa ver: a vitória de Dilma Rousseff será uma pedra no caminho político de Flávio Dino. E não será uma pedra drummondiana, esclareça-se logo.
Com a entrega do PT maranhense aos Sarney, o PT formal, digamos assim, aquele com carteirinha e sede para se encontrar, será todo aliciado pela famiglia. Dino não poderá contar com uma reviravolta no PT maranhense. O lulo-petismo ensinou a lição em oito anos: o que vale são cargos (projeto pessoal) e poder.
Entre parênteses, anote-se: com um PT mais forte no Congresso. a chamada esquerda perde mais força (já não tinha quase nenhuma). Com uma base forte de aliciados (chamada de aliada), por que verga-se a certos pruridos de esquerda?
Um governo Dilma Rousseff será um braço forte para a oligarquia. Todos os cargos federais no Maranhão estarão sob a influência direta e indireta da famiglia.
Tudo leva a crer que Flávio Dino se fortalecerá como oposição – por méritos e por decurso de prazo do resto.
Mas a permanecer no campo político em que atua hoje, Flávio Dino terá suas forças políticas drasticamente reduzidas. Dilma Rousseff não agirá diferente de Lula nesse quesito.
Aqui retorna o problema que venho levantando: a questão nacional está dissociada da questão local?
Em 2014 a oligarquia Sarney terá, sim, candidato. E não será um candidato improvisado, portanto, de poucas possibilidades eleitorais. Importante: terá tudo para criar esse candidato forte, porque um futuro governo Dilma investirá no próximo governo Roseana Sarney, diferente do que fez Lula com o governo Zé Reinaldo e com o governo Jackson Lago.
Aos energúmenos de sempre, esclareço: não estou a advogar em defesa de um governo Serra. Estou expondo, para discussão, o que acredito será um estorvo a um candidato que teria grandes possibilidades como Flávio Dino.
25 de outubro de 2010 às 11h16min
As eleições no Maranhão ainda estão longe de ter sido devidamente analisadas. Sobretudo se a análise tiver como foco os dois principais concorrentes ao Governo do Estado, a saber Flávio Dino e Roseana Sarney.
A coligação que deu sustentação a Flávio Dino, como escrevi ainda na pré-campanha, carregava o que chamei de contradições insanáveis, entre elas a mais visível: pertencia à base do governo Lula e não contava com o apoio das instâncias superiores do PT e do próprio Lula.
A raiz dessa contradição, porém, está fincada em solo político local. Flávio Dino filiou-se ao PCdoB por contigências da política maranhense. A primeira opção de Dino seria o PT, onde militara na juventude, mas, como é sabido, o partido no Maranhão é um campo minado. É um ajuntamento de facções em engalfinhamento perpétuo. O restante dos partidos, os que não se encontram no feudo dos Sarney, lhe daria pouca ou nenhuma margem de movimentação.
Quando o lulo-petismo tomou o PT da coligação com Dino, era impossível retroceder e romper com os algozes. Em primeiro lugar, porque Flávio Dino desde que abraçou um mandato formou toda a sua base no lulo-petismo. Por fim, para não parecermos ingênuos, paradoxalmente só nessa base ele poderia conseguir os mais fortes apoiadores, aqueles que dão sustentação financeira.
Veio, então, a campanha.
No horário eleitoral na televisão, por exemplo, o eleitor foi confrontado com um Lula a pedir votos para Roseana Sarney e com um Lula injetado meio a muque no programa de Flávio Dino.
Note-se que o elemento que se sobressai, pela repetição, é Lula. Ora, se dois adversários políticos tão diferentes travam disputa para ter como patrono Lula, fica explícito que esse patrono é o cara.
E aqui nasce outro problema, não menos grave para a campanha de Flávio Dino. O uso da imagem de Lula pela campanha de Flávio Dino deu aval, embora não fosse a intenção do candidato, para que o eleitor comum pudesse também votar em Roseana Sarney.
Esclareçamos.
Se Roseana Sarney e Flávio Dino estavam sob as bênçãos de Lula, para o eleitor comum ficou estabelecido que votar em um ou no outro não comportava diferenças, uma vez que a base da balança era Lula.
Retornamos às contradições insanáveis. Para se apresentar ao eleitor comum como sendo a opção diferenciada, Flávio Dino precisaria dar o salto que não poderia: estar em outro campo político referencial.
As fronteiras entre os concorrentes citados foram borradas pela presença de Lula na campanha de ambos. O eleitor comum levou a sério: ambos estão no mesmo campo político. Optar por um dos dois não carregava sinal negativo, afinal era Lula, o cara, que assinava embaixo.
24 de outubro de 2010 às 08h30min
No primeiro turno, o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, do mesmo campo político do candidato a governador Flávio Dino (PCdoB), pediram voto p-ara a candidata Roseana Sarney (PMDB).
Depois de encomendar auditagem a peritos de São Paulo, a Coligação Muda Maranhão, de Flávio Dino, entrou na Justiça por conta da suspeita de fraude nas eleições no Maranhão.
No sábado, o presidente Lula declarou, em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo e reproduzida aqui no blog (veja post mais abaixo), que a decisão da coligação de entrar na Justiça era “choro de derrotado”.
Com a repercussão da frase infeliz do chefe de palanque Lula, eleitores de Flávio Dino reagiram no twitter revoltados contra o presidente, após o blog divulgar a matéria.
O tema está na ordem do dia. Natural que o blog queira saber a opinião do leitor/eleitor. Então nasceu a nova enquete aí ao lado.
Pergunta:
Como gostaria que Flávio Dino votasse?
Alternativas:
a) Dilma Rousseff
b) José Serra
c) Nulo
d) Em branco
Bom, está lançada a enquete. É votar. Quem sabe Flávio Dino atenda os seus eleitores.
O tema
23 de outubro de 2010 às 11h09min
Depois de qualificar de ‘mentira descarada’ a reação do tucano José Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez de tudo ontem para evitar a imprensa. Seus seguranças chegaram a interpor uma van entre ele e os repórteres, para que não registrassem imagens de Lula.
Segundo assessores do presidente, ele se irritou com a reação de alguns petistas, que consideraram desmedida a forma como se referiu a Serra após a confusão no Rio. Lula se considera injustiçado, visto que teria atribuído a si a tarefa de liderar os militantes em favor da candidatura de Dilma Rousseff.
Ainda conforme seus auxiliares, Lula tem feito constantes mea-culpas por não ter levado Dilma à vitória no primeiro turno. Com essa dor de cotovelo, estaria se jogando de corpo e alma na disputa, como se fosse ele o candidato, e não a ex-ministra.
Nesse afã de vencer de qualquer jeito, Lula tem feito críticas à forma como Dilma se comportou no fim do primeiro turno. Para o presidente, ela deveria ser mais incisiva no combate à corrupção e deveria ter mostrado mais indignação ao responder sobre os escândalos envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra.
Conforme assessores, Lula está convencido de que fez o certo em relação ao episódio em que militantes petistas atiraram bolinha de papel e rolo de fita adesiva em Serra. Lula tem atribuído ao tucano a responsabilidade pelo clima de hostilidade. Para ele, Serra deu início a uma campanha movida pelo ódio.
Tem sobrado irritação para aliados até de outros partidos. Lula acha, por exemplo, que o deputado Flávio Dino (PC do B), derrotado por Roseana Sarney (PMDB) na disputa pelo governo do Maranhão, está se queixando à toa. Dino tem denunciado fraude na vitória de Roseana. Para Lula, é choro de derrotado, o que pode atrapalhar o trabalho de união no Maranhão em torno de Dilma.
(Com informações de o Estadão)
20 de outubro de 2010 às 10h33min
Reproduzo, abaixo, carta enviada ao jornalista Paulo Henrique Amorim e divulgada no blog que ele assina. A carta confirma a denúncia postada aqui, em primeira mão, no dia 11/10, sob o título “Eleição no Maranhão sob suspeita”. A missiva foi enviada a Paulo Henrique pelo jornalista Osvaldo Maneschy presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, seção Rio de Janeiro. O conteúdo baseia-se no mesmo relatório que serviu para que eu escrevesse a matéria-denúncia aqui:
Prezado Paulo Henrique:
Acabo de chegar de São Luis (MA) onde acompanhei como observador do PDT a auditoria nas urnas eletrônicas usadas no 1° turno das eleições do Maranhão feita pelo engenheiro especializado em segurança de informática, Amilcar Brunazo Filho, e a advogada especialista em Direito Eleitoral, Maria Aparecida Cortiz. Como sabe, além de brizolista, sou velho crítico dessas máquinas e neste 1° turno os resultados em três estados me chamaram a atenção: Paraná, São Paulo e Maranhão. Tiveram jeito de coisa encomendada.
No primeiro (PR), ganhou o candidato a governador que as pesquisas, antes de terem sua divulgação proibida a 15 dias da eleição, mostravam em queda; no segundo (SP), além da suspeita demora na divulgação dos números finais, sem mais nem menos, no último segundo, venceu um senador que ninguém esperava; e, no terceiro (MA), a velha oligarquia local teve uma vitória prá lá de boa – por 4 mil votos em um universo de mais de 4 milhões de eleitores.
No Paraná e em São Paulo ninguém contestou nada, os eleitos estão aí empenhados na candidatura Serra neste 2° turno das eleições presidenciais. Já no Maranhão, foi diferente.
O deputado federal Flávio Dino (PcdoB), juiz federal e ex-relator da recente reforma eleitoral aprovada pelo Congresso que obriga, a partir de 2014, as urnas eletrônicas imprimirem o voto (para permitir a recontagem) – achou o resultado suspeito e para compreender melhor o ocorrido, contratou o engenheiro Amilcar Brunazo Filho e a advogada Maria Aparecida Cortiz, ambos de São Paulo, para auditarem o resultado das eleições maranhenses.
Brunazo e Cida representam o PDT no TSE há pelo menos 10 anos e são dos poucos brasileiros que aprenderam a lidar, fora os técnicos da própria Justiça Eleitoral, com essa caixa-preta que são as urnas eletrônicas usadas no país desde 1996. Máquinas que Leonel Brizola, numa das muitas imagens rurais que incorporou à política nacional, dizia serem equivalentes à argola que se põe no focinho do touro para levá-lo aonde se quer. O touro era o Brasil.
O relatório técnico preparado por Brunazo e Aparecida levantou várias irregularidades nas eleições maranhenses e, por conta dele, Flávio Dino entrou com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão contestando o resultado. No exíguo prazo que isto é possível, pela lei. O problema é que cabe ao próprio TRE-MA decidir se irregularidades foram, ou não, cometidas.
Isto porque no Brasil a Justiça Eleitoral acumula os três Poderes da República: ela normatiza as eleições, portanto legisla; ela faz as eleições acontecerem, ou seja, executa e; já que são juízes, ela também julga o que tiver que ser julgado. Tanto poder junto só no tempo da ditadura e as pessoas passam batidas, não se apercebem disso.
É importante lembrar que o Maranhão é o Estado onde a ditadura não acabou, como costuma dizer o Dr. Jackson Lago (PDT), 3° colocado na disputa para governador, porque Sarney jamais saiu do poder desde que chegou lá, na época dos militares.
O resultado da eleição foi tão conveniente para Roseana que realmente pareceu sob encomenda. Dino somou 859.402 votos, ou 29,45% do eleitorado; enquanto o ex-governador Jackson Lago (PDT), fez 569.412 votos – ou 19,54% do eleitorado. Outros dois candidatos disputaram a eleição. Um segundo turno no Maranhão, na opinião dos analistas locais, seria fatal para Roseana porque o que não aconteceu no 1° turno, a união de Lago e Dino, ambos anti-Sarney, com certeza aconteceria no 2° turno – e com a ajuda dos nanicos.
Também não custa lembrar, Paulo Henrique, que Roseana chegou ao poder estadual depois que o TSE afastou do Palácio dos Leões o íntegro Jackson Lago, um médico pobre, em processo prá lá de polêmico. Jackson foi acusado, processado e condenado pela Justiça Eleitoral por “abuso de poder econômico e compra de votos”. Crime que no Maranhão é quase marca registrada dos Sarney. Uma ironia.
Pois saltam aos olhos algumas conclusões da auditoria sobre o 1° turno no Maranhão. Há indícios gravíssimos de fraude que deveriam ser apurados antes do 2° turno, dia 31 que vem. Provas existem, estão lá. Mas a Justiça Eleitoral maranhense vai decidir ainda se apura, ou não, se ela é culpada – já que é a guardiã do processo eleitoral.
Como diz aquela máxima do Direito, “quem guarda o guardião?” Essa decisão, importantíssima para os cidadãos do Maranhão, sai agora ou fica para as calendas gregas?
Com fundamento no que autoriza a Resolução do TSE número 23.218/10, na primeira semana após os resultados do 1° turno, Amilcar Brunazo e Maria Aparecida Cortiz pediram ao TRE-MA uma série de documentos, impressos e digitais, para auditar o sistema: as Tabelas Básicas de Dados Alimentadores do Sistema; o Relatório de Pendências e Decisões; a Ata oficial da Cerimônia de Geração de Mídias; os Arquivos de Resultados por Seção Eleitoral; os Espelhos dos Boletins de Urna (BU); os Arquivos de LOG das urnas eletrônicas usadas no Maranhão, do Gerador de Mídia e da Totalização; e os Arquivos dos Registros Digitais dos Votos (RDV).
Além disso, pegaram no portal do TSE, na Internet, os Boletins de Urna publicados na Internet (BUweb), as Tabelas de Correspondências Esperadas e Efetivadas e, também, o programa visualizador de LOG das urnas, o LogView. Um senhor calhamaço que foi analisado em curtíssimo espaço de tempo porque a Justiça Eleitoral só dá 72 horas, após a proclamação do resultado oficial, para contestar o resultado.
Aliás, esse é um dos absurdos na eleição brasileira: no tempo do voto de papel, a apuração levava semanas, até meses, para acabar. Agora termina em poucas horas. Mas o prazo para contestar o resultado continua sendo o mesmo dos tempos da contagem do voto de papel: 72 horas depois de proclamado o vencedor. Algo absolutamente conveniente à Justiça Eleitoral em prejuízo da cidadania – já que a pura e simples recontagem de votos é impossível. Não há votos para recontar, há dados a serem analisados – e assim mesmo se a Justiça Eleitoral os fornecer, o que é sempre uma incógnita.
Com base nos logs (arquivos eletrônicos produzidos pela máquina) produzidos pelas 15 mil urnas eletrônicas usadas no Maranhão, Amilcar Brunazo descobriu, por exemplo, que 19 mil dos votos computados no resultado oficial só entraram nas máquinas após às 17h30m quando, oficialmente as portas das seções eleitorais já estavam fechadas desde às 17 horas. Na análise dos dados Brunazo usou como parâmetro as seguintes informações: urnas que receberam no mínimo cinco votos após às 17h30m e votos introduzidos na máquina com intervalo de tempo inferior a um minuto. Coisa de profissional, não de eleitor comum.
Esses 19 mil votos, suficientes para mudar o resultado oficial, provam que presidentes de seção e mesários, por falta de fiscalização, votam pelo eleitor antes da emissão do BU e a entrega dos disquetes com resultados, para a totalização. Fraude simples, que não tem nada a ver com alta tecnologia e só acontece por falta de fiscalização. Pessoas acham que urnas eletrônicas são 100% seguras, quando na verdade elas são 100% inseguras.
Por isso é fundamental neste 2° turno que haja fiscais em cada uma das 400 mil e poucas seções eleitorais que funcionarão no país. Se não tiver gente de olho, atenta, mesário pode votar pelo eleitor. Porque ele tem o número do título do eleitor, no caderno de assinaturas, exatamente a informação que habilita a máquina para receber o voto. Se ninguém estiver de olho e ele for desonesto, vota com certeza pelo eleitor – ainda mais se a abstenção for alta.
Também é fundamental que no final do dia o fiscal de partido recolha o boletim de urna (BU) em papel, com a assinatura dos mesários, na seção eleitoral. Esse documento é garantia de que a totalização será feita corretamente, somando-se votos de urnas oficiais. Porque no caminho até a Zona Eleitoral, onde o disquete é introduzido no sistema totalizador, o disquete pode ser trocado por outro, produzido por urna clonada.
De posse do BU impresso, o fiscal pode conferir o resultado, seção por seção, zona por zona eleitoral, a partir da disponibilização da informação oficial da apuração na página do TSE na Internet. Uma conquista do PDT junto ao TSE, ao longo do tempo.
Brunazo e Cida constataram que nas urnas biométricas do Maranhão, usadas nos municípios de Paço do Lumiar e Raposa, ocorreram liberações de máquina pelo mesário – absolutamente anormais. Explico melhor: a urna biométrica, aquela em que o eleitor vota usando sua digital, além dos documentos normais de identificação, em caso de falso negativo (o eleitor ser ele mesmo, mas a máquina não reconhecer sua digital) – o mesário libera a máquina por senha.
Ou seja, cada presidente de mesa com urna biométrica possui senha para fazer a máquina funcionar caso ela não reconheça a digital do eleitor cadastrado. Pois dos 51.652 votos colhidos em urnas biométricas no Maranhão, 2.991 votos (5,8% do total) foram coletados de pessoas que não tiveram a sua impressão digital reconhecida, ou seja, via senha. Média seis vezes superior a inicialmente estimada pelo TSE.
No mundo real, isto mostra que mesários de urnas biométricas também “emprenham” as máquinas, votando no lugar dos eleitores. Em uma delas, em Paço de Lumiar, 1/3 dos eleitores votaram por senha – um número totalmente absurdo. Com um detalhe: a urna biométrica “entrega” a fraude dos mesários porque mostra, no BU impresso, quantas vezes foi acionada por senha. O que não acontece na urna comum. Ela também registra a digital do “falso-negativo” – bastando uma simples investigação pela Justiça Eleitoral para pegar os fraudadores. Mas será que eles serão pegos?
O mais grave constatado na auditoria foi a descoberta de que foram geradas mais de 200 Flash de Carga de urnas no Maranhão, além das necessárias. Uma única Flash de Carga serve para preparar urnas de até 100 seções eleitorais diferentes. Nas Flash de Carga são gravados dados sigilosos como as chaves de segurança das máquinas, além dos dados pessoais de eleitores e, naturalmente, as cópias de todos os softwares usados.
Elas são as únicas mídias externas das urnas com capacidade operacionais de inicializá-las sob seu total controle e nelas inserir qualquer software. Por isso o manuseio das Flash é cercado de cuidados regulamentados pela Resolução TSE n° 23.212/2010. Há registro em ata detalhado e redundante de cada Flash de Carga gerada, além de arquivo de LOG dedicado, sendo ainda obrigatório o acondicionamento delas em envelopes especiais de segurança, lacrados; sujeitas ainda a procedimentos normatizados para encaminhamento e guarda, após o uso delas. As Flash de Carga são o busilis do processo eletrônico de votação.
Pois analisando as informações sobre a geração e uso das Flash de Carga do Maranhão, como a Ata da Cerimônia de Mídia; o Arquivo de LOG da Geração de Mídia; o arquivo de LOG dos computadores usados nesta tarefa e a análise das Tabelas de Correspondências – fornecidas pelo próprio TSE-MA – Brunazo constatou que foram geradas 694 Flash com destino determinado, o que é absolutamente normal e serve para cobrir todas as 14.243 seções eleitorais do Estado do Maranhão; mas,depois, foram geradas outras 237 sem destino previsto. O que não faz sentido. Já os arquivos de LOG das 30 máquinas usadas na Geração de Mídias registraram a geração de 969 Flash de Carga, sendo oito delas com numeração duplicada – algo inaceitável levando-se em consideração a segurança do sistema. Ou seja, informações díspares e desencontradas. Não deveria ser assim.
Segundo o relatório, os fatos são graves porque gerar Flash de Carga diferentes para seções eleitorais diferentes, mas com o mesmo número serial, quebra a segurança contra a duplicidade de cargas. Abrindo oportunidade para fraudes “ao sabor da criatividade de quem estiver interessado”, inclusive a clonagem de urnas para gerarem resultados falsos,mas perfeitamente aceitáveis pelo sistema totalizador. Uma festa!
Brunazo acha necessário fazer uma auditoria “muito mais profunda e completa” na eleição do Maranhão, coisa que ele não teve tempo para fazer. Os fatos ocorreram, ficaram registrados nos arquivos digitais, os documentos estão lá, mas é preciso apurar mais. Ele concluiu também que diante da multiplicação irregular das Flash de Carga, não há como garantir se os Boletins de Urna (BU) aceitos na totalização foram os gerados pelas urnas oficiais, ou não. É preciso o TRE-MA apurar o que realmente aconteceu, já que a guarda de todos os documentos é de sua responsabilidade.
Ou nada feito, já que o guardião é que guarda o guardião.
Infelizmente, com as inseguras máquinas de votar que usamos no Brasil, presidente e mesário votam. Além de fiscalização, é fundamental que depois da eleição sejam recolhidos nos TREs os dados do pleito para que, através deles, se confira o que aconteceu dentro das máquinas. No Maranhão, malandramente, esses dados já foram entregues fora do padrão oficial.
Também é fundamental a coleta, nas seções eleitorais de todo o país, dos boletins de urna em papel assinados pelos mesários. Eles evitam as fraudes provocadas pela troca de disquetes de resultados na hora de totalizar. Numa eleição onde os softwares dominam, tudo é possível. Por isso é fundamental a volta do voto impresso conferido pelo eleitor, que tanto desagrada ao TSE que, sempre que pode, o critica. O voto impresso é a maneira mais simples e objetiva de fazer valer a verdade eleitoral, restabelecendo o princípio da recontagem.
Por conta disto, tudo, prezado Paulo Henrique Amorim, nesta véspera de 2° turno onde “pesquisas” aparentemente começam a preparar a opinião pública para o resultado eleitoral que interessa a elite, mais do que nunca é preciso ficar com os olhos bem abertos. Esse filme eu já vi quando Brizola estava vivíssimo e disputando a presidência da República.
As bruxas existem. Ainda mais no dia delas.
Um abraço do amigo
Osvaldo Maneschy
Jornalista e presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, seção Rio de Janeiro.
5 de outubro de 2010 às 11h10min
Peguemos os 10 maiores municípios do Maranhão (São Luís, Imperatriz, Timon, Caxias, Codó, Bacabal, Açailândia, Santa Inês, São José de Ribamar e Paço do Lumiar) e a votação dos três principais candidatos a governador (em vermelho quem prevaleceu).
São Luís
Roseana Sarney – 43%
Flávio – 37%
Jackson – 25%
Imperatriz
Jackson – 73%
Roseana Sarney – 14%
Flávio – 11%
Açailândia
Roseana Sarney – 38%
Flávio – 38%
Jackson – 22%
Timon
Jackson – 44%
Roseana Sarney – 42%
Flávio – 13%
Bacabal
Roseana Sarney – 55%
Flávio – 40%
Jackson – 4%
Santa Inês
Flávio – 47%
Roseana Sarney – 42%
Jackson – 8%
Codó
Roseana Sarney – 42%
Flávio – 31%
Jackson – 26%
Caxias
Flávio – 45%
Roseana – 44%
Jackson – 9%
São José de Ribamar
Roseana Sarney – 53%
Flávio – 32%
Jackson – 12%
Paço do Lumiar
Roseana Sarney – 52%
Flávio – 33%
Jackson – 11%
Como se pode observar, dos 10 municípios, Roseana Sarney venceu em seis e teve um empate (na verdade, dois empates, porque a vitória de um ponto percentual em Caxias é empate). A oposição venceu em quatro e teve um empate.
Esses números querem nos dizer alguma coisa.
Por exemplo: todos sabem que nos rincões o governo sempre leva a força de dinheiro e de fiscalização zero. São os leitores menos escolarizados e mais pobres, para quem a civilização não está posta sequer em sonho. Portanto, reduto por excelência de quem se encontra no poder.
Diante disso, qual a estratégia a ser adotada pela oposição?
Procurar vencer nos maiores centros (de preferência com margem de diferença o mais ampla possível) para descontar as derrotas nos rincões.
Nada sinaliza que a oposição tenha trabalhado dentro dessa perspectiva.
Já os resultados nos 10 maiores municípios mostram claramente a estratégia de campanha de Roseana Sarney: vencer nos grandes centros ou perder por diferença mínima.
Não foi à toa que nesses municípios se observou o maior abuso de poder político e econômico. Basta lembrar o caso de Codó, registrado aqui no blog e pela Folha de S. Paulo, onde postos de gasolina ficaram à disposição de donos de motos e de carros numa carreata de Roseana Sarney. Ou de São Luís, onde lideranças comunitárias foram compradas e onde um suspeito pagou 29 mil reais numa lotérica só em contas de energia de supostos eleitores.
Importa, aqui, a estratégia. O ilícito foi a única forma encontrada por um grupo desgastado para fazer valer a estratégia.
De seu lado, a oposição precisava vencer nos maiores municípios para conseguir a gordura necessária para enfrentar a fome que fatalmente passaria nos rincões.
Afora a vitória acachapante de Jackson Lago em Imperatriz (73%), os resultados mostram vitória magra (apenas em quatro municípios grandes) com diferenças magras.
Basta pegarmos o candidato que pôs em perigo a vitória no primeiro turno. Flávio Dino, ninguém desconhece isso, era o candidato com reais possibilidades de vencer em São Luís. Abstraia-se o que houve de ilícito. Flávio Dino descuidou-se da Capital. São Luís virou roteiro de carreatas e caminhadas de fins de semana (isso quando havia).
Pelos números finais, pode-se observar que a coordenação de campanha de Dino não montou uma estratégia para ampliar e vencer com larga margem em São Luís. Erro caro.
A oposição perdeu no primeiro turno por conta de evidente abuso de poder econômico? Sim. Mas errou ao não fabricar o antídoto: a estratégia para vencer nos maiores municípios.
P.S: Peço ainda a paciência dos leitores por não postar comentários. Estou no refresco da praia. E a família me exige o retiro. Este texto foi uma insubordinação. Até quinta-feira.
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3 de outubro de 2010 às 10h50min
Pode parecer algum tipo de piada, mas o desembargador Joaquim dos Anjos (TRE-MA) havia atendido pedido da coligação de Roseana Sarney para que politios transportassem eleitores. E com singela justificação: o Maranhão é um caso diferente!
Realmente, o Maranhão é um caso diferente. É uma Terra Sem Lei, o Oeste brasileiro sem John Wayne. Quem faz um pedido desses não tem outra intenção: legalizar o ilícito. A lei que proíbe o transporte de eleitores existe para evitar a troca por votos.
Bom, o espírito santo da sensatez do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descartou a loucura. Graças aos advogados da coligação do candidato Flávio Dino.
2 de outubro de 2010 às 09h02min
Continuo com a mesma opinião a rspeito de pesquisa eleitoral.
Bom, por obrigação de ofício, eis os números da nova pesquisa Constat, publicada pelo Jornal Pequeno:
Roseana Sarney – 41%
Flávio Dino – 26%
Jackson Lago – 21%
Como a soma dos percentuais de Jackson com Flávio Dino ultrapassa o de Roseana Sarney, a eleição teria segundo turno no Maranhão.
É a segunda pesquisa Constat. Em ambas foi apontado segundo turno. Em ambas, os nomes no segundo turno são Roseana Sarney e Flávio Dino.