17 de junho de 2010 às 23h31min
Tempo do verbo marcou votação
Escrevi hoje, quinta-feira, 17 de junho, às 8h28, a análise cujo título era:
“Candidatura de Jackson depende de um tempo verbal”
Não deu outra. E não poderia ser diferente. Na consulta feita pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), seis ministros, menos um, votaram pela validade da lei do “Ficha Limpa” para as eleições deste ano. Ou seja, todos os questionamentos foram postos de lado em favor da validade da lei para as eleições deste ano.
Sobrara o quê?
Discutir a questão do tempor verbal. E o tom foi dado pelo ministro-presidente do TSE Ricardo Lewandowski. Depois do relator, ele fez considerações sobre a mudança do texto votado na Câmara e o texto votado com a modificação da locução no Senado.
Na Câmara o texto falava em os que “foram condenados”, na modificação feita pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), virou os que ”forem condenados”.
Nenhum jornalista individualmente, nenhum blog, nenhum jornal de circulação nacional e nenhuma revista tratou a questão por esse prisma. Só este blog. Ponto para o blog e para os leitores.
Respondendo a um comentário de um leitor que dizia acertadamente que a questão iria às portas do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que também pensava o mesmo.
Jackson - Antes da decisão do TSE, soube de fonte ligada ao ex-governador Jackson Lago que ele teria sido convencido a não ir ao STF e correr o risco de ser um candidato subjudice. O argumento que modificara o pensamento de Lago seria o seguinte: fizeram-no ver que concorrer subjudice beneficiaria a adversária Roseana Sarney (PMDB).
Como postei em primeira mão em nota postada logo abaixo, assessor do ex-governador me garantiu que ele irá recorrer ao STF. Embora o assessor não me tenha dito (nossa conversa foi interrompida pelo fim da carga da bateria do celular), quero crer que a mudança de Lago se deva aos questionamentos levantados pelo minitro Marcelo Ribeiro.
Marcelo Ribeiro votou com o relator, ministro Versiani, praticamente em tudo, mas em alguns quesitos votou com ressalva. Particularmente numa questão que interessa a Jackson Lago de perto.
Ei-la:
Marcelo Ribeiro levantou a questão do politico que teve condenação transitada em julgado e ficou inelegível por três anos, conforme a lei anterior.
Como esse candidato ficará, em observância à lei da Ficha Limpa, inelegível por oito anos?
Aí estaria, entre outras coisas, questionada a decisão do próprio TSE.
Marcelo Ribeiro disse que concordava com a mudança nos casos em tramitação. O assunto transformou-se em boa discussão e abriu esperanças aos atingidos como Jackson Lago.
Governistas – Tenho ouvido, desde antes da decisão do TSE, que a governadora Roseana Sarney estaria apavorada com a possibilidade de Jackson Lago torna-se inelegível.
Motivo: mais de 60% do eleitorado maranhense declara desejo pelo novo. Flávio Dino seria esse novo. Sem poder sair candidato ao governo, Jackson Lago poderia dar as mãos a Flávio Dino e a reeleição de Roseana Sarney estaria comprometida.
Não gosto e não acredito em proposições ou análises que reduzem tudo a um cálculo quase primitivo do tipo A + B = C. Sobretudo em política.
Que Flávio Dino incomoda as pretensões de Roseana Sarney não há dúvida. A luta pelo PT fala sobrte isso. Mas daí a Roseana Sarney desejar que Jackson Lago não fique fora da disputa contra ela vai um abismo. Sobretudo que para uma candidatura isolada, mesmo de Flávio Dino, fazer sombra às pretensões de Roseana Sarney há a necessidade de a oposição ficar unida.
E oposição unida em torno de um único projeto é justo a coisa que minha vista não alcança.
12 de junho de 2010 às 13h57min
Colho esta pérola no sítio de O Vermelho, o jornal do PCdoB:
“Para Domingos Dutra, a decisão do PT nacional representa uma contradição política com o governo do presidente Lula, que está democratizando o Brasil e, no Maranhão, eterniza uma oligarquia de 40 anos, em detrimento dos aliados históricos do PT, como PSB e PCdoB”.
Colho e reproduzo para que o leitor entenda que tenho razão, desde que venho escrevendo sobre as contradições do PCdoB, do PSB e de parte do PT que apóia Flávio Dino.
O Diretório Nacional do PT mudou o apoio do PT maranhense, mas o lulo-petismo não tem culpa, não tem culpa o presidente Lula, que ordenou a mudança. Nada disso. Sarney é o demônio. Por favor, assim estão a ferir a nossa inteligência.
A decisão do PT nacional não “representa uma contradição política com o governo do presidente Lula”, como quer o deputado petista Domingos Dutra. A decisão, ao contrário, expõe as tripas do lulo-petismo. É o lulo-petismo em carne e osso.
Nem vou entrar na questão estapafúrdia de que o governo Lula já democratizando o Brasil. Contra piadas não há respostas.
Prossegue atual a análise que fiz no meu ex-blog: PCdoB, PSB e o grupo petista que apóia Flávio Dino estão presos numa teia: a teia do lulo-petismo. Isso gerou uma contradição insanável.
Não valem, também, as queixas ao PT nacional. O PT nacional continua o mesmo de quando Lula assumiu pela primeira vez a Presidência da República. Não mudou um milímetro. É o PT do Mensalão, dos aloprados do dossiê de 2006, que aparelhou a máquina administrativa da República, dos dólares na cueca e da súbita mudança de escala econômica da companheirada. E nem estou citando o escândalo do enriquecimento do Lulinha, filho do Guia Internacional dos Povos.
A contradição está em fazer parte da base aliada. E, repito, é insanável.
11 de junho de 2010 às 21h02min
A leitora Ana Clara pergunta, no espaço dos comentários, se eu acreditava que o Diretório Nacional do PT desmancharia a decisão do PT maranhense de coligar com o PCdoB.
O leitor que assina Eduardo perguntou, também em comentários, se a decisão do PT beneficia Roseana Sarney.
Como as duas perguntas me parecem importantes, trouxe-as para este espaço. Vamos lá.
Um amigo costuma dizer: “Em briga de petista não me meto”. Eu assino embaixo. Mas não me custa responder aos dois leitores. O que, convenhamos, não é me meter em briga de petistas.
Sempre acreditei que o PT nacional não tergiversaria. Quem manda no PT é Lula e a obsessão de Lula é eleger Dilma Rousseff. Em privado, disse isso várias vezes a alguns petistas e a um ou outro representante do PCdoB. No meu ex-blog, inclusive, escrevi artigo onde dizia que o grupo ligado a Flávio Dino (PCdoB, PT e PSB) encontrava-se em uma sinuca: todos da base do Governo Lula, não enxergavam que na briga pelo PT maranhense o PMDB não tem culpa de nada. Escrevi: “Roseana tenta conseguir o PT para se fortalecer e tentar liquidar a fatura no primeiro turno. É um desejo político legítimo”.
E acrescentava que o problema estava no lulo-petismo, mas este jamais seria criticado por Flávio Dino nem por seus apoiadores. No meu entender, tratava-se de dormir com o inimigo e pôr a culpa no vizinho.
Minha visão do problema, porém, nunca impediu (nem faria sentido, já que sou jornalista e não militante de qualquer um desses partidos em litígio) de publicar entrevistas e artigos a respeito. Em alguns artigos critiquei claramente os petistas que defendiam a coligação com o PMDB, mas pela seguinte razão: vinham com o papo furado de que faziam isso por ordem de Lula (o que dava a entender que era um sacrifico estar ao lado de Roseana Sarney, o que eu sempre considerei uma indelicadeza com a aliada e uma grossa mentira, porque todos estavam atrás de uma boquinha no governo). O que é bem diferente de tomar partido. Os idiotas de sempre achavam que se tratava de engajamento. Levaram o que mereciam.
Sobre se a decisão beneficia Roseana Sarney.
Claro que beneficia. Aumenta-lhe o tempo no horário eleitoral e só ela passará a contar com o auxílio luxuoso de Lula em suas propagandas.
Como o Maranhão foi, é e parece destinado a ser em tudo um Estado atípico, é impossível dizer se esse benefício resultará em vitória logo no primeiro turno. Ou mesmo em vitória.
Explico.
Mesmo os membros da família Sarney, com quem já conversei, sabem que há um desgaste natural do grupo. Por conta, claro, do tempo que se encontram no poder.
Quem garante que não pode ocorrer, por conta disso, o seguinte: o eleitor-amante-bolsa-família de Lula votar em Dilma mas não votar em Roseana Sarney?
Ninguém. Nem Deus nem Duda Mendonça.
11 de junho de 2010 às 10h11min
CARTA AOS COMPANHEIROS DA CNB
PREZADOS (AS) COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DA DIREÇÃO NACIONAL DO PT,
PREZADOS (AS) INTEGRANTES DO CAMPO CONSTRUINDO UM NOVO BRASIL (CNB),
Os companheiros e companheiras abaixo-assinados, integrantes da CNB no Maranhão, dirigimo-nos à Direção Nacional do PT para manifestar nossa posição acerca da conjuntura e do papel dos petistas no cenário maranhense em 2010:
No Encontro de Tática Eleitoral, realizado no final de março, em São Luís, o PT do Maranhão decidiu formar aliança com o PC do B. As diversas correntes do partido debateram exaustivamente, apresentaram seus argumentos e votaram. Tudo ocorreu sob os olhos do dirigente nacional Paulo Frateschi.
A decisão tomada precisa ser considerada. Não é justo calar a vontade e o voto de companheiros e companheiras que aprenderam a participar da vida democrática nas lutas contra a ditadura militar, na campanha pelas Diretas Já, na Assembléia Nacional Constituinte e em tantos outros embates, com destaque para a primeira eleição do companheiro Lula em 2002.
A decisão sobre a tática eleitoral, pela aliança com o PC do B, não é um fato isolado na conjuntura política maranhense. É fruto do acúmulo da campanha à Prefeitura de São Luís, em 2008, quando formamos a coligação Unidade Popular, reunindo petistas e comunistas, chegando ao segundo turno com o grito da vitória preso na garganta.
À época, com as bandeiras vermelhas tomando conta da capital do Maranhão, a companheira Dilma Roussef esteve em São Luís, no memorável comício da praça Deodoro, manifestando publicamente seu apoio à coligação Unidade Popular, que teve como candidato a prefeito Flavio Dino (PC do B) e o vice Rodrigo Comerciário (PT).
Dilma e Dino, o PT e o PC do B, são aliados históricos na construção de um projeto nacional no campo da esquerda brasileira, liderado pelo presidente Lula. A ampliação deste projeto, no Maranhão, passa necessariamente por uma candidatura afinada e comprometida com os princípios e as políticas públicas implementadas até agora e com perspectivas de melhorias a partir de 2011.
O Maranhão crescerá junto com o Brasil se tivermos afinidade ideológica, construção programática e vontade política, características que nos unem pela cor vermelha, pelos símbolos da estrela, da foice e do martelo, pelas práticas, sonhos e desejos de melhorar a nossa realidade.
Há dois anos iniciamos a construção de um pólo democrático-popular no Maranhão, vislumbrando o futuro próximo de 2010. Chegamos aqui reiterando este propósito, com a acertada decisão do Encontro de Tática Eleitoral.
Dilma Roussef é a nossa candidata a presidente. Estamos afinados com o projeto nacional. Não há como negar esse fato.
Se a direção nacional anular ou inverter o resultado do Encontro de Tática Eleitoral, esta atitude será imensamente desfavorável à nossa candidatura presidencial.
Há um clima de enorme expectativa. O Maranhão inteiro olha para o PT, observa, analisa e opina. Estamos no foco das eleições de 2010. Todos os dias as manchetes dos jornais alimentam especulações sobre uma eventual intervenção do Diretório Nacional, anulando o resultado do referido encontro.
Vivemos um momento decisivo. Ou fortalecemos o campo democrático-popular e avançamos para disputar o governo com chances de vitória, ou retrocedemos oxigenando a candidatura do grupo liderado pelo senador José Sarney, do PMDB, cuja essência é DEMista, herdeira da Arena e do PDS.
O PT do Maranhão, ao coligar-se com o PMDB, vai revitalizar um grupo político que chega aos estertores do seu mandonismo.
Diversos militantes e dirigentes da CNB, orgânicos e simpatizantes, na capital e no interior do Maranhão, estão decididos a engajar-se na campanha de Flavio Dino. Uma eventual anulação do Encontro de Tática será desastroso para todos nós.
Não há consenso, no nosso campo, acerca do apoio à candidatura do PMDB no Maranhão. Pelo contrário. Há muitas divergências. Porque é inconcebível à larga maioria da CNB uma aliança com o atraso, levando-nos a apoiar um projeto nocivo ao povo do Maranhão.
Há um cenário favorável à construção de uma terceira força político-eleitoral, liderada pelo PT e pelo PC do B. A configuração deste bloco ganha mais força com a candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao Governo do Maranhão.
Temos uma chapa competitiva, com base social e partidária, forte, capaz de ganhar a eleição e fazer um governo progressista no Maranhão.
Só temos um pedido a fazer à Direção Nacional do PT: considerem o resultado do Encontro de Tática Eleitoral e deixem valer o resultado, construído no debate e no voto, que assegurou a coligação dos petistas com os comunistas. Pois, os princípios democráticos e o respeito aos fóruns do PT marcam a nossa história de construção de um partido socialista e de massas, que busca a transformação social e a consolidação de uma forma diferente de fazer política.
Pelo bem do Maranhão e do Brasil. DILMA ROUSSEF PRESIDENTA, FLAVIO DINO GOVERNADOR!
Nivaldo Araújo – Presidente da CUT-MA, Chico Sales – Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema), Ed Wilson Araújo – Diretor do Sindsep-MA, Luis Domingos Pinheiro – Sindicato dos Comerciários e dirigente da CUT, Marlon Henrique – Membro do Diretório do PT de São Luis – MA, Moacir Filho – Sindicato dos Comerciários e dirigente da CUT, Marcos Vandaí – Dirigente da CUT-MA, Marla Silveira – Setorial de Cultura do PT-MA, Eduardo Pinto – Presidente do Sindicato dos Ferroviários, Luzimar Brandão – Diretora do Sindicato dos Ferroviários e do Movimento Negro, Damasceno José – Diretor do Sindicato dos Ferroviários, Lúcio Azevedo – Diretor do Sindicato dos Ferroviários, Sônia Maria – Sindicalista da FUNASA, Emerson Luis – Diretor do Sindicato dos Ferroviários, Sussalvino – Diretor do Sindicato dos Ferroviários, Ricardo Gonçalves – Membro do Diretório do PT de Pedreiras – MA, Marlon Botão – Executiva Municipal do PT de São Luis – MA, Deuzt Calvacante – Vereador de Santa Inês, Manoel Lages – Diretor do Sindsep-MA, Valter César – Diretor do Sindsep-MA, Domingos Cantanhede – Assessor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema), Odair José – PT de Coroatá, Raimundo Diogo – Vereador do PT de Coroatá -MA, Guilherme Zagalo – Vice-Presidente da OAB-MA, Elisene Castro Matos – Membro do Coletivo Estadual de Cultura, Delzuita Silva Silveira – Membro do Setorial de Cultura, Katiane Silva Azevedo – Membro do Setorial de Cultura, José Antônio (Tom de Caxias) – PT de Caxias, Soismarino Ramos – PT de São José de Ribamar, Adão de Sousa Carneiro – PT de São Francisco do Brejão, Maria Adriana Oliveira – Coordenação de Mulheres da FETAEMA e da CUT/MA, Marinaldo Alexandre – vereador do PT de Grajaú, Valdemar Ferreira – Vereador do PT de Satubinha, Maria De Sousa Lira – Ex-Prefeita do PT de Bom Jesus das Selvas, Francisco Domingos (Bilú) – Jornalista e do PT de Santa Luzia do Paruá, Chico Miguel – Vice-Presidente da FETAEMA, Ana Maria Oliveira – Sec. Geral da FETAEMA, Fernanda Oliveira Ferreira – Coord. da Juventude da FETAEMA, Joaquim Alves de Sousa -Sec. de Política Agrária da FETAEMA, Bruno Henrique – militante do PT de São Luis.
10 de junho de 2010 às 22h53min
Em discurso na Câmara dos Deputados no fim da tarde desta quinta-feira, 10, o deputado federal e pré-candidato ao governo do Maranhão, Flávio Dino, afirmou que não há motivos jurídicos e nem políticos para que o Diretório Nacional do PT intervenha no resultado alcançado democraticamente pela instância estadual da legenda.
Segundo analisou Flávio Dino, não há motivo jurídico para a intervenção. Para isso, seria necessária a constatação da ilegalidade na realização do encontro de tática eleitoral no Maranhão. Não haveria, também, motivo político, uma vez que todos os partidos que compõem a chapa majoritária encabeçada por Flávio Dino também compõem a base do presidente Lula e da pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff. “Não é, portanto, uma aliança contrária ao plano nacional. Na verdade, é uma aliança que possibilita a realização do plano nacional no Maranhão”, explicou Flávio Dino.
O mesmo, porém, não se verifica na outra aliança proposta ao PT maranhense: na chapa até agora sugerida pela atual governadora Roseana Sarney (PMDB), constam partidos que são opostos a Lula, como o PV, que apóia Marina Silva, ou o DEM, que apóia José Serra. “Se o PT apoiar a Roseana Sarney, aí sim estará sendo incoerente”, analisou o pré-candidato Flávio Dino.
Vigília
Militantes do PT maranhense e integrantes de movimentos sociais vão passar esta quinta-feira e a madrugada da sexta-feira em vigília na sede do PT em São Luís. O ato político terá certamente eco nos outros três maiores diretórios do Estado: Imperatriz, Caxias e Bacabal. Os petistas acenderão velas e estenderão a bandeira do PT no chão.
Desde hoje, o deputado federal Domingos Dutra (PT) está na Câmara, em Brasília, onde deverá iniciar greve de fome em protesto contra a possibilidade de intervenção nacional. A ex-deputada petista Terezinha Fernandes, vice-governadora na chapa composta pelos três partidos, também já avisou que aderirá ao movimento, caso haja a intervenção. O líder camponês Manoel da Conceição, de 75 anos, um dos fundadores da legenda, também já informou que pode aderir ao protesto. Eles estão acompanhando a situação em Brasília desde hoje.
Fundado em 1922, é a primeira vez que o PCdoB tem um candidato ao governo de um estado brasileiro. A candidatura é considerada um marco histórico para o partido. A aliança entre PT, PCdoB e PSB foi decidida democraticamente durante o encontro de tática eleitoral realizado nos dias 26 e 27 de março. Por 87 votos a 85, os petistas decidiram rejeitar a aliança com o PMDB e coligar com PCdoB e PSB.
(Com informações da Assessoria de Comunicação Flávio Dino)
9 de junho de 2010 às 19h54min
Peço desculpas aos leitores do blog, uma vez que havia dito que as três entrevistas com os principais candidatos ao Governo do Maranhão não permitiriam que eu escrevesse qualquer post.
Mas acontece que notícias importantes acabam de chegar ao meu conhecimento, não poderia deixar de publicá-las. Peço desculpas também ao deputado Flávio Dino, afinal, estou sobrepondo post à entrevista dele. Espero que ele releve.
Eis a notícia:
Os diretórios municipais do PT de São Luís, Imperatriz, Caxias e Bacabal farão, na noite de 10 para 11 de junho, quinta para sexta-feira, vigília em apoio à manutenção da aliança da legenda com o PCdoB e o PSB. O ato político precede o encontro nacional do PT. A aliança do partido com o PCdoB e o PSB para os cargos de governador, vice-governador, senador e deputados federais estará em pauta no encontro.
A vigília será realizada na sede do partido em São Luís e, nos municípios do interior do estado, em locais ainda a definir. Na capital, estão previstos pronunciamentos de dezenas de militantes petistas, entre ex-presidentes da legenda e integrantes de movimentos sociais. Na manhã de sexta-feira, o deputado federal Domingos Dutra (PT) deverá iniciar, na Câmara dos Deputados, uma greve de fome contra a possibilidade de intervenção no PT nacional na legenda estadual.
Em discurso realizado na última plenária dos três partidos, a ex-deputada Terezinha Fernandes, escolhida como pré-candidata a vice governadora na chapa encabeçada por Flávio Dino, já havia dito que pretendia acompanhar Dutra no protesto. Ontem, ela confirmou a decisão. “Se for desrespeitado aquilo que nós decidimos democraticamente, também farei greve de fome”, garantiu ela.
Democracia
O vice-presidente do PT no Maranhão, Augusto Lobato, disse que a ratificação da aliança firmada no encontro de definição de tática eleitoral dos dias 26 e 27 de março é a única saída democrática e legal. “O PT é maior que o governo Lula. Como não vai ser maior que a família Sarney?”, questionou Lobato.
No encontro de definição de tática eleitoral realizado pela legenda em março, venceu por 87 votos a 85 a tese do apoio à aliança com o PT e o PSB, em detrimento do apoio ao PMDB, que trará como candidata à reeleição a atual governadora Roseana Sarney. A decisão, reafirma Lobato, foi feita dentro das normas determinadas no regimento interno do partido. “Seguimos todas as regras estabelecidas”, garantiu.
O pré-candidato ao governo do Maranhão, Flávio Dino, relembrou que a coligação formada pelas três legendas representa a consolidação do projeto do presidente Lula no Maranhão. “São três partidos que estão com o presidente Lula há mais tempo. Nenhuma aliança em toda a história da política brasileira durou mais tempo que essa entre o PT e PCdoB.”, lembrou Flávio Dino. Os dois partidos estiveram unidos em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e agora repetem a aliança em 2010.
Terezinha Fernandes ressalta ainda as divergências ideológicas existentes entre o PT e o PMDB maranhenses, o que, segundo ela, constituem obstáculo a uma aliança entre os dois partidos. “É um grupo que sempre nos combateu, e nós a eles. Nossas visões de política e de como governar o Maranhão são completamente diferentes das deles. É ilegítimo que ideologias tão diferentes tenham que ficar juntas”, afirmou.
(Com informações da assessoria do PCdoB)
8 de junho de 2010 às 23h23min
Eis a segunda entrevista da série com os três mais importantes candidatos ao Governo do Maranhão. Agora o entrevistado é o deputado federal e pré-candidato ao governo Flávio Dino (PCdoB). Como na primeira, feita com Jackson Lago (PDT), Dino respondeu a sete perguntas, que lhe foram enviadas por e-mail.
Como tive notícia de que blogs reproduziram na íntegra a primeira entrevista, esclareço: o correto é o blogueiro reproduzir parte pequena da entrevista e remeter o leitor ao blog onde se encontra a entrevista. Espero que a regra jornalística dos blogs seja levada em conta. Para evitar problema. Afinal, o jornalista tem a idéia, trabalha para convencer os possíveis entrevistados, gasta tempo, dinheiro (ligações, energia etc) e energia intelectual.
Outro lembrete: Comentários que ultrapassem o limite da civilidade não serão publicados. Pode-se discordar do entrevistado sem recorrer a baixarias. A entrevista com Dino será substituída pela última na meia-noite de quarta para quinta-feira.
Eis a entrevista:

Dino: mudanças políticas e econômicas
Pergunta – No primeiro mandato de deputado federal, e ainda sem concluí-lo, o senhor apareceu todo o tempo entre os quatro melhores deputados do país. O que faz alguém deixar um mandato assim avaliado e se lançar numa disputa incerta ao Governo do Maranhão?
Flávio Dino – Compromisso! Compromisso e um forte sentimento de que é necessário contribuir ainda mais para uma mudança efetiva na realidade maranhense. O Maranhão pode ser diferente, pode ser um estado em que haja justiça para todos, em que o desenvolvimento seja verdadeiro, assegurando condições de vida digna para toda a população. A disputa é de fato incerta, mas não apenas para mim. É incerta para todos os candidatos, uma vez que o povo é quem decidirá, em outubro. Tenho convicção de que é possível construir uma grande vitória política, que é possível vencer as eleições.
P – O senhor acredita que Roseana Sarney perde essa eleição, mesmo sabendo que o uso da máquina no Maranhão é acachapante e praticamente uma tradição?
FD – Essa é uma prática que precisa ser duramente combatida pela Justiça Eleitoral. A propósito, tenho dito que nós precisamos proclamar a república aqui no Maranhão, tamanha é a confusão que se faz entre público e privado. Acho que é possível vencer, portanto que é possível derrotar a governadora Roseana Sarney Murad nessa sua quarta disputa pelo governo do Maranhão. Ela representa um bloco político que não tem mais o que dizer, que não conseguiu criar uma alternativa consistente de progresso para o Maranhão. O sentimento de renovação e mudança irá prevalecer.
P – Petistas aliados seus em 2008, na disputa pela Prefeitura de São Luís, mudaram de malas e bagagens para o lado da governadora Roseana Sarney em detrimento da aliança com o PCdoB. Que avaliação faz dessa mudança?
FD – É uma lamentável incoerência. Nossa aliança em 2008 era visando um projeto que não se esgotava numa eleição. Várias vezes conversamos com esses companheiros sobre a natureza estratégica de nossa aliança. É uma pena que hoje tenham optado por um poder decadente, abandonando a perspectiva de uma profunda mudança na política maranhense. Vivemos um momento agudo da nossa história, um momento em que é possível virar a página, escrever uma nova página, e esses companheiros a quem você se refere poderiam dar uma grande contribuição para o Maranhão acompanhar o Brasil em seu processo de desenvolvimento com justiça social.
P – Vamos supor que o PT nacional trate de invalidar a decisão da maioria petista que no Encontro de Táticas escolheu a aliança com o PCdoB. Petista na juventude e aliado não-fisiológico do Governo Lula na Câmara, o senhor tomaria que decisão?
FD – Não creio que o PT nacional irá cometer um ato contrário à lei, aos seus estatutos e à democracia interna. Mas se isso acontecer, se depender somente de mim seguirei adiante, porque a candidatura é resultado do anseio de forças vivas da sociedade, de partidos políticos como o PCdoB, meu partido, o PSB, da imensa maioria do próprio PT e dos movimentos sociais do Maranhão.
P – A campanha ainda nem começou e as baixarias contra o senhor já são visíveis, inclusive com apelações grotescas. Na campanha, como o senhor pretende encarar isso?
FD – Realmente estou impressionado com o nível de pânico e desorientação dos nossos adversários. Uma política de ódio, que nada traz de positivo. Lamento muito que isso ocorra. Na campanha para a prefeitura em 2008 apelaram para todo tipo de baixaria, mas não conseguiram conter o crescimento de nossa candidatura, que saiu de 4% no inicio da campanha e chegou ao final do segundo turno com 45% dos votos. O povo maranhense merece uma campanha limpa e repudiará atos de baixaria, creio nisso. Em vez de intrigas e fuxicos, propostas e debate sério; essa será a minha conduta.
P – Como o senhor analisa esse um ano de governo Roseana Sarney?
FD – São dez anos de governo Roseana Sarney e o mesmo modelo. Ou seja, muita mídia e poucas ações concretas, que mudem efetivamente a condição de vida dos milhões de maranhenses mais pobres. Lembro o senador Cafeteira fazendo essa crítica nos anos 90. Somos detentores dos piores indicadores sociais, mas não vemos nenhuma política pública que tenha como meta melhorar a condição social do nosso Estado. E não estou me referindo a um mero slogan, marketing, propaganda e publicidade; estou falando de um modelo de desenvolvimento para o nosso estado que priorize a justiça social e melhore a distribuição de renda em nosso estado, um novo modelo de desenvolvimento. Estou falando de um modelo de governo que não discrimine os municípios, pelo contrário, que dialogue com todos eles, independente de quem esteja à frente da prefeitura. Estou me referindo a um modelo de governo que inverta as prioridades. Isso significa dizer trabalhar para a excelência dos serviços públicos, a fim de que a população tenha acesso à educação, saúde, segurança, trabalho e renda.
P – Dá para dizer a primeira medida que o senhor tomaria se viesse a ser eleito governador?
FD – Posso apontar algumas atitudes que estarão presentes desde o primeiro dia do nosso governo. Combater duramente a corrupção. Saber ouvir o povo, com humildade. Entusiasmar e valorizar os servidores públicos e os empresários do Maranhão. Viajar permanentemente por todo o Estado para ficar próximo das comunidades. Priorizar as políticas sociais. Demonstrar diariamente aos pobres, aos pequenos, aos esquecidos, que eles têm no Palácio dos Leões um companheiro que conhece as leis e luta pelos seus direitos.
5 de junho de 2010 às 19h45min
Alcancei agora há pouco pelo celular um assessor do deputado federal e pré-candidato a governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB).
Perguntei-lhe:
- Alguma novidade a respeito da decisão do Diretório Nacional do PT sobre a coligação no Maranhão?
Respondeu-me:
- Nada. Só mesmo no dia 11 de junho. Todo o resto é especulação ou matéria requentada.
Acrescentei:
- O Lauro Jardim, na coluna Radar, da Veja Online, diz que se Flávio Dino perder o PT haverá reunião para saber se vale o sacrifício da candidatura.
E o assessor:
- Nada a ver. Com o PT ou sem o PT a disposição de Flávio Dino é de manter a candidatura. E conta, para isso, com o apoio do PSB e dos prefeitos que lhe apóiam.
Antes que desligássemos, ele acrescentou:
- Tanto é verdade que estamos em visitas aos municípios.
4 de junho de 2010 às 17h07min
Em outubro teremos nova eleição para escolher quem irá administrar o Maranhão nos próximos quatro anos. Algo de extrema importância, porque mexe com o destino de mais de 6 milhões de pessoas.
Por aqui os meios de comunicação costumam simplesmente tomar partido. Ou é este ou é aquele candidato. Não há nisso nada de errado, desde que, como sempre digo, não escondam isso de seus leitores. Mas não basta. Faltam esclarecimentos a respeito de quem disputa o governo, dados concretos da biografia de cada um, o que cada candidato tem de proposta viável para tirar o Maranhão da lista negra dos piores índices sociais e por aí vai.
Este blog tem procurado contribuir com esse debate. Tem feito enquetes, já anunciou entrevista com os três principais candidatos ao governo. E vai alargar o debate o máximo possível, na certeza de que a discussão desapaixonada e decente leva à lucidez de todos os atores envolvidos no processo eleitoral.
A seguir, uma análise breve e o mais isenta possível do que caracteriza os três até aqui mais importantes candidatos a governador do Maranhão:
Roseana Sarney (PMDB) – em 1998, quando disputou a reeleição, estava no auge da popularidade, com aproveitamento máximo do carisma da candidata. Praticamente ganhou a eleição de Cafeteira no leito. Em 2006 disputou o governo na oposição, mas tinha ainda altos índices de popularidade e carisma de sobra. Perdeu a eleição. Naturalmente, perdeu um bocado desses índices. E tudo indica que não os tem retomado. A explicação pode estar em como a volta ao governo se deu. Isto é: via Tribunal Superior Eleitoral. Tanto que é visível que o desempenho de Roseana Sarney não é o mesmo. Não há a mesma desenvoltura. Tem a seu favor o poder, coisa muito forte num Estado como o Maranhão.
Jackson Lago (PDT) – elegeu-se governador em 2006, mas desde que sentou na cadeira esteve acossado pela perspectiva de ser afastado do cargo pelo TSE. Cometeu, evidentemente, muitos equívocos políticos e administrativos, mas a possibilidade de perder o mandato muito lhe atrapalhou. Sempre foi muito forte na Capital, São Luís, tendo sido prefeito por três mandatos. Não espanta que adversários tenham dito que José Reinaldo Tavares o elegeu. Adversário é pra isso mesmo. Acontece que Jackson Lago só chegou ao segundo turno graças ao apoio decisivo do então prefeito pedetista Tadeu Palácio. No segundo turno, sim, recebeu o apoio do governador José Reinaldo Tavares. Tem seguramente 25% das intenções de voto cristalizados. Isso faz dele um candidato nada desprezível. Depende de mais um candidato forte pela oposição e, sobretudo, de como será trabalhada a campanha para acrescentar algo em torno de 4%, 5% e forçar o segundo turno.
Flávio Dino (PCdoB) – o jovem ex-juiz federal e agora deputado federal entre os quatro mais bem avaliados do país, tem a vantagem de um índice de rejeição baixo (o mais baixo entre os três mais importantes candidatos), vem de uma campanha vitoriosa para prefeito de São Luís em 2008 (não ganhou a prefeitura por um triz, mas alargou enormemente a popularidade), e mostra-se o único candidato capaz de convencer o eleitor com a bandeira da renovação e modernidade do Estado, dado nunca desprezado por quem trabalha com propaganda política. É ainda dos três candidatos a governador o único com fácil trânsito entre os movimentos sociais e a esquerda. Caso venha a ter segundo turno, para ser um dos nomes precisa ultrapassar o índice cristalizado de Jackson Lago.
2 de junho de 2010 às 22h21min
A partir da quinta-feira, 3, o deputado federal e pré-candidato ao governo do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) vai intensificar as viagens pelo interior do Maranhão. O objetivo é apresentar a chapa constituída por PCdoB, PT e PSB ao governo do Estado. Das viagens participam também os pré-candidatos a vice-governadora, Terezinha Fernandes (PT), e ao Senado, Bira do Pindaré (PT) e José Reinaldo Tavares (PSB).
A programação inclui visitas a 13 municípios entre quinta-feira e domingo, iniciando em Itapecuru, a 100km de São Luís, e chegando a João Lisboa. Até agora, 25 municípios já foram visitados pela caravana liderada pelo pré-candidato.
Das atividades, participam líderes partidários, sindicais e também representantes de movimentos sociais. As reuniões realizadas nesses municípios também têm o objetivo de colher sugestões para o programa de governo que está sendo elaborado pela chapa. O programa está sendo montado seguindo um modelo interativo, o que é inédito no estado.
Programa interativo
“Colhemos sugestões junto à população e a líderes de movimentos. O importante dessa maneira de se montar o programa de governo é que podemos identificar muito mais de perto quais são as reais necessidades dos moradores de cada região do Estado”, explicou Cristiano Capovilla, um dos organizadores da pré-campanha.
Na semana passada, o grupo também esteve reunido com especialistas para discutir o programa. O alvo foram as áreas de Agricultura, Pesca, Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia. As reuniões foram as primeiras de uma série de três que deverão ser feitas nas próximas semanas para a definição clara de diretrizes a serem seguidas. Ao todo, o programa de governo constituído por PCdoB, PT e PSB identificou 22 áreas prioritárias, consideradas chave para a renovação das políticas públicas do Estado. Todas deverão ser objeto de discussão.
(Com informações da assessoria de comunicação)