6 de maio de 2011 às 21h49min
Agora você pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal para uma série de coisas. O STF tem mil e um utilidades. O STF decidiu ser supremo na acepção de poder que abrange tudo. Não se avexe.
Num serviço de utilidade pública, típico da sabedoria do UOL e da Folha de S. Paulo, o blog ajuda o leitor relacionando 10 pontos fundamentais para procurar o STF.
O que está absolutamente dentro das normas constitucionais, depois que o Supremo decidiu ignorar a Constituição.
Seguem as 10 dicas.
1) Você quer trocar de carro, mas está em dúvida sobre a melhor marca no mercado. Procure os ministros do STF. Eles lhe darão a dica, inclusive, do melhor plano de pagamento.
2) Há um mês você procura a companheira para um sexozinho esperto e ela desconsidera? Os ministros saberão lhe aconselhar, mas não deixe o ministro Lewandowski ser o relator, ele acredita que as relações heterossexuais não são “fundadas no afeto”.
3) O vizinho nos fins de semana gosta de fazer um churrasquinho regado a pagode e muito barulho? Seu problema pode ser resolvido pelo STF. Os ministros, agora sabemos, também podem dar palpites em brigas de vizinhos.
4) Antes de comprar tubos e conexões da Tigre, consulte o STF. As conexões deles com o imponderável agora estão comprovadas.
5) Passou dos 30 e começa a acreditar que vai ficar no caritó? Esqueça Santo Antônio, os milagreiros são os ministros do STF. Eles conhecem simpatias como ninguém. É casamento na certa.
6) O maridão bebe demais e você já não sabe o que fazer. Não sabia. Depois que o STF meteu-se em tudo, os Alcoólatras Anônimos do Brasil inteiro estão com os dias contados. É batata. Ou o seu dinheiro de volta.
7) Você acredita que cometeu um pecado e não tem coragem de ir a uma igreja se confessar. Esqueça esse troço de igreja, o STF também está apto a dar penitências, a batizar, a realizar casamentos. Com a vantagem de que você estará numa consulta de leigo para leigo.
Não sabe mais como fazer para controlar o filho que tem o péssimo hábito de soltar pum à mesa na hora do almoço? Consulte os ministros do STF, eles saberão ensinar a seu filho o que é “silêncio eloquente”.
9) Vocês não sabem o que responder à filha que quer trazer o namorado para fazer sexo em casa. O STF responde sem precisar dar salto triplo carpado hermenêutico. Como no item 2, não deixem o ministro do afeto Lewandowski ser o relator.
10) Vocês até aqui acreditavam que Deus criou o mundo, não é verdade? Bom, isso não mudou. Só há um detalhe: antes Deus consultou o STF.
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28 de abril de 2011 às 23h07min
A Folha de S. Paulo (ah, a moderninha Folha, que todos os dias é chamada de golpista e direitista por Zé Dirceu, mas que nos 90 anos do jornal fez questão de ter Zé Dirceu como convidado de honra, o que já diz muito da honra do jornal, convenhamos) publicou na semana passada entrevista com Stédile, o sujeito que quer reforma agrária só em fazendas prontas, como explicarei mais abaixo.
Lá Stédile diz que há 4 milhões de trabalhadores rurais à espera da reforma agrária. Um chute, uma mentira, um descaramento, cunhem como vocês quiserem. O certo é que esse número não existe na vida real. A maioria dos arrebanhados pelo MST é gente das cidades. Gente que nunca viu uma enxada ao vivo.
Um leitor contou-me, num encontro casual, que conheceu dois irmãos que souberam que o MST estava à procura de pessoas para suas fileiras. Nascidos, criados e vivendo em São Luís, os dois foram ao encontro do MST. Ambos ganharam terras num assentamento, que trataram de vender logo depois. É que os dois irmãos nunca haviam plantado uma mísera notícia em jornal, quanto mais uma abóbora. Portanto, 4 milhões é conversa para a Folha ouvir e divulgar.
Não há notícia de que em toda a sua existência, o MST quisesse mesmo terras improdutivas. Do contrário não existiriam tantas terras devolutas no país dando bobeira, para as quais o movimento vira solenemente a cara, diga-se.
Isso prova que o MST é, na verdade, um partido político sem existência legal, que se traveste de movimento social (seja lá o que isso queira dizer) para seguir em sua campanha pela tomada do poder e implantação de uma ditadura dita de esquerda. Claro, com a conivência do petismo, que desde que se encontra no poder lhe repassa milhões do dinheiro que nos toma com impostos.
Eu me sinto prejudicado pelas bandalheiras do PT federal, mas se eu resolver, por isso, invadir um prédio público, imediatamente serei preso. O MST, não. O MST é tratado a pão-de-ló pelo Governo Federal para fazer o que bem entenda, sobretudo rasgar a Constituição. Quem sacar da Constituição será criminalizado por querer criminalizar os movimentos sociais (repito, seja lá o que isso queira dizer).
Desafio qualquer pilantra a mostrar que o que digo não é verdade. Mas terá de mostrar com números, ou fotos, ou quaisquer dados reais.
Ia esquecendo: desafio o MST a abrir a caixa preta na qual são depositadas as verbas para desrespeitar as leis em geral e a Constituição em particular.
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Política, por Roberto Kenard
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18 de abril de 2011 às 10h40min
Você tem uma fazenda?
Bom, esqueça as abóboras, a soja e o amargo jiló. O negócio é plantar maconha. Pelo menos segundo o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, e o atual líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira.
Pelo menos um jornalista da Folha já disse que a conversa tem bom cheiro.
A idéia básica: com a liberação do plantio de maconha, o tráfico perde sua razão de ser. A idéia é filha da mesma planta que gerou esta: só existe o consumidor porque existe o traficante.
O assunto é controverso. O que não demite a discussão.
De minha parte vejo como sem sentido a afirmação de que a liberação de fazendas da maconha venha a dizimar o tráfico. O traficante é um atravessador, com as fazendas de maconha deverá continuar a sê-lo. As fazendas de hortaliças não acabaram com os atravessadores.
Além do mais, de onde saiu que o tráfico no Brasil hoje é alimentado essencialmente pela maconha? No máximo, a maconha faz parte da cesta básica do tráfico. Tudo leva a crer, por isso, que o negócio dos traficantes não sofrerá grandes arranhões.
No máximo o negócio da maconha muda de mãos. O que também carrega imensas dúvidas. Com muito dinheiro, os traficantes podem comprar plantações inteiras, aliviando o camponês da árdua tarefa de escoar sua produção. Ou ainda: podem pagar para que agricultores cultivem a maconha em suas terras, como já o fazem hoje.
Quanto a só existir consumidor porque existe o traficante acredito no inverso.
Mas aqui, como em tantas outras coisas, não tenho a última palavra. E, como já disse acima, não demito o debate.
O que não conduz a uma falta de opinião, fique claro.
P.S: Interessante observar que hoje fumantes de cigarro são caçados a laço em todos os ambientes. Bares e restaurantes que aceitam fumantes de cigarros são multados, na reincidência têm o negócio fechado. E o cigarro não é item proibido. Como estamos no Brasil, tudo indica que a maconha será liberada e depois serão criadas leis para proibir o uso em locais públicos. E o Governo Federal gastará milhões com propaganda mostrando os malefícios da maconha.
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17 de abril de 2011 às 07h41min
Empresário pernambucano conseguiu reunir acervo com 60 mil itens, que incluem livros, manuscritos e partituras
Por Marcelo Bortoloti
O empresário pernambucano Ricardo Brennand, 83, tem duas qualidades que o permitem acumular grandes acervos: a sanha de colecionador e dinheiro suficiente para extravagâncias.
Ele é dono de uma das maiores coleções de armas brancas do mundo, com 3.000 itens, incluindo espadas, clavas e armaduras.
Seu acervo de arte tem 15 quadros de Franz Post -a maior coleção privada existente do pintor holandês. Para conseguir as obras, Brennand chegou a arrematar lotes inteiros de quadros porque neles havia um de Post.
Foi com esse mesmo entusiasmo que ele montou uma biblioteca, que será oficialmente aberta ao público neste semestre, ao lado das outras duas coleções no Instituto Brennand, em Recife. O espaço é praticamente desconhecido dos pesquisadores, já que o acesso sempre foi restrito a poucos visitantes com agendamento prévio.
“É a mais importante biblioteca para o estudo do período holandês no Brasil. Ela reúne raridades que doutor Ricardo comprou em leilão ou que chegaram até ele”, afirma Leonardo Dantas, historiador e consultor do Instituto Brennand.
São no total 20 mil livros, além de manuscritos e partituras musicais totalizando 60 mil itens.
GOSTO DUVIDOSO
Brennand, que é famoso pelo seu ecletismo, com aquisições muitas vezes de gosto duvidoso, não reuniu esse conjunto sozinho. Ele foi auxiliado por Dantas, que é especialista no tema. Também adotou a estratégia de adquirir acervos inteiros construídos ao longo dos anos por pesquisadores.
Sua primeira grande aquisição foi a biblioteca completa do historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos principais estudiosos no país do período holandês (1630-1654).
São 5.000 livros e periódicos, muitos deles com anotações do ex-proprietário.
MÚSICA BARROCA
Outro conjunto completo adquirido por Brennand foi o do músico e pesquisador Jaime Cavalcanti Diniz, especialista em música barroca.
Ao longo da vida, ele garimpou 1.500 partituras, principalmente de compositores brasileiros eruditos do século 18, muitas das quais são originais únicos.
Passear pelo acervo da biblioteca revela surpresas, como um manifesto manuscrito de portugueses que moravam em Pernambuco, contra a Companhia das Índias Ocidentais, datado de 1646.
No documento, que circulou em poucas cópias na Europa, o grupo relata as atrocidades cometidas pelos invasores da Holanda, que entregavam seus inimigos para os índios tapuias devorarem em praça pública.
Entre as raridades, há livros como “Historiae Naturalis Brasiliae”, de 1648, primeiro tratado sobre história natural escrito nas Américas, cujos autores integravam a comitiva de Maurício de Nassau. Além dos atlas de Gaspar Barleus, ricamente ilustrados, como é o caso da edição colorida de “Rerum per Octennium in Brasilia”, de 1647, considerada um tesouro pelos bibliófilos.
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14 de abril de 2011 às 12h03min
Lula não saber ler, tudo bem, mas a imprensa e o próprio PSDB…
Leiam este trecho de matéria do UOL com Lula, assinada por Fernanda Calgaro:
“Em visita a Londres nesta quinta-feira (14), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a posição de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que a oposição deveria esquecer o “povão”. ‘Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão. O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros. ’”
Havia prometido a mim mesmo não comentar mais as besteiras de Lula. O ex-presidente tem a capacidade de aliar ignorância com populismo tosco como nenhum outro que passou pela Presidência da República. Mas, vá lá, comentemos.
Lula diz não saber como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão. Em primeiro lugar, ninguém estuda para lembrar-se do povão, que fique claro. Estuda-se para adquirir conhecimento, para erguer uma carreira etc.
Acontece que Fernando Henrique Cardoso não disse para esquecer o povão. Disse, entre tantas outras coisas, em artigo lúcido quanto brilhante, coisa rara no meio político brasileiro, onde o toupeirismo é a regra, está aí Lula que não me deixa mentir, que o PSDB precisava mudar de rumo.
Isto é: se o PSDB prosseguir tentando disputar o mesmo espaço já conquistado pelo PT, corre o risco de ficar falando sozinho. Daí a necessidade de esquecer a busca desse eleitorado na faixa do povão, faixa onde o PT já havia fincado a estaca. Simples assim. Daí a dizer que Fernando Henrique Cardoso não quer saber do povão vai um abismo.
Mas como esperar a compreensão de um sujeito como Lula, cujos neurônios escassos não conseguem sair da Faixa de Gaza, se dentro do PSDB o artigo promoveu leituras tortas? Justiça: José Serra, outro intelectual, soube ler o artigo.
De causar preocupação, também, a trajetória atual da imprensa brasileira. Talvez pelo constante encolhimento dos leitores, embora isso não seja justificativa, o jornalismo tratou de fazer com a política o que vem fazendo com o setor de fofocas dos chamados famosos: sensacionalismo. A polêmica furada, vazia, de que o jornal Folha de S. Paulo é o exemplo gritante.
Basta reparar no texto da jornalista Fernanda Calgaro, que assina a matéria do UOL. A jornalista, antes de Lula, nos diz que Fernando Henrique Cardoso “afirmou que a oposição deveria esquecer o “povão”. Leitura tão rasteira quanto a de Lula. Seria a falta de verba para contratar repórteres de qualidade que estaria fazendo pulularem tipos como estes nas redações?
Na verdade, Fernando Henrique Cardoso, muito argutamente, só fez ler a realidade brasileira.
A partir do Plano Real, no Governo Itamar Franco, quando o próprio Fernando Henrique Cardoso era o ministro da Fazenda, começou no Brasil a mobilidade de classes como nunca antes houvera. Mas não só isso: o Plano Real e também as condições econômicas internacionais.
Pessoas de outras classes mais baixas foram pra a classe média, a chamada Classe C. Com o Plano Real ela passou a representar 40% da população brasileira. Hoje já é 52%. Arredondando, ela se encontra na faixa que vai de 1.200 a 4.700 reais. Suas aspirações, hoje, basicamente se resumem a: 1) Educação, 2) Saúde e 3) Transporte.
Realmente, essa classe média encontra-se num vácuo político. Quero dizer: os partidos políticos não estão procurando ganhá-la. Talvez venha daí a percepção equivocada de que ela não se interessa por política. Na verdade, ela é mais pragmática, não quer saber de conversa fiada, como se diz.
Entre tantas outras coisas lúcidas de Fernando Henrique Cardoso no artigo, está a de ter capturado esse espaço na política, onde o PSDB, mas não só, também os outro partidos de oposição, precisam atuar se desejam voltar ao poder.
Bom, agora vá dizer isso a Lula, a Fernanda Calgaro e ao PSDB que usa viseira.
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12 de abril de 2011 às 16h54min

Os bandoleiros do Velho Oeste
O imortal Sarney todas as sextas-feiras, na Folha de S. Paulo, dá um tiro no idioma e no bom senso. Proponho um referendo: Sarney para ou segue atirando no idioma e no bom senso? A ideia não é má e certamente contará com grande apoio.
Já o Sarney presidente do Senado quer que se faça novo referendo sobre armas de fogo. Trata-se de um tiro na sensatez: 1) porque em 2005 a população disse um rotundo não e 2) porque Sarney mostra mais uma vez que gosta de queimar dinheiro público. Mas, sejamos justos, Sarney não está só nesse tiro ao alvo da falta do que fazer: a ministra Maria do Rosário já declarou apoio ao referendo. Ela acredita que as armas legalizadas contribuem com a violência. Pena que ela, em 2008, não pensasse assim, quando recebeu doação eleitoral da Taurus, fabricante de armas. Seria, no entanto, inócuo procurar entender um petista.
O interessante, é que Sarney sacou essa ideia do coldre após a tragédia do Realengo. Pois é, a tragédia do Rio de Janeiro comoveu o velho oligarca. O que não o comoveu foi a morte de 19 crianças em Imperatriz por falta de leito em UTI. A filha Roseana Sarney já era governadora quando se deu a tragédia de Imperatriz.
Era o caso de um referendo no Maranhão. A população quer que Roseana Sarney continue governadora? Aposto mil contra um como a população irá responder que quer vê-la pelas costas.
Mas esse referendo não interessa a Sarney. Ele sabe que o tiro não sairia pela culatra.
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31 de março de 2011 às 13h24min
Leiam trechos da matéria que trata da censura imposta à revista Caras. Logo abaixo, como sempre faço, comento:
A edição da revista Caras que chega hoje (30/03) às bancas é publicada com tarjas pretas nas páginas em que relata o caso da modelo e atriz Cibele Dorsa, que morreu no sábado, aos 36 anos, após se atirar da janela do prédio onde morava, em São Paulo.
As tarjas pretas foram a forma que a editora encontrou para cumprir às pressas uma ordem judicial recebida por volta das 21h30 de anteontem, quando parte da revista já estava na gráfica, proibindo a menção do nome do cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, de 38 anos, em carta que a atriz teria enviado à editora antes de morrer.
O documento seria publicado na íntegra. Na carta, entre outras declarações, a atriz criticava Doda, seu ex-companheiro e pai de sua filha Viviane, de 8 anos. A menina e o outro filho de Cibele, Fernando, de 13, moram com Doda na Bélgica.
“Fomos pegos de surpresa, no fechamento da revista, quando recebemos a carta da juíza nos proibindo de citar o nome do cavaleiro. Por conta do horário, só tivemos tempo de cobrir o nome e o rosto dele com tarjas pretas”, diz Luís Fernando Cyrillo Maluf, diretor corporativo da revista.
Para Maluf, a ordem judicial é uma forma de censura prévia. “O engraçado é que todos os outros sites publicaram a carta na íntegra. Por que só a Caras foi prejudicada?” Maluf disse que foi a primeira vez que a Caras recebeu uma decisão judicial nesse sentido. Segundo ele, parte da edição que já estava impressa foi perdida. Agora a editora vai calcular o prejuízo de entregar para o leitor uma matéria incompleta. “Vamos entrar com todos os recursos cabíveis”, afirmou.
Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), concorda que houve censura. “A associação não entra no mérito do caso em si. Não importa quais são as razões que levaram à proibição. Mas o que a Justiça fez foi censura. Não se pode determinar previamente o que um veículo pode ou não publicar”, afirmou.
A mesma opinião é compartilhada por Roberto Muylaert, presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner). “Ordem judicial não pode estabelecer nenhuma restrição. A liberdade de imprensa é garantida pela Constituição, independentemente do que seja. Os jornalistas e a editora são responsáveis por aquilo que publicam e devem arcar com eventuais consequências”, diz Muylaert.
Comentário do Blog: O ar que se respira no Brasil não é dos melhores, muito ao contrário. E não é de agora. No momento as coisas estão ficando piores, irrespiráveis. Mais grave: instituições que deveriam no mínimo reclamar silenciam, convenientemente.
A mistura de arrocho na economia com censura não leva a boas lembranças. Torçamos para que eu esteja errado.
Faz um ano que o Estado de S. Paulo está sob censura por conta dos Sarney e de uma toga providencial. Afora a resistência de alguns democratas de carteirinha, houve silêncio. É que desde 2002, com a chegada do PT ao poder, entidades sindicais, movimentos sociais e entidades estudantis atrelaram-se ao poder por razões que fogem ao decente.
O próprio PT e aliados procuram desmerecer a imprensa. Para essa gente, imprensa boa é imprensa sem críticas, é imprensa a soldo. O PT sonha com o Granma, o jornal dos donos de Cuba Fidel Castro e Raúl Castro.
Naturalmente, Dilma Rousseff e o PT não mandaram a tal juíza pôr em prática a censura prévia. Mas foram eles que criaram o clima propício à volta da censura prévia. São eles que satanizam dia e noite a imprensa que procura cumprir com o seu papel.
Mas certas estranhezas precisam ser anotadas. A Folha de S. Paulo acolhe nas sextas-feiras o herdeiro da ditadura militar José Sarney e na festa dos 90 anos do jornal ninguém menos do que Zé Dirceu era convidado de honra, o homem que, segundo o Ministério Público, comandava o Mensalão petista.
Repito: torço para estar redondamente enganado.
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9 de março de 2011 às 11h21min
José Sarney – conhecido na PF como Madre Superiora – acredita a sério que basta o sujeito entrar para a Academia

Sarney: "Eu não morri!"
Brasileira de Letras para se tornar imortal. Como lhe fizeram o obituário de prontidão, resolveu obrar o “Eu não morri!”. Mais uma peça para o obituário literário.
Diferente do de prontidão, o obituário literário do Sarney virá com profundo atraso. O Sarney literato nasceu morto. Dos livros de humor (ou os poemas e os romances não são peças de humor?) às croniquetas que desnudam a falsa modernidade da Folha de S. Paulo, nada presta. É bagulho puro (que a PF não tome a frase ao pé da letra).
As croniquetas mostram, por exemplo, um homem de ideias confusas, um estuprador da gramática e um metaforizador ginasiano, que tem da poesia visão melíflua e piegas.
Na última sexta-feira (04/03), Sarney obrou o “Eu não morri!” e matou os leitores de rir ou de raiva. O texto é uma indignidade. A começar pela vaidade descabida: compara-se a Gonçalves Dias, Mark Twain e ao “nosso grande Churchill”. No primeiro caso a comparação é desfavorável a Gonçalves Dias. O poeta romântico teria ficado com raiva a propósito do obituário precoce. Sarney, não. Sarney é Sarney: “Eu fui mais tranquilo quando li o meu obituário”. Um absurdo não fosse hilário.
Para alinhavar a comparação Sarney resolve citar. E a confusão se forma entre a primeira e a terceira pessoas. Sarney vira Gonçalves Dias e Gonçalves Dias vira pó. Uma loucura. Sarney erra até quando cita.
Como é imortal, Sarney conversa depois de morto. Mas não com qualquer um. Sarney julga-se digno de conversar com o Criador. Imagina-se numa conversa de esquina com Deus, de joelhos, não por bajulação, que fique logo claro, a agradecer. Mas agradecendo mesmo pelo quê? Sarney com a palavra: “agradecendo pelo que me deu, pelas sementes que colocou em minhas mãos”. Sabe-se agora que as mãos do Sarney são um solo infértil.
Mas a croniqueta não poderia terminar sem um fecho de ouro, sem a apoteose poética, sem o deslumbramento parnasiano, ainda que na forma de Post Scriptum, ou Nota Bene, como ele prefere.
- O céu está cheio de moças bonitas e a comida é feita de nuvens azuis e adocicadas.
Sarney não merece um obituário. Merece um bestiário.
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28 de fevereiro de 2011 às 10h54min
Como prometido no twitter ontem, reproduzo hoje aqui o belo artigo (com sempre) do português João Pereira Coutinho a propósito do filme “Cisne Negro”. O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo do dia 22/02, onde Coutinho escreve todas as terça-feiras.
A arte da masturbação
João Pereira Coutinho
Sejamos honestos: o filme “Cisne Negro” promete ser revolucionário. Não na história do cinema. Mas no ensino da dança. A partir de agora, os cursos de dança terão de reformular os seus currículos. Sim, “Improvisação”, “Estudos de Movimento” ou “Estudos de Repertório” continuarão a ser importantes.
Mas, na douta filosofia de Darren Aronofsky, diretor do filme, é preciso incluir novas classes. Como “Técnicas de Masturbação”, por exemplo. Ou, então, “Dildos e Opiáceos”, provavelmente para que os finalistas possam entrar na vida profissional em estado de transe.
Esse, pelo menos, é o entendimento de Thomas (Vincent Cassel), o coreógrafo da companhia de bailado onde Nina (Natalie Portman) vai estrelar uma nova produção do “Lago dos Cisnes”.
Mas Nina tem um gravíssimo problema: nunca transou. Tecnicamente, é perfeita; mas o fato de ainda ter o hímen intacto a impede de protagonizar o “cisne negro” com a intensidade perversa que o papel exige.
Felizmente, Thomas tem uma ideia. Não, como seria de esperar, ele mesmo ser voluntário para aliviar Nina da sua trágica deficiência, uma proposta perfeitamente compreensível: quem, em juízo perfeito, nunca teve pensamentos impuros com Natalie Portman, a encarnação terrena mais próxima de um anjo? Não atiro a primeira pedra.
Mas Thomas não tem pensamentos desses; o seu amor à arte suplanta o amor a Nina. E a arte merece que Nina vá para casa e experimente tocar-se no conforto dos lençóis (cor-de-rosa). Em cinema, já assisti a tudo. Até aos filmes de Manoel de Oliveira. Mas a sequência em que Nina se masturba é tão esteticamente grotesca que seria aconselhável distribuir sacos de enjoo nas salas.
Como é evidente, Nina não acaba bem: sexualmente reprimida e com a sanidade se desfazendo, ela não aguentará a competição direta de uma rival, Lily (Mila Kunis). Lily dança bem. Mas, ao contrário de Nina, oferece o serviço completo.
Quando saímos da sala, choramos pelo destino de Nina. E pensamos: “Coitada. Se ela ao menos tivesse transado…”.
Eis, em resumo, o filme de Aronofsky, um diretor que, antes de “Cisne Negro”, tinha assinado um filme estimável sobre luta livre. Um tema que estava mais ao nível da sua mentalidade.
Acontece que os seres humanos raramente aceitam suas limitações e desejam voar mais alto. Aronofsky tenta. Nunca chega a decolar.
Porque Aronofsky acredita que a “loucura da arte”, na feliz sentença de Henry James, pode ser resumida ao clichê expressão/repressão, que domina grande parte das discussões analfabetas do nosso tempo.
Herdeiros de uma sensibilidade romântica abastardada, acreditamos que a arte deve ser “autêntica”, e que a “autenticidade” consiste em abrir as comportas da alma, despejar os nossos “sentimentos” e “emoções” na via pública e, por via dessa catarse, nos libertarmos das nossas neuroses pessoais.
Segundo essa doutrina, a arte não é arte, é terapia. Um romance não é um romance, é uma sessão de psicanálise por escrito. E o artista não é um artista, é como um doente mental que vive no asilo psiquiátrico e que pinta, ou escreve, por motivos estritamente terapêuticos, antes da medicação noturna. Visitar grande parte dos nossos museus, dos nossos palcos ou das nossas estantes é tropeçar continuamente nessas alegres pornopopeias.
Tragicamente, Aronofsky e companhia ignoram que a arte não é questão de expressão ou repressão, mas de disciplina e sublimação.
Para retomar as palavras de T.S. Eliot, a criação artística é um exercício de autossacrifício em que, para expressar uma personalidade, é necessário primeiro extinguir a personalidade. E encarar o processo criativo como o momento sacramental em que elevamos o que somos, o que não somos e o que gostaríamos de ter sido a um patamar sublime.
Se a sensibilidade de Aronofsky não estivesse tão próxima de um neandertal, ele teria percebido que, no caso de Nina, era precisamente a sua complexidade feita de repressão e temor, mas também de graciosidade e sede de perfeição, que faria dela uma incomparável artista.
Ao confundir a natureza da arte com a arte da masturbação, tudo que resta de “Cisne Negro” é um ecrã viscoso e sujo. Como um lençol de adolescente.
25 de janeiro de 2011 às 10h01min
O ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) virou um dos alvos centrais do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na Operação Faktor (ex-Boi Barrica).
Investigadores encarregados do caso ouvidos pela Folha afirmam já ter elementos para indiciá-lo sob a suspeita de tráfico de influência em estatais na área de energia, incluindo a Petrobras.
Apadrinhado do senador José Sarney (PMDB-AP), Rondeau ocupa desde 2006 uma cadeira no Conselho de Administração da companhia petrolífera na cota do governo –a presidente Dilma o manteve no cargo.
O ex-ministro recebe R$ 6.670 mensais para participar de uma reunião por mês na estatal. A Folha deixou recados na casa e no escritório de Rondeau, mas ele não ligou de volta.
O nome do ex-ministro já havia aparecido numa primeira fase da operação, mas não como um dos focos principais da investigação.
A PF reuniu uma série de documentos e gravou, com autorização da Justiça, conversas de terceiros que citam a participação do ex-ministro em episódios que caracterizariam o tráfico de influência na Petrobras.
Com base no material apreendido, a PF e o Ministério Público iniciaram uma nova etapa da Faktor no final do ano passado e aprofundaram a investigação sobre o papel de Rondeau nos negócios que envolvem o grupo do empresário Fernando Sarney, filho do senador e principal alvo da operação.
De acordo com a investigação, o ex-ministro tem prestado consultoria na área de energia eólica, ramo em que a Petrobras planeja ampliar seus investimentos.
No inquérito, os policiais afirmam que Rondeau “figura como sócio oculto” de escritórios de consultoria para “mascarar” o recebimento de recursos por serviços prestados a empresas privadas.
“Vou estar com o Silas na terça. Vocês vão ver só uma coisa. Ah, p., ele é do conselho da Petrobras. Vocês vão ver”, diz Flávio Lima, empresário ligado a Fernando Sarney e também investigado na Faktor, numa das conversas gravadas pela PF.
No diálogo, Lima cobrava R$ 160 mil de uma empresa.
A Faktor é a terceira operação da PF em que Rondeau figura entre os suspeitos de corrupção e desvio de recursos públicos.
Ele foi obrigado a abandonar a pasta de Minas e Energia em 2007, acusado de receber R$ 100 mil em propina para favorecer empresas privadas em obras federais.
Em 2008, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o ex-ministro por corrupção e formação de quadrilha.
O nome de Rondeau surgiu também na operação Castelo de Areia.
A PF apreendeu um manuscrito que registra o pagamento de R$ 300 mil ao lado da inscrição “Ex. Min. Sil”. Segundo a PF, “ao que tudo indica”, trata-se de Rondeau.
Num primeiro momento da Faktor, a PF concentrou a investigação em transações do grupo de Fernando Sarney com o setor público.
Ele foi indiciado sob a acusação de formação de quadrilha e falsidade ideológica, entre outros crimes. Na segunda etapa, indiciado sob acusação de evasão de divisas. Ele nega as acusações.
(Com informações da Folha de S. Paulo)
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