30 de março de 2011 às 08h59min
O aumento dos preços já está corroendo os ganhos salariais dos brasileiros.
Apesar dos fortes reajustes conquistados no ano passado pelos trabalhadores, o rendimento real médio ficou menor no país nos últimos meses, passando de R$ 1.563,88 em outubro para R$ 1.540,30 em fevereiro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A queda acumulada é de R$ 23,58, ou 1,5%, maior perda em dois anos, aponta relatório do Itaú.
De acordo com levantamento do Dieese, 89% dos reajustes salariais do ano passado tiveram aumento acima da inflação.
Mas, na avaliação do economista do Santander Cristiano Souza, como houve uma aceleração da inflação no fim do ano passado, “os aumentos reais podem não ter sido tão grandes assim”.
Ele observa que, durante as negociações de 2010, a inflação acumulada em 12 meses estava em cerca de 5%. A partir de outubro, a alta de preços se acentuou e levou a taxa a 5,9% em dezembro.
“Esse 0,9 ponto percentual faz diferença: o consumidor perdeu poder de compra. Houve uma surpresa inflacionária”, ressalta o economista do Santander.
Atualmente, o IPCA – índice oficial de inflação – está acumulado em 6,01%, e a projeção do mercado é de que baterá 7% em agosto.
Segundo Souza, existe um risco de essa perda de rendimento real alimentar mais a inflação, pois os trabalhadores tendem a pressionar por reajustes salariais altos, que recomponham a queda do poder de compra.
O sucesso dessa demanda dependerá da escassez de mão de obra em cada setor e do otimismo do empresário com a economia. Se a percepção for de que o consumo interno permanecerá forte, ele tende a conceder o aumento e repassar a alta de custos para os preços finais.
“Os trabalhadores vão buscar reajustes maiores, e as principais negociações acontecem no terceiro trimestre, justamente quando a inflação vai estar no pico”, observa Carlos Thadeu Filho, economista sênior da Franklin Templeton.
REGIÕES
Das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, quatro registraram queda no rendimento real de outubro a fevereiro. As maiores perdas, de 11%, foram em Recife e Salvador.
Além do efeito da inflação, as duas metrópoles também tiveram forte decréscimo dos salários nominais, na faixa de 8%, em igual período.
“Essa queda é consequência do aumento da contratação de temporários no fim do ano e nas férias. Esses profissionais costumam ganhar menos”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.
Em São Paulo, onde a contração do rendimento real começou um mês antes, a perda acumulada é de 2,14%.
Com informações do UOL
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8 de março de 2011 às 13h01min
Por: Reinaldo Gonçalves
A divulgação dos dados de evolução da renda do Brasil pelo IBGE, bem como a base de dados do FMI, já permitem algumas conclusões definitivas a respeito do desempenho da economia brasileira (renda) durante o governo Lula (2003-10).
Primeira conclusão: fraco desempenho pelos padrões históricos do país
O crescimento médio anual do PIB real é de 4,5% no governo Lula. Mais especificamente, 3,5% em 2003-06 e 4,5% em 2007-10. Mesmo no segundo mandato, a taxa alcançada não supera a média secular do país (1890-2010, período republicano) (4,5%). Portanto, o desempenho do governo Lula é fraco pelos padrões históricos brasileiros. (ver Tabela 1)
Segunda conclusão: muito fraco desempenho quando comparado com outros presidentes
Desde a proclamação da república o país teve 29 presidentes (Vargas teve dois mandatos separados temporalmente). Neste conjunto, Lula ocupa a 19ª posição quanto ao crescimento da renda, ou seja, 18 outros presidentes tiveram melhor desempenho. Quando este conjunto é dividido em quatro grupos, Lula está no terceiro grupo. De outra forma, pode-se afirmar que Lula teve o 11º pior desempenho no conjunto dos mandatos presidenciais. (ver Tabela 2)
Terceira conclusão: retrocesso relativo
No período 2003-10 três indicadores merecem destaque.
O primeiro é a participação do Brasil no PIB mundial. Usando os dados de paridade de poder de compra, verifica-se que não houve alteração, A participação média do Brasil em 2001-02 manteve-se a mesma em 2009-10 (2,90%). (ver Tabela 3)
O segundo indicador é a posição relativa do Brasil no ranking da economia mundial quando se considera a taxa de variação real do PIB no período 2003-10. O Brasil ocupa a 96ª posição no painel de 181 países. Ou seja, dividindo este conjunto em quatro grupos, o Brasil está no terceiro grupo. O crescimento médio anual do PIB do país (4,0%) está abaixo da média (4,4%) e da mediana (4,2%) do painel mundial. (ver Tabela 4)
O terceiro indicador é o PIB (PPP) per capita. Este indicador de renda para o Brasil aumentou de US$ 7.457 em 2001-02 para US$ 10.894 em 2009-10. Entretanto, a posição do país no ranking mundial piorou. O país passou da 66ª posição para a 71ª posição. Ou seja, houve retrocesso relativo. (ver Tabela 5)
Quarta conclusão: país fortemente atingido pela crise global em 2009
A crise econômica de 2009 teve alcance global. O Brasil é um país marcado por forte vulnerabilidade externa estrutural. O passivo externo bruto ultrapassou US$ 1.292 bilhões em no final de 2010.No período 2003-10 houve reprimarização da economia brasileira, inclusive com significativo aumento do peso relativo das commodities nas exportações brasileiras. A maior participação do capital estrangeiro no aparelho produtivo também ocorreu no período em questão. A crescente liberalização financeira e o regime de câmbio flexível implicam maior instabilidade. O resultado é que a crise internacional atingiu fortemente o país em 2009. A queda do PIB real foi de 0,6%. No painel mundial o Brasil ocupa a 85ª posição. Dividindo este painel em quatro grupos, verifica-se que o país está no segundo grupo dos mais atingidos. Ademais, a frágil posição brasileira é evidente quando se leva em conta que a taxa média (simples) e a mediana de variação do PIB do painel é de 0,1% e 0,2% respectivamente. (ver Tabela 6)
Em síntese, durante o governo Lula a evolução da renda do Brasil caracterizou-se por:
1) fraco desempenho pelos padrões históricos do país
2) muito fraco desempenho quando comparado com outros presidentes
3) retrocesso relativo
4) país fortemente atingido pela crise global em 2009
Confira a íntegra do artigo com as tabelas
* Reinaldo Gonçalves é economista e professor titular do Instituto de Economia da UFRJ. Artigo escrito no dia 3 março 2011.
10 de dezembro de 2010 às 09h43min
A riqueza brasileira está, pouco a pouco, saindo dos grandes centros urbanos e migrando para as cidades médias. É o que revela estudo sobre o PIB dos municípios divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são de 2008, mas foram divulgados só agora pelo IBGE.
Na comparação entre 1999 e 2008, o grupo das 37 cidades brasileiras com população superior a 500 mil habitantes perde 3 pontos percentuais na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Já os municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes elevam em 2,5 pontos percentuais sua participação.
O grupo com cidades onde residem entre 20 mil e 100 mil pessoas aumenta seu peso em 0,4 pontos percentuais e aquelas cuja população não chega a 20 mil habitantes ganha 0,1 ponto percentual no período.
No entanto, a centralização da riqueza ainda é grande. De acordo com o PIB dos municípios, em 2008, a renda gerada por seis municípios equivalia a 25% de toda a riqueza produzida no país. São Paulo-SP é o primeiro da lista (com participação de 11,8% no PIB), seguido de Rio de Janeiro-RJ (5,1%), Brasília-DF (3,9%), Curitiba-PR (1,4%), Belo Horizonte-MG (1,4%) e Manaus-AM (1,3%).
Juntos, os 51 municípios de maior renda representavam a metade do PIB e 30,6% de toda população brasileira. Do outro lado da moeda, somados os 1.313 municípios com menor participação relativa chegava-se a 1% do PIB e 3,4% da população; 76% dos municípios do Piauí e 60% dos da Paraíba estavam nessa faixa.
Dependência das capitais - O estudo indica que, de maneira geral, as regiões Norte e Nordeste são mais dependentes de suas capitais do que as demais regiões do país.
No Estado do Amazonas, por exemplo, a capital Manaus respondia, em 2008, por 81,4% da renda estadual. O Amazonas revela-se ainda detentor da maior concentração espacial de renda do país, já que Manaus e as outras quatro maiores cidades do Estado participavam com 88,1% do capital de todo o Estado.
Considerando as cinco maiores cidades de cada Estado, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os que possuem as menores concentrações espaciais de renda, com 35,5%, 36% e 36,7%, respectivamente.
No Rio de Janeiro, a capital vem diminuindo seu peso no PIB do Estado em função do desenvolvimento de outras regiões, como o norte fluminense.
Entre 2004 e 2008, a participação relativa da capital fluminense na economia estadual caiu de 50,5% para 45,1%. Consequentemente, a participação relativa do município do Rio no PIB nacional também recuou. De 5,8% em 2004, o índice foi para 5,1% em 2008.
2 de setembro de 2010 às 13h01min
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou ontem que 7,9% dos domicílios do Piauí tinham computadores com acesso à internet.
Esse índice só é mais baixo no Maranhão, onde 7,8% da população tinham computadores com acesso à internet.
No Ceará, esse índice é de 11%.
A situação do Piauí já foi pior em relação ao acesso à internet.
Em 2000, apenas 1,5% dos domicílios tinham computadores com acesso à internet.
Você é maranhense? Ficou com vergonha? Então, vai, vota na Roseana Sarney.
11 de agosto de 2010 às 17h11min

100 milhões de brasileiros nesta condição
Doutor em ecologia pela Universidade de Montpellier, na França, e pesquisador há três décadas da estatal Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Evaristo de Miranda, de 58 anos, concedeu ampla entrevista à revista Veja, de que publico os trechos abaixo:
Qual é o maior problema ambiental do Brasil hoje?
A falta de coleta e tratamento de esgoto. Segundo dados do IBGE, quase 100 milhões de brasileiros vivem sem coleta de esgoto, que contamina os solos, corre a céu aberto e é fonte de graves doenças, responsáveis por 30% de nossa mortalidade. Do esgoto coletado, o Brasil trata apenas 10%. O resto vai direto para os rios.
Então, essa deveria ser a prioridade ambiental atualmente?
Sim. A prioridade deveria ser o saneamento básico em áreas urbanas e rurais, ampliando e melhorando a coleta e o tratamento do lixo e do esgoto, sobretudo na Amazônia e no Nordeste. Isso levaria a uma recuperação extraordinária dos rios e do litoral, de seus peixes, da flora e da fauna. Ainda garantiria a redução da mortalidade infantil e a melhoria da saúde para mais de 100 milhões de pessoas. Quantas ONGs internacionais interessadas no meio ambiente militam por essa causa ou financiam projetos de saneamento no Brasil?
O agronegócio garante ao brasileiro comida barata. Segundo o levantamento que o senhor fez no Embrapa, legalmente não há mais espaço para expandir a agricultura no Brasil. Por que a agricultura é considerada vilã do meio ambiente no Brasil? Faz sentido essa visão?
Não faz o menor sentido. O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 47% de energia renovável, em que 29,5% vêm da agricultura. A cana-de-açúcar gera hoje mais energia – graças ao etanol e à produção de energia elétrica nas usinas com o bagaço – que todas as hidrelétricas juntas. A produção de alimentos está aumentando há trinta anos principalmente devido ao aumento da tecnologia e não à expansão de novas áreas de plantio. As cidades, sobretudo as grandes, são as maiores vilãs do meio ambiente, por sua demanda de recursos, pelo consumismo, pelo desperdício e por todos os impactos qualitativos e quantitativos que geram.
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1 de agosto de 2010 às 10h32min
Megaoperação orçada em R$ 1,68 bilhão conta com 190 mil recenceadores

Presidente do IBGE Eduardo Nunes
Os 190 mil recenseadores contratados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciam o trabalho de coleta de informações para o Censo 2010 neste domingo, em uma megaoperação orçada em R$ 1,68 bilhão e que visitará 58 milhões de domicílios. O IBGE vai divulgar a quantidade da população brasileira dia 27 de novembro. Essa será a primeira informação a ser divulgada do Censo 2010.
Planejamento
Durante seminário para jornalistas, o presidente do órgão, Eduardo Pereira Nunes, disse que a informação será repassada para o Tribunal de Contas da União (TCU), que calculará o repasse de recursos do governo federal para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A distribuição é feita de acordo com o número de habitantes de cada município.
O restante dos dados do Censo 2010 serão divulgados a partir de 2011. Esta edição inclui perguntas sobre cônjuges do mesmo sexo, etnia e língua indígena, disponibilidade de luz elétrica, tempo de deslocamento para o local de trabalho, disponibilidade de internet e de telefones celulares. Para traçar um retrato da população brasileira, estimada pelo IBGE em 191 milhões de pessoas, o censo inclui questões sobre condições habitacionais e socioeconômicas como raça, religião, trabalho e renda, deficiência, além de fecundidade.
As divulgações dos dados da pesquisa deverão prosseguir até 2012. Os técnicos do instituto dedicaram três anos de preparação para o início dos trabalhos. O Censo anterior foi realizado em 2000 e contabilizou uma população de 169,8 milhões de habitantes. A primeira pesquisa desse tipo havia sido realizada pela instituição em 1872, quando o País somava uma população de 10,1 milhões de pessoas.
Não responder ao Censo é crime previsto em lei e a novidade deste ano é que aqueles que passam muito tempo fora de casa poderão optar pelas respostas na internet. Porém, até para essa opção será necessário um contato com o recenseador, que vai ser responsável pela entrega de um envelope lacrado, com prazo de utilização. Caso o internauta não cumpra a data estipulada, o profissional contratado pelo IBGE vai retornar ao local e insistir na entrevista presencial.
De acordo com a Lei número 5.564, de 14 de novembro de 1968, a não prestação de informações nos prazos fixados gera multa de até 10 vezes o maior salário mínimo vigente no País. Ficará dispensado do pagamento da multa, porém, o infrator primário que prestar informações no prazo fixado no auto de infração. Nunes disse que a intenção do IBGE não é punir e sim contar com a colaboração da população. Para isso, serão veiculadas, a partir deste semana, propagandas de esclarecimento sobre a operação censitária nos veículos de comunicação do País.
Coleta de dados
O trabalho de coleta de dados será realizado até o dia 31 de outubro. Um único morador poderá fornecer as informações por todos os moradores dos domicílios, em questionários que terão de 37 a 108 quesitos. Os recenseadores podem ser identificados pelo uso de um colete especial, no qual estará fixado um documento de identificação e o logotipo do Censo, além de um boné e o material eletrônico de mão para a realização do questionário. Em caso de dúvida, é possível confirmar a matrícula do recenseador pelo telefone: 0800 7218181.
Em áreas de difícil acesso, como favelas e áreas indígenas, o instituto buscou contratar profissionais que moram nesses locais, para facilitar a coleta de informações. Segundo Nunes, o procedimento adotado para o Censo na área de favelas é o mesmo que vem sendo adotado com sucesso em outras pesquisas domiciliares realizadas pelo instituto.
Há também casos especiais como as 68 cidades afetadas pelas enchentes em Alagoas e Pernambuco. Nunes explica que o instituto está avaliando como fará o recenseamento nesses locais, inclusive identificando as pessoas que trocaram de endereço por causa dos problemas causados pelas chuvas. Em todo o País, o trabalho dos recenseadores poderá se estender pelo horário noturno e finais de semana, dependendo da peculiaridade de regiões e domicílios a serem visitados.
Campanha publicitária
A partir de hoje, veículos de comunicação do País vão exibir uma campanha publicitária com objetivo de informar a população sobre o Censo 201o. Por meio de licitação, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) selecionou a agência Youg & Rubicam para a elaborar a campanha “Você responde, o Brasil corresponde”. As peças para jornal, revista e televisão custaram R$ 30 milhões do orçamento de R$ 1,6 bilhão destinado para o censo.
Além das campanhas publicitárias, para mobilizar a população, o IBGE conta com o auxílio das comissões censitárias estaduais e municipais, formadas por representantes do instituto, lideranças comunitárias e entidades representativas da sociedade civil.
*Com informações da Agência Estado e Agência Brasil
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