Blog do Kenard – Notícias e Análises

4 de fevereiro de 2012 às 12h55min

Morre o jornalista Udes Cruz

Certas notícias não deveríamos dar nunca. A morte do jornalista Udes Cruz, a quem conhecia desde os 18 anos, é uma delas. A partir dali ele se transformou numa espécie de anjo da guarda para mim nas redações que trabalhamos juntos. Até hoje não conheci ninguém mais solidário.

Não tenho condições de continuar a escrever a respeito do irmão que acabo de perder. O silêncio, agora, é a única forma de respeito e homenagem que encontro. Leiam abaixo a lamentável notícia:

Jornalista Udes Cruz

Udes faleceu na madrugada deste sábado (04), na UTI do Hospital Aliança, vítima de parada cardíaca. Ele se encontrava internado desde o dia 23 de dezembro, quando chegou ao hospital com uma grave crise renal.

Udes Cruz tinha 60 anos. Foi fundador do jornal Atos e Fatos, foi diretor de Comunicação da Câmara de São Luís e secretário de Comunicação no Governo José Reinaldo Tavares.

O corpo está sendo velado na Central de Velórios no Centro de São Luís e o sepultamento acontece ainda neste sábado, às 17h, no cemitério Parque da Saudade.

4 de fevereiro de 2012 às 12h11min

Edivaldo Holanda Júnior dá os primeiros passos
para se viabilizar candidato a prefeito de São Luís

O deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC) começou a dar os primeiros passos na direção da candidatura a prefeito de São Luís. Até aqui silencioso, Júnior movimentou-se na semana que termina: esteve em conversa com Flávio Dino (PCdoB), com o deputado estadual Marcelo Tavares (PSB) e com o presidente do PPS, Paulo Matos.

Vai conversar também com Roberto Rocha (PSB), Tadeu Palácio (PP), Eliziane Gama (PPS) e José Reinaldo Tavares (PSB).

Em 2010 Edivaldo Holanda Júnior teve 70 mil votos só em São Luís e elegeu-se deputado federal. Ele era vereador. O pai, Edivaldo Holanda, porém, não conseguiu se eleger deputado estadual.

As visitas são a grande novidade da semana que termina. Os meios de comunicação (blogues incluídos) até aqui não haviam dado importância a uma possível candidatura de Júnior. Ele, na verdade, fez por onde: não tem participado nem se manifestado sobre o tema.

Tudo indica que o cenário começa a mudar. E a complicar.

Segundo informações passadas ao blog, o ex-governador José Reinaldo Tavares prossegue com a tese de que o melhor para a oposição ao Esquema Sarney é uma ampla aliança com o prefeito João Castelo (PSDB). O que evitaria o desgaste, sem resultado previsível, de um embate com as máquinas estadual e municipal. Sem falar nas manifestações do poder federal.

Flávio Dino trabalha com a perspectiva de uma candidatura que saia do PTC, PP, PSB e PPS. Ele descarta a possibilidade de vir a se candidatar a prefeito de São Luís. O projeto seria a eleição de governador, em 2014.

A mesma fonte garante que o ex-prefeito Tadeu Palácio estaria disposto a abrir da candidatura apenas para Flávio Dino. Palácio não vê em Júnior, por exemplo, um figurino oposicionista. Resta saber se Roberto Rocha estaria disposto a abrir mão do projeto pessoal em nome da candidatura de Júnior.

A próxima semana promete.

27 de janeiro de 2012 às 10h35min

Roseana vai conseguindo o que deseja no TRE-MA.
A oposição decidiu ficar olhando a banda passar

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.

O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.

Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.

Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.

Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.

Suspeição

Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.

Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?

E a oposição com isso?

O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.

Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.

Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.

Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura  ao caso?

Burocratização da política. Despolitização da politica.

Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.

PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar. 

 

24 de janeiro de 2012 às 12h33min

Oposição pode e deve ser criticada.
Resta saber como e por quem

O leitor Luciano envia comentário que vale ser publicado e respondido aqui no espaço das notícias e análises. Eis o que ele escreveu:

“Kenard, eu estou longe de concordar com os Sarneys, mas nossa oposição não tem méritos, é incapaz de apresentar projeto para o Maranhão e por lá ninguém se entende, não há união, lamentavelmente.”

Comentário do Blog: Caro Luciano, quando vejo cobrarem da oposição dessa forma, só tenho a pensar: ou o sujeito é politicamente ingênuo ou faz-se passar por oposicionista, quando na verdade está (ou pretende estar) de corpo e alma no Esquema Sarney. Como acabei de dizer, cobrar dessa maneira. A oposição, evidentemente, não está acima de críticas. Mas há críticas e críticas, como elas soam e de quem partem, não é mesmo? E é muito fácil de explicar. Vejamos.

1) Projeto para o Maranhão – Desde quando o Esquema Sarney tem um projeto para o Maranhão? Tivesse, o Maranhão não estaria a amargar, por 46 anos, os piores índices sociais do país, não é verdade? Assim, primeiro deve-se cobrar projetos para o Maranhão de quem está no poder, sobretudo por 46 anos. Agora o seguinte: quem foi que disse que a oposição não tem projetos para o Estado? Pois tem, saiba, afinal tentar afastar do poder a última oligarquia do país é, em si, um projeto, incomensurável projeto. As portas, convenhamos, estarão abertas para projetos para o Estado e não para uma única família. Claro, também, que projetos outros há. Na eleição de 2010 vários foram apresentados no horário da propaganda eleitoral. E ainda seguem sendo apresentados, diga-se. Vê quem quer.

2) Desunião da oposição – Difícil imaginar que onde se reúnem quatro pessoas não existam divergências. E até mesmo projetos pessoais. Projetos pessoais só são danosos quando estão acima dos interesses comuns. Ao falar que na oposição ninguém se entende você exagera, sejamos sinceros. Por acaso você acredita que no Esquema Sarney todo o mundo é freira? Pois o que não há por lá é santo, meu caro. Os engalfinhamentos são diários, não pense que manter um grupo imenso em torno do poder é coisa fácil. José Reinaldo Tavares, quando governador, relatou-me uma conversa que teve com Sarney, na disputa pelo governo em 2002. Disse-lhe Sarney: “Não se preocupe com a oposição, tome cuidado com os aliados”.  Compreendeu? Uns exemplos atuais: você acha que Ricardo Murad morre de amores por Luís Fernando? Que Max Barros adora Chiquinho Escórcio? Você precisa ter a compreensão do seguinte: eles se detestam, mas precisam estar unidos por conta do poder, do osso por roer. Eis a diferença indiscutível.

Bom, para encerrar, digo-lhe o que penso de seu comentário: é coisa típica de quem está louco para aderir, mas ainda está envergonhado. Na minha opinião, seria melhor perder o pudor e assumir seu lado sarneísta, afinal ninguém é obrigado a ficar com este ou aquele grupo. Já fazer o papel de oposicionista indignado com a oposição, quando a verdade é outra, lhe cai muito mal, porque deixa ver a ponta de um caráter torto.

Reflita, Luciano.

PS: Meu caro, grave é a situação do Estado. Escolas estão sendo fechadas, a insegurança e a violência subiram grotescamente e a saúde é pura propaganda enganosa. Isso merece reflexão e críticas. Mais tarde postarei análise aqui. Ah, enquanto tudo isso de ruim acontece no Maranhão, Roseana Sarney pegou a família e de férias para Paris.

21 de janeiro de 2012 às 10h14min

Washington Luiz quer afastar juiz sem ligações com
a oligarquia do processo de cassação de Roseana Sarney

Ontem, 20 de janeiro, às 9h46, o vice-governador Washington Luiz protocolou uma petição (processo 1974/2012) no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE), em que pede que a carta de ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) volte ao juiz Sérgio Muniz. Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, secretário-adjunto da Casa Civil do governo de Roseana Sarney.

Após as eleições de 2010, o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) entrou com o pedido de cassação do mandato de Roseana Sarney (PMDB) e de seu vice, Washington Luiz (PT), por abuso de poder econômico e outros ilícitos eleitorais.

Os advogados da governadora entraram com o pedido para que fossem ouvidas 12 testemunhas de defesa. O TSE, então, determinou que o Tribunal Eleitoral do Maranhão ouvisse as testemunhas no prazo de 60 dias. No dia 01 de setembro de 2011, a carta de ordem do TSE (PET Nº 27311 – TRE/MA) chegou ao juiz Sérgio Muniz.

Quando o prazo para ouvir as testemunhas estava prestes a expirar, Sérgio Muniz, que havia passado 58 dias sem dar qualquer despacho ao processo, estranhamente descobriu que faltavam alguns documentos vindos do TSE. Não marcou audiência e devolveu o processo ao Tribunal Superior Eleitoral.

O TSE determinou o retorno da carta de ordem ao TRE do Maranhão, que foi redistribuída ao juiz federal Nelson Loureiro. No dia 14 de dezembro de 2011 Loureiro designou a audiência para o dia 27 de janeiro.

O juiz federal Nelson Loureiro é independente, como de resto deveriam ser todos os juízes. Essa independência tem causado calafrios na oligarquia Sarney. Daí que o vice-governador Washington Luiz queira que o processo volte para as mãos do juiz que é filho de secretário-adjunto do Governo Roseana Sarney.

Washington Luiz aderiu à oligarquia Sarney, oficialmente, em 2010, mas demonstra que aprendeu rapidamente os métodos dos novos parceiros.

 

17 de janeiro de 2012 às 13h34min

Petista pró-oligarquia Sarney expõe
as mazelas do Governo Roseana e
mostra que acordo beneficiou só Washington

Transcrevo abaixo artigo de Mundico Teixeira, figura de proa do petismo maranhense, que me foi enviado por e-mail. Ao final, o Comentário do Blog:

A gestão do governo PMDB-PT do Maranhão: impasses e dilemas

Por Mundico Teixeira

A aliança vitoriosa entre PT e PMDB em 2010 foi extremamente debatida na sociedade maranhense, com amplo espaço para o contraditório, e mesmo não saindo como cada militante desejava, tendo em vista o peso que a conjuntura local e nacional exerceu no processo, ainda assim o saldo positivo foi suficiente para determinar a vitória logo no primeiro turno em nosso Estado e a maior votação em termos proporcionais para a presidenta Dilma no Maranhão. O que os petistas e a sociedade como um todo esperavam é que aquela aliança também se estendesse ao governo, com o jeito PT de fazer, especialmente com a participação efetiva das organizações sociais.

No período da pré-campanha, em negociações com o PMDB e com a participação da Comissão Executiva Estadual,  foram disponibilizadas ao PT quatro secretarias, reduzindo-se a duas após o encontro de tática eleitoral do PT em 26/03/2010, sendo estas a Secretaria de Educação e a Secretaria de Desenvolvimento Social. Entretanto, no final das eleições de 2010, de forma extremamente objetiva o governo pediu a substituição do secretário de educação diretamente ao vice-governador eleito, por se tratar de indicação de sua chapa no PT, e este, por falta de nomes petistas que fossem aceitos, devolveu a secretaria ao governo.  Na Secretaria de Desenvolvimento Social, o secretário petista foi destituído antes mesmo de o novo governo iniciar-se.

Já na nova gestão, eleita legitimamente, o papel do PT passou a ser sobretudo secundário, apesar de sermos o partido da Presidência da República, do vice-governador, com três deputados estaduais, um deputado federal, nove prefeitos e 94 vereadores. Não estamos conseguindo, neste um ano de governo,  influenciar ou sequer sermos ouvidos com o nosso jeito PT de ser na educação, no desenvolvimento agrário, no desenvolvimento social, na juventude, igualdade racial ou meio ambiente. Em outros termos, não estamos contribuindo efetivamente com o governo como deveríamos.

Na Educação ainda não conseguimos encontrar um caminho que aponte para soluções que possam modificar em curto, médio ou mesmo longo prazo os resultados desastrosos dos indicadores educacionais dos últimos anos, os quais têm nos relegado aos últimos lugares do ranking nacional. E aqui, no meu ponto de vista, existe uma causa central para este sério problema: como se trata da secretaria com a maior fatia do orçamento do estado, os interesses que predominam são de origem financeira, geralmente indiferentes aos propósitos de uma educação com qualidade.

Em geral, estes interesses se evidenciam por suas práticas polifisioclientelistas ao transformarem as unidades regionais de educação em simples escritórios políticos de grupos familiares regionais, sem nenhum compromisso com os interesses da sociedade, usurpando do contribuinte comum a oportunidade de, pela educação, mudar e transformar a sua realidade e a de seus filhos para melhor.

Não consigo, mesmo com todo o esforço que faço para isso, ver saída para educação sem a participação efetiva dos educadores, e aqui não falo de um educador qualquer e sim dos militantes da causa da educação, pois, se o governo se debruçasse sobre a tarefa de mobilizá-los e partilhar com os mesmos as responsabilidades que são de toda sociedade, grande parte de nossos entraves estariam solucionados.

Na questão agrária não temos como tergiversar sobre a questão central e gostaria de chamar a atenção para um detalhe pouco percebido. A separação da SEDAGRO da SAGRIMA foi uma sugestão nossa do PT, logo após a governadora assumir em 2009 pós-cassação do então governador Jackson Lago. Entendemos que a agricultura familiar além de ser responsável por 70% do alimento que chega à mesa de todos os brasileiros, contribui para garantir autonomia e autossuficiência ao trabalhador do campo, o que evidentemente vai de encontro às aspirações do agronegócio. Este, baseado na monocultura, na produção em larga escala, em grandes extensões de áreas traz como consequências a degradação acelerada do meio ambiente, baixíssimos índices de empregabilidade e pouca responsabilidade social.

Alguns programas federais que visam fortalecer a agricultura familiar estão patinando em nosso estado, e pode-se citar como exemplo o Crédito Fundiário. Trata-se de um programa auxiliar da reforma agrária demandado pelo sistema Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTRs), CONTAG e FETAs, que permite a um grupo de trabalhadores rurais ou desempregados, há mais de cinco anos, com vocação agrícola, se associarem com fim específico, em busca de áreas de até quinze módulos Rurais (825 ha), adquiridas através de um crédito concedido pelo Governo Federal, com prazo para pagamento até dezessete anos, com dois de carência além de um infraestrutura básica(casa, água, energia e estrada sem custo para o assentado).

Este programa foi conveniado pelo Maranhão no governo Zé Reinaldo, concebido à época com o único propósito de render votos eleitoreiros e por isso foram montadas, a partir da estrutura do estado, verdadeiras quadrilhas que atuavam nas duas pontas do programa: na aquisição da terra junto aos proprietários que desejavam vender suas terras, e na organização dos grupos sem qualquer critério de seleção dos beneficiários, o que não raro se comprovava o uso de nomes de pessoas para funcionaram como laranjas das tais quadrilhas.

Na aplicação da infraestrutura continuavam os saques, obras inacabadas e, no final, o que deveria ser um ganho considerável aos beneficiários do programa acabou virando uma frustração, gerando prejuízos às organizações da agricultura familiar e a suspensão do convênio por parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre setembro e agosto de dois mil e sete, quando a corrupção atingiu o seu pico e, ate hoje, não foi possível regularizar o funcionamento de tão importante programa, apesar de dois anos e oito meses de governos Roseana.

Recentemente o diretório (DE-MA), reunido em 10/12/2011, fez análise da atual conjuntura e quase por unanimidade concluiu que não está correta a condução das relações do PT com o governo, especialmente porque estão sendo conduzidas pelo vice-governador, ocasionando um conflito de interesses, pois, sem a devida atenção, neste um ano de governo não foi possível fazer a necessária diferenciação entre os interesses do partido e os interesses do governo, um problema que depois de tanto tempo parece ser de difícil reversão.

As inquietações dos dirigentes especialmente do interior do estado se centraram no fato de sermos vistos pela sociedade como governo, mas na prática não governarmos absolutamente nada e isso nos torna alvo de demandas que não temos como responder.

A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor. Não tenho dúvidas das intenções e do desejo da Governadora, porém já se passou um ano e as mudanças necessárias para que esse governo seja o melhor de sua vida e do Maranhão não aconteceram.

Mundico Teixeira – Secretário de finanças e Planejamento do
Diretório Estadual do PT-MA

Comentário do Blog: Vejam vocês, o sarnopetismo pôs a cabeça para fora da toca. Mundico foi um fervoroso defensor da aliança do PT com a oligarquia Sarney em 2010, a carta exposta acima mostra que não mudou de opinião. Pelo documento que resolveu assinar ficamos sabendo que as coisas não ocorreram como a companheirada tão avidamente sonhava. O que vem a ser outra conversa.

Esclareça-se logo: o documento não é uma autocrítica ou muito menos um mea-culpa. Longe disso. Mundico expõe umas poucas mazelas do Governo Roseana, é verdade. No entanto, as mazelas não são o centro da questão. Mundico cobra participação no governo, cobra cargos, para fazê-lo, foi obrigado a expor o jeito oligárquico de administrar.

Repare-se que ele expõe as mazelas, cobra cargos e… diz seguir a acreditar nas palavras da governadora Roseana Sarney, que, segundo ele, foi eleita legitimamente. É “o jeito PT de ser”, que no submundo da política maranhense é conhecido como “o jeito morcego de ser”. Chupa e abana, do contrário a patroa se zanga e as reclamações não se transformam em cargos.

No seu “jeito PT de ser”, Mundico não descuida de abrir o documento dando legitimidade ao acordão entre o partido e a oligarquia. Assim, a decisão democrática – foi no voto – de apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB) em 2010 desaparece do mapa. Nunca existiu. Já a intervenção de Lula e do PT nacional, que levou o PT para o colo de Roseana, vira uma decisão “amplamente discutida na sociedade e aberta ao contraditório”. Bom, agora estou sabendo que levar o PT pelo beiço por lá chamam de discussão ampla. Mas não deixa de fazer sentido.

Já no final vem esta pérola:

“A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor”.

Das duas, uma: ou os petistas acham que todos somos imbecis a ponto de acreditar na conversa fiada de que se juntaram por conta das promessas de que a oligarquia que destrói o Maranhão seria justamente a que agora iria salvá-lo, ou são absolutamente broncos a ponto de levar a serio as palavras de Roseana Sarney que não encontram respaldo na história do Maranhão desses 46 anos de oligarquia.

Pelo “jeito PT de ser”, eis minha resposta: esses senhores, claro, nunca levaram em conta promessa tão surreal, queriam o poder. Ou nas palavras cruas de Mundico: queriam cargos. Como os cargos não vieram, nasceu a carta de Mundico.

Para finalizar, não deixemos passar em branco: quem acredita nas palavras da mais legítima representante da oligarquia Sarney é justo quem só vê corrupção nos ex-governos de José Reinaldo Tavares e Jackson Lago. Detalhe importante: no Governo Jackson Lago o PT teve ampla participação, com mais secretarias e cargos, não é verdade, deputado Domingos Dutra?

Em tempo: Roseana Sarney não tomou a Secretaria de Educação do PT. “O jeito PT de ser” é que – pasmem! – assustou a governadora, tantas eram as denúncias de corrupção. Mundico perdeu a oportunidade de dizer a frase correta: “Governadora, a senhora foi injusta com o PT, porque o que o PT fez na Secretaria de Educação os seus aliados fazem há 46 anos”. Mas não sou injusto, compreendo que Mundico não pode fazer uma cobrança segura como essa, porque aí estaria fugindo do “jeito PT de ser”, não é mesmo?

 

11 de janeiro de 2012 às 12h11min

Dia 27 testemunhas de Roseana serão ouvidas
em processo em que pedem a sua cassação

Leiam a matéria do jornalista Jorge Vieira. Ao final, o comentário do Blog:

Por Jorge Vieira

O juiz federal Nelson Loureiro, integrante do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, marcou para o próximo dia 27, às 9h, a audiência em que serão ouvidas as testemunha de defesa no processo de cassação da governadora Roseana Sarney (PMDB), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2010.

Com a realização das oitivas, a ação, por abuso de poder, começa a andar para um desfecho judicial. Entre as testemunhas arroladas estão os secretários de Saúde, Ricardo Murad (PMDB), e do Planejamento, Fábio Gondin.

Além dos dois secretários, serão ouvidos Roberval Cordeiro Silva, Remi Ribeiro Oliveira, Francisco Emiliano Ribeiro de Meneses, George Alan Ramalho Pereira, Benedito Bogéa Buzar, Raimundo Nonato Carneiro Sobrinho, Sérgio Antonio Mesquita Macedo e Hildo Augusto Rocha Neto, todos testemunhas de defesa de Roseana Sarney e Washington Oliveira, já que a ação é proposta contra ambos.

Esta deve ser a última audiência do processo, pois o autor da ação, o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), através de seu advogado, Rodrigo Lago, desistiu de ouvir suas testemunhas em função de toda a prova existente no processo ser documental.

A última audiência do processo aconteceu em Brasília, onde o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão foi ouvido no dia 21 de setembro de 2011.

As testemunhas de Roseana eram para ser ouvidas no dia 29 de novembro de 2011, mas o juiz para o qual a carta de ordem do TSE foi encaminhada, Sérgio Muniz, filho de Antônio Muniz, secretário adjunto do governo de Roseana Sarney, resolveu adiar a audiência na antevéspera, com o argumento de que faltavam alguns documentos necessários.

O adiamento da audiência foi interpretado pelos advogados do ex-governador José Reinaldo como mais uma manobra para retardar o processo em que Roseana é acusada de ter usado a estrutura da administração do Estado para cooptar lideranças políticas, prefeitos e presidentes de associações de moradores para garantir sua reeleição.

Desta vez a carta de ordem do Tribunal Superior Eleitoral (PET Nº 27311 – TRE/MA) foi redistribuída ao juiz federal Nelson Loureiro, que marcou a audiência para 27 de janeiro.

Comentário do Blog: A coisa toda tem cara de pizza. A começar por um juiz que não se dá por impedido, mesmo tendo o pai no governo cuja governadora é a denunciada. Bom, o TSE, aquela instituição que vem tendo a independência necessária sendo abalada desde 2002, passou a bola para um juiz federal. Nunca ouvi falar nele. Será independente? Eis uma pergunta essencial. Sim, porque no Maranhão, como manda a gíria, está tudo dominado.

Depois tem a questão nacional. Em praticamente uma década de poder, o PT vem fazendo ministros no STF e TSE. Lula e o petismo são hoje os maiores esteios da oligarquia Sarney. Não é demais lembrar que o ministro Barbosa, no julgamento que resultou na incrível cassação do governador Jackson Lago (PDT), deu-se por impedido. Foi chamado à ribalta o não menos incrível Ricardo Lewandowski, que um leitor sagaz do blog costuma chamar de ex-advogado de porta de cadeia de PT. Não deu em outra, o TSE entregou o governo a Roseana Sarney.

Sabedor do que se passa nos porões do Judiciário brasileiro, não acredito que se venha a fazer justiça no Maranhão pela primeira vez. Mas duvido mesmo. E olha que eu gostaria de ver os nossos juízes fazendo eu queimar a língua.

Portanto, maranhenses dignos, não se iludam. Toquem as suas vidas.

23 de novembro de 2011 às 11h27min

Castelo está sendo acossado pela oligarquia. O que querem as oposições neste caso?

A oposição maranhense, me parece, ainda não atentou para um detalhe: a oligarquia Sarney quer transformar o prefeito João Castelo (PSDB) em inelegível. A famiglia Sarney, como é sabido pelo Brasil inteiro, não ganha eleição, rouba eleição. Quando não consegue roubar as eleições, trata de chamar as togas amestradas para tirar o adversário do poder. Foi assim com o governador eleito legitimamente Jackson Lago (PDT). Agora estão loucos para fazer o mesmo com João Castelo.

O pau mandado da vez é o deputado Roberto Costa, aquele que descobriu o elixir da juventude. Roberto Costa é garoto do senador João Alberto, não há quem não saiba. Como, então, fazer coro com eles?

Em 2009 o então governador Jackson Lago fez um convênio com a Prefeitura de São Luís. Roseana Sarney tirou Jackson Lago do governo com o auxílio luxuoso das togas amestradas do TSE. E imediatamente tratou de ir à Justiça buscar o dinheiro dos convênios de volta. Ninguém, até aqui, provou que os convênios eram irregulares (Roseana tem abusado de convênios, inclusive no período vetado nas eleições de 2010).

Então foi dito que o dinheiro que a Justiça prontamente (só no Maranhão mesmo!) bloqueou foi retirado das contas da prefeitura. Aqui cabem algumas considerações: 1) se quando a Justiça bloqueou o dinheiro já havia sido mudado de conta pela prefeitura, não há nenhum ilícito; 2) não há razão para criar uma CPI na Assembleia Legislativa sobre o assunto, basta que o Ministério Público procure o caminho bancário do dinheiro e 3) se é para criar uma CPI para investigar o convênio, que seja para investigar os convênios do Governo do Estado, porque aí Roseana Sarney não se sustenta no governo por dois minutos.

A senhora mimada Roseana Sarney (viu, governadora, como eu não tenho medo das ameaças de seus lacaios?) costuma se vangloriar de que em 2002 tinha um candidato com 2% das intenções de voto e ganhou a eleição. Conversa pra boi dormir. Em 2002 o candidato da oligarquia era José Reinaldo Tavares. Ele venceu as eleições graças aos convênios fraudulentos realizados por Roseana Sarney, à tramoia do primeiro-cunhado Ricardo Murad e da sempre bem-vinda covardia do Tribunal Regional Eleitoral.

Merece uma CPI, já que o Ministério Público do Maranhão é um mistério público, a grana repassada para a campanha de Roseana Sarney por construtoras agraciadas, sem licitação, com a construção dos 2.965 hospitais que não saem do papel. Merece CPI os negócios feitos pelo irmão Fernando Sarney, que, mesmo quando estava sob a mira da PF, operava no governo. Merece CPI os negócios do marido Jorginho Murad, que só ocorrem quando a patroa está no governo (agora mesmo fui informado por um leitor de um novo empreendimento de Jorginho Murad, estou nos fins da apuração, aguardem). Merecem CPI as viagens do oligarca nos helicópteros do Estado, enquanto pacientes entre a vida e a morte aguardam pela viagem do senhor de Curupu.

Então, é aquilo que eu venho dizendo há anos: quem na oposição trabalha pelo enfraquecimento de Castelo está fazendo o jogo da oligarquia Sarney. Ou a oposição toma vergonha na cara e aprende com os incontáveis erros que vem cometendo, ou, no mínimo, será conivente com a derrota da oposição em 2012.

8 de outubro de 2011 às 13h34min

Igor Lago atira no PDT, nas
oposições e vai ao cinema

Uma coisa tirava o ex-governador Jackson Lago (1934-2011) do sério: a exposição das brigas e disputas internas do PDT.

Igor volta a chutar o balde político

O filho e atual presidente do PDT, Igor Lago, pensa diferente. Desde que assumiu a direção do partido tem feito uso de uma metralhadora giratória que tem feito vítimas somente no PDT e nas oposições.

Hoje Igor Lago usou mais uma vez o jornal O Estado do Maranhão, dos Sarney, como palanque para suas diatribes.

Disse coisas como:

“O PDT não sentou para negociar ou fechar acordos políticos para as eleições de 2012″. (O partido tem seis secretarias e um rosário de cargos no governo João Castelo (PSDB), prefeito de São Luís).

“Não sei de nada oficialmente, assim como a maioria da comissão. Se houve negociação  de cargos em troca de apoio, não foi compartilhado no PDT”. (Refere-se ao acordo que fez o suplente de deputado federal, Weverton Rocha, assumir o mandato, com a licença de Carlos Brandão, presidente estadual do PSDB).

“Na verdade, na política maranhense não interessa nem ao grupo Sarney, nem ao prefeito João Castelo e nem ao ex-governador José Reinaldo e seu pupilo, Flávio Dino, que o PDT se fortaleça novamente. O que querem é que o PDT figure no cenário nas mãos de poucas pessoas com baixa estatura moral e política”. (Quem trabalha com palavras deve ser atento às palavras. O recado veio em forma de trocadilho (baixa estatura), entenda quem quiser. Com a declaração Igor Lago chuta o balde político e insula o partido. Se toda a oposição quer afundar o PDT, o PDT vai fazer política com quem? Com o PV de Sarney Filho?).

Desde o começo da semana recolho informações do barco sem rumo em que se transformou o PDT. Caciques do partido, que eram da confiança de Jackson Lago e fundadores do partido, reclamam no escurinho das conversas. E trabalham para mudar o que consideram “falta de traquejo político” de Igor Lago.

Há, por exemplo, no partido quem deseje a médica Clay Lago, viúva de Jackson Lago, como presidente no lugar de Igor. Como existe um grupo que é a favor do comando ficar com o deputado federal Weverton Rocha. A favor deste, há agora o mandato e sua estreita ligação com o presidente nacional do PDT licenciado e ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

As sucessivas entrevistas de Igor Lago, como dizem os pedetistas, “expondo as tripas do partido”, o vão isolado cada vez mais.

O embate – diz um pedetista de estatura mediana, que preferiu o anonimato – não está começando. “O embate pode estar ganhando um ponto final”.

É aguardar.

 

29 de setembro de 2011 às 00h28min

Flávio Dino lidera disparado corrida sucessória no Maranhão

Leiam abaixo a matéria publicada no portal O Vermelho, do PCdoB. Logo depois há o comentário do blog:

O presidente da Embratur, Flávio Dino, lidera a corrida sucessória estadual com larga vantagem sobre os seus concorrentes. É o que revela pesquisa estadual realizada pelo Instituto Amostragem no período de 16 a 19 de setembro. Na média apurada Flávio Dino ostenta um índice de 57,9% das intenções de voto dos maranhenses. Ele também é apontado por 44,31% dos entrevistados como o nome que vai ganhar as eleições de 2014.

No primeiro cenário de confronto direto Flávio Dino obtém 61,62% das intenções de voto, contra 25,46% dados ao ministro Edson Lobão. Se o adversário for o secretário Luís Fernando, Flávio Dino vai a 64% contra 15,15% do adversário. E se a candidata fosse Roseana Sarney, que não poderá concorrer, Dino também venceria com 58,85% contra 26,31%.

Num cenário de maior pulverização das candidaturas, com 5 nomes concorrendo, Flávio Dino também teria uma grande vantagem sobre os concorrentes, chegando a 48,15% das indicações dos entrevistados.
De acordo com os 1300 eleitores pesquisados em 40 municípios o melhor para o futuro do Maranhão é apostar num candidato que “represente a mudança e a renovação”. Já para 15,62% o melhor é alguém que represente a continuidade do trabalho realizado pelo “Grupo Sarney”. A pesquisa identificou ainda que para 76,85% do eleitorado, Flávio Dino representa a mudança e a renovação; e 69,31% avaliam que Edson Lobão representa a continuidade do Grupo Sarney.

Rejeição – Edson Lobão lidera no índice de rejeição, que é de 30,54%. Já Flávio Dino, diz a pesquisa, tem 6,38% de rejeição, menor índice entre todos os nomes listados. Luís Fernando ficou com 17% de rejeição.

Comentário do blog: Já havia divulgado a pesquisa do mesmo Instituto para prefeito de São Luís. Nela Flávio Dino aparecia com larga vantagem. Agora sai uma pesquisa para governador. Flávio Dino volta a aparecer com larga vantagem.

Claro que uma pesquisa hoje para medir a disputa de 2012 tem valor quase zero. Para a disputa de 2014 beira o sem-sentido.

Por que o PCdoB (e particularmente Flávio Dino, que é inteligente) contratou as duas pesquisas?

Vi dois tipos de respostas: 1) a de quem torce pela oposição e faz questão de deixar os olhos em casa (esses confundem o desejo com a realidade) e 2) a dos histéricos blogueiros do sarneísmo (eles não deixam os olhos em casa, andam com eles, mas não são mais os donos dos olhos).

Por fim, Sinhazinha Roseana tratou de falar da pesquisa. Quando ela resolve falar de política a base de aluguel treme nas pernas. Ia dizer: e a oposição adora. Então lembrei que no Maranhão não há oposição.

E o que disse Sinhazinha Roseana? Que os números não querem dizer nada, porque em 2002 o candidato dela (quis dizer: José Reinaldo Tavares) tinha 2% e ganhou a eleição no primeiro turno. O que Sinhazinha não explicou: o primeiro-cunhado Ricardo Murad foi candidato, mas deixou de ser, numa das maiores palhaçadas já protagonizada por um político que se passava por oposição (depois ele ganharia o prêmio: a Gerência Metropolitana), o TRE tratou de mostrar que não merece respeito e fez a sua lambança habitual. Para não falar dos convênios absurdamente eleitoreiros e outros ilícitos mais.

Volto à pergunta: por que o PCdoB fez as duas pesquisas com tanta antecedência?

Quero crer que faça parte de estratégia eleitoral. Flávio Dino até aqui tem dado a entender que não quer ser candidato a prefeito de São Luís, com uma ressalva: se não houver jeito, sairá candidato.

Com essa fórmula inteligente ele tem conseguido segurar os aliados na oposição, afinal os que desejam ser candidatos sentiam que poderiam ter o apoio dele, Dino.

E a pesquisa estadual? Vai pelo mesmo caminho. A pesquisa municipal lhe aponta como favorito e a estadual diz que, ainda que venha a ganhar a eleição de prefeito de São Luís, deverá sair candidato a governador. Isso também garante aliados, uma vez que todos vão disputar a vaga de vice-prefeito, certos de que após dois anos assumirão a prefeitura.

Posso estar enganado? Posso, claro. Mas não vejo explicação mais razoável do que essa para duas pesquisas com tanta antecedência. Mais: sendo amplamente divulgadas.

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