7 de junho de 2010 às 00h44min
O grande problema de Serra, nesta eleição, diferente do que dizem os chamados analistas políticos, não é Dilma Rousseff nem Lula. É o que vou tentar demonstrar.
O problema é que PSDB e PT não carregam as diferenças que fingem possuir. Acreditam nelas os ingênuos (se é que isso existe) do poleiro de cada um desses partidos. Fazem questão de espalhar as falsas diferenças os militantes e a esquerda remunerados.
Basta observar a dificuldade de Serra para construir um discurso de oposição. Em 2002 o candidato Lula, que prevaleceu justo sobre Serra, não dizia uma palavra de elogio aos oito anos de Fernando Henrique Cardoso. Muito embora soubesse de pontos positivos. Serra dobra cada esquina quase a mendigar que o considerem um ativo membro do lulo-petismo.
Não há exemplo, no mundo, de candidato vitorioso com uma tática indigente dessa ordem.
Mas, o que causa isso?
Engana-se, no meu entender, quem procura o óbvio: a alta aceitação do Governo Lula. Como diria Nelson Rodrigues, isso é apenas um detalhe.
Com o fim do mandato de Lula, serão 16 anos de PSDB e de PT. No campo ético e administrativo, nenhuma diferença de porte. Ao contrário, o que foi realizado na área econômica e na área dos ilícitos não recebeu sequer denominação diferente.
Quando dois partidos políticos são tão próximos nos acertos e nos erros, só pequenas diferenças fazem a diferença. FHC venceu Lula e se reelegeu porque o Real (vale dizer, a economia) fez a diferença. Lula prevaleceu sobre Serra porque FHC tinha descuidado da classe média. Dilma agora ameaça Serra porque o governo soube levar adiante os ganhos da época de FHC.
Mas, tanto FHC como Lula se acomodaram sobre o feijão com arroz econômico. Nenhum dos dois governos (portanto, nem PSDB nem PT) tratou de inovar, de arriscar. O Brasil tem 16 anos de bonança econômica (deixando de lado as crises enfrentadas por FHC e as por Lula, que não desestruturaram o país) e não fizemos uma revolução na educação e na saúde, pontos nevrálgicos de um país que economicamente não pode mais ser considerado periférico. Como nenhum dos dois governos deixou cair o cutelo sobre a corrupção. Ao contrário: as figuras retrógradas da República que estiveram em destaque no Governo FHC estão agora em destaque no Governo Lula.
Politicamente, trata-se de uma mera disputa por poder.
A única diferença, para desespero de Serra, é que este não conta com um cabo eleitoral muito bem avaliado pela população e com a força da máquina.
O resto é sigla.
5 de junho de 2010 às 20h45min
Matéria do jornalista Fernando Rodrgues
seguida de comentário do Blog do Kenard
O jornalista e consultor Luiz Lanzetta pediu hoje desligamento da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) a presidente. A sua empresa, a Lanza, era usada até agora pelo PT para contratar a maioria dos integrantes da equipe de comunicação dilmista.
Hoje de madrugada, depois de ler uma entrevista do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa à revista “Veja”, acusando-o de ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos, Lanzetta oficializou sua saída enviando uma carta a Helena Chagas, coordenadora da assessoria de imprensa de Dilma.
À Folha Lanzetta negou ter proposto a montagem de um esquema de espionagem contra tucanos. Apesar das acusações, disse ter ficado aliviado com a entrevista de Onézimo. Assumiu toda a responsabilidade pelo episódio. “Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora”.
A reunião à qual Lanzetta se refere foi um encontro no dia 20 de abril, no restaurante Fritz, em Brasília. Além dele próprio, estavam presentes outras quatro pessoas: o delegado Onézimo, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (sargento da reserva e ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica) e Benedito de Oliveira (empresário de Brasília com boas ligações no governo petista).
Segundo Onézimo relatou à “Veja”, no encontro no Fritz foi feita uma proposta de operação de espionagem de adversários políticos do PT. Lanzetta nega: “O importante disso tudo é que há duas coisas que se confirmam. Primeiro, os cinco dizem que não houve negócio. Segundo, dos cinco presentes só um diz que eu propus algo para ele. Os outros relatam que algo foi proposto a nós”.
Lanzetta relata o que teria ouvido de Onézimo: “Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba [deputado federal pelo PSDB do Rio e ligado a José Serra, pré-candidato tucano a presidente]. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram. Falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito”.
Lanzetta exime de responsabilidade todos os integrantes da cúpula petista nesse episódio do restaurante Fritz. Nega também que seu principal contato na direção da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, soubesse do encontro previamente.
Comentário do blog: Após essa abertura, o jornalista Fernando Rodrigues apresenta trechos da entrevista com Lanzetta. Não vale repetir aqui os trechos. Vale alguns comentários. Em primeiro lugar, é impossível acreditar na conversa de Lanzetta. O PT tem histórico nesse troço de aloprados procurarem dossiê. Segundo, tanto Fernando Rodrigues quanto o jornalista Josias de Souza, ambos da Folha de S. Paulo, não atentaram para um detalhe: o blog chamado “Amigos do Presidente Lula”, que deve ser feito também por aloprados, nem bem saiu a primeira entrevista em Veja sobre a tentativa de espionagem da vida de José Serra, publicou matéria, com foto, sobre a filha do tucano. Essa história, se for levada adiante, apresentará mais coisas escabrosas. O delegado diz que foi contatado para fazer espionagem. Mas o blog que publicou denúncias contra a filha de Serra deixa no ar o seguinte: o dossiê pode ter sido, sim, iniciado, mas, por algum problema (falha no apagamento do acertado?) parou e o delegado tratou de contar a verdade (pelo menos até onde não o incrimine). Há a necessidade de a imprensa digna investigar isso a fundo. Que aí tem, tem.
2 de junho de 2010 às 13h25min
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, atribuiu nesta quarta-feira, 2, a existência de um suposto dossiê contra ele à sua adversária, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. O tucano relembrou ainda outros casos de dossiês contra o PSDB que vieram à tona em eleições passadas. “A principal responsabilidade por esse novo dossiê é da candidata Dilma Rousseff. Disso eu não tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini”, disse Serra, ao participar de evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no centro da capital paulista.
“O PT tem uma longa tradição nesta matéria, então caberá a ele explicar o que aconteceu”. Questionado se o surgimento de notícias sobre este novo dossiê seria um sinal de que a campanha começa mal, o tucano respondeu: “Isso está dito.” Reportagem publicada na última edição da Revista Veja relata que um grupo dentro da campanha teria ensaiado a produção de um suposto dossiê, cujo alvo principal seria a filha de Serra, Verônica.
Propaganda. O pré-candidato acusou o governo federal de usar materiais escolares para fazer propaganda. Sem detalhar a denúncia, Serra diz ter visto chegar às escolas estaduais de São Paulo “um calhamaço de propaganda pura”. Segundo o tucano, a confecção do material seria paga com verbas da Educação. “É do governo federal. Suponho que nenhum município de xiririca vai imprimir uma propaganda do governo federal.”
(Com informações da Agência Estado)
17 de abril de 2010 às 12h09min
Pesquisa DataFolha divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo mostra Serra com 38% e Dilma Rousseff com 28%. Marina (10%) aparece pela primeira vez à frente de Ciro Gomes (9%).
Não assinantes da Folha podem ler o resultado aqui.
9 de abril de 2010 às 09h25min
Carne seca
Dizem que Roseana Sarney não desistiu do PT. Penso diferente: o PT de Washington Luiz e de Rodrigo Comerciário é que não sossega enquanto não morder a carne seca. Parece que já vão ser servidos: comentava-se ontem que Washington Luiz vai fazer o secretário de Educação e Comerciário, o de Desenvolvimento Social.
Com a decisão do encontro de tática eleitoral de apoiar Flávio Dino (PCdoB), Washington Luiz começou a temer por sua candidatura a deputado federal. Chegou a ventilar a amigos a possibilidade de não concorrer. Portanto, aquela conversa de seguir a orientação nacional é conversa fiada.
Rodrigo Comerciário dispensa comentários. Saiu do anonimato quando Flávio Dino teve de engoli-lo como vice na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2008 (maldade atribuída na época à turma do deputado e então presidente estadual do PT Domingos Dutra). Deve gastar parte do dia contando aos vizinhos que se encontra com Roseana Sarney.
Como discordo de quem diz que Roseana Sarney está forçando a barra para ter o PT. De entrada, diga-se logo que o PT nunca foi donzela para ser assediada. Caiu na vida desde que o lulo-petismo prevaleceu.
Só na comparação com as fotos pornográficas de Lula e sua turma esses petistas podem ser chamados de donzelas. E assim mesmo por conta da ampliação das fotos. Nada mais.
Elogios
Dona Dilma Rousseff foi a Minas Gerais e tratou de elogiar o tucano Aécio Neves. Houve quem escrevesse que ela foi à terra de Tiradentes para elogiar José Joaquim Silvério dos Reis. O traidor da história. Bem que eu disse, não deixem a mulher falar.
Baderneiros
Sintomático. Foi o governador José Serra deixar o Governo de São Paulo para o sindicato dos professores encerrar a greve. Uma coisa não se pode negar: o lulo-petismo soube aparelhar toda a classe sindical. Com aquilo que eles go$tam.
Inflação
Em Porto Alegre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação deverá fechar o ano próxima do centro da meta do governo, de 4,5%. Segundo ele, os 2% acumulados desde janeiro foram puxados por aumentos sazonais (alimentos, tarifas de ônibus e mensalidades escolares) e o índice deverá cair a partir de agora. A informação é da Folha Online.
Descaso
Até o fechamento da coluna, já eram 170 os mortos pelos desabamentos no Rio de Janeiro. Por que a fúria da natureza atinge sobretudo os pobres? Simples, não podendo morar dignamente, eles se refugiam em locais de risco. Como o poder público não está nem aí, acontece o que está acontecendo no Rio.