8 de fevereiro de 2012 às 08h45min
O Maranhão carrega, sob a batuta de Roseana Sarney e do PT, os piores índices sociais do Brasil. Isso num período de tempo em que o Brasil melhorou consideravelmente alguns de seus índices sociais e cresceu economicamente. Roseana Sarney teve três mandatos quando Fernando Henrique Cardoso e Lula eram presidentes e o país atingiu se ápice social e econômico. Está no quarto, governando com o PT, e as oportunidades seguem sendo jogadas no lixo.
A insensibilidade de Roseana Sarney e do PT às questões sociais salta aos olhos. Temos três graves questões a serem resolvidas: Educação, Saúde e Segurança. São Luís completa neste ano 400 anos, Roseana Sarney e o PT fingem que esses problemas inexistem. O único problema para Roseana e o PT é engarrafamento. Virou uma obsessão.

O PT pensa como Roseana
São Luís completará 400 anos? Então Roseana e o PT tratam de construir a Via Expressa (mais conhecida pela população como Marginal Sarney). São Luís completará 400 anos? Então Roseana e o PT tratam de construir a Avenida Quarto Centenário.
Detalhe que não se pode deixar de apontar: são todas obras milionárias. Só para dar uma ideia ao leitor ingênuo: a Avenida Quarto Centenário vai custar a bagatela de 364 milhões de reais. Como se trata de Roseana Sarney e do PT, a mais profunda fiscalização sempre será pouca.
Há uma classe média, mediana e medíocre, como sempre a tratei, que acredita que uma cidade cresce sem passar pelos distúrbios dos engarrafamentos. Um nó que nenhum candidato a prefeito de São Paulo ou de Nova Iorque ousaria dizer que resolveria. Mas existem matutos em São Luís que acreditam que haverá esse prefeito milagreiro. Coisa de Jeca Tatu, por óbvio.
Para complicar, há os novos ricos, uma gente estúpida, cujo passatempo é colecionar carros e ouvir músicas de décima categoria. Estes estúpidos, analfabetos de pai, mãe e vizinhos, também acreditam que haverá um prefeito capaz de, com uma varinha de condão, acabar com os engarrafamentos.
Uns e outros esquecem: 1) a partir do Plano Real qualquer sujeito pode comprar um carro e 2) FHC e Lula não tomaram nenhuma medida para acabar com a folga do IPI, o imposto jogado na lata de lixo que possibilitou/possibilita a existência do chamado carro popular.
A existência do carro popular nasceu de um benefício para evitar a quebradeira das montadoras. Era algo para ser temporário, coisa de no máximo cinco anos. Depois disso, o governo deveria incentivar, isso sim, o chamado carro branco, ou seja, que não causa poluição.
Por razões politiqueiras, isso não foi feito. Resultado: todas as capitais brasileiras estão padecendo com engarrafamentos e estão 10 vezes mais poluídas. Um absurdo incomensurável.
Sabedores disso e movidos pelos esquemas de obras caríssimas, Roseana Sarney e o PT abandonaram tudo: só têm olhos para beneficiar carros. O homem que se lixe.
O disparate é que Roseana Sarney e o PT ainda se regozijam. Para eles, esse é o grande presente à população pelos 400 anos de São Luís.
Bom, como alguém precisa dizer que tudo isso é um grande equívoco e ninguém diz, digo eu. Tudo isso é empulhação. Safadeza da mais grossa. Se é para pensar em engarrafamento, vocês deveriam primeiro pensar em transporte coletivo de qualidade. Sem dúvida, grande parte dos usuários de carros faria uso desses meios de transportes decentes. A exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro.
Agora traga-se para a discussão um Estado como o Maranhão, que tem os piores índices sociais do país. Os problemas na saúde são um acinte, os da educação são uma aberração e os da violência ultrapassaram os limites condenáveis (não se esqueçam, hoje São Luís ocupa a 27ª colocação no índice de cidades mais violentas do mundo! Situação denunciada aqui em primeira mão, basta pegar os arquivos do blog).
Mas Roseana Sarney e o PT, que governam o Maranhão desde 2010, acham que com a construção de avenidas milionárias todos os nossos problemas estarão resolvidos.
É assim no Maranhão governado por alimárias.
5 de fevereiro de 2012 às 18h36min
Não poderia deixar de reproduzir o texto abaixo, de autoria do jornalista Reinaldo Azevedo. Aí está dito tudo que venho dizendo do PT há mais de uma década. O PT é um partido formado por sujeitos inescrupulosos (eu estou sendo gentil, reparem), cuja canalhice do Chefe Maior, Lula, é a medida moral de todos, sem exceção. Leiam:
Por Reinaldo Azevedo
Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia, então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre a greve de 2012. Mas e Lula? E Jaques Wagner?
“‘A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”
Quem fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também houve arrastões, saques etc. Lula, dotado daquela mesma moral e responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita (da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove anos e nunca mais se falou isso”.
Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!
Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.
Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a greve por intermédio de um sindicato – que nada tinha a ver com a polícia, diga-se – e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos não estão apoiando seu movimento – no que fazem muito bem!
Vejam lá que graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia em deixar a população à mercê da bandidagem?
Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo – escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari, ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco. Voltemos.
Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à dimensão utópica do socialismo – não que ela seja grande coisa: também é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é possível – muito especialmente o crime.
Eu diria mesmo que inexiste, infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!
Se o objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é, não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.
Em 2001, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.
5 de fevereiro de 2012 às 09h52min
Segue abaixo mais um artigo certeiro e de extrema importância do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vale a leitura:
Por Fernando Henrique Cardoso
Nas duas últimas semanas apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia. É inegável que está havendo uma “despolitização” da sociedade não só no Brasil, mas em geral. O “triunfo do mercado” levou às cordas as colorações políticas. Parece que tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de “malfeitos”, não há voz que ressoe contra os governos. Nos que caem em desgraça sem terem feito a “lição de casa” – sem terem gerado um “superávit primário” -, aí sim, os governos em exercício pagam o preço. Caem porque são vistos como incapazes de assegurar o bom pagamento aos mercados. Não importa ser de coloração mais progressista ou mais conservadora. Caem sem que tenha havido um debate político-ideológico que mostre suas fraquezas eventuais, mas porque o rancor das massas gerado pelo mal-estar econômico-financeiro se abate sobre os líderes do momento.
O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões. Pior ainda quando essas vozes estão roucas ou preferem sussurrar. Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior como pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição tornou-se um ato de contrição.
Mas que importa? Também era assim no período do milagre dos anos 1970, durante o regime militar. A oposição nada podia esperar, a não ser censura, cadeia ou tortura. Não obstante, não calou. Colheu derrotas eleitorais e políticas, resistiu até que, noutra conjuntura, venceu. Hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável. Só que falta, o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê?

Serra: errou em 2010
Eis o enigma. Não faltam candidatos. Ainda recentemente, em conversa analítica que fiz com uma jornalista da The Economist, ressaltei que há vários, e não só no PSDB. Neste o mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos. O isolamento em que sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória. Se o candidato tivesse expressado com mais força as suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas.
Quem sabe por este caminho se decifre o enigma: falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco, faz propaganda do que não concretizou inteiramente e coloca no altar os “vencedores”, mesmo quando estes ganham à custa do dinheiro do povo, que paga impostos cada vez mais regressivos.
Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral dominante em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas? Encarnará a mudança com a energia necessária e o desprendimento que é o motor da ousadia, arriscando-se a dizer verdades inconvenientes, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe “outro lado” e confie nele para abrir perspectivas melhores?

Aécio: fase de teste
Refiro-me aos dois por serem os mais cogitados no momento. Não são os nomes que importam agora, mas a disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública e – façamos a distinção – da opinião popular. É evidente que o governo, qualquer governo, leva vantagens, principalmente desde que o lulopetismo instalou a regra de que tudo vale para manter o poder: clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública, etc. Entretanto, também no regime militar o governo levava vantagens. Mas nós lutávamos não para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas.
A elucidação do enigma requer perseverança e coragem. Eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula porque tinha uma mensagem: a da estabilização da economia com o Real e o início da distribuição de rendas. Mesmo sem propagandear, a pobreza deixou de atingir mais de 15 milhões de pessoas com a estabilização dos preços e a política de aumentos reais do salário mínimo, que começou em 1994. Não foi fácil ganhar os apoios para pôr em ação o Plano Real, precisei brigar muito. Lula ganhou porque pregou, no início no deserto, ser ele o portador da mensagem que levaria a um mundo melhor. Perseverou, rodou o Brasil, abandonou a tribuna parlamentar e, no começo, desprezou a mídia. Mostrou-se audacioso, desprendido e generoso. Se sinceramente ou não, é outra questão: a Carta aos Brasileiros está à disposição dos historiadores para que julguem. Mas o povo acreditou.
É esta a verdadeira questão da oposição, e deveria ser a preocupação dos pré-candidatos: mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau. Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem – o discurso – para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional.
Quem o fizer terá chances de ser o candidato da oposição e, eventualmente, ganhar as eleições. Isso independe de manobras de cúpula, simpatias e interesses menores.
Não se pense que nossa realidade será sempre o que hoje parece ser: uma sociedade conformada, legendas eleitorais disputando mordomias no dá-cá-toma-lá entre governo e congressistas e a voz do governo a tonitruar como um trovão divino, a que todos se curvam prestimosos. É só mudar a conjuntura e a cena muda, se a oposição apresentar alternativas. Mesmo que não mude, nada deve alterar nossos valores e convicções. Continuemos com eles, pois “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
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Política, por Roberto Kenard
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1 de fevereiro de 2012 às 16h21min
Em editorial, ontem, o Jornal Pequeno provoca com ironia as pré-candidaturas a prefeito de São Luís. É o tema do ano.
O blog achou por bem reproduzir o editorial para gerar discussão mais ampla. Você concordar com o que é dito no editorial? Não concorda? Então participe, escreva comentários.
Abaixo, o ediorial:
O Movimento dos Sem-Voto
Depois do Movimento dos Sem-Terra e dos Sem-Teto, nasce no Maranhão com o fim de disputar a eleição municipal em São Luís, o Movimento dos Sem-Voto. Constituído de candidatos como Roberto Rocha, Tadeu Palácio, Eliziane Gama e Edivaldo Holanda Júnior, o MSV promete se unir em torno de uma candidatura única para derrotar o prefeito João Castelo.
Não foi citado Flávio Dino, porque este tem votos em São Luís, mas não ousa ser candidato. Também não foi citado Bira do Pindaré porque na disputa pelo Senado mostrou que tem carisma e popularidade bastante numa disputa majoritária para assustar velhos figurões da política maranhense. Além do que só será candidato pelo Partido dos Trabalhadores, onde está perdendo a indicação para Washington Luiz.
É uma ótima notícia para o principal artífice da candidatura de Washington, o senador José Sarney, essa união de candidatos sem voto em torno de um outro candidato que tem menos votos ainda. O vice-governador, se igualmente não tem votos em São Luís, terá a seu
dispor as máquinas do Estado e do Governo Federal, além de apoios institucionais que de alguma forma haverão de pesar nas eleições.
Como em se tratando de política nunca se sabe o que vai acontecer na próxima curva, pode ser que Flávio Dino ainda resolva ser candidato e só assim o prefeito João Castelo terá com o que se preocupar. Fora isso, ainda há as reações dos partidos que nem sempre estão de acordo com as pretensões eleitorais de seus filiados, como nos casos de Roberto Rocha e Eliziane Gama. Estão esquecendo que caberá ao povo decidir essa disputa e que a preocupação do governo Roseana é não perder o comando do estado em 2014, e isso é o que movimenta hoje as peças do xadrez político maranhense.
Uma derrota de Flávio Dino – mais uma – nas eleições majoritárias de 2012 revitalizaria o projeto de perpetuação no poder do grupo Sarney.
É daí que vêm os constantes ataques contra o presidente da Embratur. Querem irritá-lo até o ponto em que ele caia na esparrela de enfrentar as máquinas do Estado, da Prefeitura e do Governo Federal na disputa por São Luís. A novidade política chamada Edivaldo Holanda Júnior, com seus 100 mil votos para deputado federal pode até pesar na balança dos
prognósticos eleitorais, mas não tem lado, é inseguro demais, silencioso demais para quem pretende se aventurar numa disputa capaz de mudar a história política do Maranhão.
Com base no que chamou de ‘confiança da população na Prefeitura’, o presidente do PSDB, deputado Carlos Brandão, afirmou ao blog do jornalista Djalma Rodrigues que o partido não está intimidado com a candidatura do vice-governador Washington Luiz, apesar do tempo de
televisão, apoio do governo estadual, de Dilma e de Lula. De fato, o prefeito João Castelo não tem razões para temer essa candidatura. Mas o Movimento dos Sem-Voto tem sim, e é isso o que as eleições deste ano de 2012 vão mostrar.
29 de janeiro de 2012 às 21h52min
Por: Nadja Rocha
O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), criticou, duramente, neste domingo, a tentativa do governo de mudar as regras atuais para a remuneração da caderneta de poupança. O parlamentar avisou que o partido, caso a proposta seja levada adiante, fará uma campanha nacional contra a medida, que, em sua avaliação, não passa de um “confisco” aos rendimentos dos milhões de poupadores.
“É mais uma tentativa de confisco ao suado dinheiro dos pequenos poupadores, que buscam na caderneta uma maneira de salvaguarda seus recursos”, criticou Bueno.
De acordo com o jornal O Globo, entre as propostas em discussão está a idéia que foi ensaiada no governo Lula de tributar as contas de poupança com valores elevados. A outra opção seria atrelar a remuneração à taxa de juros. Com isso seria resolvido o problema da remuneração fixa das cadernetas, uma espécie de indexação que dificultando, segundo o governo, a estratégia de cortes de juros para estimular a economia.
Rubens Bueno disse que vê na manobra um atestado de incompetência na política econômica da presidente Dilma Rousseff. Ele afirmou também que a proposta de alteração da remuneração da caderneta de poupança é uma forma de o governo continuar favorecendo o mercado financeiro. ”Os banqueiros é que sairão ganhando com essa medida absurda .Os poupadores da caderneta é que vão arcar com o prejuízo”, alertou o parlamentar.
A poupança tem um retorno fixo baseado na Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano. Já os fundos de renda fixa têm um ganho de acordo com as taxas do mercado. Segundo a reportagem, o governo quer evitar ainda que os juros baixos provoquem a migração de recursos para a caderneta, se não houver mudança, ainda é um investimento seguro.
O mesmo que Collor?
O líder lembrou ainda a tentativa do então presidente Lula, em 2009, de cobrar Imposto de Renda para os depósitos acima de R$50 mil. A ideia provocou forte reação, inclusive da parte do PPS, que deflagrou campanha nacional para alertar à sociedade. “Assim como Lula, tinha Dilma terá de recuar. Não acredito que a presidente queria passar à história como uma usurpadora de poupança. Basta o (presidente) Collor”, afirmou Rubens Bueno , ao se referir à medida posta em prática no governo do ex-presidente Fernando Collor.
22 de janeiro de 2012 às 21h00min
Por Josias de Souza
Enfim, um herói. Paulo Ventura, o presidente da República ficcional de ‘O Brado Retumbante’, põe para correr os corruptos que roem o erário. Ao tratar o inaceitável de maneira impensável, diverte os políticos de carne e osso. Inspira-os a comparar o país irreal da TV com o Brasil surreal que os rodeia.
A pouca idade, a cara de galã e a fama de mulherengo fizeram de Aécio Neves uma analogia fácil. O político do país alternativo da minissérie vai ao Planalto graças a um acidente que o torna o primeiro da linha sucessória, como presidente da Câmara. Um cargo que o presidenciável do PSDB já ocupou.
Espraiou-se rapidamente uma tese conspiratória. Nessa versão, a obra de Euclydes Marinho, autor da minissérie, seria uma tentativa da Rede Globo de envernizar a imagem de Aécio. Alertado por sua assessoria sobre a fantasia, o tucano Aécio riu. “Quem me dera!”, disse.
No Brasil da ficção, o presidente ocasional é inflexível na aplicação de seus princípios éticos e maleável no manuseio do zíper. Livra-se de ministros corruptos com a mesma facilidade com que coleciona amantes. Um de seus casos é a mulher de um senador baiano. A moça é identificada no palácio pelo codinome de “bancada baiana”.
Ligado na cena, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) pendurou seu encatamento no twitter: “A bancada baiana é linda!” Rodrigo Moura, vereador baiano do DEM, replicou: “A Globo já está subliminarmente colocando Aécio Neves 2014 na Presidência do Brasil. Percebeu, amigo?”.
Lúcio contraditou: “Nada a ver, ficam procurando coincidências, mas a polêmica é bom [sic] pra Aécio.” Irmão do deputado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro frequentador assíduo do twitter, sapecou: “E quem seria a bancada baiana do Aécio?”
As tentativas de grudar o presidente Ventura no presidenciável Aécio esbarram nos fatos. No plano privado, Aécio foge da fama de namorador que estimulou no passado. Mantém com a catarinense Letícia Weber um namoro de quase cinco anos.
Na seara pública, Aécio cultiva um estilo acomodatício que contrasta com os rompantes do congênere da ficção. O senador tucano tenta pavimentar sua candidatura costurando acordos que, no Brasil idealizado da minissérie, o presidente improvável combate.
Herdeiro de um ministério podre, Paulo Ventura livra-se, já no segundo capítulo, do ministro corrupto da Justiça. Um deputado que faz dobradinha com outro personagem que açulou a imaginação da Brasília surreal. Chamam-no apenas de ‘Senador’.
Em conversa telefônica com um colega de partido, uma liderança do PMDB abespinhou-se: “Estão querendo sacanear o Sarney”. Identificou a “maldade” numa cena em que o ministro desonesto, libertado da prisão graças a um habeas corpus, reúne-se com o ‘Senador’ num gabinete do Congresso.
A petição dos advogados foi elaborada com esmero, alguém comenta. A reação do ‘Senador’ veio instantaneamente. Disse que, mais eficaz do que a peça dos defensores do aliado pilhado recebendo propina, é a boa relação que construiu com membros do Judiciário em seus “50 anos de vida pública”.
A guerra aberta pelo presidente contra o ‘Senador’ e seu grupo faz da nação da minissérie um país tão inimaginável quanto o da fantasia real, um Brasil que jamais acontece. Fora do vídeo, a história real vem sendo contada como farsa. Personagens incômodos não são combatidos. Viram aliados. E são chamados de “incomuns”.
De embaraço, os escândalos tornam-se hábitos. De hábitos passam a parâmetros. E quando a platéia se dá conta, nada mais (a compra da emenda da reeleição, sob FHC; o mensalão, sob Lula) precisa ser muito explicado. O país finge que não aconteceu.
Ex-procurador da República, Pedro Taques (PDT-MT), hoje um senador idealista de primeiro mandato, enxerga méritos no divertimento televisivo. Acha que, abstraindo as imperfeições jurídicas, o enredo convida à reflexão. “É possível presidir o país sem abrir mão de princípios éticos”, acredita.
Como? “Estabelecendo vínculos diretos com a opinião pública, por meio da internet, uma ferramenta que não estava disponível no passado.” O uso da web é, alias, um dos recursos de que se serve o presidente improvável da TV.
Cercado de um grupo de assessores palacianos, Paulo Ventura dá de ombros para o Congresso escorado na repentina popularidade. Numa passagem, recebe o ministro da Agricultura, flagrado em desvios do crédito agrícola. Refuta as alegações do acusado, que reage invocando o apoio de seu partido ao governo.
Súbito, o ministro desonesto recorda ao presidente a importância de preservar a “governabilidade”, um vocábulo muito em voga no Brasil surreal. O presidente dá de ombros. Demite o auxiliar de maneira implacável, aproximando-se do modelo preconizado pelo senador Taques.
Prevalecendo o otimismo de Taques, a minissérie levaria à reflexão sobre os motivos que levam à submissão de sucessivos governantes a um presidencialismo em que coalizão virou sinônimo de cooptação. Parece improvável que isso venha a ocorrer.
Nessa hipótese, os atores do Brasil que não cabe na TV teriam de discutir não o modelo em que o ‘Senador’ e Cia dão as cartas, mas a sua predisposição para o medo. No limite, iriam a debate as razões que levam o Brasil a concordar em ser, indefinidamente, uma espécie de Maranhão hipertrofiado.
Há dois dias, encontraram-se em São Paulo Aécio Neves e o presidente do PSDB federal, deputado Sérgio Guerra (PE). Entre um compromisso e outro, falaram sobre a minissérie. Aécio comentou com Guerra a associação que se estabeleceu entre ele e Paulo Ventura.
Guerra fez troça. Disse que o presidente da ficção não é inspirado em Aécio, mas no vice de Dilma Rousseff, o pemedebê Michel Temer. Gargalharam. Aécio revelou uma ponta de preocupação com o desfecho da minissérie. Receia um final trágico para o destemido Paulo Ventura.
Por ora, as reações do grupo do ‘Senador’ resultaram num mal sucedido atentado a bala e numa infrutífera tentativa de chantagem. O ‘Senador’ enviou ao palácio, junto com uma caixa de bombons, fotos do presidente aos beijos e amassos com a “bancada baiana”.
No Brasil surreal, o recurso a esse tipo de intimidação talvez jamais ocorresse. Escândalos sexuais ameaçam governos e acabam com carreiras políticas nos EUA. Aqui, uma Mônica Lewinsky teria dificuldades para virar notícia.
Seja como for, a mulher de Paulo Ventura, embora contrafeita com o adultério, deu-lhe o apoio necessário para reagir à coação. Em telefonema ao ‘Senador’, o presidente impensável desafiou-o a enviar as fotos aos jornais.
Inaugurado na terça-feira (17), o Brasil ilógico da TV terá a duração de oito capítulos. Logo o país saberá se os temores de Aécio se confirmarão. A platéia, naturalmente, torce para que a ficcão lhe proporcione algo que a realidade não tem sido capaz de prover.
Na vida sureal, falta vilão. Um vilão em que a maldade esteja na cara, sem ambiguidades, que enrole as pontas dos bigodes antes de tramar a deposição do presidente, como faz o ‘Senador’. Fora da ficção, vilões desse tipo não existem. São todos bons sujeitos. Inocentes. Ou cúmplices.
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20 de janeiro de 2012 às 07h33min

Márcio Jerry, presidente do PCdoB
Liguei para fechar uma entrevista com o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís. Ele se encontrava em São Paulo e a entrevista ficou para o dia seguinte. Sem superstição, achei que a coisa não começava bem.
Mas depois vi que estava enganado.
A entrevista, nas linhas e entrelinhas, deixa ver muita coisa do jogo político que está a se armar no começo deste ano em São Luís.
A pergunta que mais fazem ao editor do blog (Flávio Dino será candidato a prefeito de São Luís?) ainda não tem resposta definitiva, é verdade. No entanto, fica-se sabendo que o PCdoB não vai de João Castelo (PSDB), atual prefeito de São Luís.
E a respeito do lançamento, pela oligarquia Sarney, do nome do vice-governador Washington Luiz para disputar a Prefeitura de São Luís?
Para saber a última resposta, e muitas outras, leiam a entrevista com Márcio Jerry abaixo:
Blog do Kenard – Como caiu no PCdoB a possibilidade do vice-governador Washington Luiz vir a ser candidato a prefeito de São Luís?

Washington Luiz
Márcio Jerry – Uma mudança de nome para representar o mesmo projeto atrasado da oligarquia decadente. E uma manobra para manter o PT como linha auxiliar do grupo oligárquico comandado por José Sarney. É um lance que não altera substantivamente a essência da disputa eleitoral em 2012, mas pode ter repercussões para 14.
BK –Tudo indica que o PT nacional, onde quem manda é Lula, jamais estará com Flávio Dino na disputa pelo Governo do Maranhão. Nesse sentido, ser do PCdoB não é um péssimo negócio para Dino?
MJ – Em 2010 enfrentamos os milhões de Roseana, o Lula e o PT nacional. Mesmo assim só não fomos ao segundo turno para vencer por causa daquelas estranhas ocorrências no TRE com cheiro forte de fraude. O PCdoB é aliado nacional do PT, mas não subordinado ao PT. Se fosse subordinado teria cedido às imensas pressões para que em 2010 Flávio Dino disputasse o senado e não o governo do estado.
BK – Por falar em Governo do Maranhão, gostaria de saber o seguinte: há um processo no TSE que pode resultar na cassação do diploma de Roseana Sarney. Vocês acreditam que o TSE tem coragem de ser isento e cassá-la?
MJ – Ou o TSE cassa Roseana Sarney ou inocenta Jackson Lago. Roseana Sarney cometeu vários crimes eleitorais em 2010, de forma explícita, flagrante. O TSE, é o que se espera, precisa julgar com isenção. Enfatizo: Jackson Lago foi injustamente cassado com acusações que são fichinha perto das que foram apresentadas na denúncia à Roseana Sarney.
BK –Sinceramente, Flávio Dino vai ou não disputar a Prefeitura de São Luís?

Flávio Dino
MJ – Sinceramente, pode disputar e pode não disputar. Depende de uma conclusão coletiva sobre os cenários e projetos para 2012 e 2014. Temos várias e bem fundamentadas opiniões favoráveis a ele ser candidato agora e também para não ser candidato, se preservando para 2014. São Luís reclama uma alternativa político-administrativa e nós juntos haveremos de encontrá-la.
BK – Digamos que ele decida por não disputar. Há a possibilidade de todos os partidos do campo antissarney apoiarem, por exemplo, Castelo (PSDB), dando à eleição uma feição plebiscitária?
MJ – O prefeito João Castelo desperdiçou todas as oportunidades de liderar a oposição ao grupo Sarney. Em 2010 fez corpo mole e ajudou na prática a candidatura de Roseana. E mesmo depois disso não compreendeu que poderia mudar o rumo do seu péssimo governo, convocar um governo de coalizão e apontar um rumo diferente para São Luís e para o Maranhão. Infelizmente é uma pessoa avessa ao diálogo. Não vejo, pois, como agora ele poderá liderar um campo antissarney.
BK – Como presidente do PCdoB de São Luís, quais seriam as consequências para o partido ter de ficar quatro anos com sua maior liderança e da oposição no Estado sem mandato por quatro anos?
MJ – Flávio Dino hoje preside uma empresa importante do governo federal, atendendo a um convite da presidenta Dilma Roussef. A falta do mandato não está atrapalhando o processo de crescimento do PCdoB. E agora em 12 ou ali em 14 o Flávio Dino certamente voltará a exercer um mandato em nosso estado, agora no executivo.
BK – Você falou como presidente do partido. Agora, se dependesse de sua vontade, Flávio Dino seria ou não candidato a prefeito de São Luís?
MJ – (risos) Se dependesse só de vontade o próprio Flávio Dino te diria que gostaria de disputar a Prefeitura. Mas é algo além de uma vontade…Trata-se de um projeto que precisa ser friamente elaborado para que os passos planejados avancem para o maior desafio que é pôr fim a esse ciclo oligárquico tão danoso ao Maranhão.
Postado em
Entrevistas, por Roberto Kenard
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17 de janeiro de 2012 às 13h34min
Transcrevo abaixo artigo de Mundico Teixeira, figura de proa do petismo maranhense, que me foi enviado por e-mail. Ao final, o Comentário do Blog:
A gestão do governo PMDB-PT do Maranhão: impasses e dilemas
Por Mundico Teixeira
A aliança vitoriosa entre PT e PMDB em 2010 foi extremamente debatida na sociedade maranhense, com amplo espaço para o contraditório, e mesmo não saindo como cada militante desejava, tendo em vista o peso que a conjuntura local e nacional exerceu no processo, ainda assim o saldo positivo foi suficiente para determinar a vitória logo no primeiro turno em nosso Estado e a maior votação em termos proporcionais para a presidenta Dilma no Maranhão. O que os petistas e a sociedade como um todo esperavam é que aquela aliança também se estendesse ao governo, com o jeito PT de fazer, especialmente com a participação efetiva das organizações sociais.
No período da pré-campanha, em negociações com o PMDB e com a participação da Comissão Executiva Estadual, foram disponibilizadas ao PT quatro secretarias, reduzindo-se a duas após o encontro de tática eleitoral do PT em 26/03/2010, sendo estas a Secretaria de Educação e a Secretaria de Desenvolvimento Social. Entretanto, no final das eleições de 2010, de forma extremamente objetiva o governo pediu a substituição do secretário de educação diretamente ao vice-governador eleito, por se tratar de indicação de sua chapa no PT, e este, por falta de nomes petistas que fossem aceitos, devolveu a secretaria ao governo. Na Secretaria de Desenvolvimento Social, o secretário petista foi destituído antes mesmo de o novo governo iniciar-se.
Já na nova gestão, eleita legitimamente, o papel do PT passou a ser sobretudo secundário, apesar de sermos o partido da Presidência da República, do vice-governador, com três deputados estaduais, um deputado federal, nove prefeitos e 94 vereadores. Não estamos conseguindo, neste um ano de governo, influenciar ou sequer sermos ouvidos com o nosso jeito PT de ser na educação, no desenvolvimento agrário, no desenvolvimento social, na juventude, igualdade racial ou meio ambiente. Em outros termos, não estamos contribuindo efetivamente com o governo como deveríamos.
Na Educação ainda não conseguimos encontrar um caminho que aponte para soluções que possam modificar em curto, médio ou mesmo longo prazo os resultados desastrosos dos indicadores educacionais dos últimos anos, os quais têm nos relegado aos últimos lugares do ranking nacional. E aqui, no meu ponto de vista, existe uma causa central para este sério problema: como se trata da secretaria com a maior fatia do orçamento do estado, os interesses que predominam são de origem financeira, geralmente indiferentes aos propósitos de uma educação com qualidade.
Em geral, estes interesses se evidenciam por suas práticas polifisioclientelistas ao transformarem as unidades regionais de educação em simples escritórios políticos de grupos familiares regionais, sem nenhum compromisso com os interesses da sociedade, usurpando do contribuinte comum a oportunidade de, pela educação, mudar e transformar a sua realidade e a de seus filhos para melhor.
Não consigo, mesmo com todo o esforço que faço para isso, ver saída para educação sem a participação efetiva dos educadores, e aqui não falo de um educador qualquer e sim dos militantes da causa da educação, pois, se o governo se debruçasse sobre a tarefa de mobilizá-los e partilhar com os mesmos as responsabilidades que são de toda sociedade, grande parte de nossos entraves estariam solucionados.
Na questão agrária não temos como tergiversar sobre a questão central e gostaria de chamar a atenção para um detalhe pouco percebido. A separação da SEDAGRO da SAGRIMA foi uma sugestão nossa do PT, logo após a governadora assumir em 2009 pós-cassação do então governador Jackson Lago. Entendemos que a agricultura familiar além de ser responsável por 70% do alimento que chega à mesa de todos os brasileiros, contribui para garantir autonomia e autossuficiência ao trabalhador do campo, o que evidentemente vai de encontro às aspirações do agronegócio. Este, baseado na monocultura, na produção em larga escala, em grandes extensões de áreas traz como consequências a degradação acelerada do meio ambiente, baixíssimos índices de empregabilidade e pouca responsabilidade social.
Alguns programas federais que visam fortalecer a agricultura familiar estão patinando em nosso estado, e pode-se citar como exemplo o Crédito Fundiário. Trata-se de um programa auxiliar da reforma agrária demandado pelo sistema Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTRs), CONTAG e FETAs, que permite a um grupo de trabalhadores rurais ou desempregados, há mais de cinco anos, com vocação agrícola, se associarem com fim específico, em busca de áreas de até quinze módulos Rurais (825 ha), adquiridas através de um crédito concedido pelo Governo Federal, com prazo para pagamento até dezessete anos, com dois de carência além de um infraestrutura básica(casa, água, energia e estrada sem custo para o assentado).
Este programa foi conveniado pelo Maranhão no governo Zé Reinaldo, concebido à época com o único propósito de render votos eleitoreiros e por isso foram montadas, a partir da estrutura do estado, verdadeiras quadrilhas que atuavam nas duas pontas do programa: na aquisição da terra junto aos proprietários que desejavam vender suas terras, e na organização dos grupos sem qualquer critério de seleção dos beneficiários, o que não raro se comprovava o uso de nomes de pessoas para funcionaram como laranjas das tais quadrilhas.
Na aplicação da infraestrutura continuavam os saques, obras inacabadas e, no final, o que deveria ser um ganho considerável aos beneficiários do programa acabou virando uma frustração, gerando prejuízos às organizações da agricultura familiar e a suspensão do convênio por parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre setembro e agosto de dois mil e sete, quando a corrupção atingiu o seu pico e, ate hoje, não foi possível regularizar o funcionamento de tão importante programa, apesar de dois anos e oito meses de governos Roseana.
Recentemente o diretório (DE-MA), reunido em 10/12/2011, fez análise da atual conjuntura e quase por unanimidade concluiu que não está correta a condução das relações do PT com o governo, especialmente porque estão sendo conduzidas pelo vice-governador, ocasionando um conflito de interesses, pois, sem a devida atenção, neste um ano de governo não foi possível fazer a necessária diferenciação entre os interesses do partido e os interesses do governo, um problema que depois de tanto tempo parece ser de difícil reversão.
As inquietações dos dirigentes especialmente do interior do estado se centraram no fato de sermos vistos pela sociedade como governo, mas na prática não governarmos absolutamente nada e isso nos torna alvo de demandas que não temos como responder.
A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor. Não tenho dúvidas das intenções e do desejo da Governadora, porém já se passou um ano e as mudanças necessárias para que esse governo seja o melhor de sua vida e do Maranhão não aconteceram.
Mundico Teixeira – Secretário de finanças e Planejamento do
Diretório Estadual do PT-MA
Comentário do Blog: Vejam vocês, o sarnopetismo pôs a cabeça para fora da toca. Mundico foi um fervoroso defensor da aliança do PT com a oligarquia Sarney em 2010, a carta exposta acima mostra que não mudou de opinião. Pelo documento que resolveu assinar ficamos sabendo que as coisas não ocorreram como a companheirada tão avidamente sonhava. O que vem a ser outra conversa.
Esclareça-se logo: o documento não é uma autocrítica ou muito menos um mea-culpa. Longe disso. Mundico expõe umas poucas mazelas do Governo Roseana, é verdade. No entanto, as mazelas não são o centro da questão. Mundico cobra participação no governo, cobra cargos, para fazê-lo, foi obrigado a expor o jeito oligárquico de administrar.
Repare-se que ele expõe as mazelas, cobra cargos e… diz seguir a acreditar nas palavras da governadora Roseana Sarney, que, segundo ele, foi eleita legitimamente. É “o jeito PT de ser”, que no submundo da política maranhense é conhecido como “o jeito morcego de ser”. Chupa e abana, do contrário a patroa se zanga e as reclamações não se transformam em cargos.
No seu “jeito PT de ser”, Mundico não descuida de abrir o documento dando legitimidade ao acordão entre o partido e a oligarquia. Assim, a decisão democrática – foi no voto – de apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB) em 2010 desaparece do mapa. Nunca existiu. Já a intervenção de Lula e do PT nacional, que levou o PT para o colo de Roseana, vira uma decisão “amplamente discutida na sociedade e aberta ao contraditório”. Bom, agora estou sabendo que levar o PT pelo beiço por lá chamam de discussão ampla. Mas não deixa de fazer sentido.
Já no final vem esta pérola:
“A governadora Roseana em diversos momentos nos prometeu que a aliança PT-PMDB seria a alavanca política necessária para o Maranhão entrar na rota de desenvolvimento que o país se encontra, inserida no projeto nacional encabeçado pelo PT, numa composição de governo no qual os partidos devem contribuir com o que representam de melhor”.
Das duas, uma: ou os petistas acham que todos somos imbecis a ponto de acreditar na conversa fiada de que se juntaram por conta das promessas de que a oligarquia que destrói o Maranhão seria justamente a que agora iria salvá-lo, ou são absolutamente broncos a ponto de levar a serio as palavras de Roseana Sarney que não encontram respaldo na história do Maranhão desses 46 anos de oligarquia.
Pelo “jeito PT de ser”, eis minha resposta: esses senhores, claro, nunca levaram em conta promessa tão surreal, queriam o poder. Ou nas palavras cruas de Mundico: queriam cargos. Como os cargos não vieram, nasceu a carta de Mundico.
Para finalizar, não deixemos passar em branco: quem acredita nas palavras da mais legítima representante da oligarquia Sarney é justo quem só vê corrupção nos ex-governos de José Reinaldo Tavares e Jackson Lago. Detalhe importante: no Governo Jackson Lago o PT teve ampla participação, com mais secretarias e cargos, não é verdade, deputado Domingos Dutra?
Em tempo: Roseana Sarney não tomou a Secretaria de Educação do PT. “O jeito PT de ser” é que – pasmem! – assustou a governadora, tantas eram as denúncias de corrupção. Mundico perdeu a oportunidade de dizer a frase correta: “Governadora, a senhora foi injusta com o PT, porque o que o PT fez na Secretaria de Educação os seus aliados fazem há 46 anos”. Mas não sou injusto, compreendo que Mundico não pode fazer uma cobrança segura como essa, porque aí estaria fugindo do “jeito PT de ser”, não é mesmo?
17 de janeiro de 2012 às 11h03min
Leia a matéria abaixo e o comentário do blog mais abaixo:
Uma candidata que fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 e entregou a prova em branco tirou notas maiores que as mínimas registradas no teste. Além disso, ao questionar o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) sobre o motivo, recebeu um documento com uma série de erros de português.
Mônica Nunes é professora de física em um cursinho de Campinas (SP) e foi fazer a prova para poder levar o caderno de questões. A docente afirma que chegou a resolver a prova da disciplina que leciona, mas não passou a resposta para o gabarito –nem da prova de física, nem de nenhuma outra. Ela somente assinou a folha de respostas e preencheu a frase de verificação. “Eu deitei e dormi. Dormi o tempo inteiro”, diz.
Mônica diz que foi checar o resultado por curiosidade e se assustou quando viu que só tinha uma nota zero –a da redação. “Imaginei que fosse encontrar um monte de zero. Um professor de matemática, que é meu namorado, preencheu matemática direitinho. Ele tinha chutado todo o resto da prova. Mesmo com os chutes, havia tido uma nota razoável”, conta.
Por causa da TRI (Teoria de Resposta ao Item), não é possível tirar nota zero nas provas objetivas, só na redação. As menores notas possíveis são exatamente as mínimas, divulgadas pelo MEC (Ministério da Educação) no final de dezembro. Ao saber disso, Mônica decidiu questionar o Inep o motivo de não ter ficado com o mínimo em três provas.
Erros de português
Ela entrou em contato com o “Fale com o Inep” no dia 2 de janeiro. A resposta continha problemas de concordância e de acentuação:
“Foi divulgado uma nota técnica no portal do inep explicando o TRI, assim como tambem foram divulgadas as notas máximas e minimas para cada matéria, sendo que ninguém ficará abaixo do minimo disponibilizado como também não ficará acima da máxima disponibilizada. Atenciosamente, MEC/INEP.”
Leia a matéria na íntegra aqui.
Comentário do Blog: A Educação brasileira, sob a batuta de Fernando Haddad, transformou-se em caso de polícia. Talvez por isso mesmo Lula queira pôr Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo. A partir de 2002 o Brasil realmente se transformou numa Casa dos Horrores!
16 de janeiro de 2012 às 14h30min
O lançamento, pela família Sarney, do vice-governador Washington Luiz (PT) para disputar a Prefeitura de São Luís foi uma grande jogada política. A indecisão de Flávio Dino (PCdoB) propiciou a jogada.
Com isso, evidentemente, não estou a dizer que as favas estão contadas. Nada nesta disputa está contado. Tudo está por se arranjar. Mas o cenário se complicou. Pelo menos para Flávio Dino.
O nome do petista Washington Luiz complica porque se encontra no mesmo campo político de Dino. Caso Flávio Dino tivesse se antecipado, dificilmente o nome de Washington Luiz estaria posto. Não seria do agrado do PT nacional patrocinar nova desmoralização de aliados no Maranhão, como o fez em 2010. Naquela disputa, o PT maranhense decidiu, pelo voto, apoiar Dino. A mão de Lula e da direção nacional caíram sobre o PT e levaram o partido pelo beiço para a oligarquia Sarney.
Há ainda o fato de que não se trata agora da candidatura de um político do PMDB, a quem o sarnopetismo teria de apoiar, fingindo constrangimento. Washington Luiz é do PT, a cabeça de chapa, portanto, é do PT.
Junte-se a isso o apoio federal e a máquina do Estado. O Esquema Sarney fará de tudo para tentar eleger Washington Luiz, única maneira de se livrar do vice para a disputa de 2014, quando Roseana Sarney terá de se desincompatibilizar para concorrer ao Senado.
Não se pode negar a sagacidade de Washington na empreitada. Sabedor de que o Esquema Sarney não o quer como vice em 2014, tratou de juntar a fome com a vontade de comer. Deu aos Sarney a oportunidade de conseguir seus intentos. Preço: a candidatura à Prefeitura de São Luís.
Flávio Dino encurralou-se. Não tem força suficiente para apostar num dos nomes postos de seu campo político (difícil acreditar que possa transferir votos) e jamais subirá num palanque do PSDB, o que resultaria catastrófico no plano nacional em 2014.
Pode, ainda, se decidir pela candidatura a prefeito? Claro que pode. Mas certamente sabe que o será em condições bem mais complicadas. Terá, no mínimo, a trabalheira incomensurável de juntar os partidos da base aliada do governo federal no Maranhão. Será o cenário de 2010 em 2012. Com um agravante: agora a cabeça de chapa é do PT.