Blog do Kenard – Notícias e Análises

13 de junho de 2010 às 18h04min

Folha de S. Paulo

Eis o que colho na Coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, deste domingo, 13/06:

Desabafo
De um inconformado com o cabresto imposto ao PT, obrigado a apoiar a reeleição de Roseana Sarney (PMDB): “O Maranhão será o novo Irã do Lula. Ele sabe como entrou, mas não sabe como vai sair”.

12 de junho de 2010 às 09h33min

Roseana Sarney tem o PT: o que acontece?

A leitora Ana Clara pergunta, no espaço dos comentários, se eu acreditava que o Diretório Nacional do PT desmancharia a decisão do PT maranhense de coligar com o PCdoB.
O leitor que assina Eduardo perguntou, também em comentários, se a decisão do PT beneficia Roseana Sarney.
Como as duas perguntas me parecem importantes, trouxe-as para este espaço. Vamos lá.
Um amigo costuma dizer: “Em briga de petista não me meto”. Eu assino embaixo. Mas não me custa responder aos dois leitores. O que, convenhamos, não é me meter em briga de petistas.
Sempre acreditei que o PT nacional não tergiversaria. Quem manda no PT é Lula e a obsessão de Lula é eleger Dilma Rousseff. Em privado, disse isso várias vezes a alguns petistas e a um ou outro representante do PCdoB. No meu ex-blog, inclusive, escrevi artigo onde dizia que o grupo ligado a Flávio Dino (PCdoB, PT e PSB) encontrava-se em uma sinuca: todos da base do Governo Lula, não enxergavam que na briga pelo PT maranhense o PMDB não tem culpa de nada. Escrevi: “Roseana tenta conseguir o PT para se fortalecer e tentar liquidar a fatura no primeiro turno. É um desejo político legítimo”.
E acrescentava que o problema estava no lulo-petismo, mas este jamais seria criticado por Flávio Dino nem por seus apoiadores. No meu entender, tratava-se de dormir com o inimigo e pôr a culpa no vizinho.
Minha visão do problema, porém, nunca impediu (nem faria sentido, já que sou jornalista e não militante de qualquer um desses partidos em litígio) de publicar entrevistas e artigos a respeito. Em alguns artigos critiquei claramente os petistas que defendiam a coligação com o PMDB, mas pela seguinte razão: vinham com o papo furado de que faziam isso por ordem de Lula (o que dava a entender que era um sacrifico estar ao lado de Roseana Sarney, o que eu sempre considerei uma indelicadeza com a aliada e uma grossa mentira, porque todos estavam atrás de uma boquinha no governo). O que é bem diferente de tomar partido. Os idiotas de sempre achavam que se tratava de engajamento. Levaram o que mereciam.
Sobre se a decisão beneficia Roseana Sarney.
Claro que beneficia. Aumenta-lhe o tempo no horário eleitoral e só ela passará a contar com o auxílio luxuoso de Lula em suas propagandas.
Como o Maranhão foi, é e parece destinado a ser em tudo um Estado atípico, é impossível dizer se esse benefício resultará em vitória logo no primeiro turno. Ou mesmo em vitória.
Explico.
Mesmo os membros da família Sarney, com quem já conversei, sabem que há um desgaste natural do grupo. Por conta, claro, do tempo que se encontram no poder.
Quem garante que não pode ocorrer, por conta disso, o seguinte: o eleitor-amante-bolsa-família de Lula votar em Dilma mas não votar em Roseana Sarney?
Ninguém sabe. Nem Deus nem Duda Mendonça.

7 de junho de 2010 às 00h44min

O labirinto de Serra

O grande problema de Serra, nesta eleição, diferente do que dizem os chamados analistas políticos, não é Dilma Rousseff nem Lula. É o que vou tentar demonstrar.

O problema é que PSDB e PT não carregam as diferenças que fingem possuir. Acreditam nelas os ingênuos (se é que isso existe) do poleiro de cada um desses partidos. Fazem questão de espalhar as falsas diferenças os militantes e a esquerda remunerados.

Basta observar a dificuldade de Serra para construir um discurso de oposição. Em 2002 o candidato Lula, que prevaleceu justo sobre Serra, não dizia uma palavra de elogio aos oito anos de Fernando Henrique Cardoso. Muito embora soubesse de pontos positivos. Serra dobra cada esquina quase a mendigar que o considerem um ativo membro do lulo-petismo.   

Não há exemplo, no mundo, de candidato vitorioso com uma tática indigente dessa ordem.

Mas, o que causa isso?

Engana-se, no meu entender, quem procura o óbvio: a alta aceitação do Governo Lula. Como diria Nelson Rodrigues, isso é apenas um detalhe.

Com o fim do mandato de Lula, serão 16 anos de PSDB e de PT. No campo ético e administrativo, nenhuma diferença de porte. Ao contrário, o que foi realizado na área econômica e na área dos ilícitos não recebeu sequer denominação diferente.

Quando dois partidos políticos são tão próximos nos acertos e nos erros, só pequenas diferenças fazem a diferença. FHC venceu Lula e se reelegeu porque o Real (vale dizer, a economia) fez a diferença. Lula prevaleceu sobre Serra porque FHC tinha descuidado da classe média. Dilma agora ameaça Serra porque o governo soube levar adiante os ganhos da época de FHC.

Mas, tanto FHC como Lula se acomodaram sobre o feijão com arroz econômico. Nenhum dos dois governos (portanto, nem PSDB nem PT) tratou de inovar, de arriscar. O Brasil tem 16 anos de bonança econômica (deixando de lado as crises enfrentadas por FHC e as por Lula, que não desestruturaram o país) e não fizemos uma revolução na educação e na saúde, pontos nevrálgicos de um país que economicamente não pode mais ser considerado periférico. Como nenhum dos dois governos deixou cair o cutelo sobre a corrupção. Ao contrário: as figuras retrógradas da República que estiveram em destaque no Governo FHC estão agora em destaque no Governo Lula.

Politicamente, trata-se de uma mera disputa por poder.

A única diferença, para desespero de Serra, é que este não conta com um cabo eleitoral muito bem avaliado pela população e com a força da máquina.

O resto é sigla.

3 de junho de 2010 às 13h53min

O Pato Internacional

O Guia Internacional dos Povos, mister Lula, vangloria-se de ter acabado o conflito no Oriente Médio. Promoveu a paz entre rivais atávicos.

Na verdade, fez papel de trouxa. Foi usado pela teocracia iraniana e promovido a pato internacional.

É claro que o companheiro Ahmadinejad precisava de Lula para inverter os papéis: de facínora passar a vítima.

Como?

É claro que a aventura nuclear do Irã tem propósito bélico. Uma temeridade, tratando-se de quem se trata, afinal o companheiro Ahmadinejad já disse que o Holocausto não existiu (por esse olhar acanalhado Hitler era um bom sujeito) e que é preciso exterminar os judeus (ou seja, terminar o serviço inconcluso de Hitler).

Bom, vamos à inversão dos papéis.

O Irã não aceita vistoria em suas usinas nucleares. Prova evidente de que por lá não faz coisa boa de ser vista. Acusado de estar enriquecendo urânio para fazer bomba e por conta disso prestes a sofrer sanções internacionais, os teocratas foram espertos.

Olharam para o mapa e viram um presidente vaidoso, que deseja a qualquer custo virar Secretário-Geral da ONU e, de quebra, usar a possível fama internacional para alavancar a campanha de sua candidata ao Palácio do Planalto.

Era a faca e o queijo.

Então aceitaram a mediação do Brasil num acordo de araque, mera protelação para que o Irã siga com seu programa nuclear bélico e não sofra sanções.

O Brasil do Guia Internacional dos Povos serviu direitinho para transformar facínoras em vítimas. Com o acordo de araque são os Estados Unidos e o resto do Ocidente que têm má-vontade com a ditadura iraniana.

Pronto, entramos para a história mundial: temos finalmente o Pato Internacional.

1 de junho de 2010 às 08h18min

Ciro ganha mimo de Lula

Depois de ter a candidatura a presidente rifada pelo PSB com o auxílio luxuoso do presidente Lula, Ciro Gomes ganha um mimo de 6,6 milhões de reais.

É que o presidente mandou liberar a verba de uma Emenda ao Orçamento feita por Ciro. Leia os detalhes da fidelidade de Ciro a Dilma Rousseff no Blog do Josias de Souza clicando aqui.

27 de maio de 2010 às 14h13min

Aécio diz que vai disputar Senado

O ex-governador mineiro Aécio Neves afirmou nesta quinta-feira (27) que vai disputar uma cadeira no Senado e criticou versões veiculadas de que ele seria “antipatriota” ao não aceitar ser vice na chapa encabeçada por José Serra (PSDB) para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia mais aqui.

18 de maio de 2010 às 22h47min

Brasil entrou numa fria

A vaidade de Lula aliada ao amadorismo visível do chanceler Celso Amorim começam a fazer água no acordo assinado ontem que determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França – suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.

Lula e Amorim apostaram todas as fichas num tema melindroso, para dizer o menos. Nada garante que um país teocrático como Irã, cuja mão pesada do Estado não Leva em consideração as menores formalidades democráticas, vá cumprir um acordo que o mesmo Irá já recusou. Tudo leva a crer que o país “aceitou” o mesmo acordo agora para tentar evitar as sanções que os países do Conselho de Segurança da ONU propõem.

Inacreditável que o chanceler e o presidente Lula, como diria Ciro Gomes, tenham viajado na maionese. Imaginar que esses países se curvariam a um acordo sobre um tema tão grave feito de maneira amadorística e nas coxas é ter das relações políticas uma visão tacanha.

Escrevi aqui – o leitor interessado pode ir aos arquivos do blog – que esperava que minha análise do acordo estivesse completamente equivocada. Mas que duvidava muito. Tudo levava a crer que o Brasil corria o grave risco de protagonizar um vexame.

E, numa situação dessas, só restaria ao Brasil insistir na defesa do acordo para tentar tapar o sol com a peneira. O que só contribuirá para avolumar o vexame.

As regras do jogo da política internacional não incluem as mesmas regras do jogo, por exemplo, de uma greve de um sindicato ligado à CUT. Que Lula queira ser candidato a Guia Internacional dos Povos, vá, é Lula confundindo o9 mundo com São Bernardo. Mas Celso Amorim concordar, apoiar e incentivar uma aventura dessas faz qualquer sinal vermelho ser aceso.

Macunaíma é grandioso na literatura, como personagem da inventividade de um escritor. Na vida real Macunaíma não só é pífio como risível. Se é que as duas coisas andam separadas.

17 de maio de 2010 às 16h03min

Jogada de risco

Na ânsia de ser o Guia Internacional dos Povos, acho que Lula entrou numa roubada nessa história de acordo de troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear. Minha desconfiança se baseia na falta de credibilidade do principal signatário do acordo, o Irã. Esse mesmo acordo havia sido proposto tempos antes e o Irã teocrático se negou a aceitá-lo. Por que agora seria diferente? Por obra da diplomacia brasileira é que não será.

O Brasil entra de gaiato nesse tema complexo e arriscado por obra e graça de mister Lula. Depois que o presidente Obama o chamou de o cara, a gíria subiu-lhe à cabeça e o Brasil tornou-se pequeno. Quer, após deixar a Presidência da República, ser o mandachuva da ONU. O Brasil pode acabar pagando um preço altíssimo: a carnavalização de sua diplomacia.

Os líderes religiosos do Irã já ironizaram as denúncias de que o país pretende fabricar a bomba atômica com a desculpa de que a religião deles não permitiria. Conversa pra boi dormir ou para Lula se assanhar. A religião não tem impedido as frases beligerantes de Ahmadinejad, o presidente eleito sob suspeita de fraude, de que o Holocausto (a matança de judeus pelos nazistas) não existiu. Mais: a religião não impediu que o regime pusesse para-militares nas ruas para espancar e matar cidadãos que protestavam contra a reeleição de Ahmadinejad.

De uma coisa não duvido: o Irã vai, sim, continuar a enriquecer urânio. Coisa de grande risco, tratando-se de quem se trata. Se as intenções fossem boas e pacíficas, o Irã não seguiria até hoje se negando a deixar que inspecionem suas usinas nucleares.

Bom, espero que eu esteja redondamente enganado. Mas duvido muito.

9 de abril de 2010 às 16h13min

Governo Federal poderia ter evitado tragédia no RJ

“Contra as intempéries não há o que fazer”. Frase de Lula a respeito da tragédia no Rio de Janeiro. Esse o presidente da República que se vangloria de fazer um governo nunca dantes visto no Brasil. As esquerdas remuneradas e os idiotas de plantão ainda dizem que há a necessidade de eleger Dilma Rousseff para dar continuidade ao que Lula vem fazendo.

Contra as intempéries não há o que fazer uma ova, presidente. Em 2004, o Instituto de Geociência da Universidade Federal Fluminense fez um estudo, a pedido do Ministério das Cidades, e constatou que a área (morro do Bumba, em Niterói) tinha alto risco de acidentes e exigia monitoramento constante. Portanto, há seis anos o seu governo sabia da gravidade do problema, mas não moveu uma palha para evitar os mortos de hoje.

É isso que precisa ser dito ao Brasil pobre nestas eleições. Lula considera intempérie o que vem a ser descaso.

9 de abril de 2010 às 09h25min

Coluna do Kenard – Diário da Manhã

Carne seca

Dizem que Roseana Sarney não desistiu do PT. Penso diferente: o PT de Washington Luiz e de Rodrigo Comerciário é que não sossega enquanto não morder a carne seca. Parece que já vão ser servidos: comentava-se ontem que Washington Luiz vai fazer o secretário de Educação e Comerciário, o de Desenvolvimento Social.

Com a decisão do encontro de tática eleitoral de apoiar Flávio Dino (PCdoB), Washington Luiz começou a temer por sua candidatura a deputado federal. Chegou a ventilar a amigos a possibilidade de não concorrer. Portanto, aquela conversa de seguir a orientação nacional é conversa fiada.

Rodrigo Comerciário dispensa comentários. Saiu do anonimato quando Flávio Dino teve de engoli-lo como vice na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2008 (maldade atribuída na época à turma do deputado e então presidente estadual do PT Domingos Dutra). Deve gastar parte do dia contando aos vizinhos que se encontra com Roseana Sarney.

Como discordo de quem diz que Roseana Sarney está forçando a barra para ter o PT. De entrada, diga-se logo que o PT nunca foi donzela para ser assediada. Caiu na vida desde que o lulo-petismo prevaleceu.

Só na comparação com as fotos pornográficas de Lula e sua turma esses petistas podem ser chamados de donzelas. E assim mesmo por conta da ampliação das fotos. Nada mais.

Elogios

Dona Dilma Rousseff foi a Minas Gerais e tratou de elogiar o tucano Aécio Neves. Houve quem escrevesse que ela foi à terra de Tiradentes para elogiar José Joaquim Silvério dos Reis. O traidor da história. Bem que eu disse, não deixem a mulher falar.

Baderneiros

Sintomático. Foi o governador José Serra deixar o Governo de São Paulo para o sindicato dos professores encerrar a greve. Uma coisa não se pode negar: o lulo-petismo soube aparelhar toda a classe sindical. Com aquilo que eles go$tam.

Inflação

Em Porto Alegre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação deverá fechar o ano próxima do centro da meta do governo, de 4,5%. Segundo ele, os 2% acumulados desde janeiro foram puxados por aumentos sazonais (alimentos, tarifas de ônibus e mensalidades escolares) e o índice deverá cair a partir de agora. A informação é da Folha Online.

Descaso

Até o fechamento da coluna, já eram 170 os mortos pelos desabamentos no Rio de Janeiro. Por que a fúria da natureza atinge sobretudo os pobres? Simples, não podendo morar dignamente, eles se refugiam em locais de risco. Como o poder público não está nem aí, acontece o que está acontecendo no Rio.

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