7 de outubro de 2011 às 22h55min
Há quem veja na presidente Dilma Rousseff pendores democráticos e capacidade, ainda que mediana, intelectual. Não entro nesse grupo. Desde a campanha presidencial mostro aqui a incapacidade dessa senhora de formular uma frase básica, do tipo “Ivo viu a uva”.
A prova de que não me equivoco encontra-se na relação de seus auxiliares. De larápios (uns foram postos para fora por causa da imprensa, essa mal-vista senhora que vive a procurar malfeitores) a gente burra o governo está cheio. Não irei aqui me deter nos larápios. Importa os burros ideológicos, gente perigosíssima, como veremos.
Não há como dizer que Dilma Rousseff ainda não tomou conhecimento das trapalhadas, por exemplo, de dona Irany Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, de Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e de Aparecida Gonçalves, Secretária Nacional de Combate à Violência contra a Mulher. O leitor já deve estar familiarizado pelo menos com Irany e Aparecida, uma vez que escrevi sobre ambas, em posts que podem ser lidos mais abaixo.
Irany e Aparecida resolveram aparecer de qualquer jeito. A primeira quer proibir a publicidade de lingerie com Gisele Bündchen e apóia o PT e o PSTU na guerra santa contra o programa da Globo “Zorra Total”. A segunda teve o descaramento de dizer que é baixa, gorda e índia e não se vê na publicidade da Hope, como se Gisele Bündchen e a Hope tivesse alguma culpa por ela ser baixa, gorda e índia. Na verdade, ninguém vê mal algum em uma pessoa ser baixa, gorda e índia, a não ser a própria.
Já dona Maria do Rosário tem feito cagadas estonteantes. Quando abre a boca para falar de Direitos Humanos o chão treme. Maria do Rosário esteve recentemente no Maranhão, para se reunir com quilombolas, que reclamavam do Governo Federal.
E o que fez dona Maria do Rosário? Ignorou que no Maranhão há uma governadora e foi direto, não sei se do aeroporto, para a reunião com os quilombolas. Uma grosseria e tanto. Ninguém pede para que Maria do Rosário adore Roseana Sarney, se é que ela não gosta. Eu, por exemplo, estou longe de bater palmas para a incompetência e a roubalheira que há no Governo do Maranhão, mas se fosse secretário de Direitos Humanos procuraria a governadora. Porque não se trata de gostar, vocês me entendem.
Bom, se dona Aparecida, como escrevi, tem suas broncas com a publicidade por ser baixa, gorda e índia, e por isso resolve ensinar publicitários a fazer publicidade, dona Irany resolveu, absurdo dos absurdos, ensinar Aguinaldo Silva a escrever novelas. A mulher lá que apanha na novela precisa reagir e denunciar o fulano. Era só o que faltava.
Já escrevi, nos posts sobre o assunto, o leitor pode procurar nos arquivos, que os fascistas começam por confundir ficção com realidade para acabar censurando a ficção. Alta cultura ou arte de massas, dona Irany, nada tem a ver com programas de governos. Ninguém a proíbe de ser burra, desde que não use a sua ignorância para atropelar as manifestações artísticas. Compreendeu?
Ninguém, mas ninguém mesmo, pode vir me dizer como devo escrever poemas. Pior: quem tem o direito de me proibir de amar um poeta como Ungaretti? Ainda não nasceu e certamente não nascerá. Pouco se me dá se ele chegou a namorar o fascismo. Certamente foi por equívoco e certamente logo pulou fora. Maiakovski miseravelmente escreveu poemas para ajudar na construção de outro fascismo, o comunismo, nem por isso vou negar que certos poemas dele – aqueles que nada tinham a ver com política ou com ditadores assassinos – até hoje me agradam. Ou mesmo Pound, por conta de quem muitas vezes fui mal-visto quando era de esquerda. Namorou com o fascismo e pagou um alto preço. Vou negar que a obra dele, poética e teórica, tem imenso valor? Jamais.
Mas certamente essas três mulheres mandariam todos os que citei – menos Maiakovski, por óbvio – para a fogueira.
Dilma Rousseff certamente não leu nenhum deles. Mas sabe quem é Irany, Aparecida e Rosário. Ninguém está aqui a exigir que a presidente seja intelectual (eu não sou, diga-se logo). Mas exige-se que demonstre na prática o que vem usando em discurso – que é uma democrata. Se realmente for, passará a caneta nessas três figuras ignorantes.
Eu torço, mas duvido.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
Aguinaldo Silva,
Aparecida Gonçalves,
Dilma Rousseff,
Gisele Büdchen,
Globo,
Hope,
Irany Lopes,
Maiakovski,
Maranhão,
Maria do Rosário,
Pound,
PSTU,
PT,
Roseana Sarney,
Ungaretti,
Zorra Total
1 de julho de 2011 às 22h24min
Leiam a matéria abaixo e, depois, o comentário do blog. Como sempre, se o leitor estiver atrás de um comentário de um “bonzinho”, melhor não ler. Mais do que nunca, escrevo não para agradar a qualquer grupo, pessoa ou político. Isso não é ofício de jornalista. Mas, leiam a matéria e depois o comentário:
Por Jorge Thadeu
Depois de passar mais de quarenta dias internado em um hospital de São Luis, metade deles em uma Unidade de Terapia Intensiva para tratar de problemas cardíacos e de uma pneumonia, o carnavalesco Joãosinho Trinta está recuperado e cheio de planos para o futuro.
“Eu sabia que seria algo passageiro, já estou aqui cheio de vida e feliz por estar em minha terra. Durante essa permanência no hospital tomei uma decisão muito importante. Estou de volta para ficar. Foram mais de cinquenta anos trabalhando fora, no Rio de Janeiro e agora voltei prá ficar”, disse Joãosinho durante um passeio pelo Centro Histórico da capital maranhense, na tarde desta sexta-feira.
“Estou mais feliz ainda porque pude rever a beleza que é esse período Beija-Flor de Nilópolis do Rio de Janeiro vai fazer a São Luis no Carnaval de 2012, quando a cidade completará 400 anos. “Foi com muita alegria que recebi a notícia, a Beija-Flor é uma escola vitoriosa e certamente fará um desfile como bem merece São Luis. Eu estou à disposição para o que precisarem, quero festejar essa data com o meu povo. O meu trabalho é o meu presente para minha cidade. Vou estar junto com eles na Sapucaí”.
A direção da escola de samba, campeã do carnaval deste ano já anunciou que Joãosinho Trinta e a cantora Alcione serão os destaques principais no desfile da Beija-Flor.
Comentário do blog: Em primeiro lugar, reafirmo para os incautos que o texto acima não é de minha autoria. Muito menos revisei, o que houver de erros não é do signatário do blog. Feita as ressalvas, vamos ao que interessa.
Como estou numa terra típica de coronéis nordestinos e de cangaço, preciso esclarecer: sempre elogiei a criatividade de Joãozinho Trinta. Mas jamais ao ponto de ver nele o que não é ele. Ou seja, Joãozinho Trinta é um criativo em estado bruto. Explico-me melhor: tiradas as diferenças, Joãozinho é um João do Vale. Este último criou versos fabulosos na música, mas, por ser abalfabeto, tinha limitações ignoräveis. Os que tinham mais dinheiro e mais poder sempre foram um ponto de atração considerável.
Com Joãozinho Trinta a conversa não é diferente. A família Sarney sempre soube cooptar gente assim. Então, tratou de se aproximar de Trinta. Figura facilmente deslumbrável, foi na onda. Sentiu-se e sente-se privilegiado por ser recebido pela governadora Roseana Sarney, por ter chance de participar, como se diz, da roda do poder, ainda que seja sem poder algum de decisão.
Artistas e intelectuais serem cooptados pelo poder não é nenhuma novidade, no Brasil e no mundo. Uns por procurar benefício pessoal, outros pelos salamaleques do poder e ainda outros por ingenuidade utilizável. Pound, um poeta e incentivador cultural como poucos, de uma lucidez artística ímpar, namorou com o fascismo e acabou por pagar um preço incomensurável. O genial poeta russo Maiakovski escreveu poemas para o pai do totalitarismo Lenin, acabou incompreeendido e se suicidou. Mas há o inverso, quem era direitista assumido, raivoso e antissemita, mas escreveu obra considerável.
Portanto, que um maranhense genial ligado à cultura popular seja utilizado pelos Sarney não se constitui em novidade. Um salamaleque aqui, um favor ali e pronto. Que o diga Alcione Nazaré, que só falta dizer que se não fosse cantora seria cozinheira de Roseana Sarney com uma alegria de vento na varanda.
Sei que hoje quem diz que um representante da cultura popular se vende ou se deixa iludir pelos donos do poder virou coisa politicamente incorreta. O correto é ser burro ou aceitar coisas inaceitáveis, o que, no meu entender, dá no mesmo.
Só tenho a lamentar que o senso critico de artistas e intelectuais tenha virado uma forma pessoal de se dar bem, quando, em certa época, o senso crítico era não só uma coisa elogiável como uma forma de ser a favor das populações ludibriadas pelos poderosos.
O pior é que quem não entrega a lucidez é que é visto como direitista. Bom, tempos do petismo. Não haveria como ser diferente.
Siga o blog no twitter.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
Alcione Nazaré,
Beija-Flor,
família Sarney,
João do Vale,
Joãozinho Trinta,
Lenin,
Maiakovski,
Nilópolis,
Pound,
Rio de Janeiro,
Roseana Sarney,
São Luís
19 de abril de 2011 às 14h52min
O Partido Popular Socialista (PPS) precisa fazer profundas reflexões na busca de um escopo.
Trata-se de um partido relativamente novo, de proposta democrática e com pedigree: nasceu de uma costela do PCB.
A chegada do PT ao poder não trouxe insegurança à democracia por ser o PT um partido de esquerda. Longe disso. O PT sequer é um partido de esquerda anacrônico, preso a dogmas já devidamente soterrados. É um partido de viés autoritário, cuja vontade de se perpetuar no poder desconsidera a estabilidade das instituições. E dá solene banana à ética.
É um partido perigoso porque usurpou o discurso da esquerda para fins eleitoreiros e de permanência no poder. Não foi à toa que, nos dois mandatos de Lula da Silva, sempre que surgiam denúncias de ilícitos trataram de puxar da cartola a resposta mágica: tratava-se de coisa da direita. Se denúncia fosse coisa de direita, a esquerda até hoje não existiria.
Até aqui DEM e PSDB têm se mostrado partidos particularmente suscetíveis a essa retórica. Desgraçadamente, no Brasil ninguém quer ser de direita, coisa comparada a uma peste. Se alguém perguntar a Paulo Maluf e a Collor de Melo se são de direita, imediatamente dirão ser mais marxistas que Marx. Sobretudo hoje, quando o discurso de ambos encontra respaldo na reabilitação promovida pelo PT.
Mas o PT prevalece porque a oposição exonerou-se de sua função.
Como dizer que a oposição é de direita e abraçar José Sarney, por exemplo? Lula chegou a recriminar quem criticava José Sarney (por conta de denúncias concretas e grotescas) com o argumento de que este é um cidadão incomum. Há algo mais elitista do que considerar determinados cidadãos acima do bem e do mal? Ou mesmo acima da lei a que todos os outros estão sujeitos?
Neste instante o DEM e o PSDB silenciam diante de uma aberração: aceitam que filiados – e com mandato! – assinem documento de criação do PSD, um partido que esconde a mão, mas que todos sabem da pedra que está a jogar nas oposições. Mas não só, o PSD poderia até vir com postura de oposição, ainda assim DEM e PSDB deveriam reagir à impostura de seus filiados.
O PPS pode e deve ocupar esse vácuo político. Não deve, sob qualquer perspectiva, contentar-se com o papel de coadjuvante.
O papel oposicionista que lhe cabe é o de ruptura. Na última eleição para presidente da República o PSDB optou pela continuidade, a ponto de no programa eleitoral de José Serra aparecer – coisa típica de um país que emerge economicamente, mas afunda na periferia política – a figura do adversário-mor, Lula.
Sabe-se, o PPS não tinha, naquelas circunstâncias, outra opção. Mas agora pode criá-la. Não custa lembrar o poeta: é caminhando que se faz o caminho.
Nesse sentido, 2012 surge como uma luva. Faz-se necessário o lançamento do maior número de candidaturas próprias na disputa pelas prefeituras. Assim como o maior número possível de candidatos a vereador. Não aleatoriamente, mas dentro de um projeto.
Isso com um discurso de protagonista, de quem compreende o momento político e deseja mudá-lo. O PPS não tem motivo algum para se tornar refém do discurso da falsa esquerda. O nascimento do partido já é em si a prova dessa força: contra todo o tipo de patrulhamento soube quebrar os elos com o equívoco e o autoritarismo de esquerda e pregar mudanças sociais no campo democrático. Não é pouco.
Embora, em termos de mandato, mais por culpa da postura vacilante dos aliados que de questões internas, tenha emagrecido, tem um vasto campo para sobressair-se. Com olhos bem abertos: a luta no parlamento é importante, mas insuficiente. Maiakovski dizia, com palavras diferentes, mas enviadas a resultados idênticos, que o poeta precisa apropriar-se de todos os meios hodiernos para se tornar visível e atingir os fins necessários. Na política não é diferente.
O PPS tem hoje um vasto campo de ação. A estratégia dirá se merece ocupar esse espaço.
Siga o blog no twitter.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
Collor,
DEM,
Lula,
Maiakovski,
Paulo Maluf,
PCB,
PPS,
PSD,
PSDB,
PT,
Sarney
3 de setembro de 2010 às 10h11min
Roseana Sarney não se contenta com ter o maior tempo na tevê (o que conseguiu ao tomar o PT da coligação de Flávio Dino com a ajuda de Lula). Parece querer concorrer sozinha.
A filha do coronel não aceita críticas. Quando surge o perigo de perder o poder, a luz vermelha acende: o Maranhão não pode parar de ficar nas mãos da famiglia.
Qualquer candidato que se sinta ofendido tem o direito de ir à Justiça pedir o direito de resposta ou tentar tirar a peça ofensiva do ar. Menos a filha do coronel. Ela apresentou – pasmem! – uma queixa-crime contra a atriz Aline Pereira, graciosa apresentadora do programa eleitoral de Jackson Lago.
Quero crer que se trata de um caso inédito. Aline não é candidata a governadora. É atriz e cumpre seu papel no trabalho. (Atenção, leitores, eu não disse que ela é atriz e cumpre seu papel no baralho. É no trabalho. Fui claro?). Nada mais.
A filha do coronel já pediu multa e prisão para o candidato a deputado estadual Aderson Lago. Motivo: ele questionou a elegibilidade de Roseana Sarney na Justiça. Coisa que qualquer cidadão tem o direito a fazer. Não se trata de crime.
É incrível como o humor afeta a falsa seriedade dos que se consideram donos do poder e do Maranhão.
No fundo, no fundo gostariam que todos fôssemos embora do Maranhão. Não basta serem donos da ilha de Curupu.
Parece que o velho coronel punha os filhos para dormir lendo as incongruências que rabisca. Deveria ter lido isto, em voz alta: contra o humor não há resposta.
Mas aí já seria deboche, querer que Sarney lesse Maiakovski.
Siga o blog no twitter.
25 de agosto de 2010 às 01h25min
Veja como a gente se engana. Pensei que apenas o marqueteiro de Serra fosse um analfabeto político e Serra já estivesse começando a babar na gravata (Nelson Rodrigues). Estava enganado. O PSDB, em maioria, tem a cabeça de Serra e as ideias de Gonzalez.
Li ontem no UOL o seguinte: “PSDB admite que vantagem de Dilma é inesperada”. Como? Eu li direito? Inesperada? A queda de Serra é a crônica de uma morte anunciada. Tudo ali é coisa de gente sem neurônios. A ponto de Serra aparecer no horário eleitoral com… Lula.
O PT espalhou que Lula é intocável. Bom, até onde sei, em política não existe intocável, existe adversário fraco. Então trataram de mostrar que Serra é mais competente para administrar o Brasil que Dilma. Tudo bem que fizessem isso, mas não deixassem de mostrar o que é o lulo-petismo e quem é Dilma Rousseff. Coisas banais que qualquer estagiário de publicidade sabe.
Agora me vem o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, me dizer que é inesperada a vantagem de Dilma! Deve ser atado a uma camisa-de-força, urgentemente.
Até antes da campanha, o defeito do PSDB se resumia a isto: parecia uma donzela que foi estuprada e estava em dúvida se denunciava o estuprador que conhecia. Parecia, para ser mais exato, os colonizados de muito tempo atrás, que se fantasiavam de franceses para se mostrar civilizados. Acabavam se mostrando o que eram: papagaios que falavam.
Ninguém defende o retrocesso que seria a oposição cometer as mesmas safadezas do lulo-petismo. Para combater adversários primitivos não há a necessidade de virar primitivo. Mas com tergiversações não se combate e se vence a barbárie.
A oposição – e há generosidade em chamar o PSDB e o DEM de oposição – desde 2002 só comete asneiras. Confunde civilidade com frouxidão e decência com apatia. A horda dos bárbaros agradece comovida.
E me vem a besta do Sérgio Guerra dizer que o esmagamento da oposição é um fato inesperado! Absurdo é a oposição ao lulo-petismo não ter em conta que nestas eleições não está em jogo a briga de gato e rato entre PT e PSDB. O que está em jogo são valores sem os quais a democracia, a civilidade e a decência sucumbirão. Porque, a partir de janeiro, tudo será permitido, sobretudo a indecência.
Por favor, leiam Maiakovski, o maior talento poético da Rússia que acreditou que a barbárie era a civilização e o stalinismo tratou de matar: “ninguém que morre tão facilmente merece outro fim”.
Siga o blog no twitter.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
DEM,
Dilma,
Lula,
lulo-petismo,
Maiakovski,
PSDB,
PT,
Rússia,
Sérgio Guerra,
Serra,
UOL