Foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a primeira pesquisa de intenções de voto para prefeito da cidade de Timon. A pesquisa foi registrada no dia 3/02, com previsão de término para o dia 5/02. A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisa dataAZ Ltda, contratada pelo Portal AZ, ao custo de 2 mil reais. A previsão era ouvir 400 pessoas.
A miséria extrema de quase dois milhões de pessoas, obra sistemática e calculada dos Sarney, é grave, ainda que os sarnopetistas de hoje não vejam sequer oligarquia (mas destes cuidaremos mais na frente). Mas essa é a parte visível de uma monstruosidade que tem muitos outros braços.
Ninguém destrói um Estado por 46 anos, em benefício da própria família e de uns pouquíssimos, sem implantar uma cultura não menos monstruosa e não menos digna de atenção. No dicionário das oligarquias, por exemplo, não há a palavra meritocracia. Há o favor, que consta de um outro livro, o do coronelismo. E que só se concretiza na forma de genuflexões ou espinha quebrada.
Essa cultura acaba por influenciar até o comportamento das vítimas. O que aparece como norma no alto e na forma de poder desce às relações entre pessoas. Faz-nos falta um estudo comparativo pormenorizado do comportamento do maranhense em relação aos brasileiros de Estados que há muito convivem sem a erva daninha das oligarquias.
Como escrevi não faz muito, no Maranhão tudo piora. Não que o maranhense não preste e as boas experiências de fora, por isso, sejam aqui desmoralizadas. A cultura de sustentação da oligarquia é que provincianiza tudo, ombreia tudo pela sarjeta. Das manifestações culturais à política tudo carrega o selo dessa miséria moral e ética.
A pobreza e a miséria fazem parte do projeto de poder da oligarquia. Quanto maior a pobreza, maior a dependência. Não admira que o Maranhão seja há 46 anos uma imensa repartição pública. A miséria moral e ética também deita suas raízes aí, por razões óbvias que não preciso explicitar.
É que essa cultura de sustentação tem também seus tentáculos nas funções públicas. Agora mesmo as pessoas esclarecidas acompanham a imoralidade que se passa no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão. Ali um advogado de Sarney e ex-presidente da Fundação José Sarney, José Carlos Souza e Silva, e um juiz, Sérgio Muniz, que tem o pai no cargo de subchefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney, trabalham sobre um processo de cassação de diploma da governadora sem se dar por impedidos.
É que nas oligarquias certas funções públicas passam a ser exercidas de forma privada. Há o juiz, por exemplo, mas ele está submetido ao poder da oligarquia, de forma direta ou indireta.
Soma-se a isso os oportunistas de sempre. Uma gente sem perspectiva de crescer economicamente ou que pretende dar um salto econômico um tantinho maior, ou que tenha pretensões políticas e acredite que a oportunidade é um cargo público de relevância ainda que diminuta na máquina administrativa. Ou ainda aquele para quem o poder é uma coisa distante e quase divina e só de poder estar ao redor de poderosos sente-se um deles. Claro, há os que reúnem tudo isso em sua indigência moral.
Os sarnopetistas fazem parte dessa horda de indigentes. Não faz um mês e o vice-governador petista Washington Luiz divulgou um documento em que negava até a existência da oligarquia: as mazelas do Maranhão são as mazelas do Nordeste e Roseana Sarney é a portadora da mudança que o Maranhão espera. Claro que ele não acredita em nada disso. É que a moral (digo moral, mas a palavra é imprópria no caso) petista é seletiva. Se me beneficio, a coisa é boa; do contrário, não presta.
Washington Luiz e o sarnopetismo querem fazer crer que a oligarquia mudou. Só que oligarquias não mudam, no máximo se reciclam. O papel higiênico também pode ser reciclado, mas continua papel higiênico.
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.
O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.
Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.
Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.
Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.
Suspeição
Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.
Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?
E a oposição com isso?
O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.
Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.
Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.
Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura ao caso?
Burocratização da política. Despolitização da politica.
Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.
PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar.
Um fenômeno pouco analisado é a mudança de guarda no nordeste, com o fim de velhos coronéis e velhas oligarquias e a entrada de uma nova geração.
Em alguns momentos, a mudança de guarda permitiu transformações relevantes trazidos pela própria alternância de poder.
No Ceará, em 1986 a vitória de Tasso Jereissatti permitiu essa alternância. O mesmo ocorreu no Piauí, com a alternância entre Hugo Napoleão e Wellington Dias, e em Sergipe, com João Alves rompendo a oligarquia Franco.
No Maranhão houve apenas o hiato de dois anos da gestão Jackson Lago, derrubado pelo poder político influindo no poder judiciário. Sem alternância, só restou aos grupos econômicos o alinhamento com os interesses do grupo político. Houve o atrofiamento do empreendedorismo.
Agora, a mais longeva dinastia política do Brasil – os Sarney, do Maranhão – está prestes a se esgotar. O patriarca José Sarney conseguiu sobreviver a todas as mudanças políticas do país nas últimas seis décadas. Menos à mais letal: a idade. Passou dos 80, a cabeça ainda está boa, mas o organismo não, muitas vezes enfrenta problemas de depressão – próprios da idade. E não tem sucessor.
A sucessora natural, Roseana Sarney há muito mostrou ser de fôlego curto, para preservar a dominação dos Sarney sobre o Maranhão.
O Sarney que emerge nos anos 50, substituindo o velho coronel Vitorino Freire, trazia um sopro de modernidade e uma utopia comprada por seus eleitores: a de que, tendo peso político nacional conseguiria atrair grandes obras para o estado que, por si, promoveriam o desenvolvimento.
De fato, atravessam o Maranhão seis rodovias federais, três ferrovias, o estado dispõe dos maiores complexos portuários do nordeste, energia abundante de dois lados, da Chesf e de Tucuruí. E, ao mesmo tempo, ostenta os piores indicadores sociais do país.
É o estado com o menor número de policiais por habitante, de leitores hospitalares, um dos três piores em educação, saúde, saneamento e qualquer outro indicador de civilização.
Não tem sociedade civil, ao contrário do Ceará, lá não se desenvolveu o empreendedorismo, porque tudo submetido ao modelo oligárquico: só prosperavam negócios que interessavam diretamente aos Sarney.
Hoje em dia, o estado exporta soja in natura, por não dispor de um processador sequer. Exporta o ferro a Vale e o alumínio da Alcoa. Não conseguiu atrair uma fábrica sequer de laminado de alumínio, aço, uma indústria com cadeia produtiva robusta e não verticalizada.
Os arremedos de modernização – como a tal reforma administrativa de Roseana, decantada em prosa e verso nos anos 90, não saiu do papel. Não existe um plano de desenvolvimento, anunciaram 72 novos hospitais, não entregaram dez.
No entanto, talvez seja o estado nordestino com maior potencial de desenvolvimento.
Tem uma posição geográfica invejável, na transição da Amazônia com o nordeste, como ponto próximo à África e Europa, com bom regime de chuva, bacias hidrográficas perenes, 640 km de litoral e infraestrutura.
Não tem mão-de-obra especializada porque povo nunca esteve na mira dos Sarney.
Se der sorte, a renovação política permitirá ao estado, finalmente, completar-se.
Dia 29, a partir das 16h30, a população de São Bernardo faz a 1ª Marcha contra a Corrupção. Há 44 anos o município é comandado por um só grupo político, dois anos de mando a menos que a oligarquia Sarney em todo o Maranhão.
O ponto de saída da Marcha será a Avenida Custódio de Almeida Lima, na entrada da cidade.
Escrevi aqui, no domingo, artigo em que mostrava que a longevidade de Sarney no poder era proporcional à mediocridade do maranhense. Pois é, por mais que alguns façam beicinho, é uma verdade inquestionável.
Já disse aqui, por exemplo, que o Maranhão tem mais blogues de política que Brasília, a capital política do Brasil. E apontei a promiscuidade que rola.
Repito à exaustão que a ética jornalística se resume ao seguinte: o jornalista e o meio de comunicação podem ter lado, desde que digam com todas as letras aos leitores. Estes decidem se continuam a lê-los ou não. Mais: ter lado não quer dizer esconder notícias ou distorcê-las em favor do lado escolhido. Nada mais.
Mas é justo o que não se observa. A imprensa escrita maranhense que sempre viveu de um toma-lá-dá-cá abjeto deu as armas aos blogueiros. Blog no Maranhão virou uma quitanda desqualificada, digo desqualificada porque a maioria dos quitandeiros não é desqualificada.
O ambiente dos blogues ficou irrespirável.
Claro que mais dia, menos dia a coisa não irá acabar bem. Escreve-se, por exemplo, que há deputado estadual corno. Que deputado sicrano foi visto numa boate de prostitutas. Que a mulher de fulano vive fora da linha e por aí vai. Por muito menos já se matou jornalista no Maranhão. Reparem: não estou a dizer que a saída para a infâmia e a baixaria seja uma bala. Alerto para o pior causado pelo pior.
Jornalistas e meios de comunicação deveriam evitar, por estas bandas, a relação promíscua com os poderes públicos e com parlamentares. Repito: não é à toa que um sujeito medíocre como Sarney há 46 anos manda no Maranhão. Não era para menos, convenhamos.
Meios de comunicação, impressos ou não, não são para vender matérias, seja para elogiar, seja para divulgar, seja para esconder os fatos. Como dizia há muito Milôr Fernandes, isso pode ser armazém de secos & molhados; jornalismo, jamais.
Leiam abaixo matéria da revista Exame sobre a cidade de Porto Franco:
A cidade de Porto Franco, no Maranhão, fica no meio do caminho entre o Mapito, a porção fértil do cerrado que toma parte do Maranhão, Piauí e Tocantins; e Itaqui, o porto brasileiro mais próximo dos mercados do hemisfério norte.
Localizada 750 quilômetros ao sul de São Luís, Porto Franco é banhada pelo Rio Tocantins, cortada pela rodovia Belém-Brasília e pela ferrovia Norte-Sul, já em plena operação até o Porto do Itaqui.
Pela ferrovia passam 6 milhões de toneladas por ano de produtos como grãos e biocombustíveis. Quando o trecho da Norte-Sul entre Palmas, no Tocantins, e Anápolis, em Goiás, estiver completo, o que está previsto para 2012, o volume deve chegar a 27 milhões de toneladas.
Há estudos também, ainda sem prazo de conclusão, de um ramal para ligar a Norte-Sul á Transnordestina, ferrovia que deve ficar pronta em 2013. Se o projeto sair do papel, deverá melhorar o escoamento da produção do Mapito, responsável por 5% da safra brasileira de grãos. Porto Franco, então, se tornará um dos principais entroncamentos ferroviários e de logística do país.
Pela localização e pelas perspectivas, a região de Porto Franco vem atraindo empresas nos últimos anos. Em 2004, ao procurar um lugar para expandir suas atividades, o grupo Algar Agro escolheu a cidade para construir uma unidade de armazenamento e esmagamento de soja de 200 milhões de reais. ‘Além da localização, nossa opção levou em conta o grande contingente de mão de obra jovem que vem sendo qualificada’, disse Leonardo de Freitas, superintendente da Algar Agro.
Inaugurada em 2007 com capacidade de esmagar 480.000 toneladas por ano, a fábrica mudou a vida do lugar. Desde então, Porto Franco vem criando um distrito agroindustrial às margens da ferrovia, que além da Algar Agro, já conta com unidades da Cargill, da Bunge e da Ceagro. A instalação do pólo agroindustrial deve impulsionar a economia local ao longo da próxima década.
‘O processamento da soja deve desenvolver também atividades como a pecuária e a avicultura’, disse o economista Giovanni Cordeiro, especializado em pesquisa de mercado da consultoria Deloitte.
Outra atividade em expansão é o cultivo de eucalipto – está prevista para 2013 a inauguração de uma fábrica da Suzano no município vizinho de Imperatriz. A fábrica, em si, é um novo impulso para a região – não só pelos empregos e impostos que deve gerar, mas também pelos negócios e profissões que pode atrair.
São profissionais como o engenheiro agrimensor Anderson Vieira, que no ano passado deixou Viçosa, no interior de Minas gerais, para montar em Porto Franco a Florestar, empresa de serviços florestais. Sozinho, ele já investiu 8 milhões de reais na compra e no aluguel de terras e no plantio de árvores.
Comentário do Blog: Nada disso estaria acontecendo se Porto Franco não tivesse uma administração que criasse as condições para o desenvolvimento. O prefeito é Deoclides Macedo (PDT). A partir de 2005, quando assumiu a prefeitura, Macedo vem procurando atrair investimentos para a cidade. Mas investimentos não caem do céu como chuva. Investimento atrai investimento. Foi o que fez a prefeitura: investiu na cidade. De Educação à infraestrutura. Os resultados esperados vêm acontecendo.
A longevidade de Sarney no poder é proporcional à mediocridade do maranhense.
Nesses 46 anos de mando (é disso que se trata, afinal estamos falando de uma oligarquia) nada, absolutamente nada de brilhante surgiu na oposição. E olha que não precisava de muito para obscurecer o obtuso Sarney. Não é à toa que sempre que pensam estar desclassificando-o, na verdade estão emprestando a Sarney uma inteligência e uma sagacidade de que ele nunca foi portador. Quem vive no escuro acredita piamente que palito de fósforo aceso é estrela.
A frase inicial no mínimo causa desconforto. Ela foge do tatibitate das teses fantasiosas e cheias de piedade e autopiedade. E não restringe a discussão aos políticos ou a quem procura um mandato. Esses estão incluídos na palavra maranhense da frase, que apanha todos a contrapelo.
Sarney não é o autor da mediocridade maranhense (ele é medíocre até para isso). A mediocridade maranhense é que lhe deu tutano e seiva. Sarney é a criatura, se é que me entendem.
Daí não estar distante da verdade dizer que nesses 46 anos surgiram mais candidatos a Sarney do que homens decididos a encerrar com um ciclo de mediocridade intelectual, econômica e política. Um bestialógico da era Sarney não pode eixar de fora a asnice do maranhense em geral, eis a verdade.
Os Sarney prevalecem porque os maranhenses são da mesma linhagem. E não me puxem da gaveta de lágrimas a conversa de que eles vencem eleições porque compram votos. Seria o único caso no mundo de corrupção apenas com a figura do corruptor, não é verdade? Ou então: “Sarney se apossou de todo o aparelho de Estado, da polícia ao Judiciário”. Bacana, mas quem dá vida ao aparelho de Estado é gente ou é asno (sei, boa parte é asno, mas não convém à conversa agora)? É holandês ou é maranhense?
Ninguém está a dizer (ter de explicar isso já diz tudo) que Sarney e seus asseclas não têm culpa no cartório. Têm a perder de vista. Aqui a conversa tem outro eixo. É a longevidade do poder. Longevidades exigem cúmplices, direta ou indiretamente. Espanta que não estarreça que essa longevidade não carrega um único sinal de brilho. Espanta ainda mais que seus opositores não vejam isso. Sarney foi, é e morrerá sendo um político menor, essa a extrema agonia que ele carrega. Daí a a tentativa desesperada (de náufrago) de dar brilho à biografia por meio da literatura. Sabedor de que não ficará como político, a não ser por aspectos negativos, tenta a todo custo firmar-se como intelectual e escritor. Desgraçadamente, também aí falha, estrondosamente. Não há nem a necessidade de puxar os artigos que comete na imprensa, que mais parecem ter sido escritos por Dilma Rousseff, tamanha é a confusão de ideias e o massacre do idioma.
Peguem Lula. Lula é analfabeto por opção, mas ninguém lhe nega a astúcia e o traquejo político. Perto de Lula, Sarney perde ainda mais em estatura. Lula proclama coisas absurdas, mas o faz com a simplicidade de uma lavadeira. Sarney, por sua vez, tenta dar pompa à estultice de que é proprietário. Aparentar ser o que não é resulta em ridículo. A cafonice aflora. Sarney é o mais cafona dos políticos que já sentaram na cadeira de presidente do Brasil.
Alguém há de dizer que não são apenas os maranhenses os únicos cúmplices da longevidade de Sarney. Porque há a longevidade federal, digamos assim. Nada mais equivocado. O poder federal de Sarney é, primeiramente, proveniente do poder estadual. Basta saber que ele não foi eleito presidente da República pelos brasileiros. Outro há de puxar o Amapá. Certo, existe o Amapá, mas ali ele não manda e desmanda há 46 anos. Hoje sabe-se que as chances de vir a se reeleger senador pelo Amapá são exíguas. Um capítulo à parte, portanto.
Como explicar, por exemplo, as sucessivas vitórias de Roseana Sarney, a filha sinhazinha do coronel? A compra de votos e os ilícitos não explicam nada por si. Não é à toa que Roseana Sarney seja dos filhos a que mais se parece com o pai. Roseana não responde de chofre nem ao mais elementar dos cálculos. Se lhe perguntarem quanto é 4 vezes 9 ela muda de conversa. É de causar espécie que não tenha enveredado pela literatice. O Maranhão inteiro é sabedor de que ela é filha de Sarney. Como ainda votam nela? Prova de que o antissarneísmo do maranhense tem muito de proselitismo. Sem falar no sarneísmo da oposição, isto é, na incapacidade de estar acima de Sarney politicamente. Sarney e oposição medem ombro na mediocridade. Difícil achar um vencedor nesse quesito. Não é sem explicação que, por exemplo, grande parte venda o voto.
Enquanto a oposição tiver Sarney como paradigma, não estará fazendo outra coisa a não ser exercitar a inveja. Coisa que jamais rendeu voto ou transformou a realidade. Gera, no máximo, fofoca, coisa em que o maranhense é craque. O povo? Bem, de um lado não tem culpa quando não enxerga opção. Mas isso pouco ou nada explica. Do contrário Sarney não teria tamanha longevidade no poder.
PS: Nem bem acabei de postar o artigo e Sarney resolveu fazer homenagem póstuma a Joãosinho Trinta. Será que ninguém na famiglia tem coragem de dizer: “Sarney, larga essa mania de obrar crônicas”? Certamente devem gostar.
Já na abertura Sarney comete isto:
“Gonçalves Dias, na Canção do Exílio, dizia que “nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá”. Mas temos também nossos Joões que cantam sem sabiá. Agora, desaparece mais um deles, Joãosinho Trinta, o carnavalesco, o homem de talento, de originalidade e imaginação, sendo uma referência na cultura popular brasileira, onde cantava e fazia multidões cantarem”.
Bom, fiquei com uma vontade danada de comprar um CD de Joãosinho Trinta, o cantor sem sabiá. “Mas temos também nossos Joões que cantam sem sabiá”. Frase inacreditável, sobretudo se se pensa na que a antecede.
E logo depois isto:
“Joãosinho nasceu João, tinha um Clemente, depois um Jorge, também de santo festeiro no Tambor de Mina no meio e, finalmente Trinta, que lhe marca o renome”.
Que diabos Sarney quis dizer com isso? No futuro é capaz de passar por hermético. Mas hoje sabemos: é a confusão mental a autora dessa frase cabeluda.
Poderia seguir apontando as bobagens pseudopoéticas de Sarney. Mas é domingo e o sol me aguarda lá fora. Deixemos Sarney na escuridão devida.
Só para encerrar: isso é uma homenagem póstuma? Nunca um morto foi tão maltratado. E em português ruim embrulhado por ideias confusas e estapafúrdias.
Vejam a preciosidade que acabo de colher na Veja Online (seção Brasil). Vejam e aprendam: oligarquia não mata só de fome e analfabetismo. Mata também quando oferece segurança de Afeganistão (com helicópteros da segurança a serviço, por exemplo, dos passeios de Zé Sarney):
O Brasil teve 49.932 homicídios no ano de 2010. De acordo com o Mapa da Violência, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Sangari com informações dos ministério da Saúde e da Justiça, a taxa de homicídios no ano passado ficou em 26, 2 mortes para 100.000 habitantes. O número significa uma pequena redução em relação a 2009, quando a taxa foi de 27 mortes. Mas a taxa é superior à de conflitos armados em países como o Afeganistão, a Somália, ou o Sudão. Qualquer taxa acima de 10 mortes por 100.000 pessoas é considerada epidêmica por organismos internacionais. Uma epidemia que, no Brasil, tirou 1 milhão de vidas nos últimos 30 anos.
O maior índice de homicídios é o de Alagoas, com 66, 8 mortes por 100.000 habitantes. Em seguida, vêm o Espírito Santo (50, 1), Pará (45, 9), Pernambuco (38,8) e Amapá (38,7). Os menores números são os de Santa Catarina (12,9), Piauí (13,7), São Paulo (13,9), Minas Gerais (18,1), Rio Grande do Sul (19,3) e Acre (19,6). Entre as capitais, Maceió é a que tem o maior número de homicídios por habitante. São Paulo possui a menor taxa. A trajetória da capital paulista, aliás, chama a atenção: em 2000, a cidade tinha a 4ª maior taxa entre as capitais. De lá para cá, o índice de homicídios no município caiu cerca de 80%.
“A grande novidade é que há um processo de nivelamento nacional da violência que não existia dez anos atrás. Há dez anos, ela estava concentrada nas regiões metropolitanas. Agora se espalhou. As taxas dos sete estados que em 2000 eram os líderes de violencia cairam, e os sete que tinha as taxas menores subiram”, diz Julio Jacobo, coordenador da pesquisa.
Aumento - Uma análise em perspectiva mostra um aumento da violência nas regiões Norte e Nordeste: entre 2000 e 2010, o número de homicídios mais do que quadruplicou no Pará, na Bahia e no Maranhão. A maior queda se deu em São Paulo, que registrou uma redução de 63, 2% no número de homicídios durante a década passada, mesmo com o aumento populacional. O Rio de Janeiro também teve uma diminuição expressiva, de 42,4%, no período.
A pesquisa mostra que os números da violência têm se estabilizado nas capitais, enquanto a criminalidade avança nas cidades menores. Em 2010, a maior taxa de homicídios ficou com a cidade de Simões Filho (BA): o índice chegou a 146, 4 assassinatos por 100.000 pessoas. De acordo com o levantamento, três causas contribuíram para essa mudança de perfil: a desconcentração econômica do país, o aumento do investimento em segurança nas grandes cidades e a melhoria nos sistemas de captação de dados sobre crimes nos pequenos municípios.
Jovens - A violência entre os jovens continua mais elevada do que no restante da população: a taxa de homicídios entre os que têm até 30 anos é o dobro da média nacional. A faixa mais crítica é entre os 20 e os 24 anos. Os homens continuam sendo as maiores vítimas da violência: 91% dos homicídios registrados no Brasil em 2011 envolveram pessoas do sexo masculino.
Os negros também são um grupo em situação mais vulnerável nesse quesito: no ano passado, morreram 139% mais negros do que brancos. Ou seja: mais do que o dobro. Enquanto a taxa de homicídios entre os afro-descendentes cresce, ela cai no restante da população.