16 de junho de 2011 às 10h51min
O líder sem-terra José Rainha foi preso pela Polícia Federal hoje cedo (16) na região de Presidente Prudente sob a acusação de envolvimento em desvios de verbas destinadas a assentados no Pontal do Paranapanema.
Rainha foi detido na Operação Desfalque, na qual foram expedidos outros nove mandados de prisão temporária. A investigação começou há cerca de 10 meses.
Comentário do Blog: Esse é o companheiro Rainha, que um dia o PT e a igreja da foice quiseram canonizar. Mas Rainha ainda pode ser considerado peixe pequeno. Se no Congresso houvesse mais gente decente que bandida, era abrir a caixa preta das contas do MST e o escândalo seria de proporção inimaginável.
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10 de junho de 2011 às 07h55min
No dia 31/05, postei o texto que tinha o seguinte título: “Esquerdofrênicos culpam Código Florestal por morte de agricultores no Estado do Pará”. É que representantes da Comissão Pastoral da Terra e do MST falavam em mortes em série no campo por obra de desmatadores.
Entre outras coisas, disse que era preciso ter muito cuidado com essa turma (CPT e MST). O histerismo em questão tinha outra função. Além, claro, de dizer que era um absurdo culpar o Código Florestal por conta de mortes no campo.
Pois bem, o Portal ORM, do Pará (http://www.orm.com.br), acaba de desmistificar a batalha que estava dizimando agricultores inocentes por conta do Código Florestal.
Leiam a matéria abaixo e tirem suas conclusões:
Homem morto no Pará era fugitivo do Maranhão
O homem morto no dia 1º de junho, na estrada que da acesso ao Assentamento Sapucaia, em Eldorado dos Carajás, município do sudeste do Pará, usava nome falso e era foragido da Justiça do Maranhão. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (8), depois da localização de familiares da vítima em Bom Jardim, localidade da zona rural maranhense. Identificado na ocasião como um lavrador de nome Marcos Gomes da Silva, na verdade ele se chamava João Vieira dos Santos, tinha 33 anos e nasceu no município de Zé Doca, no Maranhão. Ele respondia naquele Estado pelo assassinato de Francisco das Chagas de Albuquerque França, morto a pauladas em 2001.
Na época, João chegou a ser preso, mas fugiu da Delegacia de Zé Doca junto com outros dois presos, em outubro de 2003. No mês da fuga ele havia sido pronunciado pela Comarca Judiciária de Bom Jardim pela autoria do crime. Conforme as investigações, ele fugiu do Maranhão e seguiu para o Estado do Pará, onde passou a viver com nome falso e a morar em diversas cidades, como Goianésia, Tailândia e Marabá, até chegar a Eldorado dos Carajás, há cerca de dois anos.
A identificação foi feita através de fotos. O termo de reconhecimento foi assinado pelo irmão de João. Ouvida em depoimento, a companheira de João, Maria Francisca Silva César, disse que ele não possuía documentos e apenas se identificava como Marcos.
Tatuagens
Também natural do Maranhão, a mulher garantiu que não sabia de qualquer envolvimento do companheiro em crimes naquele Estado. As suspeitas de que a vítima seria fugitivo começaram ainda durante o exame de necropsia no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, em Marabá. O delegado Silvio Maués, diretor de Polícia do Interior, explicou que as três tatuagens encontradas no corpo da vítima levavam a crer que se tratava de um presidiário.
Essas informações foram confirmadas depois que uma equipe da Polícia Civil de Capanema, nordeste paraense, sob o comando do delegado Vicente Gomes, foi ao Maranhão localizar familiares do morto. Os policiais conseguiram uma foto, na qual João Vieira dos Santos aparece algemado durante a reconstituição do homicídio pelo qual respondia. Também foi decisiva para a identificação do morto a coleta de impressões digitais feita no CPC Renato Chaves em Marabá, onde foi possível encontrar a ficha de identificação, certidão de nascimento e o registro em cartório dele na Comarca de Bom Jardim.
Durante as investigações, duas testemunhas ouvidas em depoimento relataram que a vítima era envolvida em crimes na região do Assentamento Sapucaia, onde vivem 26 famílias. Uma das pessoas chegou a ser assaltada por ele. João também é acusado de roubos a caminhões de transporte de cargas.
Para o delegado Rilmar Firmino, já existem linhas de investigação sobre o motivo do assassinato de João Vieira dos Santos. A causa mais provável é vingança. No dia do crime, a vítima foi baleada pela manhã e socorrida por uma moradora do Assentamento. À noite, enquanto ele era levado até o hospital municipal de Eldorado do Carajás, o veículo foi interceptado na estrada por dois homens armados. Os ocupantes foram obrigados a descer do veículo e João foi levado e morto. As investigações do crime prosseguem para identificar e prender os autores.
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31 de maio de 2011 às 22h14min
Há três dias venho lendo matérias absurdas a respeito das mortes no campo. Não que as ameaças e mortes não existam de fato. Pena que o MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) acreditem que o melhor para os camponeses seja o governo do PT. Essa turma votou maciçamente em Lula em 2002 e repetiu a dose em 2006 e 2010.
Bom, mas voltemos ao tema central: as recentes mortes no campo.
Primeiro foi um representante da CPT a puxar a conversa. Segundo ele, a situação no campo piorou com o governo Dilma. Depois tratou de pôr as recentes mortes no campo no Estado do Pará na conta do novo Código Florestal. Os desmatadores sentiram-se liberados para avançar e matar.
Ninguém pense que nessas afirmações há idiotices ou ingenuidade próprias ao riso. Longe disso. Aí há clara chantagem política ao governo Dilma. O novo Código Florestal aprovado na Câmara não liberou o desmatamento. Quem diz isso mente descaradamente. Como a matéria foi ao Senado, essa turma faz chantagem para o governo Dilma pressionar o Senado e aprovar uma pequena, mas fundamental, aberração: a penalização de quem é proprietário de quatro módulos fiscais. No Brasil os quatro módulos variam, conforme a região, de 40 a 100 hectares. Portanto, quem tem quatro módulos fiscais é pequeno agricultor. Essa turma mente, diz que são pessoas do agronegócio. Só uma mente doentia tenta fazer acreditar que alguém do agronegócio tem 40 hectares. Os proprietários do agronegócio têm muita grana e vastas terras. Para eles não custa nada deixar 20 ou 30% de suas terras intactas. Como não custa nada a eles replantar 20 ou 30% de área de Preservação Permanente que o novo código exige.
No Pará, Estado com longo histórico de violência no campo como nenhum outro, mataram agora outras pessoas do campo. Começaram a falar dessas mortes como se fossem novidade por lá. Vejam o que diz um representante do MST, ele próprio ameaçado de morte há muito:
“Foi dado o aval para diminuir as áreas de reserva. A flexibilização vai provocar uma corrida pelo desmatamento na região Amazônica. Vai aumentar a grilagem de terras e a pressão sobre as comunidades tradicionais, que vivem do extrativismo”.
A afirmação é de Ulisses Manaças, dirigente do MST no Pará. Nenhuma pessoa decente deste País deseja a morte dele. O que não impede a desconfiança com as afirmações feitas por ele. O novo Código Florestal não dá aval algum para diminuir as áreas de reserva. Não há flexibilização de nada, portanto, o novo código não vai provocar uma corrida pelo desmatamento na região Amazônica. Concorda com ele quem defende camponeses a partir de um apartamento de área nobre da Região Sul ou Sudeste. Para quem entende do assunto ou acompanha com olhos decentes, Manaças presta um desserviço à causa que pretende defender. Como de resto, o faz o MST, há muito um movimento que tem por única finalidade acirrar a luta no campo e é constituído em sua maioria por gente arrebanhada nas cidades, que nunca viu uma enxada ao vivo.
É do mesmo Manaças a afirmação:
“Antes a disputa era entre camponeses e fazendeiros, criadores de gado. Hoje é com madeireiro, mineradores, é com a indústria de soja, de biodiesel”.
A primeira inverdade: hoje a disputa é com madeireiro, mineradores, é com a indústria de soja, de biodiesel. Reparem que ele omite, por ignorância no assunto ou por esperta premeditação, o que dá no mesmo, a corrida de nordestinos para a região na época da ditadura militar com a construção das rodovias Belém-Brasília e Transamazônica, ou para trabalhar na mineração. Olho aí na palavra mineração. Portanto, não é de hoje, o que afasta a culpa fantasiosa do código florestal.
O que precisa ser dito com todas as letras, é que todo o cuidado com essa gente é pouco. Os movimentos de luta de classe – caso evidente do MST – sempre souberam tirar proveito de mortes. Da Rússia ao Brasil. Uma morte para o MST faz o que nenhum publicitário conseguiria. Quem já participou de movimentos de esquerda sabe do que falo sem rodeios.
Gostaria que Manaças tentasse explicar a invasão pelo MST da fazenda de laranjas em São Paulo, ocorrida há um ou dois anos. Não se tratava de terra improdutiva, não era terra grilada, não havia denúncia de desmatamento, não tinha serviço de mineração nem era indústria de biodiesel ou mesmo lugar de criação de gado. Quanto aos dois últimos é preciso dizer: não se pode ser contra a indústria de biodiesel em si, não é verdade, senhores defensores da natureza? Como só a insanidade pode desejar que não existam fazendas de gado. Ponto.
Ao dizer essas verdades, só posso esperar pela palavra mágica dos que são pilhados em mentiras: direita. Bom, se esquerda é isso que vemos desde 2002, com a chegada do PT ao poder, ser chamado de direita é um elogio. Afinal, só para trazer à boca do palco, nunca ninguém me viu na companhia de Collor ou tentando a qualquer custo o apoio de Maluf. Mais: transformando Sarney em companheiro de viagem.
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11 de maio de 2011 às 19h53min
Roseana Sarney se diz de esquerda, o PT se diz de esquerda, Sarney Filho é verde, Sarney velho defende o novo Código Florestal. Num mundo assim, não espanta que o analfabeto do Lula seja doutor em Portugal. Sem ser piada de português, acrescente-se.
Nunca fui com os cornos das tais ONGs. Não vou sair por aí com uma lanterna atrás de uma que seja decente, quem encontrar que me apresente.
As pessoas dessas ONGs são, regra geral, as que, após a ruína do comunismo, se viram sem língua. Como defender o comunismo saiu de moda, trataram de criar a moda do fim do mundo. Para ganhar boa grana reinventaram o Apocalipse. Mas não um qualquer, que essa turma é tudo, menos besta: são apocalípticos integrados (Umberto Eco sabe do que falo).
Eles já berraram contra o aquecimento global. Alguns cientistas decentes vieram a público dizer que boa parte do planeta estava esfriando. Os apocalípticos integrados trataram de passar um pente na teoria do aquecimento global.
Foi, então, que cismaram com o pum das vacas. Não eram mais as fábricas, mas as vacas que, punzeiras, como diz meu filho de cinco anos, estavam provocando o aquecimento do planeta. Como ninguém no planeta estava disposto a abrir mão do leite e do queijo, deixaram as vacas e seus puns de lado.
Agora quem vai destruir o ecossistema são os pequenos produtores rurais, os que são proprietários de até quatro módulos fiscais (de 40 a 100 hectares!!). Os onguianos não estão sós nessa luta contra moinhos de vento. O Governo Dilma está erguendo lanças contra os pequenos proprietários. Vem sobrando para Aldo Rebelo, logo ele, que é até a favor do Dia Nacional do Saci Pererê.
Mas as ONGs são formadas por gente que quer de qualquer maneira mostrar que não discute no vácuo. Reacionário quem pensa que o discurso deles não é politizado. Então trataram de inventar de que o novo Código Florestal é para inibir os capitalistas tarados do agronegócio, jamais para transformar pequenos produtores rurais em mendigos citadinos, mendigos cosmopolitas.
Não vou discutir a ignorância paleolítica de quem vê no agronegócio a encarnação do demônio. Esse folclore, digamos assim, serve para a criação de cordéis desavisados. O Brasil que tem todos os neurônios intactos sabe que o Brasil, a partir da criação do Real, com a estabilidade na economia, finalmente começou a enxergar o que era apenas discurso ufanista: a possibilidade de ser um grande celeiro de alimentos.
As ONGs e o MST vão na contramão. Para eles, o Brasil só pode produzir alimentos para brasileiros. Prova de que não são de esquerda e de que nunca leram pelo menos a orelha de um livro de Marx. Para ser fiel à sua teoria do internacionalismo, Marx tinha verdadeira ojeriza aos provincianos, bairristas e xenófobos. Marx pregava uma sociedade internacional; o PT, as ONGs e o MST pregam um mundo brasileiro. Um mundo que não comporte ingleses, ucranianos, americanos, franceses, turcos e as cavas, afinal elas soltam puns poluidores.
Desculpem-me, mas puta que o pariu, como fomos capazes de criar tantos imbecis?
P.S: Vocês observaram que não citei a rainha da floresta, Marina Silva. Como já escrevi muitas vezes e sobretudo no período eleitoral de 2010, essa moça é o PT da floresta. É a burrice verde, o autoritarismo verde. Na outra encarnação – se encarnação houver – virá de capim.
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28 de abril de 2011 às 23h07min
A Folha de S. Paulo (ah, a moderninha Folha, que todos os dias é chamada de golpista e direitista por Zé Dirceu, mas que nos 90 anos do jornal fez questão de ter Zé Dirceu como convidado de honra, o que já diz muito da honra do jornal, convenhamos) publicou na semana passada entrevista com Stédile, o sujeito que quer reforma agrária só em fazendas prontas, como explicarei mais abaixo.
Lá Stédile diz que há 4 milhões de trabalhadores rurais à espera da reforma agrária. Um chute, uma mentira, um descaramento, cunhem como vocês quiserem. O certo é que esse número não existe na vida real. A maioria dos arrebanhados pelo MST é gente das cidades. Gente que nunca viu uma enxada ao vivo.
Um leitor contou-me, num encontro casual, que conheceu dois irmãos que souberam que o MST estava à procura de pessoas para suas fileiras. Nascidos, criados e vivendo em São Luís, os dois foram ao encontro do MST. Ambos ganharam terras num assentamento, que trataram de vender logo depois. É que os dois irmãos nunca haviam plantado uma mísera notícia em jornal, quanto mais uma abóbora. Portanto, 4 milhões é conversa para a Folha ouvir e divulgar.
Não há notícia de que em toda a sua existência, o MST quisesse mesmo terras improdutivas. Do contrário não existiriam tantas terras devolutas no país dando bobeira, para as quais o movimento vira solenemente a cara, diga-se.
Isso prova que o MST é, na verdade, um partido político sem existência legal, que se traveste de movimento social (seja lá o que isso queira dizer) para seguir em sua campanha pela tomada do poder e implantação de uma ditadura dita de esquerda. Claro, com a conivência do petismo, que desde que se encontra no poder lhe repassa milhões do dinheiro que nos toma com impostos.
Eu me sinto prejudicado pelas bandalheiras do PT federal, mas se eu resolver, por isso, invadir um prédio público, imediatamente serei preso. O MST, não. O MST é tratado a pão-de-ló pelo Governo Federal para fazer o que bem entenda, sobretudo rasgar a Constituição. Quem sacar da Constituição será criminalizado por querer criminalizar os movimentos sociais (repito, seja lá o que isso queira dizer).
Desafio qualquer pilantra a mostrar que o que digo não é verdade. Mas terá de mostrar com números, ou fotos, ou quaisquer dados reais.
Ia esquecendo: desafio o MST a abrir a caixa preta na qual são depositadas as verbas para desrespeitar as leis em geral e a Constituição em particular.
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Zé Dirceu
2 de setembro de 2010 às 20h38min
No Maranhão as coisas parecem sempre contraditórias. Não que em outros Estados não haja contradições, mas por aqui elas tendem a ser a marca, a característica essencial.
Ao acompanhar, quando posso, os twitteiros daqui, observo que são honestamente contra a oligarquia Sarney. O movimento é forte e entusiasmado.
Mas a maioria dos que querem mudanças no Maranhão – na internet, pelo menos - é entusiasta de Lula e quer a vitória de Dilma Rousseff, esse fenomenal monumento ignorância.
Pergunto, não com espanto, o lulo-petismo já gastou minha coleção de espantos: quem, a partir de 2002, deu sobrevida à oligarquia? Quem, após todas as denúncias da PF contra os malfeitos de Fernando Sarney & Cia. na área de Minas e Energia manteve os apadrinhados de Sarney vigiando os cofres de Minas e Energia?
Para não ficarmos no ontem e no anteontem, quem hoje diz, no horário eleitoral na tevê e no rádio, que o melhor para o Maranhão é Roseana Sarney? Quem, também no horário eleitoral, sorridente, pede votos para Lobão e João Alberto, para melhorar (isso mesmo!) o Senado companheiro?
Errou quem disse que é o neoliberal, o conservador, o representante da direita José Serra. É o descobridor do Brasil, o homem que conseguiu a paz entre Israel e Palestina. Isso mesmo, Lula.
Não foram os tucanos que tomaram de maneira asquerosa e humilhante o PT de Flávio Dino, após ele ganhar no voto o direito a coligar-se com o partido.
Lula diz que nunca antes neste país prefeitos e governadores da oposição receberam tratamento decente do Governo Federal. Nem precisa dizer que Lula é um mentiroso irremediável. Basta perguntar a José Reinaldo Tavares e a Jackson Lago o tratamento que receberam do Governo Federal quando governavam o Maranhão. E eram (e são) de partidos da base aliada do Governo Federal. Lula sequer pôs os pés no Maranhão, nessa época, para não causar desconforto à oligarquia. Sarney passou da condição de ladrão (assim Lula o chamou) a companheiro de infância.
E que não me venham com o argumento de que os movimentos sociais estão com Lula e Dilma. Azar dos movimentos sociais. Os movimentos sociais há muito foram aparelhados e amam não o lulo-petismo, mas as verbas generosas do Govcrno Federal, o MST que o diga.
Certamente, envelheci, e, como um Matusalém de montanha, tenha ficado agarrado a valores indignos como verdade, dignidade e honestidade.
Os adeptos do “esquerdista” Ahmadinejad joguem as primeiras pedras.
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10 de julho de 2010 às 12h43min
Grade de programação
Por Ruy Fabiano*
A duplicidade ideológica do PT, evidenciada quando do registro do programa de governo de Dilma Roussef no TSE, na última segunda-feira, é apenas um dos problemas que a coligação com o PMDB enfrenta. O outro é o próprio PMDB, que se sentiu excluído, eleitoral e ideologicamente, daquele ato, do qual é parceiro.
Como se sabe, pela manhã, o PT registrou um programa que, na essência, repetia os postulados radicais do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3, editado em dezembro. Diante dos protestos, alegou engano e registrou outro, mais moderado, já no final do expediente, às 19 horas.
Tudo indica que teve que improvisá-lo.
O primeiro tinha a rubrica da candidata em todas as páginas; o segundo, não. Se tivesse havido apenas troca de arquivos eletrônicos no computador, como foi alegado, a substituição seria rápida. Bastaria imprimir o programa certo. Mas foi preciso consumir todo o dia para providenciar outro. Daí a suspeita de que não existia.
O programa original resulta das conferências nacionais do PT, que reúne sua militância em todo o país, e que serviu de base também para a elaboração do PNDH 3. Essa militância, que propõe mudanças radicais para o país – entre as quais, “controle social da mídia” (eufemismo de censura), liberação do aborto, legitimação das invasões de terras e quebra do monopólio do Judiciário para solução de conflitos -, foi contida ao longo do governo Lula.
As ONGs que as vocalizam foram sustentadas com verbas e espaços na administração pública, mas seus postulados ignorados.
O governo Lula manteve a política econômica do governo anterior, fez do êxito comercial do agronegócio um dos carros-chefes de sua propaganda e selou alianças partidárias conservadoras, que acabaram por incluir ao lado de Dilma, na chapa presidencial, o presidente do PMDB, Michel Temer. Antes, tentou substituí-lo pelo banqueiro, ex-tucano e presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Um primor de conservadorismo e ambivalência.
Lula mostrou habilidade insuspeitada na administração desses extremos. Alegava aos companheiros que era preciso paciência. Não bastava estar no governo; era preciso estar no poder. Dilma é a expectativa desses grupos de que finalmente, com sua eventual eleição, terão chegado ao poder. É o que se depreende dos vídeos das conferências, acessáveis via Youtube.
O teor de seu programa de governo – o retirado, não o que o substituiu – confirma essa expectativa. Ela diz que o assinou sem ler, o que, além de inverossímil, é inconcebível a um governante. É como um padre conceder absolvição sem ouvir o pecador.
O PNDH 3 saiu também da Casa Civil, quando ela era a titular da pasta. Também não o leu? O que se questiona é sua capacidade – já que é neófita em política e em matéria de PT – de repetir a façanha de Lula, de administrar antagonismos, especialmente porque seu vice é bem diferente do bonachão José Alencar.
Michel Temer é o próprio PMDB: esperto e ambicioso, com grande experiência parlamentar. Já no episódio do registro do programa no TSE mostrou que não será mero figurante. Reclamou participação e não gostou das explicações que ouviu.
Quer ser parceiro de governo, não mero figurante. Como será isso? Eis a questão. O PMDB jamais subscreveria o programa inicialmente levado ao TSE. Talvez nem o segundo. Dilma, na campanha, faz o que pode. Diante do MST, veste o boné da entidade e reclama da criminalização dos movimentos sociais. Em auditórios conservadores, faz o contrário: tira o boné e condena as invasões de terras. Que perfil prevalecerá?
Para enfrentar o desafio, não basta um programa. É preciso uma grade de programação
*Ruy Fabiano é jornalista (Reproduzido do Blog do Noblat)
9 de julho de 2010 às 23h11min
O Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.
O diagnóstico é do economista marxista João Pedro Stédile, fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior organização social do país.
Ele explica que a intensificação de atos num eventual governo do PT ocorre justamente pelas afinidades históricas entre os dois grupos.
“Um operário, diante de um patrão reacionário, não se mobiliza. Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves”, disse ele em entrevista à Reuters, a primeira desde o início do processo eleitoral.
“Se o Serra ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo…A vitória dele é a derrota dos movimentos sociais”, acrescentou.
Por essa razão, a opção “majoritária” do movimento é apoiar a ex-ministra–mesmo que, nos últimos anos, justamente num governo considerado amigo, o MST tenha se enfraquecido e chegado à conclusão de que “o agronegócio venceu”.
“Lula não fez reforma agrária, mas uma política de assentamento…Metade dos números do governo é propaganda”, afirma Stédile.
Segundo dados oficiais, quase 1 milhão de famílias foram instaladas nos últimos sete anos em terras cedidas pela União ou compradas do setor privado pelo valor de mercado.
Menos de 10 por cento dos 47 milhões de hectares destinados a este fim foram obtidos por meio de desapropriações de terras improdutivas ou griladas, mecanismo defendido pelo movimento.
O modelo adotado por Lula custa caro. Na região Sul, uma das mais caras do país, assentar uma família exige o desembolso de 126 mil reais. A média nacional é de 65 mil reais, conforme cálculo no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Apesar de algumas decepções, João Pedro Stédile descarta apoiar um candidato de extrema esquerda. “Não temos alternativa.”
“É como se você percebesse que seu time pode cair pra segunda divisão e faz o que for possível para vencer o campeonato.”
CRIMINALIZAÇÃO
O MST vive um período difícil e se queixa de ter sido alvo de criminalização pela imprensa e por “forças de direita” nos dois mandatos do PT. Stédile raramente dá entrevistas.
“A imprensa, que antes nos tratava como coitadinhos e até nos elogiava, passou a nos dar um pau nesses oito anos, passou a ser arma da direita para nos estigmatizar.”
O movimento endossou a candidatura de Lula em 2002 apostando numa administração à esquerda. Frustrou-se com a continuidade do modelo macroeonômico implantado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Voltou a dar um apoio tímido em 2006, momento mais difícil para o PT com a crise do mensalão. Após a vitória de Lula naquelas eleições, as relações ficaram estremecidas.
Nesse período, a organização enfrentou três CPIs no Congresso e perdeu diversos repasses financeiros de convênios federais. Partidos como PSDB e Democratas acusam o governo de patrocinar ocupações de terra com dinheiro público.
“Não somos puxa-saco nem pau-mandado de ninguém”, enfatiza.
CUTRALE
Epiódios controversos também tiraram capital político da organização, como a destruição por grupos sem-terra de pés de laranja de uma das fazendas da empresa Cutrale. As imagens flagradas pela TV arrancaram de Lula duras acusações de prática de “vandalismo”.
“Aquilo foi um erro tático…Mas aquele ato impensado foi usado contra nós como se tivéssemos matado uma criança”, rebateu o líder sem-terra. “Se fôssemos radicais, estaríamos botando fogo em tudo.”
O apoio informal à Dilma –que assegurou durante a campanha que não vai tolerar “atividades ilegais” do movimento–, e não a presidenciáveis ideologicamente mais próximos ao MST, como Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), vem de uma avaliação pragmática de que esses nomes não foram capazes de aglutinar forças populares.
Para Stédile, Marina Silva (PV), assim como os outros candidatos de esquerda, não devem receber mais que 10 por cento dos votos sem-terra. “Ela expressa as forças sociais apenas da classe média do Rio de Janeiro e de São Paulo.”