Blog do Kenard – Notícias e Análises

16 de dezembro de 2011 às 22h46min

Dilma Rousseff, como boa petista,
confunde o público com o privado.
Ou seria com a privada?

Leiam este trecho de matéria que acabo de colher em O Globo (o título é do blog). Logo abaixo há o Comentário do Blog:

Por Chico de Gois e Luiíza Damé, no Globo:
A presidente Dilma Rousseff voltou a defender nesta sexta-feira, durante café da manhã com jornalistas que cobrem o dia a dia do Palácio do Planalto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Quando deixou a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2009, Pimentel tornou-se sócio de uma empresa de consultoria que recebeu R$ 2 milhões. Um dos clientes teria sido a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que pagou R$ 1 milhão para, entre outras coisas, dar palestras às dez regionais da instituição no estado. Porém, como o GLOBO revelou na quinta-feira, as regionais desconhecem o trabalho.
Dilma, que já havia dito no início da semana que as supostas irregularidades envolvendo a empresa de Pimentel são problemas pessoais dele, voltou a bater na mesma tecla. “Não tem nada a ver com o meu governo. O que estão acusando, não tem nada a ver com meu governo” afirmou. Ao ser lembrada que o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci deixou o governo justamente porque não deu explicações convincentes sobre uma empresa de consultoria que faturou somente no ano passado R$ 20 milhões, Dilma declarou: “O Palocci quis sair”. Na quinta-feira, Pimentel, em Genebra, insistiu que não tem de dar mais explicações sobre os contratos de sua empresa. Ele disse que, para ele, o assunto está encerrado. “Eu não falo sobre isso. Tudo o que tinha para falar já falei”, disse ele.

Comentário do Blog: Coisa interessante. É impossível esperar que petistas tenham dignidade. Vejam agora as palavras da presidente Dilma. Segundo ela, as estrepolias do antes colega de assaltos a banco e agora ministro Pimentel  são pessoais. Pergunto: as de Palocci eram impessoais?

Vamos revirar o baú da lógica.

A presidente Dilma escolhe para ministro Zé Pereira. OK, tudo bem. Então, ao saber o nome e o cargo do ministro, a imprensa que vale ser lida, prova que Zé Pereira trata-se de um grileiro de terras e desmatador voraz.

O que deve fazer a presidente Dilma:

1) Demitir Zé Pereira;

2) Manter Zé Pereira no governo com o argumento de que isso é pessoal e anterior à indicação ao ministério

Ninguém precisa ser intelectual ou ter lido James Joyce para saber que a opção número 1 é a única alternativa decente da presidente. Ou estou a dizer tontices?

Tire-se o nome de Zé Pereira e no lugar ponha-se o nome de Pimentel. Tire-se a denúncia de grileiro de terras e de desmatador e ponha-se no lugar o benefício provindo de cargo público. Há diferença?

Claro que não. O que prova que Dilma Rousseff chuta o traseiro de aliados que não pertencem ao PT, quando se trata de petistas, e petistas que sabem muito bem o que se passou na campanha presidencial de 2010, ilícitos são vistos como questão pessoal.

Eu nunca engoli essa senhora no governo Lula nem quando candidata a presidente, agora como presidente só tenho motivos para dizer que ela é uma legítima petista.

E isso não é um elogio, os inteligentes sabem muito bem.

 

 

4 de dezembro de 2011 às 09h15min

Lupi, Weverton Rocha e Chico Leitoa
sob suspeita de desvios milionários

A fartura de dinheiro repassado pelo Ministério do Trabalho, de Carlos Lupi (PDT), para organizações não governamentais contrasta com a precária estrutura de controle da boa aplicação dos recursos destinados a programas de qualificação de mecânicos, garçons, marceneiros, entre outros trabalhadores. Levantamento com dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) informa que o ministério acumula R$ 282 milhões em prestações de contas de ONGs, fundações e prefeituras não analisadas.

Isso significa que o ministério liberou o dinheiro, mas não sabe se os serviços foram executados. As pilhas de prestações de contas estão acumulando poeira desde 2004. Entre as contas pendentes estão os processos do Instituto Brasil Voluntário – Bravo, ONG indicada pelo deputado Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais assessores de Lupi à época da assinatura do convênio entre a entidade e o ministério. A entidade firmou, em dezembro de 2007, um convênio de R$ 2.184.870,00 com o pretexto de qualificar jovens para o primeiro emprego. Mas, segundo um fiscal, depois de receber o dinheiro, desapareceu. Esse fiscal relata que a entidade entregou a prestação de contas da primeira parcela (aproximadamente R$ 800 mil) e simplesmente sumiu.

Nos documentos apresentados ao ministério, a Brasil Voluntário informa como endereço um escritório em Timon, no Maranhão, uma das bases eleitorais de Weverton. Em 2008, ano seguinte à assinatura do convênio, dirigentes da entidade teriam ajudado a campanha do ex-deputado Chico Leitoa (PDT) à prefeitura local. Leitoa é um dos principais aliados de Weverton Rocha.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta graves irregularidades no convênio. Entre outras ilegalidades, os fiscais verificaram “indícios de fraude na formulação de planilhas de custos de cursos de qualificação específica” e “pagamentos indevidos a servidores públicos”.

Nos papéis relegados a segundo plano estão ainda uma das prestações de contas da Fundação Pro-Cerrado, do empresário Adair Meira, o mesmo que providenciou um avião para Lupi fazer uma viagem ao Maranhão no final de 2009. Em 2007, a ONG fez convênio de R$ 2.379.282,62 também para qualificar trabalhadores, mas as contas da entidade não foram analisadas. A ONG já caiu na malha fina da CGU e está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal.

O sistema de controle do bom uso do dinheiro público é ínfimo. Do começo de 2010 até o início do mês passado, o ministério manteve apenas uma pessoa para analisar contas de todos os convênios. A tarefa é considerada impossível. Só o Projovem, programa destinado a qualificar jovens em início de carreira, consome uma média de R$ 400 milhões por ano. Com o recrudescimento das denúncias, o setor foi reforçado. Agora, conta com quatro técnicos. Ao todo, o ministério dispõe de 16 profissionais para analisar a papelada das ONGs. Técnicos da área dizem que, para fazer um serviço de qualidade razoável, seria necessário, no mínimo, dobrar esse contingente.

Em entrevistas ao GLOBO, “ongueiros”, políticos e servidores públicos relatam que o “descontrole” no ministério é generalizado e facilita desvios e uso político-eleitoral dos cursos de qualificação profissional. Ano passado, o ex-secretário de Políticas de Emprego Ezequiel Nascimento, então um dos três principais auxiliares de Lupi, fez campanha a deputado distrital pelo PDT com a ajuda de dirigentes da Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae), ONG que tinha convênio com a pasta. Em fotos de álbuns da campanha, Nascimento aparece ao lado de pessoas ligadas à ONG.

A Conae é também um ponto de conexão entre as entidades financiadas pelo Ministério do Trabalho e o escândalo que resultou na demissão do ex-ministro do Esporte Orlando Silva. Numa das prestações de contas da ONG constam cinco notas fiscais no valor total de R$ 670.259 fornecidas pela JG Alimentos e Serviços Gerais, empresa de Miguel Santos Souza. O empresário é acusado de fornecer em Brasília notas fiscais frias para as ONGs do soldado João Dias, pivô da queda de Orlando Silva.

A interface entre ONGs e o Ministério do Trabalho cabia a um seleto grupo de, agora, ex-auxiliares de Lupi: Marcelo Panella, ex-chefe de gabinete; Ezequiel Nascimento, ex-secretário; e Weverton, ex-assessor especial. Entre as entidades ligadas a Panella estariam a CCM Cidade Maravilhosa e a ABPA (Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes), no Rio de Janeiro. O ministro não participava das conversas com donos de ONGs. Ele só entrava em cena para selar os compromissos e reforçar a cumplicidade entre o dono do cofre e a entidade beneficiada.

— Antes da assinatura dos convênios ou da liberação de cada parcela, o Lupi ligava (para o beneficiário do contrato) e dizia: “olha, o convênio foi aprovado”, “o dinheiro vai ser liberado” etc. — disse um ex-colaborador do ministro.

A farra das ONGs, investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e duramente criticada pela Comissão de Ética da Presidência, aprofundou o racha do PDT e isolou ainda mais o ministro. O ex-deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), um dos principais herdeiros do ex-governador Leonel Brizola, entende que Lupi perdeu as condições políticas de permanecer no ministério e não apenas pelas irregularidades denunciadas. Para Vivaldo, o mais grave em tudo isso foi que Lupi mentiu para o Congresso e para a presidente Dilma Rousseff ao negar qualquer vínculo com o ongueiro Adair Meira.

— A questão da mentira pesa. A forma como ele respondeu a todas aquelas questões não é a recomendável. Está claro que o ministro não tem condições de ficar. Um ministro não pode exercer um cargo cercado de dúvidas — disse Vivaldo.

O ministério não fez comentários sobre as ligações de Lupi para dirigentes de ONGs e prefeituras beneficiadas com convênios. Procurado pelo GLOBO, Weverton não quis dar entrevista. Segundo um de seus assessores, o deputado disse não ter vínculo com a ONG Brasil Voluntário. Ezequiel Nascimento e Adair Meira não atenderam as ligações do jornal. No telefone do Instituto Brasil Voluntário que aparece na internet ninguém atendeu as ligações do jornal na quarta, quinta e sexta-feira.

Com informações de O Globo.

1 de setembro de 2011 às 10h20min

Duda Mendonça diz ao STF que pode
ter recebido dinheiro de caixa dois

Por Carolina Brígido (O Globo)

Os publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes admitiram, perante o Supremo Tribunal Federal (STF), que podem ter recebido dinheiro de caixa dois do PT. A afirmação foi feita nas alegações finais que integram o processo do mensalão, que investiga a compra de apoio político de parlamentares por parte do governo federal. Ambos são acusados de evasão de divisas, por terem mantido conta não declarada no exterior, e de lavagem de dinheiro.

“Aos acusados sempre pareceu que os valores recebidos por seu lícito trabalho eram oriundos, na pior das hipóteses, de infração prevista na legislação eleitoral (caixa dois mantido no Brasil e no exterior). Afinal, a relação dos acusados com o Partido do Trabalhadores já vinha desde 2001 e todos os pagamentos sempre foram autorizados e aprovados por Delúbio Soares, diretor tesoureiro do partido”, diz o texto, assinado pelos advogados Tales Castelo Branco e Frederico Crissiúma de Figueiredo.

Duda já havia admitido a possibilidade de ter recebido recursos de caixa dois em depoimento à CPI dos Correios, no Congresso Nacional, em 2005.

Duda afirma desconhecer origem ilícita do dinheiro

No documento, a dupla alega que não pode ser condenada por manter conta no exterior sem declarar porque o Banco Central expedira normas em 2004 e em 2005 isentando de declaração quem tivesse movimentação bancária anual no exterior inferior a US$ 100 mil. Segundo os advogados, o saldo da conta que eles movimentavam em Miami tinha US$ 573,19 em dezembro de 2003. Um ano depois, US$ 175,10.

Os dois também dizem que não podem ser condenados por lavagem de dinheiro porque, para cometer o crime, o acusado precisaria ter conhecimento prévio da origem ilícita do dinheiro, o que não teria ocorrido. Outra hipótese seria se os dois tivessem cometido um crime anterior. “O mero depósito de valores em contas no exterior não caracteriza, per si, o crime de lavagem de dinheiro”, diz o texto.

Até ontem, oito dos 38 réus do mensalão haviam apresentado alegações finais em defesa própria. O prazo final dado pelo relator, ministro Joaquim Barbosa, é 8 de setembro. Depois disso, Barbosa vai elaborar seu voto. A expectativa é de que os réus sejam julgados no plenário da Corte no início de 2012

17 de agosto de 2011 às 15h52min

Ministérios da corrupção

Como as denúncias de corrupção no Governo Federal surgem aos borbotões, o leitor, compreensivelmente, fica aturdido e até perde o fio da meada. O blog tratou de resumir os escândalos e lambanças por pastas. Entenda as denúncias até aqui:

Ministério do Turismo

Frederico da Costa, número dois da pasta

A Polícia Federal prendeu mais de 30 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao Ministério do Turismo. Entre os detidos estão o secretário-executivo e número dois na hierarquia da pasta, Frederico Silva da Costa, além do ex-presidente da Embratur Mário Moysés, o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, e diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) e empresários. Após cerca de uma semana, todo foram soltos com habeas corpus ou liberados após prestarem depoimento à polícia.

Segundo a PF, foram detectados indícios de desvio de dinheiro público no convênio de R$ 4,4 milhões firmado em 2009 entre o ministério e o Ibrasi.

Costa opera como secretário-executivo da pasta desde 2008, promovido pelo petista Luiz Barreto. Seu superior imediato, o ministro do Turismo Pedro Novais, do PMDB, foi indicado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que nega a indicação e a atribuiu à bancada do partido na Câmara.

Ministério da Agricultura

Em entrevista à revista “Veja”, Oscar Jucá Neto chamou o PMDB, partido do ministro da Agricultura Wagner Rossi e do vice-presidente, Michel Temer, de “central de negócios”.

Neto é ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele foi exonerado do cargo por autorizar um pagamento irregular de cerca de R$ 8 milhões à empresa de um laranja.

Segundo Neto, a Conab estaria atrasando o repasse de R$ 14,9 milhões à empresa Caramuru Alimentos para aumentar o montante a ser pago em R$ 20 milhões. Desse total, R$ 5 milhões seriam repassados por fora a autoridades do ministério. O ministro nega todas as acusações.

Ministro da Agricultura, Wagner Rossi

Em outra denúncia, reportagem da “Folha de S.Paulo” apontou que Rossi transformou a Conab num cabide de empregos para acomodar parentes de líderes políticos de seu partido, o PMDB. Sobre as nomeações, o ministro disse que colocou “pessoas qualificadas” no estatal.

Em outra reportagem, a revista “Veja” publicou novas denúncias da existência de relações suspeitas entre funcionários do alto escalão do Ministério da Agricultura e lobistas. Estariam envolvidos o ministro Rossi e o então secretário-executivo da pasta Milton Ortolan.

No sábado (6 de agosto), o ministro divulgou nota repudiando as informações da revista e, no mesmo dia, Ortolan pediu demissão do cargo.

Ministério dos Transportes

As denúncias começaram em 2 de julho, com uma reportagem da revista “Veja”, que relatou um suposto esquema de propinas no ministério que beneficiaria o PR – partido presidido pelo então ministro Alfredo Nascimento.

Em decorrência das denúncias, já caíram, até o momento, mais de 20 funcionários da pasta ou de autarquias ligadas ao setor, além do próprio ministro Nascimento.

A gota d’água para a saída de Nascimento do cargo foi a divulgação do jornal “O Globo” de que a empresa do filho dele, está sob investigação de enriquecimento ilícito após registrar um aumento patrimonial de 86.500% e de manter contato com empresas que têm negócios com o ministério.

Com a saída do ministério, Nascimento retoma as atividades como senador eleito no último pleito. Em discurso, apontou que as irregularidades surgiram no período que não era ministro e que iniciou uma sindicância interna para averiguar as denúncias.

Ministério de Minas e Energia

A revista “Época” publicou reportagem com base em vídeos, documentos e cheques, que integram uma investigação sigilosa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal sobre irregularidades na ANP (Agência Nacional do Petróleo), autarquia especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, sob o comando de Edison Lobão (PMDB).

Em uma das gravações, dois assessores da agência exigem propina de R$ 40 mil para resolver um problema de um cliente. A reportagem também obteve a cópia de um cheque que um dos assessores da ANP recebeu de um advogado ligado ao maior adulterador de combustível do país.

Em nota, a agência afirma que as denúncias são de mais de dois anos atrás e que os chamados “assessores” da ANP já estão fora da instituição. O ministério ainda não se manifestou.

Ministério do Desenvolvimento Agrário/Ministério do Meio Ambiente

Reportagem do programa “Fantástico” de julho mostrou a venda de lotes que deveriam ser destinados para famílias beneficiadas pela reforma agrária. Outra denúncia se refere a madeireiros que destroem florestas em áreas destinadas à reforma agrária na região Norte do país. O esquema envolveria integrantes de cargos de confiança do governo.

Em nota, o Incra afirmou que as denúncias serão apuradas e relatórios serão enviados para a Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para que esses órgãos investiguem os responsáveis. Caso não seja possível a retomada administrativa dos lotes, a autarquia entra com ação judicial pedindo a reintegração da posse.

Como a denúncia envolve a reforma agrária e uma área de proteção ambiental, os ministros Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) estão sendo questionados por parlamentares. Nenhum dos dois falou ainda se manifestou sobre o assunto.

21 de julho de 2011 às 09h17min

Turismo assinou contratos de R$ 52 milhões com ONG
de empresário indiciado por improbidade administrativa

Eis mais uma encrenca no Governo Dilma que colhi no jornal carioca Leiam a matéria abaixo: 

Por Jailton de Carvalho

O Ministério do Turismo assinou três contratos, no valor total de R$ 52,2 milhões, com o Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH), uma ONG dirigida pelo empresário César Gonçalves, afastado da Brasiliatur — estatal que coordena ações do turismo do governo do Distrito Federal — há três anos. Ele deixou o cargo em meio a denúncias de malversação de verbas durante a administração do ex-governador José Roberto Arruda, que, por sua vez, renunciou ao mandato após o escândalo do mensalão do DEM no DF.

Gonçalves com Roberto Arruda, ex-governador do DF

O montante repassado ao IBH foi destinado à promoção de cursos à distância para mensageiros, recepcionistas e gerentes, entre outros empregados de hotéis das cidades que vão receber turistas na Copa de 2014.

Os três convênios da ONG com o ministério foram assinados nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Dois deles, na gestão de Lula: um em 31 de dezembro de 2009, de R$ 9,9 milhões; e o outro em 31 de dezembro de 2010, de R$ 16,8 milhões. Mais recentemente, em 6 de julho deste ano, o IBH celebrou o último e maior contrato com o ministério, no valor de R$ 25,5 milhões.

Os contratos eram assinados em tempo recorde. A proposta do convênio de R$ 25,5 milhões foi aprovada em menos de 30 minutos. O plano de trabalho foi enviado por Gonçalves ao ministério às 16h14 do último dia 6. Às 16h19, a proposta entrou em análise e, às 16h34, já estava aprovada, conforme registro no portal dos convênios, do Ministério do Planejamento. A sede do IBH funciona em um pequeno escritório com quatro funcionários, no Setor Bancário Norte.

Em consequência dos sucessivos escândalos, ocorridos quando esteve no governo do DF, Gonçalves responde a duas ações por improbidade administrativa na Justiça local. Em uma delas, o Ministério Público pede que o executivo e outros ex-dirigentes da Brasiliatur devolvam aos cofres públicos R$ 480 mil, que teriam sido gastos indevidamente na contratação da dupla sertaneja Victor e Leo, no réveillon de 2008. Os promotores Albertino Neto e Berenice Maria Scherer pedem ainda que os ex-auxiliares de Arruda sejam também multados em R$ 960 mil.

Empresário diz que são só acusações

Neto e Berenice recomendam ao juiz do caso que proíba Gonçalves e demais acusados de “contratar com o serviço público ou receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios pelo prazo de cinco anos”. Procurado pelo GLOBO, na terça-feira, Gonçalves alegou que as acusações que pesam contra ele não o impediram de assinar contrato e receber dinheiro do Ministério do Turismo. Inicialmente, ele tentou negar que tivesse contas a acertar com a Justiça.

— O que existe é um processo administrativo no Tribunal de Contas — disse Gonçalves.

Diante das cópias das ações por improbidade administrativa que tramitam na Justiça, Gonçalves tentou minimizar a importância das denúncias. O empresário afirmou que, por enquanto, são apenas acusações e, segundo ele, não existem provas de que tenha cometido irregularidades na Brasiliatur. Gonçalves atribuiu as acusações a adversários políticos, mas não citou quem seriam eles:

— Um total de 80% dos gestores estão respondendo a algum procedimento. Isso é normal em gestão pública.

Um dos responsáveis pela contratação da IBH é o secretário-executivo do ministério, Frederico Costa da Silva. Procurado pelo GLOBO, ele não fez comentários sobre as pendências judiciais de Gonçalves e afirmou que o IBH foi contratado por ser ligado à Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). “O principal critério utilizado foi a representatividade da ABIH junto ao segmento de meio de hospedagem. Enfatize-se que a ONG foi escolhida pelas outras três entidades da categoria, no âmbito do Conselho Nacional de Turismo, como a que deveria executar o programa de qualificação”, disse por e-mail.

6 de julho de 2011 às 17h07min

Alfredo Nascimento deixa Ministério dos Transportes

Nascimento é gente boa

O ministro Alfredo Nascimento (Transportes) não resistiu às acusações de superfaturamento de obras e recebimento de propina envolvendo servidores e órgãos ligados à pasta e pediu demissão do cargo nesta quarta-feira.

A crise se intensificou com a acusação de que seu filho, Gustavo Morais Pereira, teria aumentado seu patrimônio de forma ilícita.

As suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes começaram após reportagem da revista “Veja” afirmando haver participação da cúpula do ministério em irregularidades. O caso ganhou repercussão e a presidente Dilma pediu que o CGU (Controladoria-Geral da União) investigasse as acusações.

Hoje, Nascimento afirmou em nota que não foi informado sobre as investigações do Ministério Público Federal sobre seu filho. A empresa de Pereira teria tido crescimento de 86.500% em dois anos, de acordo com o jornal “O Globo”. O ministro disse que está à disposição do Ministério Público para prestar qualquer esclarecimento.

Leia a íntegra da nota do ministério:

“O ministro de Estado dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, decidiu deixar o governo. Há pouco, ele encaminhou à presidenta Dilma Rousseff seu pedido de demissão em caráter irrevogável.

Com a determinação de colaborar espontaneamente para o esclarecimento cabal das suspeitas levantadas em torno da atuação do Ministério dos Transportes, Alfredo Nascimento também decidiu encaminhar requerimento à Procuradoria-Geral da República pedindo a abertura de investigação e autorizando a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal. O senador está à disposição da PGR para prestar a colaboração que for necessária à elucidação dos fatos.

Alfredo Nascimento reassumirá sua cadeira no Senado Federal e a presidência nacional do Partido da República (PR) coloca-se à disposição de seus pares para participar ativa e pessoalmente de quaisquer procedimentos investigativos que venham a ser deflagrados naquela Casa para elucidar os fatos em tela.”

2 de julho de 2011 às 07h21min

Ruy Castro relembra o jornalista Zózimo

Zózimo

Ruy Castro

Zózimo Barrozo do Amaral, que teria feito 70 anos em fins de maio, não era bem um colunista social. Quando ganhou uma coluna diária com seu nome no “Jornal do Brasil”, em 1969, talvez fosse. Mas bastou-lhe olhar em torno. Com os militares e os novos-ricos no poder, o Brasil era de quem sabia “empunhar um fuzil ou assinar um cheque, mas não segurar um garfo”. Para quê coluna social?
Antes dele, os inovadores do gênero tinham sido Ibrahim Sued, com sua obsessão pela nota curta e pelo furo (“Bomba, bomba, bomba!”), e Alvaro Americano, que tomava liberdades com a notícia e a comentava, ambos em “O Globo”. Zózimo superou-os em suas especialidades e acrescentou o humor. “Foi o brasileiro que melhor escreveu em três linhas”, disse seu sucessor Ancelmo Gois.
Quando queria, não lhe faltavam furos: “Desde o início do governo, nunca foi tão harmonioso o relacionamento dos ministérios da Justiça e da Economia” (em 1990, para insinuar o romance entre Bernardo Cabral e Zélia Cardoso de Mello, ministros do recém-empossado Collor). Ou sua sugestão para o nome da empresa que os investidores Donald Trump e Naji Nahas iam abrir juntos: “Trampolinagem”.
E ninguém o batia na frase de efeito: “O problema em Brasília é o tráfico de influência. Já no Rio, é a influência do tráfico”. Ou: “Reflexão de uma senhora casada sobre a infidelidade conjugal: “Antes à tarde do que nunca’”. Ou: “Boni afirma que vai deixar a Globo daqui a dez anos. É o aviso prévio mais longo da história”.
Primeiro no “JB”, depois no “Globo”, Zózimo foi leitura obrigatória durante 28 anos. Mas, mais que isto, era uma pessoa querida. Em 1997, pouco antes de morrer, aos 56 anos, deixou esta observação sobre a condição masculina: “Depois de uma certa idade, o homem, da cintura para cima, é poesia; da cintura para baixo, prosa”.

(Crônica de Ruy Castro publicada na Folha de S. Paulo deste sábado, 02/07)

Comentário do Blog: Conheci Zózimo em 1982, na redação do jornal Folha do Maranhão, então de propriedade do também já falecido Renato Archer. Eu acabara de deixar de ser um fedelho e estava pela segunda vez editor-chefe de um jornal. Renato Archer era candidato a governador do Maranhão pelo PMDB e fora visitar o jornal na companhia de Zózimo, do jornalista Pedreiras e de Nascimento Brito, dono do Jornal do Brasil. Ah, acompanhavam-nos umas três belíssimas mulheres da sociedade carioca.

Zózimo, de uma elegância displicente, fumando um charuto, logo se enturmou com os gráficos do jornal. A Folha do Maranhão ainda usava uma velha máquina de linotipo, que transformava chumbo quente em palavras. De repente, para surpresa de todos, Zózimo sentou em frente a uma das máquinas e começou a escrever. Pois é, Zózimo sabia usar uma linotipo.

Tem razão Ruy Castro de dizer que Zózimo era pessoa muito querida. E não podia ser diferente, era um sujeito simpaticíssimo. Naquela manhã de sábado, na redação da Folha do Maranhão, tive o prazer de conhecer essa simpatia, que muito justamente Ruy Castro relembra e homenageia.

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23 de novembro de 2010 às 12h29min

Equívocos no tema da regulação da mídia

 

Editorial de O Globo

Pela programação do governo que se encontra em contagem regressiva, será deixado para a presidente Dilma Rousseff, segundo o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, um projeto de nova regulamentação para os meios eletrônicos de comunicação. Ela decidirá se o envia ao Congresso, e em que condições, ou se o engaveta.

Faz sentido atualizar regras numa atividade em constante mudança, devido ao vertiginoso aperfeiçoamento tecnológico no campo das comunicações. Mas não é o que acontece, e o culpado por isso é o governo Lula.

O debate sobre a reciclagem de uma legislação de 1962, quando internet, videoconferência e outros recursos hoje usuais eram coisa de ficção científica, poderia tramitar sem desconfianças e choques se o Planalto houvesse impedido a manipulação dessa questão por grupos incrustados no governo, com a intenção de tolher a imprensa independente e profissional.

Infelizmente, importantes aspectos do entrelaçamento das diversas plataformas digitais de difusão de informações foram intoxicados pela esperteza de alguns de tentar usar o tema como Cavalo de Troia para contrabandear dispositivos de controle do conteúdo jornalístico.

Tentativa ingênua, pois se trata de iniciativa barrada pela Constituição, pela qual o direito às liberdades de imprensa e expressão não pode ser relativizado.

O governo Lula perdeu a credibilidade para propor uma discussão séria sobre qualquer regulação da mídia ao ser leniente com investidas contra a liberdade de imprensa.

No primeiro mandato, foram as propostas da Ancinav e do Conselho Federal de Jornalismo, as quais jamais deveriam ter sido formuladas. No segundo, a risível terceira versão do “Programa Nacional de Direitos Humanos”, utilizada para justificar o controle do conteúdo da imprensa — eufemismo de censura —, espírito idêntico ao da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), iniciativa do Planalto, fonte inspiradora da criação, em diversos estados, de conselhos de “controle social” de grupos independentes de comunicação. Como se faltassem regras e instrumentos de fiscalização sobre, principalmente, a mídia eletrônica e a produção audiovisual.

A falsidade da tese do suposto excesso de liberalismo no trato de TVs, rádios e cinema foi demonstrada por reportagem do GLOBO de domingo, em que estão relacionados dispositivos legais e órgãos responsáveis por intervenções no meio, algumas draconianas e inconstitucionais. Tramita, por exemplo, no Supremo Tribunal Federal uma ação de declaração de inconstitucionalidade de dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pelo qual, em nome da defesa do menor, procuradores e promotores tentam agir como censores. Ainda não foi julgada a reclamação.

A pauta do debate proposto pelo governo sobre a regulação da mídia eletrônica fica, portanto, desfocada quando abre brechas para o controle de conteúdo.

Ora, não só o controle já existe, como, em alguns casos, é inconstitucional. E, ao se misturar questões técnicas com o viés político autoritário de quem deseja tolher grupos de comunicação, interdita-se o debate que se deveria travar sobre como atender a um mercado cada vez mais ávido de informações e entretenimento, sem deixar de se defender os interesses nacionais.

21 de setembro de 2010 às 11h55min

Roseana Sarney parte para o ataque a Flávio Dino

Ataques confirmam matéria anterior do blog

Logo após o blog postar artigo com informações de pessoa da campanha de Roseana Sarney (leia mais abaixo: “Oligarquia Sarney desespera: segundo turno com Flávio Dino”), a confirmação veio do programa da candidata: pela primeira vez o programa de Roseana Sarney no horário eleitoral desferiu, ontem, golpes contra o adversário Flávio Dino. O programa também atacou Jackson Lago (PDT), outro forte adversário da filha de Sarney. Mas o pedetista já havia sido vítima de ataques desde o início do programa na televisão.

Flávio Dino recebe primeiro ataque

O ataque a Dino pode ser esclarecido com a expressão usada no boxe: a candidata acusou o golpe. No caso, mostrou que a coordenação da campanha tem pesquisas que apontam segundo turno com grandes possibilidades de Flávio Dino.

Mudança – Duda Mendonça, o marqueteiro de Roseana Sarney, armou a campanha para transformar a candidata num Lulinha Paz e Amor de 2002. A linha traçada por Duda funcionou enquanto Roseana Sarney mantinha-se muito à frente dos adversários. Mesmo assim, escrevi aqui, a estratégia não tinha como durar: além de Roseana Sarney não ser o Lula de 2002, campanhas no Maranhão guardam poucos traços de campanhas em outros Estados (o leitor pode procurar comentário nos arquivos).

Sarney encontra-se direto no Maranhão. Trabalha nos bastidores, mostrar a cara na campanha, sabem, iria alimentar o forte sentimento antissarney no Maranhão. Fonte da campanha de Roseana conta que o velho coronel esteve reunido com o pessoal responsável pelo programa e foi duro contra a linha adotada.

Coincidência ou não, o certo é que o programa mudou. Na segunda-feira à noite o programa saiu para o ataque a Jackson Lago e, surpresa das surpresas, a Flávio Dino. Dificilmente partiu de Duda Mendonça a ordem para bater nos adversários. Ele, como todo marqueteiro, acredita que quem bate não leva.

Onda – Não há como esconder que a onda antirroseana cresce em todo o Maranhão. Na internet, no twitter, para ser claro, por exemplo, surgiu o movimento #ForaRoseanaSarney. Saltou da internet para as ruas. Hoje o movimento, formado por jovens de todo o Maranhão, faz passeata em São Luís. Logo depois será nas cidades de Imperatriz e Pedreiras. 

Sarney cobra mudanças

A família não está alheia: sabe do sentimento que se espalha e tem as pesquisas internas (as que são feitas para não divulgar) que mostram números preocupantes. Sarney tinha palestra agendada na cidade de Presidente Dutra, no Clube de Jovens. Cancelou. Nesta quarta-feira estará – sempre debaixo de um manto de discrição – em reunião fechada com lideranças políticas na cidade de Rosário. O momento, definitivamente, não é lítero-recreativo.

Abuso – Como sempre fez em período eleitoral, a família parte desbragadamente para o abuso de poder político e econômico. Agora mesmo o jornal O Globo flagrou a farta distribuição de gasolina para carros e motos participarem de carreata de Roseana Sarney na cidade de Codó. Roseana Sarney faz campanha a bordo de um helicóptero da PMR, empresa que mantém contrato com o Governo do Estado, conforme o blog denunciou (reveja nos arquivos). Mais grave: o piloto é um capitão da Polícia Militar do Maranhão.

Há duas semanas da eleição, o movimento dos Sarney mostra claramente que a coisa não vai bem para a filha-candidata. Eles imaginavam que bastava tomar o governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resto o abuso de poder político e econômico faria. As pesquisas e os movimentos nas ruas desmentem essa lógica.

P.S: A propósito, o movimento dos jovens percorre São Luís neste exato momento com esta frase: “Ô Roseana, pode temer, os estudantes vão DESEMPREGAR você”.

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2 de setembro de 2010 às 09h12min

Violação de sigilo fiscal: intenções políticas

Só Dilma Rousseff, o padrasto Lula e a corriola criminosa do lulo-petismo têm coragem de negar intenções políticas – pior: eleitoreiras – na violação do sigilo fiscal de quatro integrantes do PSDB (um deles vice-presidente do partido) e da filha do candidato a presidente José Serra. Sabia-se que o cinismo havia chegado ao poder.

Depois de tentar esconder o caso, de lhe dar aspecto ameno quando a imprensa mostrou as provas da existência, a Receita procurou o caminho mais longo para a investigação: o Ministério Público de Brasília (o caso aconteceu em São Paulo).

Não tem conformação política? Então por que está acontecendo isto:

“Um dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado ilegalmente, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, afirmou que a Corregedoria está sonegando informações no processo administrativo:

— Para mim estão sonegando documentos porque entre outras coisas não existia informação no processo de esquema de compra e venda de dados, nem referência a dona Lúcia (servidora de Santo André) e também não havia registro sobre Verônica Serra.

A Advocacia Geral da União recorreu à Justiça Federal para impedir que o vice-presidente tucano tenha acesso aos informações do processo administrativo da Corregedoria da Receita. De acordo com o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, Eduardo Jorge busca tumultuar o processo:

— Temos que garantir a investigação. Ele apresenta uma série de pedidos que atrapalham os trabalhos. Queremos que se chegue ao fim com a responsabilização dos culpados.”

O trecho foi colhido com aspas foi colhido no jornal O Globo de hoje.

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