Blog do Kenard – Notícias e Análises

21 de setembro de 2010 às 11h55min

Roseana Sarney parte para o ataque a Flávio Dino

Ataques confirmam matéria anterior do blog

Logo após o blog postar artigo com informações de pessoa da campanha de Roseana Sarney (leia mais abaixo: “Oligarquia Sarney desespera: segundo turno com Flávio Dino”), a confirmação veio do programa da candidata: pela primeira vez o programa de Roseana Sarney no horário eleitoral desferiu, ontem, golpes contra o adversário Flávio Dino. O programa também atacou Jackson Lago (PDT), outro forte adversário da filha de Sarney. Mas o pedetista já havia sido vítima de ataques desde o início do programa na televisão.

Flávio Dino recebe primeiro ataque

O ataque a Dino pode ser esclarecido com a expressão usada no boxe: a candidata acusou o golpe. No caso, mostrou que a coordenação da campanha tem pesquisas que apontam segundo turno com grandes possibilidades de Flávio Dino.

Mudança – Duda Mendonça, o marqueteiro de Roseana Sarney, armou a campanha para transformar a candidata num Lulinha Paz e Amor de 2002. A linha traçada por Duda funcionou enquanto Roseana Sarney mantinha-se muito à frente dos adversários. Mesmo assim, escrevi aqui, a estratégia não tinha como durar: além de Roseana Sarney não ser o Lula de 2002, campanhas no Maranhão guardam poucos traços de campanhas em outros Estados (o leitor pode procurar comentário nos arquivos).

Sarney encontra-se direto no Maranhão. Trabalha nos bastidores, mostrar a cara na campanha, sabem, iria alimentar o forte sentimento antissarney no Maranhão. Fonte da campanha de Roseana conta que o velho coronel esteve reunido com o pessoal responsável pelo programa e foi duro contra a linha adotada.

Coincidência ou não, o certo é que o programa mudou. Na segunda-feira à noite o programa saiu para o ataque a Jackson Lago e, surpresa das surpresas, a Flávio Dino. Dificilmente partiu de Duda Mendonça a ordem para bater nos adversários. Ele, como todo marqueteiro, acredita que quem bate não leva.

Onda – Não há como esconder que a onda antirroseana cresce em todo o Maranhão. Na internet, no twitter, para ser claro, por exemplo, surgiu o movimento #ForaRoseanaSarney. Saltou da internet para as ruas. Hoje o movimento, formado por jovens de todo o Maranhão, faz passeata em São Luís. Logo depois será nas cidades de Imperatriz e Pedreiras. 

Sarney cobra mudanças

A família não está alheia: sabe do sentimento que se espalha e tem as pesquisas internas (as que são feitas para não divulgar) que mostram números preocupantes. Sarney tinha palestra agendada na cidade de Presidente Dutra, no Clube de Jovens. Cancelou. Nesta quarta-feira estará – sempre debaixo de um manto de discrição – em reunião fechada com lideranças políticas na cidade de Rosário. O momento, definitivamente, não é lítero-recreativo.

Abuso – Como sempre fez em período eleitoral, a família parte desbragadamente para o abuso de poder político e econômico. Agora mesmo o jornal O Globo flagrou a farta distribuição de gasolina para carros e motos participarem de carreata de Roseana Sarney na cidade de Codó. Roseana Sarney faz campanha a bordo de um helicóptero da PMR, empresa que mantém contrato com o Governo do Estado, conforme o blog denunciou (reveja nos arquivos). Mais grave: o piloto é um capitão da Polícia Militar do Maranhão.

Há duas semanas da eleição, o movimento dos Sarney mostra claramente que a coisa não vai bem para a filha-candidata. Eles imaginavam que bastava tomar o governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resto o abuso de poder político e econômico faria. As pesquisas e os movimentos nas ruas desmentem essa lógica.

P.S: A propósito, o movimento dos jovens percorre São Luís neste exato momento com esta frase: “Ô Roseana, pode temer, os estudantes vão DESEMPREGAR você”.

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2 de setembro de 2010 às 09h12min

Violação de sigilo fiscal: intenções políticas

Só Dilma Rousseff, o padrasto Lula e a corriola criminosa do lulo-petismo têm coragem de negar intenções políticas – pior: eleitoreiras – na violação do sigilo fiscal de quatro integrantes do PSDB (um deles vice-presidente do partido) e da filha do candidato a presidente José Serra. Sabia-se que o cinismo havia chegado ao poder.

Depois de tentar esconder o caso, de lhe dar aspecto ameno quando a imprensa mostrou as provas da existência, a Receita procurou o caminho mais longo para a investigação: o Ministério Público de Brasília (o caso aconteceu em São Paulo).

Não tem conformação política? Então por que está acontecendo isto:

“Um dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado ilegalmente, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, afirmou que a Corregedoria está sonegando informações no processo administrativo:

— Para mim estão sonegando documentos porque entre outras coisas não existia informação no processo de esquema de compra e venda de dados, nem referência a dona Lúcia (servidora de Santo André) e também não havia registro sobre Verônica Serra.

A Advocacia Geral da União recorreu à Justiça Federal para impedir que o vice-presidente tucano tenha acesso aos informações do processo administrativo da Corregedoria da Receita. De acordo com o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, Eduardo Jorge busca tumultuar o processo:

— Temos que garantir a investigação. Ele apresenta uma série de pedidos que atrapalham os trabalhos. Queremos que se chegue ao fim com a responsabilização dos culpados.”

O trecho foi colhido com aspas foi colhido no jornal O Globo de hoje.

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2 de setembro de 2010 às 08h40min

Artigo de O Globo

Mais um artigo de hoje – agora do jornal O Globo – na mesma linha do artigo publicado aqui ontem. Leiam abaixo:

Democracia em perigo

De Merval Pereira

A face mais dura do aparelhamento do Estado brasileiro por forças políticas está sendo revelada nesse episódio da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência da República. Em um país sério, o secretário da Receita já teria se demitido, envergonhado, ou estaria demitido pelo seu chefe, o ministro da Fazenda Guido Mantega. E alguém acabaria na cadeia.

Ao contrário, o secretário Otacílio Cartaxo tentou até onde pôde minimizar a situação, preferindo despolitizar o caso e desmoralizar sua repartição.

Ao mesmo tempo surgem de vários lados do governo tentativas de contornar o problema, ora atribuindo à própria vítima a culpa da quebra de seu sigilo fiscal, ora sugerindo que uma disputa política dentro do próprio PSDB poderia ter gerado a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra.

Uma análise muito encontradiça entre os políticos governistas é de que as denúncias, tendo aparecido em período eleitoral, perdem muito de sua credibilidade e de seu poder de influenciar o voto do eleitor, ficam com sabor “eleitoreiro”.

Como se essa fosse a questão central. Pensamentos e atos de quem não tem espírito público.

O aparelhamento político da máquina pública não ocasiona apenas a ineficiência dos serviços, o que fica patente em casos como o dos Correios, outrora uma empresa exemplar e que se transformou em um cabide de empregos que gera mais escândalos de corrupção do que seria possível supor.

Dessa vez a revelação de que a Receita Federal transformou-se em um balcão de negócios onde o sigilo fiscal dos cidadãos brasileiros está à venda, seja por motivos meramente pecuniários, seja por razões políticas, coloca em xeque uma instituição que, até bem pouco tempo, era respeitada por sua eficiência e pelo absoluto respeito aos direitos dos cidadãos.

O episódio da quebra do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge Caldas Pereira, de três pessoas ligadas de alguma maneira ao partido ou ao candidato oposicionista e, mais grave, da sua filha, mostra que diversas agências da Receita Federal são utilizadas para práticas criminosas, não apenas a de Mauá, que se transformou em um local onde se compra e se vende o sigilo de qualquer um.

O sigilo de Verônica Serra foi quebrado na agência de Santo André, numa demonstração de que se vulgarizou a privacidade dos contribuintes brasileiros.

Não terá sido coincidência que, além de Verônica, os nomes ligados ao PSDB que tiveram seu sigilo fiscal quebrado — Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado — sejam personagens de um suposto livro que o jornalista Amaury Ribeiro Junior estaria escrevendo com denúncias sobre o processo de privatizações ocorrido no país durante o governo de Fernando Henrique.

O jornalista fazia parte do grupo de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, subordinado a Luiz Lanzetta, e os dois tiveram encontro com um notório araponga tentando contratá-lo para serviços de espionagem que incluíam grampear o próprio candidato tucano à Presidência.

Além da denúncia do araponga, delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, feita no Congresso, outro ator do submundo petista surgiu nos últimos dias denunciando manobras criminosas nas campanhas eleitorais.

Wagner Cinchetto, conhecido sindicalista, afirmou ao “Estado de S. Paulo” e à revista “Veja” que o núcleo envolvido com a violação de sigilo fiscal de tucanos na ação da Receita é uma extensão do grupo de inteligência criado em 2002 por lideranças do PT.

Ele diz ter certeza de que os mesmos personagens atuam nos dois episódios. Revelou que o escândalo que levou ao fim a candidatura de Roseana Sarney em 2002 foi montado por esse grupo petista para incriminar o então candidato tucano à Presidência, José Serra, que foi considerado responsável pela denúncia pela família Sarney.

Até mesmo um fax teria sido enviado ao Palácio do Planalto para dar a impressão de que a Polícia Federal havia trabalhado sob a orientação do governo de Fernando Henrique.

No caso atual, os diversos órgãos do governo envolvidos na apuração — Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda — tiveram atuação leniente, e foram os jornais que descobriram rapidamente que a procuração era completamente falsa, desde a assinatura de Verônica Serra até o carimbo do Cartório do 16 Tabelião de Notas de São Paulo, onde aliás Verônica nunca teve firma.

Não basta a Receita dizer que por causa de uma procuração está tudo legal. Não faz sentido que qualquer pessoa que apareça em qualquer agência da Receita Federal com uma procuração possa ter acesso a dados sigilosos.

Aliás, o pedido em si não faz o menor sentido. Então o contribuinte que declara seu imposto de renda não tem uma cópia?

Agora, que quase todo mundo declara pela internet, como não ter uma gravação da declaração?

A funcionária da Receita que achou normal a apresentação da procuração deveria ter desconfiado de alguma coisa, pelo menos do fato de uma pessoa que declara seu imposto de renda na capital de São Paulo mandar um procurador a uma agência de Santo André para ter acesso a uma cópia.

O contador Antônio Carlos Atella Ferreira admitiu que foi ele quem retirou cópias das declarações de IR de Verônica Serra na agência da Receita Federal em Santo André, mas alega que fez isso por encomenda de uma pessoa que “queria prejudicar Serra”.

Mais uma história mal contada. E tudo leva ao que aconteceu em 2006, quando um grupo de petistas ligados diretamente à campanha de Aloizio Mercadante e à direção nacional do PT foi preso em flagrante tentando comprar um dossiê, com uma montanha de dinheiro vivo, contra Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin, o candidato tucano à Presidência.

O presidente chamou-os de “aloprados”, indignado nem tanto com o episódio em si, mas com a burrice de seus correligionários que acabaram impedindo que ganhasse a eleição no primeiro turno.

Hoje o caso é mais grave, pois envolve um órgão do Estado que deveria proteger o sigilo de seus cidadãos.

O que menos importa é se a repercussão do caso influenciará o resultado da eleição. O grave é a ameaça ao estado de direito embutida nesse uso da máquina pública para chantagem eleitoral.

27 de agosto de 2010 às 18h42min

Zé Dirceu e Marcelo Sereno: não é uma dupla sertaneja

Marcelo Sereno, lembram dele?

Era parceiro de José Dirceu na Casa Civil. José Dirceu vocês lembram muito bem: deputado cassado e tido pelo Ministério Público como o chefe da quadrilha do mensalão.

Eis como a imprensa (O Globo – 2009) relata o que disse Marcelo Sereno como testemunha de Dirceu no processo do mensalão:

“No terceiro dia de depoimentos das testemunhas do mensalão na Justiça Federal no Rio, o ex-assessor especial da Casa Civil Marcelo Sereno, arrolado pela defesa do deputado cassado José Dirceu, afirmou que Delúbio Soares e Silvio Pereira foram “muitas vezes” ao Palácio do Planalto. Sereno repetiu o que dissera à CPI dos Bingos: que recebeu Marcos Valério, apontado como operador do esquema, na Casa Civil. Segundo ele, os dois conversaram sobre a participação de Valério em campanha política em Petrópolis, Região Serrana do Rio”.

Marcelo Sereno está querendo imunidade parlamentar, é candidato a deputado. Dirceu prontamente retribuiu com depoimento a favor do parceiro no horário eleitoral.

No Brasil de Lula e Dilma Rousseff é assim: deputado cassado e tido como chefe de quadrilha não tem qualquer constrangimento de ir ao horário eleitoral pedir por quem o auxiliava.

Vejam o vídeo. Dirceu tem um momento de serenidade e diz a verdade: Marcelo é um petista!

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