Blog do Kenard – Notícias e Análises

9 de fevereiro de 2012 às 07h50min

Educação no Maranhão: a destruição sistemática de gerações

Em 2002 José Reinaldo Tavares foi eleito governador do Maranhão, ainda pelo Esquema Sarney. O resto é sabido: veio o rompimento por conta de Roseana Sarney (mesmo eleita senadora, ela ainda queria mandar no governo) e de Fernando Sarney (este passou a usar os meios de comunicação da famiglia para agredir o governador por causa de uma dívida de 700 mil reais de publicidade, que, no entanto, o governador dizia não existir).

Foi aí que José Reinaldo Tavares abriu a caixa-preta do governo. E o conteúdo não era bom de ver, embora boa parte já constasse nas denúncias dos pouquíssimos jornalistas independentes.

Um exemplo grotesco: de 217 municípios maranhenses, somente 57 contavam com ensino médio. Em oito anos de governo Roseana Sarney foram construídas apenas três escolas. Não admira que o Estado amargasse o último lugar nos índices educacionais do país.

Roseana Sarney

O que ninguém sabia até 2002, é que Roseana Sarney pretendia se candidatar a presidente do Brasil. Isso explicaria por que o Governo do Maranhão fechou um contrato milionário com a Rede Globo para ter o direito de usar nas salas de aula o programa tele-ensino. O Esquema Sarney contava que o contrato servisse para blindá-la na Globo. Ledo engano. Veio o escândalo da Lunus (empresa de Roseana Sarney e do marido Jorge Murad, onde a Polícia Federal encontrou uma pilha de notas que somadas passavam de 1 milhão de reais, tudo de origem obscura) e a Globo, que já levara a bolada do contrato, tratou de transformar a candidata num picolé, na feliz expressão do jornalista Palmério Dória.

A historinha do contrato com a Globo mostra bem como a educação era vista por Roseana Sarney.

Derrota de Roseana - Em 2006, Roseana Sarney disputou o Governo do Maranhão. Foi derrotada no segundo turno pelo médico Jackson Lago (PDT). Em 2009, o TSE amigo devolveu à filha do coronel o comando do estado. Lago teve o diploma cassado num dos julgamentos mais esdrúxulos da história da mais alta Corte eleitoral.

A derrota de Roseana Sarney em 2006 se transforma em 2009 na derrota da população.

É que o Maranhão havia conquistado, de 2004 (justo quando José Reinaldo Tavares rompe com os Sarney) a 2009 (portanto, até a queda de Jackson Lago) valiosas modificações nos seus índices sociais negativos.

Por exemplo: em encontro promovido pelo Ipea e o Sebrae, o pesquisador da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, apresentou trabalho intitulado “A Dimensão e a Medida da Pobreza Extrema no Brasil- O Caso do Maranhão”. Isso foi em 2011.

Ali Rafael Guerreiro Osório mostrou, baseado em dados do Pnad, que entre 2004 e 2009, o Maranhão reduziu a pobreza extrema em 47%. “A queda do número de pessoas vivendo em pobreza extrema do Nordeste foi pouco menor que a do Brasil, mas a do Maranhão foi maior. No período entre 2004 e 2009, o Brasil teve reduzida a pobreza extrema de 8% para 5%, ou menos 42%. No Nordeste, a redução foi de 19% para 11%, ou menos 40%. E no Maranhão, a redução foi de 27% para 13%, ou menos 47%”, esclareceria Osório. Era o Maranhão sem Roseana Sarney.

Em números redondos: em  2004 havia 1 milhão e 600 mil pessoas vivendo em extrema pobreza e em 2009 esse número havia sido reduzido para 827 mil, a maior redução do país.

Na saída de Roseana Sarney do segundo mandato, o ensino médio só existia em 57 dos 217 municípios. Em 2009, ao voltar pelas mãos generosas do TSE, ela encontrou o ensino médio nos 217 municípios. Encontrou também o programa Saúde na Escola, que cuidava da saúde das crianças no próprio colégio. Hoje não existe mais.

Washington: PT no governo

Em 2010, agora na companhia do PT, Roseana Sarney se reelege, novamente em eleição posta sob suspeição. O caso se encontra no TSE. Roseana Sarney e o vice do PT Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas. Um juiz amigo segura o caso até hoje. ninguém foi ouvido, se é que alguém um dia será ouvido.

Também em 2010, o então deputado federal Flávio Dino (PCdoB) denunciava na Câmara dos Deputados os lamentáveis índices da educação no Estado. Reveja aqui.

Bem, como nos três mandatos anteriores, em 2010 Roseana Sarney e o PT não tinham nenhum projeto para a educação no Maranhão. Com a ligeireza de sempre, Roseana Sarney entregou a pasta da educação ao PT. O vice-governador Washington Luiz indicou Anselmo Raposo, homem de sua mais alta confiança, para ser o secretário de Educação.

As denúncias de corrupção começaram a pipocar dia sim e no outro também. Da ausência de licitações a contratos milionários com empresas que não tinham o que oferecer na área de educação, tudo de ilegal aconteceu. Era o jeito petista aliado ao jeito oligárquico de administrar o dinheiro público.

Dino denunciou descaso

Cálculos tímidos apontam que 100 milhões de reais escorreram pelo ralo. A coisa sob a batuta do PT chegou a níveis tão grotescos, que até Roseana Sarney – vejam só! – chegou a se assustar. Anselmo Raposo foi demitido.

Mas Washington Luiz não indicou Anselmo Raposo por ingenuidade. Impossível que ele não soubesse do currículo extraclasse de Raposo na Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Também houve irresponsabilidade da governadora Roseana Sarney: como ela aceitou o nome indicado por Washington e não procurou saber de quem se tratava?

Eis como Décio Sá, blogueiro e repórter do jornal da famiglia Sarney, noticiou a demissão de Raposo:

“O afastamento de Anselmo foi decidido nesta quinta-feira (12/11/2010) depois de uma reunião da qual ele participou com a governadora. Foi iniciada às 15h e encerrada por volta das 18h. A gota d´água para a exoneração foi o fato de Anselmo ter apresentado, em audiência na Assembleia Legislativa, um plano educacional para os próximos quatro anos sem conhecimento de Roseana.

A governadora vinha recebendo muitas denúncias de irregularidades na pasta. O blog chegou a denunciar um edital de dispensa de licitação com o desconhecido Imecap (Instituto Maranhense de Educação Continuada e Planejamento) no valor de R$ 17,3 milhões. A primeira parcela de R$ 8,5 milhões chegou a ser paga. O Imecap tem patrimônio de apenas R$ 12 mil. Roseana mandou suspender o contrato, mas o Imecap ainda não devolveu um centavo do valor recebido (reveja).

Semana passada a governadora mandou suspender uma compra de R$ 40 milhões em livros que a secretaria iria fazer. Além disso, teve o movimento dos índios Guajajaras que interditaram a BR-226 reclamando da falta de repasse de rescursos do transporte escolar”.

Pé na jaca - Mas o PT não tirou o pé por completo da Secretaria de Educação. O atual secretário-adjunto, responsável pela administração financeira, digamos assim,  é outro homem de confiança do vice Washington Luiz. É o presidente do PT de São Luís, Fernando Silva. Anselmo Raposo não ficou ao Deus dará, nada disso. Foi contemplado com uma assessoria na vice-governadoria, onde nunca lhe viram mais gordo. A dúvida: ganhou a assessoria por saber demais ou pelos bons serviços prestados ao vice-governador?

A Educação? Bom, vai cada vez pior, colecionando vergonhas nos sucessivos exames nacionais. E assim permanecerá, enquanto o PT e Roseana Sarney estiverem governando o Maranhão.

PS: Não deixem de ler o post “Seduc perde prazo e o Maranhão fica sem Pro-Jovem...” (é só clicar no título).

4 de fevereiro de 2012 às 12h11min

Edivaldo Holanda Júnior dá os primeiros passos
para se viabilizar candidato a prefeito de São Luís

O deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC) começou a dar os primeiros passos na direção da candidatura a prefeito de São Luís. Até aqui silencioso, Júnior movimentou-se na semana que termina: esteve em conversa com Flávio Dino (PCdoB), com o deputado estadual Marcelo Tavares (PSB) e com o presidente do PPS, Paulo Matos.

Vai conversar também com Roberto Rocha (PSB), Tadeu Palácio (PP), Eliziane Gama (PPS) e José Reinaldo Tavares (PSB).

Em 2010 Edivaldo Holanda Júnior teve 70 mil votos só em São Luís e elegeu-se deputado federal. Ele era vereador. O pai, Edivaldo Holanda, porém, não conseguiu se eleger deputado estadual.

As visitas são a grande novidade da semana que termina. Os meios de comunicação (blogues incluídos) até aqui não haviam dado importância a uma possível candidatura de Júnior. Ele, na verdade, fez por onde: não tem participado nem se manifestado sobre o tema.

Tudo indica que o cenário começa a mudar. E a complicar.

Segundo informações passadas ao blog, o ex-governador José Reinaldo Tavares prossegue com a tese de que o melhor para a oposição ao Esquema Sarney é uma ampla aliança com o prefeito João Castelo (PSDB). O que evitaria o desgaste, sem resultado previsível, de um embate com as máquinas estadual e municipal. Sem falar nas manifestações do poder federal.

Flávio Dino trabalha com a perspectiva de uma candidatura que saia do PTC, PP, PSB e PPS. Ele descarta a possibilidade de vir a se candidatar a prefeito de São Luís. O projeto seria a eleição de governador, em 2014.

A mesma fonte garante que o ex-prefeito Tadeu Palácio estaria disposto a abrir da candidatura apenas para Flávio Dino. Palácio não vê em Júnior, por exemplo, um figurino oposicionista. Resta saber se Roberto Rocha estaria disposto a abrir mão do projeto pessoal em nome da candidatura de Júnior.

A próxima semana promete.

2 de fevereiro de 2012 às 21h40min

Eleições 2012: possibilidades e entraves para Flávio Dino

O presidente da Embratur, ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB), não será candidato a prefeito de São Luís. O blog, em 2010, logo após as eleições, havia publicado em primeira mão que Dino não pretendia se candidatar. “Só se realmente não houver outra saída”, disse à época (o leitor pode procurar nos arquivos do blog).

A tendência é Flávio Dino apoiar um dos pré-candidatos a prefeito do grupo de oposição ao Esquema Sarney e ao prefeito João Castelo (PSDB).

Flávio Dino bateu o martelo, no entanto os apelos para que se candidate não param. O mais recente veio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Um núcleo de professores e intelectuais acredita que é importante a candidatura agora de Dino, com abertura para ficar, caso seja necessário, até seis anos na Prefeitura de São Luís. Ou seja, conforme as condições, Flávio Dino não seria candidato a governador em 2014, mas em 2018.

Dino é sensível à proposta, porém não deseja ser candidato a prefeito e reafirma a disposição de ser candidato a governador em 2014.

Mesmo dentro do PCdoB, partido de Dino, há correntes que são francamente favoráveis ao lançamento da candidatura a prefeito, como também só este blog já publicou. O partido trabalha para fazer bom número de prefeitos pelo Brasil afora. Acredita que Dino é uma das esperanças.

Por que Dino resiste?

Jornalistas e blogueiros com o cérebro na Faixa de Gaza acreditam que ele teme perder a eleição. Absurdo. Flávio Dino tem em mente que o tempo, sendo eleito prefeito, será seu maior inimigo. 15 meses seriam um contratempo. Não há muito o que fazer em tempo exíguo. Ele entraria grande na Prefeitura de São Luís e sairia com muitos centímetros (quem sabe metros) a menos. O projeto de 2014 estaria, assim, profundamente comprometido. Aí está dito tudo.

Bom, aí nasce novo problema. Digamos que Dino não saia mesmo candidato a prefeito de São Luís. A quem apoiar?

Os dois nomes mais fortes até aqui são: Tadeu Palácio (PP) e Edivaldo Holanda Júnior (PTC).

Tadeu Palácio cometeu o equívoco de participar do Governo Roseana Sarney (PMDB). Difícil convencer o eleitor ávido por mudanças de que Palácio não esteve por lá. A classe média, formadora de opinião, não perdoa. Sobretudo em tempos extremados, quando se avoluma a insatisfação com o Esquema Sarney.

Edivaldo Holanda Júnior teve uma excelente votação para deputado federal. Foram 70 mil votos só em São Luís. Uma coisa é a eleição para deputado federal, outra bem diferente é a de prefeito. O eleitor de Dino não tem o mesmo figurino do eleitor de Júnior. Este, apesar da pouca idade, tem um talho absolutamente conservador, desligado das reivindicações mais avançadas da sociedade participativa.

A grande questão hoje é: Flávio Dino resistirá aos apelos pela candidatura a prefeito? Mais: caso siga a dizer não, há de seu lado um nome viável?

Está posta a discussão.

 

 

30 de janeiro de 2012 às 12h04min

No turismo, Brasil precisa evitar a
todo custo a fama de país caro

O Brasil corre o risco de ficar com a fama de país caro. O alerta vem do presidente da Embratur, Flávio Dino, para quem o desafio na Copa-14 não é construir estádios ou atrair estrangeiros em crise.

Em entrevista à Folha, afirma que acendeu a luz amarela no assunto preço. Isso por causa da combinação de moeda valorizada, demanda interna aquecida e pouca diversificação dos roteiros.

Defensor de desonerações para o setor como forma de baratear os pacotes para o Brasil, Dino afirma que é preciso atualizar a agenda do governo. Apesar da crítica, diz que o bordão “imagine na Copa” ouvido nos aeroportos está errado: “Haverá transtornos, mas não será o caos”.

Há sete meses no cargo, o maranhense nega que seja problemática a relação com o ministro Gastão Vieira (Turismo), do PMDB, aliado do senador José Sarney, seu adversário político. Ainda assim, o juiz comunista leva na carteira três imagens de santos. Entre eles, santo Expedito, o das causas impossíveis.

Folha – Como está o plano de abrir escritórios para promover o Brasil em outros países?

Flávio Dino - Serão 13 escritórios nos principais emissores de turistas para o Brasil e ao mesmo tempo nos mercados estratégicos em crescimento no mundo. Teremos nos EUA, na América do Sul, na Europa e na China -a classe C deles tem 300 milhões de pessoas. Hoje a China não é um grande emissor de turista para o Brasil, mas pode vir a ser. Os escritórios produzirão inteligência comercial para o Brasil. A relação não será com o público final, mas com agências e operadoras. É um contrato de R$ 10 milhões por ano. Até o fim do ano queremos estar com todos abertos.

Os grandes eventos serão o foco para os escritórios?

Serão um dos ganchos, mas não podemos pensar na promoção ancorada exclusivamente nos megaeventos. Eles são o tempero, não a cereja do bolo. Encadeamos um ciclo virtuoso e os megaeventos ajudam. Estamos conseguindo aumentar o número de turistas estrangeiros no Brasil, apesar do câmbio e da crise internacional.

Como crescer com o mundo empobrecendo?

Mesmo com 2010 e 2011 tendo sido anos difíceis nos principais emissores para o Brasil, ainda assim, continuamos a crescer. O que prova que a aposta é correta.

Como foi compensado o fluxo dos países tradicionais?

Levantamentos preliminares confirmam tendência de 2010, quando os mercados que mais cresceram foram os da América do Sul. A teoria do turismo internacional mostra que o fluxo é mais forte nos mercados de proximidade. É o turismo de baixo custo. No Brasil, somente 46% dos turistas estrangeiros eram da América do Sul que, agora, vive um bom momento.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

27 de janeiro de 2012 às 10h35min

Roseana vai conseguindo o que deseja no TRE-MA.
A oposição decidiu ficar olhando a banda passar

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.

O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.

Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.

Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.

Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.

Suspeição

Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.

Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?

E a oposição com isso?

O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.

Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.

Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.

Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura  ao caso?

Burocratização da política. Despolitização da politica.

Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.

PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar. 

 

20 de janeiro de 2012 às 07h33min

Washington é uma mudança de nome para
o mesmo projeto atrasado da oligarquia Sarney,
diz Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís

Márcio Jerry, presidente do PCdoB

Liguei para fechar uma entrevista com o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís. Ele se encontrava em São Paulo e a entrevista ficou para o dia seguinte. Sem superstição, achei que a coisa não começava bem.

Mas depois vi que estava enganado.

A entrevista, nas linhas e entrelinhas, deixa ver muita coisa do jogo político que está a se armar no começo deste ano em São Luís.

A pergunta que mais fazem ao editor do blog (Flávio Dino será candidato a prefeito de São Luís?) ainda não tem resposta definitiva, é verdade. No entanto, fica-se sabendo que o PCdoB não vai de João Castelo (PSDB), atual prefeito de São Luís.

E a respeito do lançamento, pela oligarquia Sarney, do nome do vice-governador Washington Luiz para disputar a Prefeitura de São Luís?

Para saber a última resposta, e muitas outras, leiam a entrevista com Márcio Jerry abaixo:

Blog do Kenard – Como caiu no PCdoB a possibilidade do vice-governador Washington Luiz vir a ser candidato a prefeito de São Luís?

Washington Luiz

Márcio Jerry – Uma mudança de nome para representar o mesmo projeto atrasado da oligarquia decadente. E uma manobra para manter o PT como linha auxiliar do grupo oligárquico comandado por José Sarney. É um lance que não altera substantivamente a essência da disputa eleitoral em 2012, mas pode ter  repercussões para 14.

BK –Tudo indica que o PT nacional, onde quem manda é Lula, jamais estará com Flávio Dino na disputa pelo Governo do Maranhão. Nesse sentido, ser do PCdoB não é um péssimo negócio para Dino?

MJ – Em 2010 enfrentamos os milhões de Roseana, o Lula  e o PT nacional. Mesmo assim só não fomos ao segundo turno para vencer por causa daquelas estranhas ocorrências no TRE com cheiro forte de fraude. O PCdoB é aliado nacional do PT, mas não subordinado ao PT. Se fosse subordinado teria cedido às imensas pressões para que em 2010 Flávio Dino disputasse o senado e não o governo do estado.

BK – Por falar em Governo do Maranhão, gostaria de saber o seguinte: há um processo no TSE que pode resultar na cassação do diploma de Roseana Sarney. Vocês acreditam que o TSE tem coragem de ser isento e cassá-la?

MJ – Ou o TSE cassa Roseana Sarney ou inocenta Jackson Lago. Roseana Sarney cometeu vários crimes eleitorais em 2010, de forma explícita, flagrante. O TSE, é o que se espera, precisa julgar com isenção. Enfatizo: Jackson Lago foi injustamente cassado com acusações que são fichinha perto das que foram apresentadas na denúncia à Roseana Sarney.

BK –Sinceramente, Flávio Dino vai ou não disputar a Prefeitura de São Luís?

Flávio Dino

MJ – Sinceramente, pode disputar e pode não disputar. Depende de uma conclusão coletiva sobre os cenários e projetos para 2012 e 2014. Temos várias e bem fundamentadas opiniões favoráveis a ele ser candidato agora e também para não ser candidato, se preservando para 2014. São Luís reclama uma alternativa político-administrativa e nós juntos haveremos de encontrá-la.

BK – Digamos que ele decida por não disputar. Há a possibilidade de todos os partidos do campo antissarney apoiarem, por exemplo, Castelo (PSDB), dando à eleição uma feição plebiscitária?

MJ – O prefeito João Castelo desperdiçou todas as oportunidades de liderar a oposição ao grupo Sarney. Em 2010 fez corpo mole e ajudou na prática a candidatura de Roseana. E mesmo depois disso não compreendeu que poderia mudar o rumo do seu péssimo governo, convocar um governo de coalizão e apontar um rumo diferente para São Luís e para  o Maranhão. Infelizmente é uma pessoa avessa ao diálogo. Não vejo, pois, como agora ele poderá liderar um campo antissarney.

BK – Como presidente do PCdoB de São Luís, quais seriam as consequências para o partido ter de ficar quatro anos com sua maior liderança e da oposição no Estado sem mandato por quatro anos?

MJ – Flávio Dino hoje preside uma empresa importante do governo federal, atendendo a um convite da presidenta Dilma Roussef. A falta do mandato não está atrapalhando o processo de crescimento do PCdoB. E agora em 12 ou ali em 14 o Flávio Dino certamente voltará a exercer um mandato em nosso estado, agora no executivo.

BK – Você falou como presidente do partido. Agora, se dependesse de sua vontade, Flávio Dino seria ou não candidato a prefeito de São Luís?

MJ – (risos) Se dependesse só de vontade o próprio Flávio Dino te diria que gostaria de disputar a Prefeitura. Mas é algo além de uma vontade…Trata-se de um projeto que precisa ser friamente elaborado para que os passos planejados avancem para o maior desafio que é pôr fim a esse ciclo oligárquico tão danoso ao Maranhão.

 

19 de janeiro de 2012 às 19h58min

Márcio Jerry – Entrevista exclusiva

Não deixem de ler amanhã a entrevista que o presidente do PCdoB, Márcio Jerry, concedeu ao Blog do Kenard. Quem quer saber o que se passa nos bastidores da política neste ano eleitoral não pode perder.

19 de janeiro de 2012 às 12h01min

Sebastião Madeira retornou à oligarquia Sarney
e tem tudo para perder a Prefeitura de Imperatriz por isso

Conversei longamente com fonte muito ligada à cidade de Imperatriz. Abaixo vai resumo do que foi dito (a fonte preferiu o anonimato).

São absolutamente complicadas (o que não quer dizer impossível) as possibilidades do prefeito Sebastião Madeira (PSDB) se reeleger.

A reeleição só ocorrerá se a oposição (a Madeira e aos Sarney) for brutalmente incompetente. E a burrice aqui seria a não união em torno do nome mais viável. O vice seria o pré-candidato desse campo com segunda pontuação nas pesquisas.

Perguntei o que levou Madeira a essa posição.

Resposta:

- Um erro primário para um político de larga experiência como Madeira: deixar Roseana Sarney pôr a mão no seu ombro numa cidade que é a mais antissarney do Maranhão.

Segundo a fonte, o nome mais forte seria o do deputado estadual pedetista Carlinhos Amorim, mas este já decidiu não concorrer. Logo depois viriam os nomes do pastor Porto (ex-vice-governador), do PPS, e de Edimilson Sanches, do PCdoB. Esses dois juntos, segundo a última pesquisa de intenções de voto em Imperatriz, somados empatam tecnicamente com Madeira.

Segundo a fonte, aí se encontra, por enquanto, a cabeça da equação.

Deixemos a fonte de lado.

Reunião da oposição

No dia 12 deste mês, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz, partidos do chamado campo popular e democrático, de oposição ao Esquema Sarney e a Madeira, se reuniram. Presentes: Edmilson Sanches (PC do B), Pastor Porto (PPS), Adalberto Franklin e Manoel da Conceição (PT), Cleber Miranda e Neudson Claudino (PSB) e Carlos Leen (PSol). A reunião contou com mais de 30 pessoas.

Afora o PSol, que disse não garantir nenhuma “coligação programática”, todos os outros mostraram-se abertos ao diálogo e a uma possível coligação para vencer Madeira e a oligarquia Sarney, a quem ele representa hoje em Imperatriz.

Madeira e a oligarquia

Hoje, 19, coincidentemente também uma quinta-feira, o prefeito Sebastião Madeira aparece no site do Governo do Maranhão em companhia do chefe da Casa Civil, Luís Fernando. A visita aconteceu no dia 17 deste mês.

Madeira busca experiência no fim do mandato

Madeira visitou o Liceu Ribamarense, construído quando Luís Fernando era o prefeito de São José de Ribamar. Veio, portanto, em busca de experiência administrativa.

Uma pergunta simples: hoje uma das cidades que mais crescem no Brasil é Porto Franco, administrada por Deoclides Macedo, do PDT. Por que Madeira não buscou adquirir experiência com o colega oposicionista da cidade vizinha?

O mais interessante é que Madeira só agora veio buscar por projetos que deram certo, como os de São José de Ribamar, justo quando o seu mandato está no fim.

 

 

 

 

17 de janeiro de 2012 às 10h09min

PCdoB caminha para decidir pela candidatura de Flávio Dino

O comando político do PCdoB fez ontem a primeira reunião para discutir a possível candidatura de Flávio Dino à Prefeitura de São Luís, levando em conta o quadro posto hoje. Pelos participantes da reunião, Dino seria o candidato. Acontece que a discussão precisa passar pela estadual, pela municipal e pelo comando nacional.

Tanto a instância local e o comando nacional do PCdoB há muito mostram o desejo de ver Flávio Dino candidato em 2012. Desde o fim da eleição de 2010, porém, Flávio Dino tem demonstrado que prefere apoiar um candidato do chamado campo democrático, onde se encontram os adversários do Esquema Sarney. Dino insiste em não ser candidato.

Decisão – A tendência no PCdoB, no atual momento, é de considerar imprudente a não candidatura, tendo em vista o projeto de disputa do governo em 2014 e o vácuo de liderança que pode ser formado agora em 2012.

Há quem defenda também, caso a candidatura saia vitoriosa, a permanência de Dino à frente da Prefeitura de São Luís por seis anos. Ou seja, Dino só se lançaria ao governo em 2018, mas isso, repita-se, caso as circunstâncias em 2014 não sejam favoráveis ao lançamento da candidatura ao Governo do Maranhão.

16 de janeiro de 2012 às 14h30min

Indecisão de Flávio Dino o complicou em 2012

O lançamento, pela família Sarney, do vice-governador Washington Luiz (PT) para disputar a Prefeitura de São Luís foi uma grande jogada política. A indecisão de Flávio Dino (PCdoB) propiciou a jogada.

Com isso, evidentemente, não estou a dizer que as favas estão contadas. Nada nesta disputa está contado. Tudo está por se arranjar. Mas o cenário se complicou. Pelo menos para Flávio Dino.

O nome do petista Washington Luiz complica porque se encontra no mesmo campo político de Dino. Caso Flávio Dino tivesse se antecipado, dificilmente o nome de Washington Luiz estaria posto. Não seria do agrado do PT nacional patrocinar nova desmoralização de aliados no Maranhão, como o fez em 2010. Naquela disputa, o PT maranhense decidiu, pelo voto, apoiar Dino. A mão de Lula e da direção nacional caíram sobre o PT e levaram o partido pelo beiço para a oligarquia Sarney.

Há ainda o fato de que não se trata agora da candidatura de um político do PMDB, a quem o sarnopetismo teria de apoiar, fingindo constrangimento. Washington Luiz é do PT, a cabeça de chapa, portanto, é do PT.

Junte-se a isso o apoio federal e a máquina do Estado. O Esquema Sarney fará de tudo para tentar eleger Washington Luiz, única maneira de se livrar do vice para a disputa de 2014, quando Roseana Sarney terá de se desincompatibilizar para concorrer ao Senado.

Não se pode negar a sagacidade de Washington na empreitada. Sabedor de que o Esquema Sarney não o quer como  vice em 2014, tratou de juntar a fome com a vontade de comer. Deu aos Sarney a oportunidade de conseguir seus intentos. Preço: a candidatura à Prefeitura de São Luís.

Flávio Dino encurralou-se. Não tem força suficiente para apostar num dos nomes postos de seu campo político (difícil acreditar que possa transferir votos) e jamais subirá num palanque do PSDB, o que resultaria catastrófico no plano nacional em 2014.

Pode, ainda, se decidir pela candidatura a prefeito? Claro que pode. Mas certamente sabe que o será em condições bem mais complicadas. Terá, no mínimo, a trabalheira incomensurável de juntar os partidos da base aliada do governo federal no Maranhão. Será o cenário de 2010 em 2012. Com um agravante: agora a cabeça de chapa é do PT.

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