5 de fevereiro de 2012 às 09h52min
Segue abaixo mais um artigo certeiro e de extrema importância do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vale a leitura:
Por Fernando Henrique Cardoso
Nas duas últimas semanas apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia. É inegável que está havendo uma “despolitização” da sociedade não só no Brasil, mas em geral. O “triunfo do mercado” levou às cordas as colorações políticas. Parece que tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de “malfeitos”, não há voz que ressoe contra os governos. Nos que caem em desgraça sem terem feito a “lição de casa” – sem terem gerado um “superávit primário” -, aí sim, os governos em exercício pagam o preço. Caem porque são vistos como incapazes de assegurar o bom pagamento aos mercados. Não importa ser de coloração mais progressista ou mais conservadora. Caem sem que tenha havido um debate político-ideológico que mostre suas fraquezas eventuais, mas porque o rancor das massas gerado pelo mal-estar econômico-financeiro se abate sobre os líderes do momento.
O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões. Pior ainda quando essas vozes estão roucas ou preferem sussurrar. Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior como pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição tornou-se um ato de contrição.
Mas que importa? Também era assim no período do milagre dos anos 1970, durante o regime militar. A oposição nada podia esperar, a não ser censura, cadeia ou tortura. Não obstante, não calou. Colheu derrotas eleitorais e políticas, resistiu até que, noutra conjuntura, venceu. Hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável. Só que falta, o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê?

Serra: errou em 2010
Eis o enigma. Não faltam candidatos. Ainda recentemente, em conversa analítica que fiz com uma jornalista da The Economist, ressaltei que há vários, e não só no PSDB. Neste o mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos. O isolamento em que sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória. Se o candidato tivesse expressado com mais força as suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas.
Quem sabe por este caminho se decifre o enigma: falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco, faz propaganda do que não concretizou inteiramente e coloca no altar os “vencedores”, mesmo quando estes ganham à custa do dinheiro do povo, que paga impostos cada vez mais regressivos.
Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral dominante em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas? Encarnará a mudança com a energia necessária e o desprendimento que é o motor da ousadia, arriscando-se a dizer verdades inconvenientes, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe “outro lado” e confie nele para abrir perspectivas melhores?

Aécio: fase de teste
Refiro-me aos dois por serem os mais cogitados no momento. Não são os nomes que importam agora, mas a disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública e – façamos a distinção – da opinião popular. É evidente que o governo, qualquer governo, leva vantagens, principalmente desde que o lulopetismo instalou a regra de que tudo vale para manter o poder: clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública, etc. Entretanto, também no regime militar o governo levava vantagens. Mas nós lutávamos não para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas.
A elucidação do enigma requer perseverança e coragem. Eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula porque tinha uma mensagem: a da estabilização da economia com o Real e o início da distribuição de rendas. Mesmo sem propagandear, a pobreza deixou de atingir mais de 15 milhões de pessoas com a estabilização dos preços e a política de aumentos reais do salário mínimo, que começou em 1994. Não foi fácil ganhar os apoios para pôr em ação o Plano Real, precisei brigar muito. Lula ganhou porque pregou, no início no deserto, ser ele o portador da mensagem que levaria a um mundo melhor. Perseverou, rodou o Brasil, abandonou a tribuna parlamentar e, no começo, desprezou a mídia. Mostrou-se audacioso, desprendido e generoso. Se sinceramente ou não, é outra questão: a Carta aos Brasileiros está à disposição dos historiadores para que julguem. Mas o povo acreditou.
É esta a verdadeira questão da oposição, e deveria ser a preocupação dos pré-candidatos: mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau. Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem – o discurso – para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional.
Quem o fizer terá chances de ser o candidato da oposição e, eventualmente, ganhar as eleições. Isso independe de manobras de cúpula, simpatias e interesses menores.
Não se pense que nossa realidade será sempre o que hoje parece ser: uma sociedade conformada, legendas eleitorais disputando mordomias no dá-cá-toma-lá entre governo e congressistas e a voz do governo a tonitruar como um trovão divino, a que todos se curvam prestimosos. É só mudar a conjuntura e a cena muda, se a oposição apresentar alternativas. Mesmo que não mude, nada deve alterar nossos valores e convicções. Continuemos com eles, pois “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
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2 de fevereiro de 2012 às 21h40min
O presidente da Embratur, ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB), não será candidato a prefeito de São Luís. O blog, em 2010, logo após as eleições, havia publicado em primeira mão que Dino não pretendia se candidatar. “Só se realmente não houver outra saída”, disse à época (o leitor pode procurar nos arquivos do blog).
A tendência é Flávio Dino apoiar um dos pré-candidatos a prefeito do grupo de oposição ao Esquema Sarney e ao prefeito João Castelo (PSDB).
Flávio Dino bateu o martelo, no entanto os apelos para que se candidate não param. O mais recente veio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Um núcleo de professores e intelectuais acredita que é importante a candidatura agora de Dino, com abertura para ficar, caso seja necessário, até seis anos na Prefeitura de São Luís. Ou seja, conforme as condições, Flávio Dino não seria candidato a governador em 2014, mas em 2018.
Dino é sensível à proposta, porém não deseja ser candidato a prefeito e reafirma a disposição de ser candidato a governador em 2014.
Mesmo dentro do PCdoB, partido de Dino, há correntes que são francamente favoráveis ao lançamento da candidatura a prefeito, como também só este blog já publicou. O partido trabalha para fazer bom número de prefeitos pelo Brasil afora. Acredita que Dino é uma das esperanças.
Por que Dino resiste?
Jornalistas e blogueiros com o cérebro na Faixa de Gaza acreditam que ele teme perder a eleição. Absurdo. Flávio Dino tem em mente que o tempo, sendo eleito prefeito, será seu maior inimigo. 15 meses seriam um contratempo. Não há muito o que fazer em tempo exíguo. Ele entraria grande na Prefeitura de São Luís e sairia com muitos centímetros (quem sabe metros) a menos. O projeto de 2014 estaria, assim, profundamente comprometido. Aí está dito tudo.
Bom, aí nasce novo problema. Digamos que Dino não saia mesmo candidato a prefeito de São Luís. A quem apoiar?
Os dois nomes mais fortes até aqui são: Tadeu Palácio (PP) e Edivaldo Holanda Júnior (PTC).
Tadeu Palácio cometeu o equívoco de participar do Governo Roseana Sarney (PMDB). Difícil convencer o eleitor ávido por mudanças de que Palácio não esteve por lá. A classe média, formadora de opinião, não perdoa. Sobretudo em tempos extremados, quando se avoluma a insatisfação com o Esquema Sarney.
Edivaldo Holanda Júnior teve uma excelente votação para deputado federal. Foram 70 mil votos só em São Luís. Uma coisa é a eleição para deputado federal, outra bem diferente é a de prefeito. O eleitor de Dino não tem o mesmo figurino do eleitor de Júnior. Este, apesar da pouca idade, tem um talho absolutamente conservador, desligado das reivindicações mais avançadas da sociedade participativa.
A grande questão hoje é: Flávio Dino resistirá aos apelos pela candidatura a prefeito? Mais: caso siga a dizer não, há de seu lado um nome viável?
Está posta a discussão.
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1 de fevereiro de 2012 às 16h21min
Em editorial, ontem, o Jornal Pequeno provoca com ironia as pré-candidaturas a prefeito de São Luís. É o tema do ano.
O blog achou por bem reproduzir o editorial para gerar discussão mais ampla. Você concordar com o que é dito no editorial? Não concorda? Então participe, escreva comentários.
Abaixo, o ediorial:
O Movimento dos Sem-Voto
Depois do Movimento dos Sem-Terra e dos Sem-Teto, nasce no Maranhão com o fim de disputar a eleição municipal em São Luís, o Movimento dos Sem-Voto. Constituído de candidatos como Roberto Rocha, Tadeu Palácio, Eliziane Gama e Edivaldo Holanda Júnior, o MSV promete se unir em torno de uma candidatura única para derrotar o prefeito João Castelo.
Não foi citado Flávio Dino, porque este tem votos em São Luís, mas não ousa ser candidato. Também não foi citado Bira do Pindaré porque na disputa pelo Senado mostrou que tem carisma e popularidade bastante numa disputa majoritária para assustar velhos figurões da política maranhense. Além do que só será candidato pelo Partido dos Trabalhadores, onde está perdendo a indicação para Washington Luiz.
É uma ótima notícia para o principal artífice da candidatura de Washington, o senador José Sarney, essa união de candidatos sem voto em torno de um outro candidato que tem menos votos ainda. O vice-governador, se igualmente não tem votos em São Luís, terá a seu
dispor as máquinas do Estado e do Governo Federal, além de apoios institucionais que de alguma forma haverão de pesar nas eleições.
Como em se tratando de política nunca se sabe o que vai acontecer na próxima curva, pode ser que Flávio Dino ainda resolva ser candidato e só assim o prefeito João Castelo terá com o que se preocupar. Fora isso, ainda há as reações dos partidos que nem sempre estão de acordo com as pretensões eleitorais de seus filiados, como nos casos de Roberto Rocha e Eliziane Gama. Estão esquecendo que caberá ao povo decidir essa disputa e que a preocupação do governo Roseana é não perder o comando do estado em 2014, e isso é o que movimenta hoje as peças do xadrez político maranhense.
Uma derrota de Flávio Dino – mais uma – nas eleições majoritárias de 2012 revitalizaria o projeto de perpetuação no poder do grupo Sarney.
É daí que vêm os constantes ataques contra o presidente da Embratur. Querem irritá-lo até o ponto em que ele caia na esparrela de enfrentar as máquinas do Estado, da Prefeitura e do Governo Federal na disputa por São Luís. A novidade política chamada Edivaldo Holanda Júnior, com seus 100 mil votos para deputado federal pode até pesar na balança dos
prognósticos eleitorais, mas não tem lado, é inseguro demais, silencioso demais para quem pretende se aventurar numa disputa capaz de mudar a história política do Maranhão.
Com base no que chamou de ‘confiança da população na Prefeitura’, o presidente do PSDB, deputado Carlos Brandão, afirmou ao blog do jornalista Djalma Rodrigues que o partido não está intimidado com a candidatura do vice-governador Washington Luiz, apesar do tempo de
televisão, apoio do governo estadual, de Dilma e de Lula. De fato, o prefeito João Castelo não tem razões para temer essa candidatura. Mas o Movimento dos Sem-Voto tem sim, e é isso o que as eleições deste ano de 2012 vão mostrar.
31 de janeiro de 2012 às 17h44min
Acaba de sair pesquisa de intenções de voto para a cidade de Imperatriz, da Escutec. Os números muito pouco favoráveis ao prefeito Sebastião Madeira (PSDB) confirmam análise feita neste espaço no dia 19/01, onde foi mostrado que o prefeito, apesar de político experiente, vem cometendo suicídio político ao se juntar à oligarquia Sarney na cidade mais oposicionista do Maranhão (reveja aqui).
Antes, em 29 de dezembro de 2011, ao tomar conhecimento de pesquisa do Instituto Amostragem, escrevi: “Pesquisa indica que aliança de Madeira com Roseana favorece a oposição na cidade de Imperatriz” (o leitor pode rever o texto e os números da pesquisa aqui).
Em ambos os textos afirmei que se a oposição de Imperatriz tiver juízo se juntará em torno do nome mais viável para vencer a eleição e finalmente dar à segunda maior cidade do Estado o desenvolvimento merecido.

Pastor Porto
Na pesquisa da Amostragem o Pastor Porto (PPS), vice-governador quando Jackson Lago (PDT) foi o governador do Maranhão, já aparecia como a terceira força eleitoral. Eis o resultado:
Sebastião Madeira – 27%
Ildon Marques – 25%
Pastor Porto – 13%
Na pesquisa Escutec os números são diferentes (o do Pastor Porto, não, diga-se), mas levam ao mesmo resultado: o Pastor Porto aparece como a terceira força eleitoral. Mais importante: de todos os pré-candidatos que aparecem na pesquisa é o que tem o menor índice de rejeição. Vejamos os números da Escutec para rejeição, com apenas os três que pontuam melhor:
Sebastião Madeira – 31,3%
Ildon Marques – 25,9%
Pastor Porto – 4,6%
A rejeição de Madeira e de Ildon ultrapassa os números das intenções de voto que eles teriam se a eleição fosse hoje. O Pastor Porto, que na Escutec aparece com 12,9% na pesquisa estimulada (aquela em que o nome dos candidatos é apresentado ao entrevistado), só tem 4,6% de rejeição. E esse é o dado importante. É muito mais fácil trabalhar um nome conhecido que não tenha rejeição, ou a tenha em escala mínima, do que refazer uma imagem desgastada, ainda que esse alguém esteja sentado na cadeira de prefeito.
De tudo fica o seguinte: o blog acertou em dezembro e acertou em 19 de janeiro quando mostrou que o prefeito Sebastião Madeira caminhava para um lugar escuro, onde sua reeleição estaria gravemente comprometida. É o que confirmam os números da pesquisa Escutec. O blog também acertou (os links estão lá no começo para não me deixarem mentir) quando vislumbrou no Pastor Porto uma opção com todas as possibilidades de se viabilizar.
27 de janeiro de 2012 às 10h35min
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.
O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.
Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.
Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.
Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.
Suspeição
Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.
Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?
E a oposição com isso?
O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.
Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.
Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.
Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura ao caso?
Burocratização da política. Despolitização da politica.
Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.
PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar.
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22 de janeiro de 2012 às 21h00min
Por Josias de Souza
Enfim, um herói. Paulo Ventura, o presidente da República ficcional de ‘O Brado Retumbante’, põe para correr os corruptos que roem o erário. Ao tratar o inaceitável de maneira impensável, diverte os políticos de carne e osso. Inspira-os a comparar o país irreal da TV com o Brasil surreal que os rodeia.
A pouca idade, a cara de galã e a fama de mulherengo fizeram de Aécio Neves uma analogia fácil. O político do país alternativo da minissérie vai ao Planalto graças a um acidente que o torna o primeiro da linha sucessória, como presidente da Câmara. Um cargo que o presidenciável do PSDB já ocupou.
Espraiou-se rapidamente uma tese conspiratória. Nessa versão, a obra de Euclydes Marinho, autor da minissérie, seria uma tentativa da Rede Globo de envernizar a imagem de Aécio. Alertado por sua assessoria sobre a fantasia, o tucano Aécio riu. “Quem me dera!”, disse.
No Brasil da ficção, o presidente ocasional é inflexível na aplicação de seus princípios éticos e maleável no manuseio do zíper. Livra-se de ministros corruptos com a mesma facilidade com que coleciona amantes. Um de seus casos é a mulher de um senador baiano. A moça é identificada no palácio pelo codinome de “bancada baiana”.
Ligado na cena, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) pendurou seu encatamento no twitter: “A bancada baiana é linda!” Rodrigo Moura, vereador baiano do DEM, replicou: “A Globo já está subliminarmente colocando Aécio Neves 2014 na Presidência do Brasil. Percebeu, amigo?”.
Lúcio contraditou: “Nada a ver, ficam procurando coincidências, mas a polêmica é bom [sic] pra Aécio.” Irmão do deputado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro frequentador assíduo do twitter, sapecou: “E quem seria a bancada baiana do Aécio?”
As tentativas de grudar o presidente Ventura no presidenciável Aécio esbarram nos fatos. No plano privado, Aécio foge da fama de namorador que estimulou no passado. Mantém com a catarinense Letícia Weber um namoro de quase cinco anos.
Na seara pública, Aécio cultiva um estilo acomodatício que contrasta com os rompantes do congênere da ficção. O senador tucano tenta pavimentar sua candidatura costurando acordos que, no Brasil idealizado da minissérie, o presidente improvável combate.
Herdeiro de um ministério podre, Paulo Ventura livra-se, já no segundo capítulo, do ministro corrupto da Justiça. Um deputado que faz dobradinha com outro personagem que açulou a imaginação da Brasília surreal. Chamam-no apenas de ‘Senador’.
Em conversa telefônica com um colega de partido, uma liderança do PMDB abespinhou-se: “Estão querendo sacanear o Sarney”. Identificou a “maldade” numa cena em que o ministro desonesto, libertado da prisão graças a um habeas corpus, reúne-se com o ‘Senador’ num gabinete do Congresso.
A petição dos advogados foi elaborada com esmero, alguém comenta. A reação do ‘Senador’ veio instantaneamente. Disse que, mais eficaz do que a peça dos defensores do aliado pilhado recebendo propina, é a boa relação que construiu com membros do Judiciário em seus “50 anos de vida pública”.
A guerra aberta pelo presidente contra o ‘Senador’ e seu grupo faz da nação da minissérie um país tão inimaginável quanto o da fantasia real, um Brasil que jamais acontece. Fora do vídeo, a história real vem sendo contada como farsa. Personagens incômodos não são combatidos. Viram aliados. E são chamados de “incomuns”.
De embaraço, os escândalos tornam-se hábitos. De hábitos passam a parâmetros. E quando a platéia se dá conta, nada mais (a compra da emenda da reeleição, sob FHC; o mensalão, sob Lula) precisa ser muito explicado. O país finge que não aconteceu.
Ex-procurador da República, Pedro Taques (PDT-MT), hoje um senador idealista de primeiro mandato, enxerga méritos no divertimento televisivo. Acha que, abstraindo as imperfeições jurídicas, o enredo convida à reflexão. “É possível presidir o país sem abrir mão de princípios éticos”, acredita.
Como? “Estabelecendo vínculos diretos com a opinião pública, por meio da internet, uma ferramenta que não estava disponível no passado.” O uso da web é, alias, um dos recursos de que se serve o presidente improvável da TV.
Cercado de um grupo de assessores palacianos, Paulo Ventura dá de ombros para o Congresso escorado na repentina popularidade. Numa passagem, recebe o ministro da Agricultura, flagrado em desvios do crédito agrícola. Refuta as alegações do acusado, que reage invocando o apoio de seu partido ao governo.
Súbito, o ministro desonesto recorda ao presidente a importância de preservar a “governabilidade”, um vocábulo muito em voga no Brasil surreal. O presidente dá de ombros. Demite o auxiliar de maneira implacável, aproximando-se do modelo preconizado pelo senador Taques.
Prevalecendo o otimismo de Taques, a minissérie levaria à reflexão sobre os motivos que levam à submissão de sucessivos governantes a um presidencialismo em que coalizão virou sinônimo de cooptação. Parece improvável que isso venha a ocorrer.
Nessa hipótese, os atores do Brasil que não cabe na TV teriam de discutir não o modelo em que o ‘Senador’ e Cia dão as cartas, mas a sua predisposição para o medo. No limite, iriam a debate as razões que levam o Brasil a concordar em ser, indefinidamente, uma espécie de Maranhão hipertrofiado.
Há dois dias, encontraram-se em São Paulo Aécio Neves e o presidente do PSDB federal, deputado Sérgio Guerra (PE). Entre um compromisso e outro, falaram sobre a minissérie. Aécio comentou com Guerra a associação que se estabeleceu entre ele e Paulo Ventura.
Guerra fez troça. Disse que o presidente da ficção não é inspirado em Aécio, mas no vice de Dilma Rousseff, o pemedebê Michel Temer. Gargalharam. Aécio revelou uma ponta de preocupação com o desfecho da minissérie. Receia um final trágico para o destemido Paulo Ventura.
Por ora, as reações do grupo do ‘Senador’ resultaram num mal sucedido atentado a bala e numa infrutífera tentativa de chantagem. O ‘Senador’ enviou ao palácio, junto com uma caixa de bombons, fotos do presidente aos beijos e amassos com a “bancada baiana”.
No Brasil surreal, o recurso a esse tipo de intimidação talvez jamais ocorresse. Escândalos sexuais ameaçam governos e acabam com carreiras políticas nos EUA. Aqui, uma Mônica Lewinsky teria dificuldades para virar notícia.
Seja como for, a mulher de Paulo Ventura, embora contrafeita com o adultério, deu-lhe o apoio necessário para reagir à coação. Em telefonema ao ‘Senador’, o presidente impensável desafiou-o a enviar as fotos aos jornais.
Inaugurado na terça-feira (17), o Brasil ilógico da TV terá a duração de oito capítulos. Logo o país saberá se os temores de Aécio se confirmarão. A platéia, naturalmente, torce para que a ficcão lhe proporcione algo que a realidade não tem sido capaz de prover.
Na vida sureal, falta vilão. Um vilão em que a maldade esteja na cara, sem ambiguidades, que enrole as pontas dos bigodes antes de tramar a deposição do presidente, como faz o ‘Senador’. Fora da ficção, vilões desse tipo não existem. São todos bons sujeitos. Inocentes. Ou cúmplices.
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20 de janeiro de 2012 às 07h33min

Márcio Jerry, presidente do PCdoB
Liguei para fechar uma entrevista com o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís. Ele se encontrava em São Paulo e a entrevista ficou para o dia seguinte. Sem superstição, achei que a coisa não começava bem.
Mas depois vi que estava enganado.
A entrevista, nas linhas e entrelinhas, deixa ver muita coisa do jogo político que está a se armar no começo deste ano em São Luís.
A pergunta que mais fazem ao editor do blog (Flávio Dino será candidato a prefeito de São Luís?) ainda não tem resposta definitiva, é verdade. No entanto, fica-se sabendo que o PCdoB não vai de João Castelo (PSDB), atual prefeito de São Luís.
E a respeito do lançamento, pela oligarquia Sarney, do nome do vice-governador Washington Luiz para disputar a Prefeitura de São Luís?
Para saber a última resposta, e muitas outras, leiam a entrevista com Márcio Jerry abaixo:
Blog do Kenard – Como caiu no PCdoB a possibilidade do vice-governador Washington Luiz vir a ser candidato a prefeito de São Luís?

Washington Luiz
Márcio Jerry – Uma mudança de nome para representar o mesmo projeto atrasado da oligarquia decadente. E uma manobra para manter o PT como linha auxiliar do grupo oligárquico comandado por José Sarney. É um lance que não altera substantivamente a essência da disputa eleitoral em 2012, mas pode ter repercussões para 14.
BK –Tudo indica que o PT nacional, onde quem manda é Lula, jamais estará com Flávio Dino na disputa pelo Governo do Maranhão. Nesse sentido, ser do PCdoB não é um péssimo negócio para Dino?
MJ – Em 2010 enfrentamos os milhões de Roseana, o Lula e o PT nacional. Mesmo assim só não fomos ao segundo turno para vencer por causa daquelas estranhas ocorrências no TRE com cheiro forte de fraude. O PCdoB é aliado nacional do PT, mas não subordinado ao PT. Se fosse subordinado teria cedido às imensas pressões para que em 2010 Flávio Dino disputasse o senado e não o governo do estado.
BK – Por falar em Governo do Maranhão, gostaria de saber o seguinte: há um processo no TSE que pode resultar na cassação do diploma de Roseana Sarney. Vocês acreditam que o TSE tem coragem de ser isento e cassá-la?
MJ – Ou o TSE cassa Roseana Sarney ou inocenta Jackson Lago. Roseana Sarney cometeu vários crimes eleitorais em 2010, de forma explícita, flagrante. O TSE, é o que se espera, precisa julgar com isenção. Enfatizo: Jackson Lago foi injustamente cassado com acusações que são fichinha perto das que foram apresentadas na denúncia à Roseana Sarney.
BK –Sinceramente, Flávio Dino vai ou não disputar a Prefeitura de São Luís?

Flávio Dino
MJ – Sinceramente, pode disputar e pode não disputar. Depende de uma conclusão coletiva sobre os cenários e projetos para 2012 e 2014. Temos várias e bem fundamentadas opiniões favoráveis a ele ser candidato agora e também para não ser candidato, se preservando para 2014. São Luís reclama uma alternativa político-administrativa e nós juntos haveremos de encontrá-la.
BK – Digamos que ele decida por não disputar. Há a possibilidade de todos os partidos do campo antissarney apoiarem, por exemplo, Castelo (PSDB), dando à eleição uma feição plebiscitária?
MJ – O prefeito João Castelo desperdiçou todas as oportunidades de liderar a oposição ao grupo Sarney. Em 2010 fez corpo mole e ajudou na prática a candidatura de Roseana. E mesmo depois disso não compreendeu que poderia mudar o rumo do seu péssimo governo, convocar um governo de coalizão e apontar um rumo diferente para São Luís e para o Maranhão. Infelizmente é uma pessoa avessa ao diálogo. Não vejo, pois, como agora ele poderá liderar um campo antissarney.
BK – Como presidente do PCdoB de São Luís, quais seriam as consequências para o partido ter de ficar quatro anos com sua maior liderança e da oposição no Estado sem mandato por quatro anos?
MJ – Flávio Dino hoje preside uma empresa importante do governo federal, atendendo a um convite da presidenta Dilma Roussef. A falta do mandato não está atrapalhando o processo de crescimento do PCdoB. E agora em 12 ou ali em 14 o Flávio Dino certamente voltará a exercer um mandato em nosso estado, agora no executivo.
BK – Você falou como presidente do partido. Agora, se dependesse de sua vontade, Flávio Dino seria ou não candidato a prefeito de São Luís?
MJ – (risos) Se dependesse só de vontade o próprio Flávio Dino te diria que gostaria de disputar a Prefeitura. Mas é algo além de uma vontade…Trata-se de um projeto que precisa ser friamente elaborado para que os passos planejados avancem para o maior desafio que é pôr fim a esse ciclo oligárquico tão danoso ao Maranhão.
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Entrevistas, por Roberto Kenard
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19 de janeiro de 2012 às 12h01min
Conversei longamente com fonte muito ligada à cidade de Imperatriz. Abaixo vai resumo do que foi dito (a fonte preferiu o anonimato).
São absolutamente complicadas (o que não quer dizer impossível) as possibilidades do prefeito Sebastião Madeira (PSDB) se reeleger.
A reeleição só ocorrerá se a oposição (a Madeira e aos Sarney) for brutalmente incompetente. E a burrice aqui seria a não união em torno do nome mais viável. O vice seria o pré-candidato desse campo com segunda pontuação nas pesquisas.
Perguntei o que levou Madeira a essa posição.
Resposta:
- Um erro primário para um político de larga experiência como Madeira: deixar Roseana Sarney pôr a mão no seu ombro numa cidade que é a mais antissarney do Maranhão.
Segundo a fonte, o nome mais forte seria o do deputado estadual pedetista Carlinhos Amorim, mas este já decidiu não concorrer. Logo depois viriam os nomes do pastor Porto (ex-vice-governador), do PPS, e de Edimilson Sanches, do PCdoB. Esses dois juntos, segundo a última pesquisa de intenções de voto em Imperatriz, somados empatam tecnicamente com Madeira.
Segundo a fonte, aí se encontra, por enquanto, a cabeça da equação.
Deixemos a fonte de lado.
Reunião da oposição
No dia 12 deste mês, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz, partidos do chamado campo popular e democrático, de oposição ao Esquema Sarney e a Madeira, se reuniram. Presentes: Edmilson Sanches (PC do B), Pastor Porto (PPS), Adalberto Franklin e Manoel da Conceição (PT), Cleber Miranda e Neudson Claudino (PSB) e Carlos Leen (PSol). A reunião contou com mais de 30 pessoas.
Afora o PSol, que disse não garantir nenhuma “coligação programática”, todos os outros mostraram-se abertos ao diálogo e a uma possível coligação para vencer Madeira e a oligarquia Sarney, a quem ele representa hoje em Imperatriz.
Madeira e a oligarquia
Hoje, 19, coincidentemente também uma quinta-feira, o prefeito Sebastião Madeira aparece no site do Governo do Maranhão em companhia do chefe da Casa Civil, Luís Fernando. A visita aconteceu no dia 17 deste mês.

Madeira busca experiência no fim do mandato
Madeira visitou o Liceu Ribamarense, construído quando Luís Fernando era o prefeito de São José de Ribamar. Veio, portanto, em busca de experiência administrativa.
Uma pergunta simples: hoje uma das cidades que mais crescem no Brasil é Porto Franco, administrada por Deoclides Macedo, do PDT. Por que Madeira não buscou adquirir experiência com o colega oposicionista da cidade vizinha?
O mais interessante é que Madeira só agora veio buscar por projetos que deram certo, como os de São José de Ribamar, justo quando o seu mandato está no fim.
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Política, por Roberto Kenard
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14 de janeiro de 2012 às 09h28min
Cresce a pressão sobre o ex-governador José Serra para que ele dispute a Prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro. Antes contrários ao lançamento de sua candidatura, amigos de Serra insistem agora para que entre na corrida municipal.
Um deles é o também tucano Alberto Goldman. Vice de Serra no governo do Estado até 2010, Goldman admite ter mudado de opinião.
“No começo do ano passado, achava que ele deveria assumir a bandeira da oposição. Não foi possível. Mudei de opinião e acho que Serra deve se candidatar à prefeitura”, afirmou.
Goldman expôs seu ponto de vista a Serra na semana passada. Serra, de acordo com Goldman, reafirma que não é candidato.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui em Folha de S. Paulo.
13 de janeiro de 2012 às 22h53min
A semana que termina foi marcada por um reboliço desproporcional ao acontecimento: o lançamento do nome do vice-governador Washington Luiz a prefeito de São Luís. Lançamento feito pela família Sarney e pelo próprio Washington.
Os blogues sarneístas e os que se dizem ligados à oposição foram os responsáveis pelo estardalhaço. Os primeiros já anunciando a vitória eleitoral do vice, e os segundos tentando desmerecer o acontecimento e o próprio vice.
Tratei de fazer a análise dos fatos, como o leitor pode rever aqui.
Acontece – lamentável ter de proclamar isso – que o jogo ainda não está jogado. Washington Luiz precisa saltar os obstáculos petistas para sair candidato e, depois, convencer os eleitores de que é a melhor opção para São Luís.
No meio do caminho existe o prefeito João Castelo (PSDB) e Flávio Dino (PCdoB). O primeiro vem procurando acertar o passo, embora tenha perdido muito tempo e venha sendo acossado pelos adversários desde o primeiro minuto após a eleição de 2008. E também conte com auxiliares na administração de competência pelo menos discutível. O segundo é, indiscutivelmente, a grande revelação política dos últimos tempos. Tem, a meu ver, cometido alguns equívocos desde que foi eleito deputado federal, a saber: 1) cuidou de se fortalecer nacionalmente e descuidou-se do fortalecimento na província; 2) carrega o que chamo desde 2010 (o leitor pode buscar nos arquivos) de contradição insanável, isto é, é filiado a um partido que o faz refém do Governo Federal, o que mais atrapalha que ajuda no plano local, já que os adversários que combate estão na mesma sala política e 3) passou a ser a esperança de mudanças de parcela considerável da população por disputar eleições contra o Esquema Sarney, não por fazer política declarada e sistematicamente contra o sarneísmo.
João Castelo, o prefeito, sempre teve entre 25% e 30% do eleitorado de São Luís, quer estivesse ou não no poder. É um patamar considerável. Precisa entender, porém, que política não é coisa de um homem só, ainda que esse homem tenha esse poder de fogo. Sem falar que o poder sempre traz algum desgaste, pequeno, médio ou grande.
Flávio Dino oscila entre ser ou não candidato a prefeito. E o faz por razões nada desprezíveis, diferentemente do que dizem oposicionistas de ocasião e os adversários de sempre. Embora apareça muito bem nas pesquisas feitas até aqui, se for candidato e perder, não vejo onde isso possa inviabilizá-lo em 2014. É um pensamento pessoal, diga-se logo. Pode, porém, reunir a oposição em torno de Castelo. Há quem diga que isso possa significar a sua morte política, uma vez que o PT nacional e o Governo Federal irão virar as costas para ele. Sinceramente, considero essa hipótese esdrúxula. Em 2010 ambos trataram de atropelá-lo em nome do projeto nacional que incluía o Esquema Sarney. Hoje ou amanhã ambos farão o mesmo, sentados que estarão no mais grotesco projeto de poder. Esteja com o PSDB de Castelo e com a oposição aos Sarney, ou se submeta ao lulo-petismo, Flávio Dino jamais será o candidato dessa gente em 2014.
Assim, Washington Luiz não é, pelo menos até aqui, a grande questão. Ele precisa se viabilizar dentro do PT, precisa fazer o nome que ainda não tem e precisa ganhar a grande e importante parcela do eleitorado antissarneísta de São Luís. Um trabalho e tanto, sejamos claro.
A dor de cabeça está e estará dentro da própria oposição: terão desprendimento e visão política para entender que o melhor caminho será o que transformará 2012 em 2014?