24 de setembro de 2010 às 18h19min
Pelo menos um candidato a deputado e aliado muito próximo do candidato a governador Jackson Lago (PDT) já havia tido a mesma idéia de Roriz, com antecedência de dois meses.
Em conversa ao telefone com o signatário do blog, o candidato a deputado do PSDB havia dito:
- A questão ainda não foi levantada na coligação, pelo menos de forma oficial.
É que eu havia perguntado se havia algum plano para o caso da inelegibilidade de Jackson Lago.
Então perguntei:
- Mas já não está na hora de tratar do assunto a sério, para não ser apanhado de calça na mão?
E o aliado de Jackson Lago:
- Concordo. Creio, inclusive, que uma boa saída seria, no extremo, Jackson desistir e a Clay (Lago, esposa de Jackson) virar a candidata.
Hoje, quando Roriz tomou a decisão de desistir da candidatura e de indicar a mulher como candidata, tentei falar com o aliado de Jackson. Como não consegui, enviei a seguinte mensagem humorada:
- O Roriz escutou nossa conversa ao telefone?
STF – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, afirmou nesta sexta-feira (24), por meio de sua assessoria, que diante da renúncia do candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) o plenário da corte vai decidir na próxima quarta-feira (29) se continua o julgamento do recurso ajuizado sobre o registro do ex-candidato. “Nada será decidido antes da sessão plenária. O caso está na pauta de quarta-feira”, afirmou Peluso.
Siga o blog no twitter.
24 de setembro de 2010 às 09h53min
Escândalo que envolveu o maior número de parlamentares em todas as legislaturas, a chamada máfia das ambulâncias resultou na abertura de processos de cassação contra 69 deputados e três senadores em 2006. Ninguém foi cassado. Mas apenas sete se mantêm no Congresso até hoje. Quatro anos depois, 39 dos 72 congressistas denunciados pela CPI dos Sanguessugas correm atrás agora de um novo mandato.
Entre os candidatos, 27 ainda têm contas a acertar com a Justiça Federal de Mato Grosso, onde tramita a maioria dos processos desencadeados pela Operação Sanguessuga, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. É o que revela levantamento feito pelo Congresso em Foco. De olho no voto do eleitor, eles respondem pelos crimes de quadrilha ou bando, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Na lista dos processados estão, por exemplo, os ex-deputados Nilton Capixaba (PTB-RO) e Cabo Júlio (PMDB-MG), que deixaram a Câmara com parecer do Conselho de Ética pela cassação de seus mandatos. A falta de prazo após a decisão do Conselho impediu a análise dos pareceres pelo Plenário antes do término da legislatura que acabou em 31 de janeiro de 2007.
Vereador em Belo Horizonte, Cabo Júlio foi o primeiro parlamentar condenado em primeira instância por envolvimento com a máfia das ambulâncias, em agosto do ano passado. O peemedebista – que em abril admitiu responsabilidade no caso – recorre da decisão da 7ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais.
Apontado pela CPI como um dos líderes do “braço político” do esquema de venda de emendas parlamentares e superfaturamento de ambulâncias, Nilton Capixaba foi acusado de receber R$ 631 mil do esquema, o segundo maior montante dentre todos os congressistas. De acordo com pesquisas locais, ele aparece na quarta colocação na disputa por uma vaga de deputado federal por Rondônia.
O Congresso Nacional é o principal objeto de desejo dos candidatos que tiveram o nome, de alguma forma, associado à máfia das ambulâncias: 24 buscam um mandato na Câmara dos Deputados e três, de senador. Outros dois disputam vaga de suplente de senador e dez concorrem a deputado estadual.
Nova chance
O Congresso em Foco procurou os ex-parlamentares denunciados pela CPI dos Sanguessugas que buscam um novo mandato. Entre os que retornaram o contato feito pela reportagem, o sentimento é de que o eleitor está disposto a lhes dar uma nova chance. Acusados de receber propina em troca de emendas para a compra de ambulâncias, todos alegam inocência e se dizem vítimas de denúncias caluniosas dos empresários Luiz Antônio Vedoin, Darci Vedoin e Ronildo Medeiros, sócios da Planam, empresa que encabeçava o esquema. Os empresários também respondem criminalmente à Justiça.
“Lamentavelmente no Brasil, a palavra de um marginal, corrupto ou ladrão vale mais do que a palavra de um representante do povo. Se o marginal acusa, não precisa provar nada. Para a mídia, tudo passa a ser verdade, e o representante do povo então tem que provar que é inocente. Há uma clara inversão do ônus da prova”, reclama a ex-deputada federal Edna Macedo (SP), candidata a deputada estadual pelo PSL.
Edna diz que está provando sua inocência na Justiça e que, em vez de enriquecer, empobreceu durante o mandato na Câmara. “Perante a Justiça estou provando a minha inocência até porque inexiste qualquer prova de meu enriquecimento ilícito. A bem da verdade, durante o meu mandato de deputada federal fiquei mais pobre e os membros da minha família também. Nunca ostentei sinais de riqueza”, afirma.
A candidata acrescenta que não tem motivos para se envergonhar. “Sou serva de Deus e tenho a consciência tranquila de que exerci o meu mandato com dignidade, honestidade e a acima de tudo com lealdade aos meus eleitores e amigos. Ando de cabeça erguida e pedindo voto a cada pessoa que encontro”, declara a ex-deputada, irmã do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e tia do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
“Denuncismo” e leviandade
De olho em uma nova cadeira na Câmara, Nilton Capixaba classifica como “levianas” as acusações de que teria participado da máfia das ambulâncias. Segundo ele, a confirmação de sua candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, por unanimidade, reforça sua idoneidade. Em mensagem enviada por sua assessoria, o ex-deputado critica a retomada do assunto pela reportagem.
“O candidato acredita que este episódio de denuncismo pode ter sido encomendado por adversários para tentar desestabilizar sua candidatura que está forte nos quatro cantos de Rondônia. Nilton Capixaba acredita na Justiça e tem certeza de que a população vai saber discernir este momento lamentável da política de Rondônia”.
Presidente do diretório estadual do PTB, Capixaba diz que apenas direcionava as emendas e que não podia, por isso, responder pela execução delas. “Vale ressaltar que o papel do parlamentar é simplesmente direcionar as emendas. Quem realiza a compra e a aquisição do objeto é a prefeitura e quem aprova os projetos para aquisição das ambulâncias é o Ministério da Saúde” destacou Nilton Capixaba.
Candidato a senador pelo PSC de Rondônia, Agnaldo Muniz também se diz vítima de perseguição política. “Provei minha inocência. Foi maracutaia do PMDB. Todas as testemunhas me inocentaram. A Polícia Federal diz que nada foi encontrado a meu respeito. O negócio é direcionado só para prejudicar minha campanha”, protesta o ex-deputado, que ainda responde a processo na Justiça Federal de Mato Grosso pelo caso.
“Precisava me afastar daquele rolo”
Coriolano Sales (BA) aguarda o desfecho do julgamento da Lei da Ficha Limpa para saber se poderá assumir o mandato caso seja eleito em outubro. Ele e Marcelino Fraga (PMDB-ES), hoje candidato a deputado estadual, foram os únicos a renunciar ao mandato às vésperas da abertura do processo de cassação no Conselho de Ética. Por causa disso, a candidatura dos dois está sendo contestada na Justiça eleitoral.
O ex-deputado baiano do PFL, que tenta retornar à Câmara pelo PSDB, diz que jamais teve contato com qualquer integrante da máfia das ambulâncias e que não se arrepende de ter renunciado, mesmo vendo que nenhum de seus colegas acusados foi cassado.
Coriolano afirma que não poderia “adivinhar” que a lei da ficha limpa, sancionada quatro anos depois, pudesse retroagir. Ele diz ter decidido deixar a Câmara à época para tentar assumir um mandato-tampão na prefeitura de Vitória da Conquista (BA). Segundo colocado na disputa municipal de 2004, Coriolano esperava ser convocado para substituir o então prefeito, cassado pela Justiça eleitoral. “Precisava me afastar daquele rolo”, lembra, em referência à máfia dos sanguessugas.
O candidato diz ter sofrido sérios prejuízos políticos com a denúncia, segundo ele, jamais provada. “Pago essa conta até hoje”, declarou Coriolano. O Congresso em Foco deixou recados no celular de Marcelino Fraga, mas não teve retorno.
Hora da colheita
De olho numa nova vaga na Câmara, Fernando Gonçalves (PTB-RJ) demonstra otimismo. “Quem planta o bem colhe o bem”, afirma o petebista, por meio de sua assessoria. Os auxiliares do candidato se dizem confiantes na eleição e na comprovação da inocência do chefe. “Ele não tem nada a ver com isso. O nome dele apareceu porque teve emenda. Mas quem faz licitação é a prefeitura. Quem manda pagar é o Ministério da Saúde”, acrescenta a assessoria de Gonçalves.
Candidato a deputado estadual pelo PRB, o atual vereador do Rio João Mendes de Jesus nega não só o envolvimento com a máfia das ambulâncias como também que disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa. “Ele nem aparece no horário eleitoral, não faz campanha. Candidatou-se por pressão do partido. Ele é candidato, sim, à reeleição de vereador em 2012”, informa a assessoria do ex-deputado.
O paraibano Carlos Dunga diz não se incomodar com as denúncias feitas pela CPI. “Estou tranquilo e pronto para responder o que for. Não tenho dúvida de que não tenho participação no fato. Essa demora no julgamento não me angustia”, afirma o ex-deputado, que é suplente do senador Cícero Lucena (PSDB-PB).
Julgamento das urnas
O ex-deputado Heleno Silva preferiu não se candidatar em 2006. Mas agora diz esperar que o povo de Sergipe lhe dê nova oportunidade de representá-lo na Câmara, porque acredita que não existe nada contra ele, apesar de o processo judicial ainda não ter acabado. “Eu acho que eu me devo uma nova chance”, diz Heleno, candidato a deputado federal pelo PRB. “Abri mão de concorrer ao mandato passado. Vou ter o julgamento das urnas, que é o mais importante que existe”.
Josué Bengtson, ex-deputado pelo Pará, destaca que sua candidatura foi registrada sem problemas pela Justiça Eleitoral. Ele afirma que preferiu não disputar nada há quatro anos, quando o episódio da CPI dos Sanguessugas estava em todos os noticiários. “Tomei a decisão naquela época porque “É uma coisa muito ruim você ter que fazer uma campanha explicando”, disse ele, de volta ao cenário político.
Agora, diz Bengtson, a disputa está bem mais difícil. Se antes o PTB precisava de 30 mil votos para eleger um deputado, cada um deve buscar ao menos 100 mil, nas contas do candidato. Tudo por causa da coligação com um número maior de partidos.
Bengtson e Heleno Silva não foram os únicos a não tentarem um novo mandato no calor das denúncias de 2006. Outros 22 denunciados pela CPI dos Sanguessugas não disputaram a eleição. Dos 50 que se arriscaram ir às urnas, apenas cinco se reelegeram: Wellington Roberto (PR-PB), Marcondes Gadelha (PSB-PB), Pedro Henry (PP-MT), Wellington Fagundes (PR-MT) e João Magalhães (PMDB-MG).
Siga o blog no twitter.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
Câmara dos Deputados,
Conselho de Ética,
CPI,
Eleições 2010,
Justiça Eleitoral,
PFL,
PMDB,
PP,
PR,
PSB,
PSDB,
PTB,
Sanguessugas
6 de setembro de 2010 às 10h14min
O analista tributário Gilberto Souza Amarante, que trabalha para Receita Federal no interior de Minas Gerais e acessou dez vezes os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001.
De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amarante é um dos 276 filiados do PT que votam na cidade de Arcos, vizinha ao município mineiro de Formiga, onde o analista acessou, no dia 3 de abril de 2009, o CPF de Eduardo Jorge dez vezes em menos de um minuto.
A identificação de Amarante foi feita pelo Estado com base no número do título de eleitor e do registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do analista tributário. A situação do registro de filiação de Amarante é classificada como “regular” pelo sistema do TSE. O servidor do Fisco vota na 18ª zona eleitoral, na seção 35, que fica na Casa de Cultura de Arcos.
A agência da Receita Federal responsável pela região do município de Arcos é sediada em Formiga e está subordinada à Delegacia de Divinópolis, a 124 quilômetros da capital Belo Horizonte (MG).
Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não tem negócios nem imóveis na cidade mineira de Formiga, o que reforça a suspeita de violação de seus dados pelo analista. Os acessos feitos a partir do computador no interior de Minas aconteceram seis meses antes do início da série de violações de sigilos fiscais de dirigentes tucanos e da filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.
Os dados fiscais de Verônica foram obtidos pelo contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que era filiado ao PT quando usou uma procuração forjada para acessar os dados da filha do ex-governador de São Paulo. O PT afirma que o pedido de filiação de Atella não foi concluído, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou o registro da filiação.
Os acessos aos dados de EJ pelo analista de Formiga foram identificados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que à pedido da Receita fez uma “Apuração Especial”, relacionando todas as consultas envolvendo o CPF do vice-presidente do PSDB no período entre 2 de janeiro e 19 de junho de 2009.
Todas as consultas feitas por Amarante aconteceram em questão de segundos. De acordo com o documento obtido pelo Estado, o primeiro acesso aos dados de Eduardo Jorge aconteceu às 16h32m18s. O último ocorreu às 16h32m59s. Todas as consultas foram feitas pelo mesmo usuário, a partir de um único computador.
Além de EJ e Verônica Serra, os sigilos fiscais de outros tucanos também já foram violados por servidores da Receita. No dia 8 de outubro do ano passado, os dados do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros foram acessados, bem como os de Gregorio Marin Preciado (empresário casado com uma prima de Serra) e de Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso.

Provas de que analista é do PT
Com informações de O Estado de S. Paulo
3 de setembro de 2010 às 22h58min
Definitivamente, a mediocridade, a canalhice e o estupro do que deveria ser digno foram elevados à condição do que se deve aplaudir. Mundo estranho esse em que os valores essenciais para manter uma sociedade saudável são motivos de vergonha.
Não que o mundo de ontem tenha sido melhor do que o de agora. Não se trata de saudosismo, coisa sempre idealizada e fora da realidade. Mas a diferença existe: as malversações que ontem envergonhavam, hoje são tidas como motivo de elogio. Se isso não diferencia o passado do presente, então melhor se render ao presente absurdo.
Quatro representantes de um partido de oposição têm o sigilo fiscal quebrado, entre eles, o vice-presidente do PSDB. Depois a imprensa divulga, contra as reticências da Receita Federal, a imoralidade da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato a presidente da oposição. Ficamos sabendo que Serra, o pai cuja filha teve o sigilo fiscal devassado, queixou-se ao presidente da República, num encontro em São Paulo.
Pois bem, o presidente da República, que ouviu a queixa, vem a público dizer que não foi alertado. Tratava-se de simples queixa. Para espanto da plateia que esperava um filme de humor, o presidente trata de esclarecer que o filme é de horror. Segundo ele, queixa não é alerta. O candidato de oposição, na verdade, está com dor de cotovelo por estar, segundo as pesquisas eleitorais, muito abaixo da candidata governista.
Vejam a que ponto chegou o cinismo de um chefe de Estado. Ele não pronuncia uma única palavra de indignação contra a quebra do sigilo fiscal. Não demonstra nenhuma dor de cabeça por uma instituição como a Receita Federal ser jogada na lama e deixar os declarantes em polvorosa.
Lula só tem olhos voltados para a eleição de sua dileta ignorante fundamental. O resto é resto. O que não deveria espantar, já que os Correios foram transformados no que sabemos. Uma instituição que mesmo sob a ditadura foi tida como das mais confiáveis do país.
Uma coisa grave como a quebra do sigilo fiscal virou bolero. Uma simples dor de cotovelo. Como se quebrar o sigilo fiscal da filha de um adversário político fosse um samba canção de Lupicínio Rodrigues. Sem a qualidade e a dignidade poéticas de Lupicínio, acrescente-se logo.
O governo Lula, que mandou mensagem de parabéns ao blog que demonstrava saber da quebra do sigilo fiscal da adversária, que trata denúncia grave como dor de cotovelo, que incentiva congresso contra a liberdade de imprensa, vem a público dizer, na voz do chefe maior, que a internet é livre e não há como controlar ou impor censura.
Como levar isso a sério se o mesmo Lula de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, quando ouve ou lê denúncia comprovada contra o seu governo, diz que a imprensa é golpista e só olha o que não presta no governo?
Quando as denúncias são fajutas e baseadas em crimes, como a quebra do sigilo fiscal, desde que sejam contra adversários, o governo de repente vira democrático?
Bom, quem aceita isso, ou é ignorante ou acredita que um país possa se desenvolver mesmo que suas instituições fiquem em frangalhos.
Tudo isso vira uma China: os índices econômicos podem ser fabulosos, mas a miséria moral estará sempre negando uma placa de néon.
2 de setembro de 2010 às 09h12min
Só Dilma Rousseff, o padrasto Lula e a corriola criminosa do lulo-petismo têm coragem de negar intenções políticas – pior: eleitoreiras – na violação do sigilo fiscal de quatro integrantes do PSDB (um deles vice-presidente do partido) e da filha do candidato a presidente José Serra. Sabia-se que o cinismo havia chegado ao poder.
Depois de tentar esconder o caso, de lhe dar aspecto ameno quando a imprensa mostrou as provas da existência, a Receita procurou o caminho mais longo para a investigação: o Ministério Público de Brasília (o caso aconteceu em São Paulo).
Não tem conformação política? Então por que está acontecendo isto:
“Um dos tucanos que tiveram o sigilo quebrado ilegalmente, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, afirmou que a Corregedoria está sonegando informações no processo administrativo:
— Para mim estão sonegando documentos porque entre outras coisas não existia informação no processo de esquema de compra e venda de dados, nem referência a dona Lúcia (servidora de Santo André) e também não havia registro sobre Verônica Serra.
A Advocacia Geral da União recorreu à Justiça Federal para impedir que o vice-presidente tucano tenha acesso aos informações do processo administrativo da Corregedoria da Receita. De acordo com o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, Eduardo Jorge busca tumultuar o processo:
— Temos que garantir a investigação. Ele apresenta uma série de pedidos que atrapalham os trabalhos. Queremos que se chegue ao fim com a responsabilização dos culpados.”
O trecho foi colhido com aspas foi colhido no jornal O Globo de hoje.
Siga o blog no twitter.
2 de setembro de 2010 às 08h40min
Mais um artigo de hoje – agora do jornal O Globo – na mesma linha do artigo publicado aqui ontem. Leiam abaixo:
Democracia em perigo
De Merval Pereira
A face mais dura do aparelhamento do Estado brasileiro por forças políticas está sendo revelada nesse episódio da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência da República. Em um país sério, o secretário da Receita já teria se demitido, envergonhado, ou estaria demitido pelo seu chefe, o ministro da Fazenda Guido Mantega. E alguém acabaria na cadeia.
Ao contrário, o secretário Otacílio Cartaxo tentou até onde pôde minimizar a situação, preferindo despolitizar o caso e desmoralizar sua repartição.
Ao mesmo tempo surgem de vários lados do governo tentativas de contornar o problema, ora atribuindo à própria vítima a culpa da quebra de seu sigilo fiscal, ora sugerindo que uma disputa política dentro do próprio PSDB poderia ter gerado a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra.
Uma análise muito encontradiça entre os políticos governistas é de que as denúncias, tendo aparecido em período eleitoral, perdem muito de sua credibilidade e de seu poder de influenciar o voto do eleitor, ficam com sabor “eleitoreiro”.
Como se essa fosse a questão central. Pensamentos e atos de quem não tem espírito público.
O aparelhamento político da máquina pública não ocasiona apenas a ineficiência dos serviços, o que fica patente em casos como o dos Correios, outrora uma empresa exemplar e que se transformou em um cabide de empregos que gera mais escândalos de corrupção do que seria possível supor.
Dessa vez a revelação de que a Receita Federal transformou-se em um balcão de negócios onde o sigilo fiscal dos cidadãos brasileiros está à venda, seja por motivos meramente pecuniários, seja por razões políticas, coloca em xeque uma instituição que, até bem pouco tempo, era respeitada por sua eficiência e pelo absoluto respeito aos direitos dos cidadãos.
O episódio da quebra do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge Caldas Pereira, de três pessoas ligadas de alguma maneira ao partido ou ao candidato oposicionista e, mais grave, da sua filha, mostra que diversas agências da Receita Federal são utilizadas para práticas criminosas, não apenas a de Mauá, que se transformou em um local onde se compra e se vende o sigilo de qualquer um.
O sigilo de Verônica Serra foi quebrado na agência de Santo André, numa demonstração de que se vulgarizou a privacidade dos contribuintes brasileiros.
Não terá sido coincidência que, além de Verônica, os nomes ligados ao PSDB que tiveram seu sigilo fiscal quebrado — Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado — sejam personagens de um suposto livro que o jornalista Amaury Ribeiro Junior estaria escrevendo com denúncias sobre o processo de privatizações ocorrido no país durante o governo de Fernando Henrique.
O jornalista fazia parte do grupo de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, subordinado a Luiz Lanzetta, e os dois tiveram encontro com um notório araponga tentando contratá-lo para serviços de espionagem que incluíam grampear o próprio candidato tucano à Presidência.
Além da denúncia do araponga, delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, feita no Congresso, outro ator do submundo petista surgiu nos últimos dias denunciando manobras criminosas nas campanhas eleitorais.
Wagner Cinchetto, conhecido sindicalista, afirmou ao “Estado de S. Paulo” e à revista “Veja” que o núcleo envolvido com a violação de sigilo fiscal de tucanos na ação da Receita é uma extensão do grupo de inteligência criado em 2002 por lideranças do PT.
Ele diz ter certeza de que os mesmos personagens atuam nos dois episódios. Revelou que o escândalo que levou ao fim a candidatura de Roseana Sarney em 2002 foi montado por esse grupo petista para incriminar o então candidato tucano à Presidência, José Serra, que foi considerado responsável pela denúncia pela família Sarney.
Até mesmo um fax teria sido enviado ao Palácio do Planalto para dar a impressão de que a Polícia Federal havia trabalhado sob a orientação do governo de Fernando Henrique.
No caso atual, os diversos órgãos do governo envolvidos na apuração — Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda — tiveram atuação leniente, e foram os jornais que descobriram rapidamente que a procuração era completamente falsa, desde a assinatura de Verônica Serra até o carimbo do Cartório do 16 Tabelião de Notas de São Paulo, onde aliás Verônica nunca teve firma.
Não basta a Receita dizer que por causa de uma procuração está tudo legal. Não faz sentido que qualquer pessoa que apareça em qualquer agência da Receita Federal com uma procuração possa ter acesso a dados sigilosos.
Aliás, o pedido em si não faz o menor sentido. Então o contribuinte que declara seu imposto de renda não tem uma cópia?
Agora, que quase todo mundo declara pela internet, como não ter uma gravação da declaração?
A funcionária da Receita que achou normal a apresentação da procuração deveria ter desconfiado de alguma coisa, pelo menos do fato de uma pessoa que declara seu imposto de renda na capital de São Paulo mandar um procurador a uma agência de Santo André para ter acesso a uma cópia.
O contador Antônio Carlos Atella Ferreira admitiu que foi ele quem retirou cópias das declarações de IR de Verônica Serra na agência da Receita Federal em Santo André, mas alega que fez isso por encomenda de uma pessoa que “queria prejudicar Serra”.
Mais uma história mal contada. E tudo leva ao que aconteceu em 2006, quando um grupo de petistas ligados diretamente à campanha de Aloizio Mercadante e à direção nacional do PT foi preso em flagrante tentando comprar um dossiê, com uma montanha de dinheiro vivo, contra Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin, o candidato tucano à Presidência.
O presidente chamou-os de “aloprados”, indignado nem tanto com o episódio em si, mas com a burrice de seus correligionários que acabaram impedindo que ganhasse a eleição no primeiro turno.
Hoje o caso é mais grave, pois envolve um órgão do Estado que deveria proteger o sigilo de seus cidadãos.
O que menos importa é se a repercussão do caso influenciará o resultado da eleição. O grave é a ameaça ao estado de direito embutida nesse uso da máquina pública para chantagem eleitoral.
1 de setembro de 2010 às 18h54min
Não fosse a imprensa (e por aqui se entende a ojeriza do lulo-petismo à imprensa, sempre tratada como golpista), até hoje a Receita Federal estaria a negar a quebra do sigilo fiscal de quatro integrantes do PSDB, entre eles o vice-presidente do partido, Ou mesmo a tratar como coisa corriqueira.
Por último, descobriu-se a quebra do sigilo fiscal de Verônica, filha do candidato a presidente – coincidência das coincidências – do PSDB. Fora alegado que Verônica teria apresentado documento registrado em cartório para bislhotar a própria declaração de imposto de renda.
Como a imprensa e Verônica desmascararam a trama, no fim da tarde a Receita resolveu assumir o que até o pipoqueiro da esquina já sabia: o documento é falso. Trata-se mesmo de um crime.
Questionada por jornalistas, quando a imprensa não só tinha provas do crime, mas sabia que os dados roubados estiveram na coordenação da campanha da petista, Dilma Rousseff puxou a democracia, por quem ela e o lulo-petismo não têm o menor apreço, para dizer que era inadimissível acusações sem provas.
Em abril, ao sentir que a candidatura a presidente havia naufragado por conta do companheiro Lula, o deputado Ciro Gomes disse, em entrevista, palavras proféticas:
- Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma merda.
O PSDB tem a obrigação de denunciar tudo, e em detalhes, a respeito do crime. O povo brasileiro precisa ser alertado sobre quem acredita que “campanha é lama”. Porque o lulo-petismo tem projeto de poder, jamais para o Brasil.
Do contrário José Serra será considerado mero cabo eleitoral de Dilma. E não merecerá o respeito dos brasileiros dignos.
Siga o blog no twitter.
27 de agosto de 2010 às 16h41min
Em abril, quando o pai e a mãe dos pobres rifaram a candidatura a presidente de Ciro Gomes, o deputado do PSB cearense concedeu forte entrevista, na qual foi profético:
- Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma merda.
Quatro meses depois é descoberta a quebra do sigilo fiscal de quatro pessoas ligadas ao PSDB, uma delas é o vice-presidente do partido. Estranho, não? Em plena campanha eleitoral. Coincidência, não?
O jornal o Estado de S. Paulo divulgou matéria hoje, após tomar conhecimento do relatório de sindicância, onde mostra que, até então, a Receita estava poupando os servidores suspeitos de envolvimento no caso.
Foi o que fez o corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D`ávila, informou há pouco que a Receita identificou o esquema de compra e venda de informações fiscais envolvendo a violação de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e outras pessoas ligadas ao comando do partido.
Disse mais na entrevista de hoje: na próxima segunda-feira, 30, a corregedoria encaminhará duas representações para o Ministério Público contra os servidores envolvidos no esquema de quebra do sigilo fiscal. Segundo ele, as informações levantadas até agora já dão indícios suficientes sobre o envolvimento dos servidores.
Parte da imprensa brasileira que pode ser levada a sério já sabia há muito que os indícios são suficientes. A Receita só agora, após ser pega de calça curta, resolveu acreditar, a ver indícios? Na verdade, a lentidão da Receita é mais que um indício de que por trás da sujeira há gente de maior calibre.
Não há dificuldade alguma para chegar a todos os envolvidos. E é preciso chegar aos envolvidos e à punição. Trata-se da quebra do sigilo fiscal de quatro representantes de um partido em plena campanha eleitoral para presidente. Trabalho mole para a Polícia Federal e para o Ministério Público, desde que haja a intenção de pegar os bandidos.
Ou a bandalheira é exposta em sua inteireza, ou ninguém mais no Brasil estará seguro.
Siga o blog no twitter.
26 de agosto de 2010 às 17h38min
A coligação de José Serra vai processar a chapa de Dilma Rousseff no TSE por causa da quebra de sigilo de tucanos. Os advogados de Serra pretendem entrar com um pedido de investigação judicial eleitoral por abuso de poder político e uso da máquina pública em favor de Dilma.
Para um dos defensores de Serra, dois fatos mostram que o único objetivo do acesso indevido a informações fiscais de quatro pessoas próximas ao presidenciável ou ao PSDB era prejudicá-lo eleitoralmente e blindar a adversária: os dados foram manuseados dentro comitê de Dilma e a Receita só queria divulgar o resultado das investigações após o resultado o 1º turno.
Os advogados vão conversar com os integrantes da cúpula da campanha de Serra para decidir quando e em que momento questionarão a campanha da petista. Mas já receberam o aval da coligação para movê-la.
Na prática, esse tipo de ação, se julgada procedente pelo TSE, pode ter dois efeitos: antes das eleições, a perda do registro de Dilma; e, se a petista for eleita, a cassação do diploma ou mandato de presidente.
Pesou a favor de recorrer à Justiça Eleitoral a descoberta de que, além de Eduardo Jorge, houve quebra ilegal dos dados fiscais do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor do BB Ricardo Sérgio, e do empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra.
Por Lauro Jardim
25 de agosto de 2010 às 01h25min
Veja como a gente se engana. Pensei que apenas o marqueteiro de Serra fosse um analfabeto político e Serra já estivesse começando a babar na gravata (Nelson Rodrigues). Estava enganado. O PSDB, em maioria, tem a cabeça de Serra e as ideias de Gonzalez.
Li ontem no UOL o seguinte: “PSDB admite que vantagem de Dilma é inesperada”. Como? Eu li direito? Inesperada? A queda de Serra é a crônica de uma morte anunciada. Tudo ali é coisa de gente sem neurônios. A ponto de Serra aparecer no horário eleitoral com… Lula.
O PT espalhou que Lula é intocável. Bom, até onde sei, em política não existe intocável, existe adversário fraco. Então trataram de mostrar que Serra é mais competente para administrar o Brasil que Dilma. Tudo bem que fizessem isso, mas não deixassem de mostrar o que é o lulo-petismo e quem é Dilma Rousseff. Coisas banais que qualquer estagiário de publicidade sabe.
Agora me vem o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, me dizer que é inesperada a vantagem de Dilma! Deve ser atado a uma camisa-de-força, urgentemente.
Até antes da campanha, o defeito do PSDB se resumia a isto: parecia uma donzela que foi estuprada e estava em dúvida se denunciava o estuprador que conhecia. Parecia, para ser mais exato, os colonizados de muito tempo atrás, que se fantasiavam de franceses para se mostrar civilizados. Acabavam se mostrando o que eram: papagaios que falavam.
Ninguém defende o retrocesso que seria a oposição cometer as mesmas safadezas do lulo-petismo. Para combater adversários primitivos não há a necessidade de virar primitivo. Mas com tergiversações não se combate e se vence a barbárie.
A oposição – e há generosidade em chamar o PSDB e o DEM de oposição – desde 2002 só comete asneiras. Confunde civilidade com frouxidão e decência com apatia. A horda dos bárbaros agradece comovida.
E me vem a besta do Sérgio Guerra dizer que o esmagamento da oposição é um fato inesperado! Absurdo é a oposição ao lulo-petismo não ter em conta que nestas eleições não está em jogo a briga de gato e rato entre PT e PSDB. O que está em jogo são valores sem os quais a democracia, a civilidade e a decência sucumbirão. Porque, a partir de janeiro, tudo será permitido, sobretudo a indecência.
Por favor, leiam Maiakovski, o maior talento poético da Rússia que acreditou que a barbárie era a civilização e o stalinismo tratou de matar: “ninguém que morre tão facilmente merece outro fim”.
Siga o blog no twitter.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
Assuntos:
DEM,
Dilma,
Lula,
lulo-petismo,
Maiakovski,
PSDB,
PT,
Rússia,
Sérgio Guerra,
Serra,
UOL