4 de fevereiro de 2012 às 12h11min
O deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC) começou a dar os primeiros passos na direção da candidatura a prefeito de São Luís. Até aqui silencioso, Júnior movimentou-se na semana que termina: esteve em conversa com Flávio Dino (PCdoB), com o deputado estadual Marcelo Tavares (PSB) e com o presidente do PPS, Paulo Matos.
Vai conversar também com Roberto Rocha (PSB), Tadeu Palácio (PP), Eliziane Gama (PPS) e José Reinaldo Tavares (PSB).
Em 2010 Edivaldo Holanda Júnior teve 70 mil votos só em São Luís e elegeu-se deputado federal. Ele era vereador. O pai, Edivaldo Holanda, porém, não conseguiu se eleger deputado estadual.
As visitas são a grande novidade da semana que termina. Os meios de comunicação (blogues incluídos) até aqui não haviam dado importância a uma possível candidatura de Júnior. Ele, na verdade, fez por onde: não tem participado nem se manifestado sobre o tema.
Tudo indica que o cenário começa a mudar. E a complicar.
Segundo informações passadas ao blog, o ex-governador José Reinaldo Tavares prossegue com a tese de que o melhor para a oposição ao Esquema Sarney é uma ampla aliança com o prefeito João Castelo (PSDB). O que evitaria o desgaste, sem resultado previsível, de um embate com as máquinas estadual e municipal. Sem falar nas manifestações do poder federal.
Flávio Dino trabalha com a perspectiva de uma candidatura que saia do PTC, PP, PSB e PPS. Ele descarta a possibilidade de vir a se candidatar a prefeito de São Luís. O projeto seria a eleição de governador, em 2014.
A mesma fonte garante que o ex-prefeito Tadeu Palácio estaria disposto a abrir da candidatura apenas para Flávio Dino. Palácio não vê em Júnior, por exemplo, um figurino oposicionista. Resta saber se Roberto Rocha estaria disposto a abrir mão do projeto pessoal em nome da candidatura de Júnior.
A próxima semana promete.
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2 de fevereiro de 2012 às 21h40min
O presidente da Embratur, ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB), não será candidato a prefeito de São Luís. O blog, em 2010, logo após as eleições, havia publicado em primeira mão que Dino não pretendia se candidatar. “Só se realmente não houver outra saída”, disse à época (o leitor pode procurar nos arquivos do blog).
A tendência é Flávio Dino apoiar um dos pré-candidatos a prefeito do grupo de oposição ao Esquema Sarney e ao prefeito João Castelo (PSDB).
Flávio Dino bateu o martelo, no entanto os apelos para que se candidate não param. O mais recente veio da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Um núcleo de professores e intelectuais acredita que é importante a candidatura agora de Dino, com abertura para ficar, caso seja necessário, até seis anos na Prefeitura de São Luís. Ou seja, conforme as condições, Flávio Dino não seria candidato a governador em 2014, mas em 2018.
Dino é sensível à proposta, porém não deseja ser candidato a prefeito e reafirma a disposição de ser candidato a governador em 2014.
Mesmo dentro do PCdoB, partido de Dino, há correntes que são francamente favoráveis ao lançamento da candidatura a prefeito, como também só este blog já publicou. O partido trabalha para fazer bom número de prefeitos pelo Brasil afora. Acredita que Dino é uma das esperanças.
Por que Dino resiste?
Jornalistas e blogueiros com o cérebro na Faixa de Gaza acreditam que ele teme perder a eleição. Absurdo. Flávio Dino tem em mente que o tempo, sendo eleito prefeito, será seu maior inimigo. 15 meses seriam um contratempo. Não há muito o que fazer em tempo exíguo. Ele entraria grande na Prefeitura de São Luís e sairia com muitos centímetros (quem sabe metros) a menos. O projeto de 2014 estaria, assim, profundamente comprometido. Aí está dito tudo.
Bom, aí nasce novo problema. Digamos que Dino não saia mesmo candidato a prefeito de São Luís. A quem apoiar?
Os dois nomes mais fortes até aqui são: Tadeu Palácio (PP) e Edivaldo Holanda Júnior (PTC).
Tadeu Palácio cometeu o equívoco de participar do Governo Roseana Sarney (PMDB). Difícil convencer o eleitor ávido por mudanças de que Palácio não esteve por lá. A classe média, formadora de opinião, não perdoa. Sobretudo em tempos extremados, quando se avoluma a insatisfação com o Esquema Sarney.
Edivaldo Holanda Júnior teve uma excelente votação para deputado federal. Foram 70 mil votos só em São Luís. Uma coisa é a eleição para deputado federal, outra bem diferente é a de prefeito. O eleitor de Dino não tem o mesmo figurino do eleitor de Júnior. Este, apesar da pouca idade, tem um talho absolutamente conservador, desligado das reivindicações mais avançadas da sociedade participativa.
A grande questão hoje é: Flávio Dino resistirá aos apelos pela candidatura a prefeito? Mais: caso siga a dizer não, há de seu lado um nome viável?
Está posta a discussão.
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1 de fevereiro de 2012 às 16h21min
Em editorial, ontem, o Jornal Pequeno provoca com ironia as pré-candidaturas a prefeito de São Luís. É o tema do ano.
O blog achou por bem reproduzir o editorial para gerar discussão mais ampla. Você concordar com o que é dito no editorial? Não concorda? Então participe, escreva comentários.
Abaixo, o ediorial:
O Movimento dos Sem-Voto
Depois do Movimento dos Sem-Terra e dos Sem-Teto, nasce no Maranhão com o fim de disputar a eleição municipal em São Luís, o Movimento dos Sem-Voto. Constituído de candidatos como Roberto Rocha, Tadeu Palácio, Eliziane Gama e Edivaldo Holanda Júnior, o MSV promete se unir em torno de uma candidatura única para derrotar o prefeito João Castelo.
Não foi citado Flávio Dino, porque este tem votos em São Luís, mas não ousa ser candidato. Também não foi citado Bira do Pindaré porque na disputa pelo Senado mostrou que tem carisma e popularidade bastante numa disputa majoritária para assustar velhos figurões da política maranhense. Além do que só será candidato pelo Partido dos Trabalhadores, onde está perdendo a indicação para Washington Luiz.
É uma ótima notícia para o principal artífice da candidatura de Washington, o senador José Sarney, essa união de candidatos sem voto em torno de um outro candidato que tem menos votos ainda. O vice-governador, se igualmente não tem votos em São Luís, terá a seu
dispor as máquinas do Estado e do Governo Federal, além de apoios institucionais que de alguma forma haverão de pesar nas eleições.
Como em se tratando de política nunca se sabe o que vai acontecer na próxima curva, pode ser que Flávio Dino ainda resolva ser candidato e só assim o prefeito João Castelo terá com o que se preocupar. Fora isso, ainda há as reações dos partidos que nem sempre estão de acordo com as pretensões eleitorais de seus filiados, como nos casos de Roberto Rocha e Eliziane Gama. Estão esquecendo que caberá ao povo decidir essa disputa e que a preocupação do governo Roseana é não perder o comando do estado em 2014, e isso é o que movimenta hoje as peças do xadrez político maranhense.
Uma derrota de Flávio Dino – mais uma – nas eleições majoritárias de 2012 revitalizaria o projeto de perpetuação no poder do grupo Sarney.
É daí que vêm os constantes ataques contra o presidente da Embratur. Querem irritá-lo até o ponto em que ele caia na esparrela de enfrentar as máquinas do Estado, da Prefeitura e do Governo Federal na disputa por São Luís. A novidade política chamada Edivaldo Holanda Júnior, com seus 100 mil votos para deputado federal pode até pesar na balança dos
prognósticos eleitorais, mas não tem lado, é inseguro demais, silencioso demais para quem pretende se aventurar numa disputa capaz de mudar a história política do Maranhão.
Com base no que chamou de ‘confiança da população na Prefeitura’, o presidente do PSDB, deputado Carlos Brandão, afirmou ao blog do jornalista Djalma Rodrigues que o partido não está intimidado com a candidatura do vice-governador Washington Luiz, apesar do tempo de
televisão, apoio do governo estadual, de Dilma e de Lula. De fato, o prefeito João Castelo não tem razões para temer essa candidatura. Mas o Movimento dos Sem-Voto tem sim, e é isso o que as eleições deste ano de 2012 vão mostrar.
30 de janeiro de 2012 às 22h38min
A miséria extrema de quase dois milhões de pessoas, obra sistemática e calculada dos Sarney, é grave, ainda que os sarnopetistas de hoje não vejam sequer oligarquia (mas destes cuidaremos mais na frente). Mas essa é a parte visível de uma monstruosidade que tem muitos outros braços.
Ninguém destrói um Estado por 46 anos, em benefício da própria família e de uns pouquíssimos, sem implantar uma cultura não menos monstruosa e não menos digna de atenção. No dicionário das oligarquias, por exemplo, não há a palavra meritocracia. Há o favor, que consta de um outro livro, o do coronelismo. E que só se concretiza na forma de genuflexões ou espinha quebrada.
Essa cultura acaba por influenciar até o comportamento das vítimas. O que aparece como norma no alto e na forma de poder desce às relações entre pessoas. Faz-nos falta um estudo comparativo pormenorizado do comportamento do maranhense em relação aos brasileiros de Estados que há muito convivem sem a erva daninha das oligarquias.
Como escrevi não faz muito, no Maranhão tudo piora. Não que o maranhense não preste e as boas experiências de fora, por isso, sejam aqui desmoralizadas. A cultura de sustentação da oligarquia é que provincianiza tudo, ombreia tudo pela sarjeta. Das manifestações culturais à política tudo carrega o selo dessa miséria moral e ética.
A pobreza e a miséria fazem parte do projeto de poder da oligarquia. Quanto maior a pobreza, maior a dependência. Não admira que o Maranhão seja há 46 anos uma imensa repartição pública. A miséria moral e ética também deita suas raízes aí, por razões óbvias que não preciso explicitar.
É que essa cultura de sustentação tem também seus tentáculos nas funções públicas. Agora mesmo as pessoas esclarecidas acompanham a imoralidade que se passa no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão. Ali um advogado de Sarney e ex-presidente da Fundação José Sarney, José Carlos Souza e Silva, e um juiz, Sérgio Muniz, que tem o pai no cargo de subchefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney, trabalham sobre um processo de cassação de diploma da governadora sem se dar por impedidos.
É que nas oligarquias certas funções públicas passam a ser exercidas de forma privada. Há o juiz, por exemplo, mas ele está submetido ao poder da oligarquia, de forma direta ou indireta.
Soma-se a isso os oportunistas de sempre. Uma gente sem perspectiva de crescer economicamente ou que pretende dar um salto econômico um tantinho maior, ou que tenha pretensões políticas e acredite que a oportunidade é um cargo público de relevância ainda que diminuta na máquina administrativa. Ou ainda aquele para quem o poder é uma coisa distante e quase divina e só de poder estar ao redor de poderosos sente-se um deles. Claro, há os que reúnem tudo isso em sua indigência moral.
Os sarnopetistas fazem parte dessa horda de indigentes. Não faz um mês e o vice-governador petista Washington Luiz divulgou um documento em que negava até a existência da oligarquia: as mazelas do Maranhão são as mazelas do Nordeste e Roseana Sarney é a portadora da mudança que o Maranhão espera. Claro que ele não acredita em nada disso. É que a moral (digo moral, mas a palavra é imprópria no caso) petista é seletiva. Se me beneficio, a coisa é boa; do contrário, não presta.
Washington Luiz e o sarnopetismo querem fazer crer que a oligarquia mudou. Só que oligarquias não mudam, no máximo se reciclam. O papel higiênico também pode ser reciclado, mas continua papel higiênico.
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27 de janeiro de 2012 às 10h35min
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) decidiu, ontem, por 3 votos a 2, devolver o processo de cassação de Roseana Sarney (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz (PT) ao juiz Sérgio Muniz. Votaram a favor do retorno José Figueiredo dos Anjos, Oriana Gomes e José Carlos Souza e Silva.
O processo que pede a cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2010 encontra-se no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo relator é o ministro Arnaldo Versiani. Processo baseado em provas documentais, mas Roseana Sarney e Washington Luiz pediram para que fossem ouvidas testemunhas de defesa.
Apresentada a relação das testemunhas, Versiani deu o prazo de 60 dias para que elas fossem ouvidas. Passaram-se 58 dias sem que nada acontecesse e, então, o juiz Sérgio Muniz, como por encanto, descobriu – vejam só! – que faltavam certas coisas no processo e devolveu todo o material ao TSE.
Sérgio Muniz foi o relator até dezembro de 2011, quando seu primeiro mandato expirou. O TRE, então, passou a relatoria ao juiz federal Nelson Loureiro. Este marcou para 27 deste mês, hoje, a data da audiência para ouvir as testemunhas. Tudo que Roseana Sarney e Washington Luiz não desejavam. Na verdade, ambos querem que o processo fique parado até a saída do ministro Versianne do TSE. Daí que pediram o retorno do processo às mãos do juiz Sérgio Muniz, o dos 58 dias sem nada falar, nada ouvir e nada ver.
Ontem foram atendidos. A volta do processo às mãos de Muniz é grosseira, para dizer o menos. Não existe, em primeiro lugar, essa conversa de relator original. Relator original, no caso, é o ministro Versianne. Isso está assentado em decisão no STF e no STJ, em casos semelhantes, quando decidiram que não existe violação ao princípio do juiz natural em cumprimento de carta de ordem.
Suspeição
Acontece que o juiz Sérgio Muniz é filho de Antônio Muniz, subchefe da Casa Civil do governo… Isso mesmo, do governo Roseana Sarney. José Carlos Souza e Silva, que ocupa uma das vagas no TRE como advogado e votou pela retorno do processo às mãos do juiz Muniz, já advogou para o senador Sarney (PMDB-AP) e era o presidente da Fundação José Sarney quando explodiram os escândalos de desvio de dinheiro público na entidade.
Nenhum deles, como se observa, vê caso para suspeição. Ao contrário, o juiz Sérgio Muniz brigou até ontem para ter de volta o comando do processo. Um incauto haveria de perguntar: por que um juiz faz tanta questão de comandar o processo de cassação de Roseana Sarney no Maranhão?
E a oposição com isso?
O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) é autor do processo que pede a cassação de Roseana e do vice Washington. E bem aí para a participação da oposição em todo o processo.
Na eleição de 2010 Roseana Sarney ganhou a eleição no primeiro turno por uma diferença de 2.800 votos em relação ao segundo colocado, Flávio Dino (PCdoB). Os votos da oposição chegaram, apesar dos convênios realizados pelo governo no período vetado, da ordem de 1 bilhão de reais, a 1.336.145, contra 1.306.903 de Roseana Sarney. Os eleitores disseram sim aos candidatos da oposição, conforme os números.
Porém no Maranhão a oposição (mas não só, basta ver o lamentável comportamento do maior partido de oposição do Brasil, o PSDB) decidiu-se pela burocratização da política. Na verdade, vem tratando de despolitizar a política dia sim e no outro também. Enfim, há muito a oposição maranhense à oligarquia Sarney resumiu a luta pela libertação do Estado ao período eleitoral. Como se dissesse que política só se faz com políticos e com caciques de partidos. O povo? Bom, ao povo resta votar por osmose.
Ou, então, como explicar o silêncio rotundo da oposição em todo esse processo grosseiro de cassação do diploma de Roseana Sarney e do vice Washington Luiz no TRE-MA? Por que não foi feita nenhuma manifestação em todo o Estado antes da decisão de devolução do processo ao juiz Sérgio Muniz, o filho do subchefe da Casa Civil? Por que não foram procuradas formas de dar visibilidade nacional de grande envergadura ao caso?
Burocratização da política. Despolitização da politica.
Nunca é demais relembrar Maiakovski: todo aquele que se deixa morrer tão facilmente não merece outro fim.
PS: Interessante apontar que Roseana Sarney e o vice Washington Luiz no espaço de uma semana tentaram no TRE trazer de volta o processo para as mãos do juiz Sérgio Muniz por três vezes. Ontem, finalmente, conseguiram. Por todo esse tempo o jornal O Estado do Maranhão, da famiglia Sarney, ignorou a notícia. Eles só escondem matéria que podem prejudicá-los. Sinal de que o que acaba de se passar no TRE-MA não é coisa que gente séria e decente possa cheirar.
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24 de janeiro de 2012 às 12h33min
O leitor Luciano envia comentário que vale ser publicado e respondido aqui no espaço das notícias e análises. Eis o que ele escreveu:
“Kenard, eu estou longe de concordar com os Sarneys, mas nossa oposição não tem méritos, é incapaz de apresentar projeto para o Maranhão e por lá ninguém se entende, não há união, lamentavelmente.”
Comentário do Blog: Caro Luciano, quando vejo cobrarem da oposição dessa forma, só tenho a pensar: ou o sujeito é politicamente ingênuo ou faz-se passar por oposicionista, quando na verdade está (ou pretende estar) de corpo e alma no Esquema Sarney. Como acabei de dizer, cobrar dessa maneira. A oposição, evidentemente, não está acima de críticas. Mas há críticas e críticas, como elas soam e de quem partem, não é mesmo? E é muito fácil de explicar. Vejamos.
1) Projeto para o Maranhão – Desde quando o Esquema Sarney tem um projeto para o Maranhão? Tivesse, o Maranhão não estaria a amargar, por 46 anos, os piores índices sociais do país, não é verdade? Assim, primeiro deve-se cobrar projetos para o Maranhão de quem está no poder, sobretudo por 46 anos. Agora o seguinte: quem foi que disse que a oposição não tem projetos para o Estado? Pois tem, saiba, afinal tentar afastar do poder a última oligarquia do país é, em si, um projeto, incomensurável projeto. As portas, convenhamos, estarão abertas para projetos para o Estado e não para uma única família. Claro, também, que projetos outros há. Na eleição de 2010 vários foram apresentados no horário da propaganda eleitoral. E ainda seguem sendo apresentados, diga-se. Vê quem quer.
2) Desunião da oposição – Difícil imaginar que onde se reúnem quatro pessoas não existam divergências. E até mesmo projetos pessoais. Projetos pessoais só são danosos quando estão acima dos interesses comuns. Ao falar que na oposição ninguém se entende você exagera, sejamos sinceros. Por acaso você acredita que no Esquema Sarney todo o mundo é freira? Pois o que não há por lá é santo, meu caro. Os engalfinhamentos são diários, não pense que manter um grupo imenso em torno do poder é coisa fácil. José Reinaldo Tavares, quando governador, relatou-me uma conversa que teve com Sarney, na disputa pelo governo em 2002. Disse-lhe Sarney: “Não se preocupe com a oposição, tome cuidado com os aliados”. Compreendeu? Uns exemplos atuais: você acha que Ricardo Murad morre de amores por Luís Fernando? Que Max Barros adora Chiquinho Escórcio? Você precisa ter a compreensão do seguinte: eles se detestam, mas precisam estar unidos por conta do poder, do osso por roer. Eis a diferença indiscutível.
Bom, para encerrar, digo-lhe o que penso de seu comentário: é coisa típica de quem está louco para aderir, mas ainda está envergonhado. Na minha opinião, seria melhor perder o pudor e assumir seu lado sarneísta, afinal ninguém é obrigado a ficar com este ou aquele grupo. Já fazer o papel de oposicionista indignado com a oposição, quando a verdade é outra, lhe cai muito mal, porque deixa ver a ponta de um caráter torto.
Reflita, Luciano.
PS: Meu caro, grave é a situação do Estado. Escolas estão sendo fechadas, a insegurança e a violência subiram grotescamente e a saúde é pura propaganda enganosa. Isso merece reflexão e críticas. Mais tarde postarei análise aqui. Ah, enquanto tudo isso de ruim acontece no Maranhão, Roseana Sarney pegou a família e de férias para Paris.
23 de janeiro de 2012 às 16h12min
Max Barros era o candidato de Roseana Sarney à Prefeitura de São Luís. Só que no meio do caminho havia o deputado federal Chiquinho Escórcio (PMDB), factótum de Sarney.
Max Barros, secretário de Infraestrutura, não é de fazer esquema e nunca foi com a cara de Chiquinho Escórcio. Só que este último começou a apresentar para Barros alguns prefeitos com reivindicações na área da secretaria de Infraestrutura. Os pedidos ou estavam fora do prazo por lei ou os prefeitos tinham casos pendentes que os impedia de ter as reivindicações realizadas.
Para complicar ainda mais, Chiquinho Escórcio resolveu tirar proveito de obras a serem realizadas pelo DNIT. Só que Max Barros não atendia as ligações do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general Jorge Fraxe. Num dia em que estavam reunidas várias pessoas do governo, Escórcio chegou-se a Max Barros. Disse que o coronel estava tentando falar com ele e tentou passar o celular.
Max respondeu:
- E por que eu teria de atender? Eu não sou do Exército.
Escórcio disse que estava tudo bem e levou o celular para Roseana, que atendeu o coronel e ouviu as reclamações contra Max. Roseana depois reclamaria barbaridade de Max.
Não passou muito, Chiquinho Escórcio conversou com Sarney (PMDB-AP) da candidatura do vice-governador Washington Luiz a prefeito de São Luís. Sarney mostrou-se incrédulo:
- E será que ele (Washington) aceitaria? Não acredito muito.
Chiquinho, então, contou a Sarney que já havia conversado com Washington Luiz e ouvira uma resposta positiva. Depois teceu comentários a respeito da importância de o cabeça de chapa sair do PT, sobretudo sendo Washington.
Assim, a candidatura de Max Barros foi implodida pelas mãos de vingança de Chiquinho Escórcia. Logo adiante o Esquema Sarney soube transformar tudo numa grande cartada, como já contei aqui e o leitor pode verificar nos arquivos do blog.
22 de janeiro de 2012 às 21h00min
Por Josias de Souza
Enfim, um herói. Paulo Ventura, o presidente da República ficcional de ‘O Brado Retumbante’, põe para correr os corruptos que roem o erário. Ao tratar o inaceitável de maneira impensável, diverte os políticos de carne e osso. Inspira-os a comparar o país irreal da TV com o Brasil surreal que os rodeia.
A pouca idade, a cara de galã e a fama de mulherengo fizeram de Aécio Neves uma analogia fácil. O político do país alternativo da minissérie vai ao Planalto graças a um acidente que o torna o primeiro da linha sucessória, como presidente da Câmara. Um cargo que o presidenciável do PSDB já ocupou.
Espraiou-se rapidamente uma tese conspiratória. Nessa versão, a obra de Euclydes Marinho, autor da minissérie, seria uma tentativa da Rede Globo de envernizar a imagem de Aécio. Alertado por sua assessoria sobre a fantasia, o tucano Aécio riu. “Quem me dera!”, disse.
No Brasil da ficção, o presidente ocasional é inflexível na aplicação de seus princípios éticos e maleável no manuseio do zíper. Livra-se de ministros corruptos com a mesma facilidade com que coleciona amantes. Um de seus casos é a mulher de um senador baiano. A moça é identificada no palácio pelo codinome de “bancada baiana”.
Ligado na cena, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) pendurou seu encatamento no twitter: “A bancada baiana é linda!” Rodrigo Moura, vereador baiano do DEM, replicou: “A Globo já está subliminarmente colocando Aécio Neves 2014 na Presidência do Brasil. Percebeu, amigo?”.
Lúcio contraditou: “Nada a ver, ficam procurando coincidências, mas a polêmica é bom [sic] pra Aécio.” Irmão do deputado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro frequentador assíduo do twitter, sapecou: “E quem seria a bancada baiana do Aécio?”
As tentativas de grudar o presidente Ventura no presidenciável Aécio esbarram nos fatos. No plano privado, Aécio foge da fama de namorador que estimulou no passado. Mantém com a catarinense Letícia Weber um namoro de quase cinco anos.
Na seara pública, Aécio cultiva um estilo acomodatício que contrasta com os rompantes do congênere da ficção. O senador tucano tenta pavimentar sua candidatura costurando acordos que, no Brasil idealizado da minissérie, o presidente improvável combate.
Herdeiro de um ministério podre, Paulo Ventura livra-se, já no segundo capítulo, do ministro corrupto da Justiça. Um deputado que faz dobradinha com outro personagem que açulou a imaginação da Brasília surreal. Chamam-no apenas de ‘Senador’.
Em conversa telefônica com um colega de partido, uma liderança do PMDB abespinhou-se: “Estão querendo sacanear o Sarney”. Identificou a “maldade” numa cena em que o ministro desonesto, libertado da prisão graças a um habeas corpus, reúne-se com o ‘Senador’ num gabinete do Congresso.
A petição dos advogados foi elaborada com esmero, alguém comenta. A reação do ‘Senador’ veio instantaneamente. Disse que, mais eficaz do que a peça dos defensores do aliado pilhado recebendo propina, é a boa relação que construiu com membros do Judiciário em seus “50 anos de vida pública”.
A guerra aberta pelo presidente contra o ‘Senador’ e seu grupo faz da nação da minissérie um país tão inimaginável quanto o da fantasia real, um Brasil que jamais acontece. Fora do vídeo, a história real vem sendo contada como farsa. Personagens incômodos não são combatidos. Viram aliados. E são chamados de “incomuns”.
De embaraço, os escândalos tornam-se hábitos. De hábitos passam a parâmetros. E quando a platéia se dá conta, nada mais (a compra da emenda da reeleição, sob FHC; o mensalão, sob Lula) precisa ser muito explicado. O país finge que não aconteceu.
Ex-procurador da República, Pedro Taques (PDT-MT), hoje um senador idealista de primeiro mandato, enxerga méritos no divertimento televisivo. Acha que, abstraindo as imperfeições jurídicas, o enredo convida à reflexão. “É possível presidir o país sem abrir mão de princípios éticos”, acredita.
Como? “Estabelecendo vínculos diretos com a opinião pública, por meio da internet, uma ferramenta que não estava disponível no passado.” O uso da web é, alias, um dos recursos de que se serve o presidente improvável da TV.
Cercado de um grupo de assessores palacianos, Paulo Ventura dá de ombros para o Congresso escorado na repentina popularidade. Numa passagem, recebe o ministro da Agricultura, flagrado em desvios do crédito agrícola. Refuta as alegações do acusado, que reage invocando o apoio de seu partido ao governo.
Súbito, o ministro desonesto recorda ao presidente a importância de preservar a “governabilidade”, um vocábulo muito em voga no Brasil surreal. O presidente dá de ombros. Demite o auxiliar de maneira implacável, aproximando-se do modelo preconizado pelo senador Taques.
Prevalecendo o otimismo de Taques, a minissérie levaria à reflexão sobre os motivos que levam à submissão de sucessivos governantes a um presidencialismo em que coalizão virou sinônimo de cooptação. Parece improvável que isso venha a ocorrer.
Nessa hipótese, os atores do Brasil que não cabe na TV teriam de discutir não o modelo em que o ‘Senador’ e Cia dão as cartas, mas a sua predisposição para o medo. No limite, iriam a debate as razões que levam o Brasil a concordar em ser, indefinidamente, uma espécie de Maranhão hipertrofiado.
Há dois dias, encontraram-se em São Paulo Aécio Neves e o presidente do PSDB federal, deputado Sérgio Guerra (PE). Entre um compromisso e outro, falaram sobre a minissérie. Aécio comentou com Guerra a associação que se estabeleceu entre ele e Paulo Ventura.
Guerra fez troça. Disse que o presidente da ficção não é inspirado em Aécio, mas no vice de Dilma Rousseff, o pemedebê Michel Temer. Gargalharam. Aécio revelou uma ponta de preocupação com o desfecho da minissérie. Receia um final trágico para o destemido Paulo Ventura.
Por ora, as reações do grupo do ‘Senador’ resultaram num mal sucedido atentado a bala e numa infrutífera tentativa de chantagem. O ‘Senador’ enviou ao palácio, junto com uma caixa de bombons, fotos do presidente aos beijos e amassos com a “bancada baiana”.
No Brasil surreal, o recurso a esse tipo de intimidação talvez jamais ocorresse. Escândalos sexuais ameaçam governos e acabam com carreiras políticas nos EUA. Aqui, uma Mônica Lewinsky teria dificuldades para virar notícia.
Seja como for, a mulher de Paulo Ventura, embora contrafeita com o adultério, deu-lhe o apoio necessário para reagir à coação. Em telefonema ao ‘Senador’, o presidente impensável desafiou-o a enviar as fotos aos jornais.
Inaugurado na terça-feira (17), o Brasil ilógico da TV terá a duração de oito capítulos. Logo o país saberá se os temores de Aécio se confirmarão. A platéia, naturalmente, torce para que a ficcão lhe proporcione algo que a realidade não tem sido capaz de prover.
Na vida sureal, falta vilão. Um vilão em que a maldade esteja na cara, sem ambiguidades, que enrole as pontas dos bigodes antes de tramar a deposição do presidente, como faz o ‘Senador’. Fora da ficção, vilões desse tipo não existem. São todos bons sujeitos. Inocentes. Ou cúmplices.
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20 de janeiro de 2012 às 07h33min

Márcio Jerry, presidente do PCdoB
Liguei para fechar uma entrevista com o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB de São Luís. Ele se encontrava em São Paulo e a entrevista ficou para o dia seguinte. Sem superstição, achei que a coisa não começava bem.
Mas depois vi que estava enganado.
A entrevista, nas linhas e entrelinhas, deixa ver muita coisa do jogo político que está a se armar no começo deste ano em São Luís.
A pergunta que mais fazem ao editor do blog (Flávio Dino será candidato a prefeito de São Luís?) ainda não tem resposta definitiva, é verdade. No entanto, fica-se sabendo que o PCdoB não vai de João Castelo (PSDB), atual prefeito de São Luís.
E a respeito do lançamento, pela oligarquia Sarney, do nome do vice-governador Washington Luiz para disputar a Prefeitura de São Luís?
Para saber a última resposta, e muitas outras, leiam a entrevista com Márcio Jerry abaixo:
Blog do Kenard – Como caiu no PCdoB a possibilidade do vice-governador Washington Luiz vir a ser candidato a prefeito de São Luís?

Washington Luiz
Márcio Jerry – Uma mudança de nome para representar o mesmo projeto atrasado da oligarquia decadente. E uma manobra para manter o PT como linha auxiliar do grupo oligárquico comandado por José Sarney. É um lance que não altera substantivamente a essência da disputa eleitoral em 2012, mas pode ter repercussões para 14.
BK –Tudo indica que o PT nacional, onde quem manda é Lula, jamais estará com Flávio Dino na disputa pelo Governo do Maranhão. Nesse sentido, ser do PCdoB não é um péssimo negócio para Dino?
MJ – Em 2010 enfrentamos os milhões de Roseana, o Lula e o PT nacional. Mesmo assim só não fomos ao segundo turno para vencer por causa daquelas estranhas ocorrências no TRE com cheiro forte de fraude. O PCdoB é aliado nacional do PT, mas não subordinado ao PT. Se fosse subordinado teria cedido às imensas pressões para que em 2010 Flávio Dino disputasse o senado e não o governo do estado.
BK – Por falar em Governo do Maranhão, gostaria de saber o seguinte: há um processo no TSE que pode resultar na cassação do diploma de Roseana Sarney. Vocês acreditam que o TSE tem coragem de ser isento e cassá-la?
MJ – Ou o TSE cassa Roseana Sarney ou inocenta Jackson Lago. Roseana Sarney cometeu vários crimes eleitorais em 2010, de forma explícita, flagrante. O TSE, é o que se espera, precisa julgar com isenção. Enfatizo: Jackson Lago foi injustamente cassado com acusações que são fichinha perto das que foram apresentadas na denúncia à Roseana Sarney.
BK –Sinceramente, Flávio Dino vai ou não disputar a Prefeitura de São Luís?

Flávio Dino
MJ – Sinceramente, pode disputar e pode não disputar. Depende de uma conclusão coletiva sobre os cenários e projetos para 2012 e 2014. Temos várias e bem fundamentadas opiniões favoráveis a ele ser candidato agora e também para não ser candidato, se preservando para 2014. São Luís reclama uma alternativa político-administrativa e nós juntos haveremos de encontrá-la.
BK – Digamos que ele decida por não disputar. Há a possibilidade de todos os partidos do campo antissarney apoiarem, por exemplo, Castelo (PSDB), dando à eleição uma feição plebiscitária?
MJ – O prefeito João Castelo desperdiçou todas as oportunidades de liderar a oposição ao grupo Sarney. Em 2010 fez corpo mole e ajudou na prática a candidatura de Roseana. E mesmo depois disso não compreendeu que poderia mudar o rumo do seu péssimo governo, convocar um governo de coalizão e apontar um rumo diferente para São Luís e para o Maranhão. Infelizmente é uma pessoa avessa ao diálogo. Não vejo, pois, como agora ele poderá liderar um campo antissarney.
BK – Como presidente do PCdoB de São Luís, quais seriam as consequências para o partido ter de ficar quatro anos com sua maior liderança e da oposição no Estado sem mandato por quatro anos?
MJ – Flávio Dino hoje preside uma empresa importante do governo federal, atendendo a um convite da presidenta Dilma Roussef. A falta do mandato não está atrapalhando o processo de crescimento do PCdoB. E agora em 12 ou ali em 14 o Flávio Dino certamente voltará a exercer um mandato em nosso estado, agora no executivo.
BK – Você falou como presidente do partido. Agora, se dependesse de sua vontade, Flávio Dino seria ou não candidato a prefeito de São Luís?
MJ – (risos) Se dependesse só de vontade o próprio Flávio Dino te diria que gostaria de disputar a Prefeitura. Mas é algo além de uma vontade…Trata-se de um projeto que precisa ser friamente elaborado para que os passos planejados avancem para o maior desafio que é pôr fim a esse ciclo oligárquico tão danoso ao Maranhão.
Postado em
Entrevistas, por Roberto Kenard
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Washington Luiz
19 de janeiro de 2012 às 15h51min
Por Luís Nassif
Um fenômeno pouco analisado é a mudança de guarda no nordeste, com o fim de velhos coronéis e velhas oligarquias e a entrada de uma nova geração.
Em alguns momentos, a mudança de guarda permitiu transformações relevantes trazidos pela própria alternância de poder.
No Ceará, em 1986 a vitória de Tasso Jereissatti permitiu essa alternância. O mesmo ocorreu no Piauí, com a alternância entre Hugo Napoleão e Wellington Dias, e em Sergipe, com João Alves rompendo a oligarquia Franco.
No Maranhão houve apenas o hiato de dois anos da gestão Jackson Lago, derrubado pelo poder político influindo no poder judiciário. Sem alternância, só restou aos grupos econômicos o alinhamento com os interesses do grupo político. Houve o atrofiamento do empreendedorismo.
Agora, a mais longeva dinastia política do Brasil – os Sarney, do Maranhão – está prestes a se esgotar. O patriarca José Sarney conseguiu sobreviver a todas as mudanças políticas do país nas últimas seis décadas. Menos à mais letal: a idade. Passou dos 80, a cabeça ainda está boa, mas o organismo não, muitas vezes enfrenta problemas de depressão – próprios da idade. E não tem sucessor.
A sucessora natural, Roseana Sarney há muito mostrou ser de fôlego curto, para preservar a dominação dos Sarney sobre o Maranhão.
O Sarney que emerge nos anos 50, substituindo o velho coronel Vitorino Freire, trazia um sopro de modernidade e uma utopia comprada por seus eleitores: a de que, tendo peso político nacional conseguiria atrair grandes obras para o estado que, por si, promoveriam o desenvolvimento.
De fato, atravessam o Maranhão seis rodovias federais, três ferrovias, o estado dispõe dos maiores complexos portuários do nordeste, energia abundante de dois lados, da Chesf e de Tucuruí. E, ao mesmo tempo, ostenta os piores indicadores sociais do país.
É o estado com o menor número de policiais por habitante, de leitores hospitalares, um dos três piores em educação, saúde, saneamento e qualquer outro indicador de civilização.
Não tem sociedade civil, ao contrário do Ceará, lá não se desenvolveu o empreendedorismo, porque tudo submetido ao modelo oligárquico: só prosperavam negócios que interessavam diretamente aos Sarney.
Hoje em dia, o estado exporta soja in natura, por não dispor de um processador sequer. Exporta o ferro a Vale e o alumínio da Alcoa. Não conseguiu atrair uma fábrica sequer de laminado de alumínio, aço, uma indústria com cadeia produtiva robusta e não verticalizada.
Os arremedos de modernização – como a tal reforma administrativa de Roseana, decantada em prosa e verso nos anos 90, não saiu do papel. Não existe um plano de desenvolvimento, anunciaram 72 novos hospitais, não entregaram dez.
No entanto, talvez seja o estado nordestino com maior potencial de desenvolvimento.
Tem uma posição geográfica invejável, na transição da Amazônia com o nordeste, como ponto próximo à África e Europa, com bom regime de chuva, bacias hidrográficas perenes, 640 km de litoral e infraestrutura.
Não tem mão-de-obra especializada porque povo nunca esteve na mira dos Sarney.
Se der sorte, a renovação política permitirá ao estado, finalmente, completar-se.
*Enviado por e-mail ao Blog do Kenard.
Postado em
Política, por Roberto Kenard
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