Blog do Kenard – Notícias e Análises

13 de setembro de 2010 às 13h38min

O que tira o sono de Lula

Nem bem o Brasil mantinha atravessada na garganta a quebra de sigilo fiscal de adversários do PT e novas e graves denúncias envolvendo agora a funcionária dileta de Dilma Rousseff, Erenice Guerra, explodem.

No crime de quebra de sigilo fiscal o presidente Lula foi ao horário eleitoral falar em desespero do adversário Serra e em baixaria de campanha. O mais recente crime foi tratado por Dilma como sendo questão eleitoreira.

No primeiro caso, Lula deveria ter feito pronunciamento em cadeia nacional – e não no horário eleitoral – para dizer que não concorda com nenhum tipo de crime, particularmente o da quebra de sigilo fiscal. Dizer mais: haverá apuração rigorosa e punição dos culpados.

Mas não, no estilo já conhecido do lulo-petismo, tratou de ignorar a existência de um crime grave e de pôr a culpa nos adversários. Preferiu agir como um Lula de piada, aquele que na hora do flagra grita pega ladrão.

No segundo caso, Dilma seguiu o roteiro que lhe põe no lamentável papel de boneca do ventríloquo Lula. Mais uma vez os culpados são os adversários políticos, como se algum deles estivesse pendurado no cabide de empregos e de crimes da Casa Civil.

Lula e Dilma têm demonstrado ao país – infelizmente adormecido em berço esplêndido – que o papel do governo é acobertar malfeitos. Já não se trata mais de negar um crime, mas de fazer de conta que ele sequer existiu.

Lula, em mais de sete anos de governo, certamente só tem um arrependimento: não ter mandado incluir na minireforma política proibição de denúncias de corrupção em período eleitoral. Eis a única coisa que não o deixa dormir direito. Por aí se tira nas mãos de quem se encontra a Presidência da República.    

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6 de setembro de 2010 às 10h14min

Analista que acessou dados do tucano
Eduardo Jorge em Minas é filiado ao PT

O analista tributário Gilberto Souza Amarante, que trabalha para Receita Federal no interior de Minas Gerais e acessou dez vezes os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001.

De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amarante é um dos 276 filiados do PT que votam na cidade de Arcos, vizinha ao município mineiro de Formiga, onde o analista acessou, no dia 3 de abril de 2009, o CPF de Eduardo Jorge dez vezes em menos de um minuto.

A identificação de Amarante foi feita pelo Estado com base no número do título de eleitor e do registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do analista tributário. A situação do registro de filiação de Amarante é classificada como “regular” pelo sistema do TSE. O servidor do Fisco vota na 18ª zona eleitoral, na seção 35, que fica na Casa de Cultura de Arcos.

A agência da Receita Federal responsável pela região do município de Arcos é sediada em Formiga e está subordinada à Delegacia de Divinópolis, a 124 quilômetros da capital Belo Horizonte (MG).

Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não tem negócios nem imóveis na cidade mineira de Formiga, o que reforça a suspeita de violação de seus dados pelo analista. Os acessos feitos a partir do computador no interior de Minas aconteceram seis meses antes do início da série de violações de sigilos fiscais de dirigentes tucanos e da filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

Os dados fiscais de Verônica foram obtidos pelo contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que era filiado ao PT quando usou uma procuração forjada para acessar os dados da filha do ex-governador de São Paulo. O PT afirma que o pedido de filiação de Atella não foi concluído, mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou o registro da filiação.

Os acessos aos dados de EJ pelo analista de Formiga foram identificados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que à pedido da Receita fez uma “Apuração Especial”, relacionando todas as consultas envolvendo o CPF do vice-presidente do PSDB no período entre 2 de janeiro e 19 de junho de 2009.

Todas as consultas feitas por Amarante aconteceram em questão de segundos. De acordo com o documento obtido pelo Estado, o primeiro acesso aos dados de Eduardo Jorge aconteceu às 16h32m18s. O último ocorreu às 16h32m59s. Todas as consultas foram feitas pelo mesmo usuário, a partir de um único computador.

Além de EJ e Verônica Serra, os sigilos fiscais de outros tucanos também já foram violados por servidores da Receita. No dia 8 de outubro do ano passado, os dados do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros foram acessados, bem como os de Gregorio Marin Preciado (empresário casado com uma prima de Serra) e de Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil no governo Fernando Henrique Cardoso.

Provas de que analista é do PT

Com informações de O Estado de S. Paulo

3 de setembro de 2010 às 22h58min

Governo Lula: a pobreza mental alimenta a pobreza física

Definitivamente, a mediocridade, a canalhice e o estupro do que deveria ser digno foram elevados à condição do que se deve aplaudir. Mundo estranho esse em que os valores essenciais para manter uma sociedade saudável são motivos de vergonha.

Não que o mundo de ontem tenha sido melhor do que o de agora. Não se trata de saudosismo, coisa sempre idealizada e fora da realidade. Mas a diferença existe: as malversações que ontem envergonhavam, hoje são tidas como motivo de elogio. Se isso não diferencia o passado do presente, então melhor se render ao presente absurdo.

Quatro representantes de um partido de oposição têm o sigilo fiscal quebrado, entre eles, o vice-presidente do PSDB. Depois a imprensa divulga, contra as reticências da Receita Federal, a imoralidade da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato a presidente da oposição. Ficamos sabendo que Serra, o pai cuja filha teve o sigilo fiscal devassado, queixou-se ao presidente da República, num encontro em São Paulo.

Pois bem, o presidente da República, que ouviu a queixa, vem a público dizer que não foi alertado. Tratava-se de simples queixa. Para espanto da plateia que esperava um filme de humor, o presidente trata de esclarecer que o filme é de horror. Segundo ele, queixa não é alerta. O candidato de oposição, na verdade, está com dor de cotovelo por estar, segundo as pesquisas eleitorais, muito abaixo da candidata governista.

Vejam a que ponto chegou o cinismo de um chefe de Estado. Ele não pronuncia uma única palavra de indignação contra a quebra do sigilo fiscal. Não demonstra nenhuma dor de cabeça por uma instituição como a Receita Federal ser jogada na lama e deixar os declarantes em polvorosa.

Lula só tem olhos voltados para a eleição de sua dileta ignorante fundamental. O resto é resto. O que não deveria espantar, já que os Correios foram transformados no que sabemos. Uma instituição que mesmo sob a ditadura foi tida como das mais confiáveis do país.

Uma coisa grave como a quebra do sigilo fiscal virou bolero. Uma simples dor de cotovelo. Como se quebrar o sigilo fiscal da filha de um adversário político fosse um samba canção de Lupicínio Rodrigues. Sem a qualidade e a dignidade poéticas de Lupicínio, acrescente-se logo.

O governo Lula, que mandou mensagem de parabéns ao blog que demonstrava saber da quebra do sigilo fiscal da adversária, que trata denúncia grave como dor de cotovelo, que incentiva congresso contra a liberdade de imprensa, vem a público dizer, na voz do chefe maior, que a internet é livre e não há como controlar ou impor censura.

Como levar isso a sério se o mesmo Lula de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, quando ouve ou lê denúncia comprovada contra o seu governo, diz que a imprensa é golpista e só olha o que não presta no governo?

Quando as denúncias são fajutas e baseadas em crimes, como a quebra do sigilo fiscal, desde que sejam contra adversários, o governo de repente vira democrático?

Bom, quem aceita isso, ou é ignorante ou acredita que um país possa se desenvolver mesmo que suas instituições fiquem em frangalhos.

Tudo isso vira uma China: os índices econômicos podem ser fabulosos, mas a miséria moral estará sempre negando uma placa de néon.

1 de setembro de 2010 às 18h54min

José Serra precisa denunciar o crime na TV

Não fosse a imprensa (e por aqui se entende a ojeriza do lulo-petismo à imprensa, sempre tratada como golpista), até hoje a Receita Federal estaria a negar a quebra do sigilo fiscal de quatro integrantes do PSDB, entre eles o vice-presidente do partido, Ou mesmo a tratar como coisa corriqueira.

Por último, descobriu-se a quebra do sigilo fiscal de Verônica, filha do candidato a presidente – coincidência das coincidências – do PSDB. Fora alegado que Verônica teria apresentado documento registrado em cartório para bislhotar a própria declaração de imposto de renda.

Como a imprensa e Verônica desmascararam a trama, no fim da tarde a Receita resolveu assumir o que até o pipoqueiro da esquina já sabia: o documento é falso. Trata-se mesmo de um crime. 

Questionada por jornalistas, quando a imprensa não só tinha provas do crime, mas sabia que os dados roubados estiveram na coordenação da campanha da petista, Dilma Rousseff puxou a democracia, por quem ela e o lulo-petismo não têm o menor apreço, para dizer que era inadimissível acusações sem provas.

Em abril, ao sentir que a candidatura a presidente havia naufragado por conta do companheiro Lula, o deputado Ciro Gomes disse, em entrevista, palavras proféticas:

- Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma merda.

O PSDB tem a obrigação de denunciar tudo, e em detalhes, a respeito do crime. O povo brasileiro precisa ser alertado sobre quem acredita que “campanha é lama”. Porque o lulo-petismo tem projeto de poder, jamais para o Brasil.…

Do contrário José Serra será considerado mero cabo eleitoral de Dilma. E não merecerá o respeito dos brasileiros dignos.

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