Blog do Kenard – Notícias e Análises

10 de maio de 2012 às 00h59min

Cléber Verde poderá ser secretário de Roseana Sarney.
E ninguém fica amarelo de vergonha

Viajei pela manhã. Estou de volta. Obrigado pela participação nos comentários.

Bom, cheguei e li no blog do Marco D’Eça que o deputado federal Cléber Verde (PV) poderá assumir a secretaria de Cidades do governo Roseana Sarney (PMDB).

A ser verdade, eis mais um nome que depõe contra o governo de Roseana Sarney.

Cléber Verde foi demitido do INSS, a bem do serviço público, em 2003, quando ainda exercia o cargo de vereador em São Luís.

Verde foi acusado de inserir dados falsos no sistema da Previdência Social. Eleito duas vezes vereador de São Luís, ele usou o cargo que exercia no INSS para aposentar pessoas de forma fraudulenta, conforme constataram peritos do instituto.

Cléber Verde era do PRB, mesmo partido do então vice-presidente da República José Alencar, que fez de tudo, junto à direção do INSS, para salvar o companheiro de partido. José Sarney também trabalhou para salvá-lo.

Assim, em 18/10/2010, o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, expediu portaria extinguindo a demissão e redimiu Cléber Verde. Um milagre e tanto, afinal desde 2003 o deputado lutava na Justiça para voltar ao cargo e perdia todas. Sete anos, José Alencar, Sarney e o ministro da Previdência depois, Cléber recuperou o cargo.

É esse o homem cotado para assumir uma secretaria no governo Roseana Sarney.

9 de maio de 2012 às 08h08min

CNJ cria fórum permanente para
defender a liberdade de imprensa

As decisões judiciais contrárias à liberdade de imprensa levaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a criar um Fórum Nacional do Poder Judiciário e Liberdade de Imprensa. A proposta, feita pelo presidente do Conselho, Carlos Ayres Britto, foi aprovada ontem, terça-feira, 8, por unanimidade pelos integrantes do CNJ.

Ayres Britto afirmou que o fórum deverá acompanhar o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou ser incompatível com a Constituição a Lei de Imprensa aprovada ainda no governo militar e que, de acordo com o STF, criava embaraços para o livre exercício da liberdade de imprensa.

O fórum, entretanto, não terá competência para rever ou censurar decisões judiciais contrárias à liberdade de imprensa.

“Não podemos intervir em decisão do poder Judiciário”, afirmou Ayres Britto. “O que vamos fazer é um fórum permanente. Esse é um processo cultural que demanda certo tempo”, acrescentou o ministro.

Seminário. A proposta foi adiantada por Britto no Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, na semana passada, em São Paulo. Nos dois dias do seminário, promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), especialistas avaliaram que juízes de primeiro e segundo graus condenam jornalistas e meios de comunicação, o que restringe a liberdade de expressão e de imprensa.

“Onde for possível a censura prévia se esgueirar, se manifestar, mesmo que procedente do Poder Judiciário, não há plenitude de liberdade de imprensa”, afirmou Ayres Britto no seminário. “A liberdade de imprensa ocupa, na Constituição, este pedestal de irmã siamesa da democracia”, acrescentou.

9 de maio de 2012 às 00h07min

Os falsos delicados que defendem Décio ignoram a insegurança
por uma simples razão: picaretas não vivem sem cofres públicos

Hoje, numa conversa com um velho amigo, disse o seguinte: eu chorei e fiquei muito mal com a morte de Décio Sá. Agora os que se dizem amigos dele tratam o caso com sentimento vulgar e defesa inapropriada. Disse mais: jamais estarei nessa fileira. Lamentar de verdade o ocorrido com Décio Sá requer dignidade.

Sou dos que acreditam que lamentar uma morte não significa endeusar o morto. Disse inúmeras vezes – e ele ficava contente com o que eu dizia, diga-se logo – a Décio que ele era um grande repórter. Aquele que adora a notícia. E escrevi aqui (os leitores podem recorrer aos arquivos) que ser bom ou excelente repórter não quer dizer ter bom texto. O jornalismo é assim.

Mas a condição de morto não faz de Décio Sá um paladino da justiça e da democracia. Ao contrário, por estar a serviço de um grupo político, no caso dos Sarney, Décio inúmeras vezes deixou de lado o jornalismo. Impossível esquecer o que ele fez com a correspondente da Folha de S. Paulo que cobria a eleição de 2010 no Maranhão. Para defender os patrões, Décio chegou ao ponto de divulgar o celular da repórter no blog. Um acinte. Ouso dizer o que os que se passam por delicados, mas que na verdade estão a falar em causa própria, fingem tapar o nariz ao ouvir: há muito Décio havia deixado de ser jornalista para ser um repórter dos Sarney.

Pergunto: imbecis e picaretas de todos os naipes, com isso estou a defender o assassinato brutal? Claro que não. Só os canalhas e picaretas diriam que sim. Porque estes não estão a defender Décio, mas os defeitos de Décio que eles trazem em si.

Os jornalistas de araque amavam Décio Sá não pelas qualidades, mas pelos defeitos. Queriam ser Décio não pelo que ele conseguiu fazer de qualidade, mas pelo o que fez de reprovável. Os abomináveis nos amam pelo que fazemos de errado, eis a verdade indiscutível.

São esses crápulas que vejo a defender Décio Sá a qualquer preço e a qualquer custo. Esses não defendem Décio, o morto brutalmente, esses se agarram ao morto inescrupulosamente para defender a si mesmos. Defendem Décio para defender na consciência pesada os canalhas que são. São esses que fingem estar zangados com o que escrevo em defesa de Décio.

Não posso negar, sinto nojo dessa gente. Mas essa turma só existe porque o maranhense perdeu, nesses 45 anos de mando de uma única família, qualquer resquício de bom caratismo. Quem escreve errado é visto como bom jornalista. Quem não tem escrúpulo é visto como bom caráter. Quem é capaz de vender até a mãe é considerado bom sujeito. Com uma maioria de maranhenses assim, o errado sempre se sobressai. O errado é visto como correto. Eis a cultura que a oligarquia conseguiu implantar no Estado. É o patrimonialismo até das almas.

Não havia como evitar o assassinato brutal de Décio Sá. Mas a fuga de quem o assassinou naquele local é prova de absoluta falta de segurança no Estado. Mas ninguém que defende Décio Sá toca nesse assunto. Por quê? Porque isso exporia um aparelhamento de segurança destruído. E mostrar a realidade da segurança no Maranhão é mexer com o governo do Estado. Como todos os defensores delicados de Décio Sá estão de uma forma ou de outra na dependência econômica do governo, o melhor mesmo é falar do assassinato de Décio dentro de um sentimento vulgar, fora da realidade.

Daí que bradam em jornais, tevês, blogues e outdoors: Justiça e Paz. Como se a justiça fosse algo apartado da realidade política do Maranhão. Como se a justiça pudesse ser feita fora do aparelho de segurança. Daí também que a governadora tenha soltado uma nota após a morte do jornalista de suas empresas pedindo que fossem presos os covardes assassinos. Mas não é ela a responsável pela segurança do Estado? Que conversa fiada é essa?

Assim, é mais fácil ser piegas e sentir dó de Décio do que escancarar a falência do sistema de segurança. Sentir dó de Décio atrai leitores e aplausos dos bestas. Mostrar que o governo tem uma segurança inoperante, incompetente e fora dos padrões requeridos leva a se incompatibilizar com o cofre do governo. Não preciso dizer pelo que os canalhas optam. Ou preciso?

8 de maio de 2012 às 12h26min

Roseana chama Chiquinho Escórcio de moleque.
Escórcio rebate chamando Max Barros de vagabundo

Leiam a nota publicada pelo jornalista Lauro Jardim, de Veja. Logo a seguir faço meus comentários:

Quebra pau

Escórcio: "Max é safado"

Aliado de primeira hora da família Sarney no Maranhão, o deputado Chiquinho Escórcio estava enfurecido com uma certa “governadora” nesta manhã. Já ao final da homenagem a Roberto Dinamite, no plenário da Câmara, Escórcio se recolheu a um canto do plenário para falar ao celular e travou o seguinte diálogo:

- Governadora, não venha me chamar de moleque. O seu secretário é que é um vagabundo safado. Se tem uma pessoa que defende o seu governo, essa pessoa sou eu. Tenho muito respeito pelo seu governo, mas ninguém vai pisar em mim.

Segundo Escórcio, o “vagabundo safado” em questão é Max Barros, o secretário de Infraestrutura do governo de Roseana Sarney que, nas palavras de Escórcio, “está mexendo com todo o pessoal meu, está pisando em mim”. Quem entende da política maranhense, diz que Barros caiu em desgraça com Escórcio por não encaminhar seus pleitos no governo. A governadora dispensa apresentações.

Comentário do Blog: Reparem bem. No dia 23 de janeiro publiquei aqui em primeira mão a briga entre o secretário de Infraestrutura Max Barros e o deputado federal Chiquinho Escórcio. Revejam aqui: Rixa entre Chiquinho Escórcio e Max Barros gerou a candidatura de Washington do PT. 

É sabido que Max Barros tem ojeriza a Chiquinho Escórcio. A cada pleito de Chiquinho, Barros responde mostrando que as cidades a serem beneficiadas têm prefeitos enrolados, o que impossibilitaria o benefício.

Chiquinho Escórcio, ao seu estilo, vinha evitando o confronto pesado, como vocês podem ler no meu texto de janeiro. Mas a coisa engrossou de vez.

Estava claro que a governadora Roseana Sarney tomaria partido. A favor de Barros, claro. Daí chamar o deputado federal Chiquinho Escórcio de moleque. Em resposta à governadora, Escórcio chamou Max Barros de “vagabundo safado”. Se Max é queridinho de Roseana Sarney e do marido Jorge Murad, Escórcio vive sob as asas de Sarney, o presidente do Senado. Foi de Escórcio, diga-se, a ideia de levar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o processo de cassação do então governador Jackson Lago (PDT).

Chiquinho Escórcio foi aconselhado por pessoas do grupo Sarney a rebater a nota de Lauro Jardim. Ele limitou-se a dizer:

- Eu não falo mal do seu governo, eu falo mal das ações do seu secretário de Infraestrutura [Max Barros], que onde tem o dedo dele todo mundo reclama.

Evidente que Escórcio não vai agora dizer que houve o bate-boca com Roseana Sarney. Mas, que houve, houve.

 

 

8 de maio de 2012 às 10h35min

Flávio Dino e PCdoB armaram um nó difícil de desatar

São absolutamente remotas as possibilidades de Flávio Dino (PCdoB) vir a ser candidato a prefeito de São Luís. O PCdoB, que relutava em aceitar, já começa a trabalhar com a decisão.

O problema é o seguinte: Dino incentivou uma penca de partidos de oposição a lançar candidato. A ideia era que o mais viável seria o candidato apoiado por todos. A proposta era de difícil execução com Flávio Dino à frente, com o afastamento dele, após o drama familiar, a coisa parece ter desandado de vez.

O PCdoB, nessas circunstâncias, parece não saber o que fazer. Não há estratégia alguma em curso. A nau oposicionista nestas eleições está claramente sem rumo. Todos querem se viabilizar e todos se sentem enganados. Caso Dino e seu partido não encontrem uma solução, o projeto de 2014 vai começar a fazer água já agora em 2012. Anotem.

Tudo leva a crer que Flávio Dino não porá a mão sobre o ombro de nenhum dos candidatos que incentivou a se lançar. A se confirmar a neutralidade, o beneficiário direto chama-se João Castelo (PSDB), o prefeito de São Luis que tentará a reeleição.

Por falar nisso, o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) busca essa neutralidade. Tavares gostaria de ver posto em prática um compromisso tácito entre Dino e Castelo, tendo como centro o apoio do tucano nas eleições de 2014. O ex-governador acredita que ainda há tempo para o prefeito abrir a administração e fazer um governo de coalização. As possíveis mágoas com Dino seriam apaziguadas, acredita.

O PCdoB, ou pelo menos parte do partido, não parece levar em conta a proposta de José Reinaldo Tavares. São os que trabalham nos bastidores pela viabilização da candidatura de Edivaldo Holanda Júnior (PTC). O que eles não perdem de vista: a reação do pré-candidato e ex-prefeito de São Luís Tadeu Palácio (PP).

Eis o real quadro da disputa pela Prefeitura de São Luís no âmbito da oposição. Como se observa, há um nó difícil de desatar. 2014, a partir de agora, depende da capacidade do PCdoB e de Flávio Dino de desatá-lo.

 

7 de maio de 2012 às 23h28min

Motorista de secretário atropela e mata funcionário de Lava Jato

O motorista do secretário municipal Júlio França, do PDT, atropelou e matou há pouco o funcionário do Lava Jato que fica ao lado do restaurante Cabana do Sol.

Segundo informações passadas ao blog, o funcionário do Lava Jato, para tomar o ônibus, precipitou-se na avenida, o que ocasionou o acidente fatal.

O blog dará detalhes mais tarde.

7 de maio de 2012 às 18h18min

Sarney Filho deixa o Maiobão sob protesto dos moradores

Fui o primeiro a dizer, ainda em janeiro, que o deputado federal Sarney Filho (PV) preparava o filho Adriano Sarney para ser o vice de Bia Venâncio em Paço do Lumiar (reveja aqui).

Bem, no sábado, 05/05, houve a inauguração do comitê do PV no Maiobão, bairro de Paço do Lumiar. Sarney Filho foi ao evento.

Foi ao evento e teve de provar da rejeição a Bia Venâncio, de quem é aliado e protetor. A população do Maiobão tratou Sarney Filho com xingamentos, o que o fez entrar no carro e pular fora.

Vejam as fotos que me foram enviadas por um leitor:

Sarney Filho na saída do comitê

 

Sarney Filho descobre que a coisa não ia bem

Moradores descobrem o deputado e começam o protesto

Aliados de Bia tentam conter os protestos

Sarney Filho entra no carro e sai às pressas

 

Populares observam o deputado em fuga

 

 

7 de maio de 2012 às 16h59min

Homicídios de mulheres: Brasil é o 7º do mundo

Um estudo divulgado nesta segunda-feira, 7, apontou que o Brasil tem o sétimo maior índice de homicídios entre as mulheres entre 84 países. De acordo com a pesquisa, a taxa de homicídio no Brasil ficou em torno de 4,4 vítimas para cada 100 mil mulheres.

A pesquisa, coordenada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, foi batizada de “Mapa da Violência de 2012: Homicídios de Mulheres no Brasil” e foi feita com apoio da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais – FLACSO – e do Instituto Sangari.

O objetivo do estudo é traçar um panorama da evolução do homicídio de mulheres entre 1980 e 2010, quando foram assassinadas 91.932 mulheres, sendo quase a metade – 43.486 mortes – na última década desse período.

Os Estados com maiores taxas, no ano de 2010, foram: Espírito Santo, Alagoas e Paraná, com taxas de 9.4, 8.3 e 6.3 homicídios para cada 100 mil mulheres, respectivamente.

Um detalhe também significativo é o local onde aconteceu a agressão: em 69% das vítimas femininas atendidas pelo SUS, foi na própria casa.

O relatório completo do estudo pode ser acessado pelo site:http://www.mapadaviolencia.net.br/

7 de maio de 2012 às 09h36min

A miséria dos turistas trabalhadores

Por Chico Otávio, de O Globo

COROATÁ (MA) – Se não havia como vencer a miséria, o motorista Júnior Rachid, de 34 anos, decidiu valer-se dela para sobreviver. Há um ano, comprou um ônibus Scania 112, de 1990, e passou a fazer parte do único negócio que prospera em Coroatá, cidade maranhense a 276 quilômetros de São Luís: o transporte clandestino de trabalhadores para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, onde o corte da cana de açúcar e a construção civil os espera. A cada viagem, Rachid leva cerca de 50 pessoas, a maioria homens jovens, que apostam na estrada como a única chance de escapar da vida miserável e sem esperança no interior do Maranhão.

- Levo iludidos e trago arrependidos – diz o motorista.

Ao contrário dos migrantes do passado, que fincavam raízes onde desembarcavam, os passageiros de Rachid cumprem jornadas de trabalho temporário e depois voltam. No Maranhão, a migração sazonal movimenta de 500 mil a 1 milhão de pessoas todo ano. Quem quiser conhecê-la, basta chegar cedo às rodoviárias de Coroatá e das cidades vizinhas de Codó e Timbiras, todas as sextas-feiras, e acompanhar as cenas de famílias humildes despedindo-se do filho que sobe no “ônibus de turismo”.

A região dos Cocais, onde fica Coroatá, entre os vales dos rios Itapecuru e Mearim, no centro do Maranhão, é uma espécie de enclave da mão de obra barata que abastece o país. Uma estrutura fundiária extremamente arcaica, caracterizada pela predominância da grande propriedade, pela agricultura de subsistência e pela produção de óleo de babaçu, processo artesanal que lembra o homem coletor da pré-história – somada à ausência de alternativas de trabalho urbano -, faz da população local presa fácil para a indústria do tráfico de pessoas. Muitos que embarcam mal sabem para onde estão indo:

- Estou esperando um companheiro. Se ele aparecer, vou para as bandas de lá. Não sei exatamente onde, mas sei que é São Paulo – comenta Edmilson Gomes, de 46 anos, enquanto aguarda o embarque em Codó.

Ao pegar a estrada, o ônibus de Edmilson passa em frente à Unidade de Ensino José Sarney, em Timbiras. Prédios como este servem muito mais para homenagear a família que, há quase cinco décadas, domina o Maranhão do que para oferecer às cidades dali condições de romper a estagnação econômica. De acordo com o Censo de 2010, do IBGE, 72,15% dos moradores de Codó, com dez anos ou mais, não têm instrução ou não completaram o ensino fundamental.

Para o professor Marcelo Sampaio Carneiro, do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a onipresença de Sarney nos Cocais vai além de um nome na porta de uma escola. As raízes da estagnação, sustenta Carneiro, teriam crescido nos anos 1960, quando José Sarney, então governador do estado, criou a Lei de Terras, a pretexto de modernizar o Maranhão, e introduziu na região os grandes latifúndios, financiados com recursos da Sudene, e os grileiros:

- Os proprietários usaram a terra para acessar os fartos incentivos fiscais, formaram pastagens de baixa qualidade e compraram gado apenas para justificar o uso desses recursos. Hoje, a pecuária nem sequer é expressiva na região. Não há nenhum argumento que justifique o monopólio da terra.

Sem outras alternativas, essas cidades tiraram da desesperança sua vocação econômica. Na década passada, gente como Beto do Codó, Antônio Grosso, Francinaldo e Suelen começaram a montar uma rede de agenciamento de mão de obra barata nos Cocais. Eles se apresentam como donos de agências de turismo, que estão por toda parte, mas normalmente os ônibus partem cheios e voltam vazios. Uma das agências, em Coroatá, chama-se Clandestur.

O destino do esquema inicial era São Paulo, com suas usinas produtoras de cana de açúcar, mas o crescente processo de mecanização dessa lavoura reduziu as “encomendas” e os obrigou a diversificar o negócio. Na semana passada, por exemplo, a agenciadora Suelen, uma paulista de Pradópolis que não forneceu o sobrenome, embarcou 40 trabalhadores para as obras do programa Minha Casa Minha Vida em Macaé, no norte fluminense. Ela disse que o contrato com o “encarregado da obras”, que identificou apenas como Luís, prevê o envio de um total de 300 homens.

Em Coroatá, segundo a Comissão Pastoral da Terra, mais da metade dos 60 mil moradores são favorecidos com algum tipo de benefício social, principalmente a aposentadoria rural e o programa Bolsa Família. Mas, para os jovens locais, a renda é insuficiente para dar conta de seus sonhos. O maior deles, diz o vereador petista Sebastião Araújo, o Ciba, é a compra de uma motocicleta, ambição de nove entre dez “passageiros” das agências de turismo dos Cocais.

- Eles chegam a trazer as motos de São Paulo no bagageiro do ônibus. Por isso, mesmo com todas as mazelas do emprego que os aguarda, eles sempre querem ir – diz Ciba.

Antônio Carlos Gomes Lobo, de 31 anos, é um deles. Analfabeto, casado, dois filhos, trabalha na roça de mandioca, arroz e milho no povoado Nogueira, área rural de Coroatá. Ele viajou duas vezes – em 2006, para Uberaba (MG), e em 2009, para Guaribas (SP). Só não voltou porque ainda não conseguiu os R$ 170 cobrados por uma passagem nos ônibus de turismo.

- Quando eu conseguia cortar 300 metros de cana por dia, chegava ao fim do mês ganhando R$ 1,2 mil. Aqui, não existe emprego que pague a mesma coisa -garante.

Francisco Gilson Gomes Guimarães, de 33 anos, também gostaria de voltar, mas não poderá mais. Em 2008, conseguiu comprar uma moto com o dinheiro que ganhou no corte de cana em São Paulo. Dois anos depois, acidentou-se em Coroatá. Uma perna ficou mais curta e ele perdeu qualquer esperança de renda.

7 de maio de 2012 às 08h14min

Icatu: uma cidade abençoada por Deus
e abandonada pelo prefeito Juarez Lima

A cidade de Icatu tem pouco mais de 25 mil habitantes, segundo o Censo-2010. É a terceira cidade mais antiga do Maranhão (a primeira é São Luís e, a segunda, Alcântara). Tem um potencial turístico de fazer inveja. Sua riqueza de peixes é uma bênção.

Pois bem, agora em 2012 encerra-se o segundo mandato do prefeito Juarez Lima (ex-PDT, ex-PV, hoje sem partido). Quem chega à cidade logo descobre: não há prefeito. A riqueza natural foi atropelada pela pobreza da população. Tudo ali recende a carência. O que faz o visitante se abismar, afinal de contas trata-se de uma população trabalhadora, alegre e absolutamente hospitaleira.

Como não há turistas, não há restaurantes e pousadas pelo menos razoáveis. Para encontra-los o visitante precisa percorrer 11 km até a vizinha cidade de Morros.

Em oito anos de mandato, o prefeito Juarez Lima firmou uma marca: é incapaz de concluir uma obra. Na sede e nos povoados podem ser vistos os esqueletos do que deveriam ser obras. Escolas não concluídas, conjuntos residenciais não concluídos, sistema de água não concluído, vários cais não concluídos e calçamentos só iniciados. Esse o quadro desolador.

Claro, para não falar do que precisa ser feito e sequer foi iniciado.

Se chutar, cai

Só para dar uma ideia do descaso total: o hospital da cidade ficou fechado seis meses para reforma. Nesse período o hospital funcionou no campo de futebol da cidade. Detalhe: o prefeito Juarez Lima é médico.

Há pouco a prefeitura construiu uma escola no povoado Palmeiras. Como as paredes ameaçavam desabar, a prefeitura despejou carradas de pedras para servir de escoras às paredes. A população se revoltou e não aceitou que seus filhos corressem risco de vida. A prefeitura não tomou nenhuma providência. A população retirou as pedras. Aconteceu o óbvio: a escola veio abaixo. E continua no chão.

Também não faz muito e um médico, revoltado com as condições de trabalho num Posto de Saúde no povoado Itatuaba, meteu o pé na parede e o Posto de Saúde veio abaixo. A sala de consultas, uma entre várias coisas que irritaram o médico, media 1,5m X 1,5m.

Sertãozinho possivelmente é o povoado onde se concreta a maior atividade pesqueira de Icatu. A qualidade, o tamanho e a variedade dos peixes são inigualáveis. O problema é que a estrada que liga o povoado à sede é um desastre. O que era para ser feito em minutos consome horas. O motorista precisa de carro potente e de habilidades extras para enfrentar as crateras.

Pelo trajeto podem-se observar rios de águas cristalinas sendo abafados pela piçarra da estrada ou pelos pequenos morros que estão desabando.

É o caso, por exemplo, de um belo rio no povoado Santana, praticamente colado na sede de Icatu. O que era um belo rio está dramaticamente se transformando numa nesga de água.

A mais recente aventura do prefeito Juarez Lima foi a criação de um cais que sairia da praça principal da sede da cidade até um ancoradouro improvisado. O projeto foi feito, a verba foi conseguida com o Governo Federal, por intermédio do deputado Rogério Cafeteira (PMN). Parece que o prefeito perdeu o entusiasmo com a obra (ele vive a perder o entusiasmo com o que projeta, daí as incontáveis obras inacabadas).

Agora, ao fim do mandato, ele resolveu fazer o cais. Contratou uma empresa. As atividades, no entanto, se resumiram a um aterro criminoso de parte considerável do manguezal. Motivo: o prefeito Juarez Lima descobriu que perdera o prazo e a verba retornara aos cofres federais. O barro do aterro está sendo consumido pelas águas.

O prefeito Juarez Lima, que quase não é visto na cidade, muito justamente tem larga rejeição. Mesmo assim diz que irá fazer o seu substituto. Resta saber se o candidato dele não será mais uma obra inacabada.

Veja, a seguir, as fotos das obras inacabadas:

O que era para ser um cais virou aterro criminoso

 

Veio o dinheiro, mas o calçamento nunca foi feito

Aterro criminoso para o conjunto que nunca foi feito

 

A população nunca bebeu uma gota da central de abastecimento